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A escuridão no chalé não era vazia; era pesada, preenchida pelo som da neve batendo nas janelas e pelo estalar rítmico das brasas que morriam na lareira. Sem a eletricidade, o silêncio entre os dois tornou-se um terceiro habitante na sala.

Namjoon se levantou. O vulto dele era uma sombra alta e imponente contra o reflexo azulado da neve. Ele caminhou até um armário de canto, tateando até encontrar um pacote de velas e um isqueiro. O clique do isqueiro ecoou como um tiro. A pequena chama alaranjada iluminou o rosto dele por baixo, destacando a linha dura de sua mandíbula e o olhar fixo, quase predatório, que ele lançou para SN.

Ele acendeu três velas e as colocou sobre a mesa de jantar, entre eles. As chamas dançavam erraticamente com a corrente de ar frio.

— O acidente do meu pai não foi o motivo de você ter ido embora, SN — ele disse, a voz soando mais profunda no escuro. — Foi o momento que você escolheu, mas não o motivo. Ninguém foge para o outro lado do mundo por causa do susto de um acidente de carro que nem foi com ela.

SN desviou o olhar para a chama da vela. O calor da cera derretida parecia ser a única coisa real.

— Você não sabe o que eu senti naquele dia, Namjoon.

— Exatamente! Eu não sei porque você não me deixou saber! — Ele bateu com a palma da mão na mesa, fazendo as velas oscilarem. — Você me deixou segurando a mão do meu pai em uma cama de hospital e, quando eu olhei para o lado para buscar a sua mão, você não estava mais lá. Nunca mais esteve.

SN sentiu a garganta arder. O segredo que ela carregava sobre o acidente — o medo irracional, as palavras que ouviu de terceiros sobre ser um “peso” na carreira dele em um momento de crise familiar — estava na ponta da língua, mas ela o engoliu. Em vez disso, ela soltou a verdade sobre o seu quase retorno.

— Eu ia voltar — ela disparou, a voz trêmula, mas cortante. — Há dois anos. No ano em que meu pai morreu.

Namjoon travou. O movimento de se sentar novamente parou no meio.

— O quê?

— Eu tinha comprado a passagem, Namjoon. Eu passei meses ensaiando o que diria para você. Eu estava pronta para responder todas as suas perguntas, ouvir seus gritos… — Ela soltou uma risada amarga, sem humor nenhum. — Mas aí a Maya me mostrou aquela foto. Você e a Lim Ji-yeon. E o colar… o colar da sua mãe no pescoço dela.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Namjoon sentiu o estômago revirar. O plano que ele achou que era genial — usar a atriz e o colar para atraí-la — tinha sido, na verdade, o prego final no caixão deles.

— Eu não queria ser a ex-namorada problemática que aparece para estragar a vida perfeita do novo casal de ouro da Coreia — ela continuou, as lágrimas agora escorrendo livremente, embora sua voz estivesse fria. — Então eu cancelei o voo. Eu fiquei aqui. De vez.

— SN, aquela foto… — Namjoon começou, a voz falhando. Ele queria dizer que era mentira. Queria dizer que o colar era uma isca. Mas como admitir que ele foi tão patético a ponto de usar uma farsa para caçá-la?

— Não importa agora, Namjoon. Você seguiu em frente, assumiu um relacionamento público, deu a ela o que era mais sagrado na sua família. Eu entendi o recado.

Namjoon notou algo estranho no tom de voz dela. Ela falou sobre o pai ter morrido naquela mesma época com a mesma neutralidade de quem comenta sobre o tempo. Não havia luto, não havia dor visível.

— Seu pai morreu no mesmo mês em que você viu a foto? — ele perguntou, tentando ligar os pontos. — E você… você está bem com isso? Você fala como se não tivesse sentido nada.

SN deu de ombros, um gesto mecânico e desprovido de emoção.

