Capítulo 7 -O Peso das Verdades Inaudíveis
por FanfiqueiraNamjoon acordou antes que a primeira luz real atingisse as cinzas da lareira. O peso do corpo de SN sobre o seu era a âncora mais doce e dolorosa que ele já carregara. Ela estava aninhada em seu peito, exatamente como costumava fazer anos atrás, como se o corpo dela tivesse uma memória própria que ignorava o rancor e a distância.
Ele a observou em silêncio. O cheiro dela — aquele mix de lavanda e o calor da pele — inundava seus sentidos, trazendo um maremoto de saudades. Ele sentia saudade não apenas do corpo, que agora ele percebia estar mais maduro e feminino, mas das conversas filosóficas às três da manhã, das birras infantis que ela fazia só para que ele a pegasse no colo e a calasse com beijos até terminarem na cama.
Namjoon sentiu seu corpo reagir. A excitação era inevitável, um reflexo do desejo reprimido, mas era a saudade do coração que mais doía. O rosto dela estava a centímetros do seu. Os lábios dela, entreabertos pelo sono, eram um convite ao desastre. Ele começou a se inclinar, milímetro por milímetro, fechando os olhos para sentir o calor da respiração dela na sua pele.
No momento em que sua boca quase roçou a dela, SN se mexeu.
O pânico atingiu Namjoon como um balde de água gelada. Em um reflexo desesperado, ele fechou os olhos e relaxou o corpo, forçando a respiração a ficar pesada e rítmica, fingindo um sono profundo que ele estava longe de ter.
SN abriu os olhos devagar. Ao ver Namjoon tão perto, a guarda dele baixada pelo suposto sono, os olhos dela se encheram instantaneamente. Ela esticou a mão, pairando os dedos sobre o maxilar dele e os fios de cabelo bagunçados, mas sem chegar a tocá-lo, temendo que o contato físico quebrasse o feitiço.
Ela moveu o braço levemente, testando o peso dele, e depois soltou um suspiro longo perto do rosto dele. Namjoon não se moveu. Ele sentia cada poro do seu corpo em alerta, o coração martelando contra as costelas, implorando para não ser traído pela pulsação.
Então, ela começou a sussurrar. A voz era um fio de seda, carregada de uma dor que Namjoon nunca tinha ouvido antes.
— Você está cada vez mais sexy, meu amor — ela disse, a voz falhando. — Valeu a pena… cada lágrima, cada distância que tive que dar para longe de você, só para ver você bem, saudável… vivo.
Namjoon sentiu um solavanco interno ao ouvir a palavra “vivo”. A voz dela quebrou ali, e ele sentiu uma gota quente cair exatamente sobre o seu bíceps, onde a cabeça dela estava apoiada. Uma lágrima dela.
— Pelo jeito você… você ficou muito bem sem mim — ela continuou, e Namjoon sentiu o peso daquela conclusão errada. — Que bom. Eu passaria por esse inferno cem mil vezes só para ver você bem, feliz… mesmo que seja com outra pessoa.
As palavras dela ecoaram na mente dele como uma explosão. Passaria por esse inferno? Distância para ver você vivo? Namjoon teve que usar toda a sua disciplina de anos como figura pública para não abrir os olhos e sacudi-la pelos ombros. Ele queria gritar que não estava bem, que a felicidade era uma fachada, que o “viver” sem ela era apenas uma forma de não morrer. Mas a revelação de que a partida dela tinha sido uma espécie de sacrifício — algo para mantê-lo a salvo — mudou tudo.
O braço dele, sob a cabeça dela, estava dormente, mas ele não se atrevia a mover um músculo. Por dentro, ele estava em chamas. A culpa e o amor colidiam. Ele percebeu que, enquanto ele a odiava por tê-lo deixado, ela o amava o suficiente para deixá-lo.
SN se afastou um pouco, tentando conter o choro para não acordá-lo, sem saber que o homem sob ela estava vivendo o momento mais transformador de sua vida. Namjoon continuou imóvel, mas sua mente já não estava mais no chalé. Ele estava tentando entender que tipo de perigo ou que tipo de mentira a fizera acreditar que ele só estaria “vivo” se ela estivesse longe.
Ele esperou, o coração em frangalhos, sentindo o rastro da lágrima dela esfriar em seu braço, sabendo que a partir daquele despertar, ele não poderia mais fingir que o ódio era a única coisa que os unia.