— Algumas mortes acontecem muito antes do coração parar de bater, Namjoon. Certas coisas levaram o meu pai anos antes do caixão ser fechado. Eu já tinha chorado tudo o que tinha para chorar enquanto ainda estava em Seul.

Ela se levantou da mesa, a sombra de seu corpo projetando-se longa na parede do chalé.

— Eu vou para o quarto. Está ficando frio demais aqui embaixo.

Namjoon ficou sentado ali, observando-a subir as escadas. A revelação de que ela quase voltou o atingiu como uma avalanche. Ele estava tão ocupado sentindo-se a vítima da história que nunca parou para pensar que suas próprias ações, mesmo as motivadas pela dor, tinham construído o muro que os separava.

Ele olhou para a chama da vela. Ela estava certa: o frio estava aumentando. Sem a eletricidade, o chalé perderia o calor em poucas horas. E eles teriam que decidir se morreriam de orgulho ou se sobreviveriam juntos.

A madrugada avançava implacável, e o chalé agora era uma carcaça de madeira gélida. A lareira na sala já não dava conta do frio que subia pelo chão, e Namjoon, apesar de tentar se afogar em seus livros, não conseguia mais ignorar o fato de que o quarto do andar de cima, com seu isolamento térmico superior e o aquecedor a gás ainda funcional, era o único refúgio possível.

Ele subiu as escadas com os músculos tensos, não apenas pelo frio, mas pela antecipação. Precisava de um banho quente para tirar a rigidez do corpo e a névoa de sua mente. Ele bateu na porta do quarto de forma curta e grossa.

— Vou usar o banheiro aqui em cima — ele avisou através da madeira, a voz baixa e rouca. — É o único que o aquecimento não parou de vez.

Houve uma pausa longa antes de SN responder com um “tudo bem” quase inaudível.

Lá dentro, Namjoon deixou a água escaldante cair sobre seus ombros largos, mas o calor da água não era nada comparado ao fogo que subia por suas veias só de saber que ela estava a poucos metros de distância, deitada na cama onde ele deveria estar. Ele se olhou no espelho embaçado, sentindo a ereção pulsar levemente, um lembrete biológico de que o ódio não tinha matado a luxúria.

Ele desligou o chuveiro, mas não se vestiu. Enrolou uma toalha branca e fina na cintura, deixando-a perigosamente baixa nos quadris, expondo o abdômen esculpido pelos anos de treino intenso e as linhas da virilha que desapareciam sob o tecido. Ele sabia o efeito que tinha sobre ela. Sabia que o Namjoon que ela conhecera era mais magro, menos imponente. O homem de agora era uma força da natureza.

Ele abriu a porta do banheiro, e o vapor quente invadiu o quarto escuro, trazendo consigo o cheiro de sabonete e pele quente. SN estava sentada na cama, envolta em um cobertor, mas seus olhos foram imediatamente atraídos para a figura dele.

No escuro, os músculos de Namjoon pareciam ainda maiores, definidos pelas sombras das velas que ela havia acendido. SN sentiu a boca secar instantaneamente. Ela mordeu o lábio inferior, um gesto instintivo de quem tenta conter um grito — ou um gemido.

— Esqueci o sabonete lá embaixo — Namjoon disse, a voz vibrando no silêncio do quarto. — Você tem algum aí?

SN estava travada. O desejo veio em ondas avassaladoras, batendo contra sua razão como a tempestade batia nas janelas. Ela o via ali, quase nu, exalando um magnetismo animal que a fazia querer esquecer cada mentira, cada abandono.

Namjoon percebeu. Ele viu o jeito como o peito dela subia e descia rapidamente, como as pupilas dela estavam dilatadas. Um sorriso predatório quase surgiu em seus lábios. Ele começou a caminhar lentamente em direção à cama. Cada passo dele era calculado, fazendo os músculos das coxas tensionarem sob a toalha.