SN se afastou apenas o suficiente para olhar o rosto dele. A mágoa, que ela tentara enterrar sob camadas de cinismo e astronomia, transbordava agora em sussurros quebrados.
— Eu acho que… o que mais doeu foi… — ela começou, a voz tremendo pela umidade das lágrimas. — Quando eu estava voltando para você… eu vi que estava assumindo um relacionamento. Foi ali que eu percebi que… que você seria feliz, mas jamais eu seria aquela pessoa de novo.
Namjoon sentiu uma vontade excruciante de abrir os olhos e gritar que aquele namoro era uma farsa, uma encenação patética de um homem que só queria chamar a atenção dela. Mas ele não podia. Não ainda.
A voz dela mudou de tom, ganhando um traço de irritação infantil e dolorosa, a mesma que ela tinha quando ele esquecia de regar as plantas dela em Seul.
— E… como… como você pôde dar o meu colar para outra? — Ela fez um bico acentuado, as lágrimas escorrendo em silêncio enquanto a frustração tomava conta. — Agora… você não está mais com ela e o colar… o meu colar está com outra…
Namjoon sentiu um aperto no coração que quase o fez perder o controle da respiração. O colar. O símbolo que ela acreditava ter sido descartado.
— Está com outra… — ela sussurrou pela última vez, antes de esconder o rosto nas mãos, tentando abafar o som do choro que voltava a subir.
Namjoon não aguentou mais. Ele não podia deixá-la acreditar naquela mentira por mais um segundo sequer. Ele “acordou” lentamente, como se o som do choro dela o tivesse despertado de um sono profundo. Ele se espreguiçou de forma teatral e abriu os olhos, focando-os imediatamente nela, que tentava desesperadamente limpar o rosto.
— SN? — ele chamou, a voz propositalmente rouca de sono.
Ela se assustou, virando o rosto para o lado oposto.
— Você acordou. Desculpe, eu… eu só estava perdendo o controle com o frio.
Namjoon se sentou no colchão, a calça de moletom baixa nos quadris e o peito nu exposto. Ele a observou por um momento, a raiva do dia anterior completamente substituída por uma determinação sombria.
— Eu ouvi você — ele disse, direto.
SN congelou. O sangue fugiu de seu rosto.
— O quê?
— Eu ouvi o que você disse sobre o colar. E sobre o “inferno” que você passou para me ver vivo. — Ele se aproximou dela, obrigando-a a olhar para ele. — Você realmente acha que eu daria aquela joia para alguém como a Ji-yeon? Você realmente acha que depois de tudo o que vivemos, eu seria capaz de colocar o relógio da minha mãe no pescoço de outra mulher?
Ele se levantou e caminhou até a mochila que estava em um canto da sala. Revirou um compartimento escondido e puxou uma pequena caixa de veludo azul, gasta pelo tempo. Ele voltou para o lado dela e abriu a caixa.

Lá estava ele. O colar de dourado, o pingente oval, o relógio antigo. Intocado. Brilhando sob a luz pálida da manhã canadense.
— O que você viu na TV era uma réplica, SN. Um acessório de figurino que eu pedi para a agência providenciar. — Ele a encarou, os olhos queimando. — Eu fiz aquilo para te ferir. Eu fiz aquilo porque queria que você sentisse um décimo da dor que eu senti quando você me deixou. Eu queria que você voltasse para brigar comigo, para me xingar… mas você nunca veio.
SN olhou para o colar, as mãos trêmulas cobrindo a boca. O mal-entendido de dois anos atrás desmoronava diante de seus olhos.
— Ele nunca saiu da minha posse — Namjoon sussurrou, aproximando-se tanto que seus narizes se tocaram. — E agora, você vai me explicar exatamente o que quis dizer com “manter-me vivo”. Porque a tempestade lá fora parou, mas a que está aqui dentro só termina quando você me contar a verdade.
Agora é a hora da verdade
Pqp isso aqui foi um soco no estômago
Ele fingindo dormir kkkkk
Lavanda é meu odor favorito
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
TÔ CHORANDO MUITO Tô parecendo uma maluca
Isso ai, exigir explicações
Só ela sabe o que passou longe dele
Irrraaaaaw
Grande ator kkkk
kkkkkkkkkkkk
Imagino que namorar ele deve ser assim msm