Ele não parou até estar a centímetros dela. O calor que emanava do corpo dele era um convite ao pecado. Namjoon inclinou o corpo sobre o dela, forçando SN a se reclinar contra a cabeceira da cama. O rosto dele desceu até ficar nivelado com o dela. A respiração quente de Namjoon batia no pescoço dela, e o cheiro de sua pele úmida era inebriante.

SN fechou os olhos, o coração martelando tão forte que ela achou que ele pudesse ouvir. Ela esperou o beijo. Esperou que as mãos grandes dele a puxassem para aquele abismo de prazer que só ele conhecia. Ela queria que ele quebrasse a distância, que ele a possuísse ali mesmo, sobre as cobertas frias.

Mas Namjoon tinha outros planos. Ele queria que ela queimasse.

Em vez de beijá-la, ele esticou o braço por cima do ombro dela, a pele de seu peito roçando levemente no braço dela, um contato elétrico que a fez estremecer. Ele pegou o pequeno sabonete que estava sobre o criado-mudo, logo atrás da cabeça dela.

Ele permaneceu ali por um segundo a mais do que o necessário, sua boca quase encostando na orelha dela.

— Obrigado — ele sussurrou, a voz carregada de uma intenção pecaminosa.

Ele se afastou lentamente, observando a frustração e o desejo cru estampados no rosto dela. Namjoon voltou para o banheiro, fechando a porta com um clique suave, deixando SN sozinha com o vazio e a pulsação frenética entre suas pernas.

Dentro do banheiro, Namjoon encostou-se na porta, fechando os olhos e soltando o ar com força. O sangue fervia em seu baixo ventre, a ereção agora completa e dolorosa contra a toalha. Ele queria voltar lá. Queria jogá-la naquela cama e reivindicar cada centímetro de pele que ele considerava seu por direito. Mas ele queria que ela pedisse. Queria que ela implorasse.

No quarto, SN enterrou o rosto no travesseiro, tentando abafar um gemido de frustração. O corpo dela implorava por ele, e a noite estava longe de acabar.

Namjoon saiu do banheiro minutos depois, vestido apenas com uma calça de moletom cinza que marcava cada movimento de suas coxas. Ele desceu as escadas com uma calma exasperante, agindo como se não tivesse acabado de incendiar o oxigênio do quarto. No andar de baixo, ele se ajeitou no sofá, um sorriso quase imperceptível surgindo em seus lábios ao lembrar do tremor nos lábios de SN. Ele sabia que tinha ganhado aquele round.

Mas ele havia esquecido que SN não era mais a mesma garota passiva de anos atrás.

Lá em cima, a frustração dela tinha se transformado em uma adrenalina perigosa. Ah, você quer jogar, Kim Namjoon?, ela pensou, os olhos brilhando no escuro. Ela caminhou até o fundo da sua mala, em um compartimento secreto, e puxou uma peça de roupa que era seu maior segredo e sua maior fraqueza: uma camiseta de algodão preta, desgastada, que pertenceu a ele.

Ela tirou o suéter pesado e ficou apenas de calcinha. Vestiu a camiseta. O tecido era grande o suficiente para cobrir apenas o início de suas coxas, mas curto o suficiente para ser um convite visual. O cheiro dele, impregnado nas fibras após anos, a atingiu como um soco.

Ela bagunçou os cabelos, deixou as pernas à mostra e desceu as escadas.

Namjoon estava terminando de ajeitar o cobertor no sofá, a mente vagando pelas memórias das noites em que ele chegava exausto do trabalho e a encontrava exatamente assim. Eles costumavam transar com urgência antes mesmo de tirarem os sapatos, muitas vezes terminando no banho ou sobre a mesa da cozinha, para só então pensarem no jantar.

Quando ele ouviu o som dos passos dela, ele olhou para cima. O sorriso bobo que começava a se formar em seu rosto morreu instantaneamente.

SN passou por ele sem dizer uma palavra, caminhando em direção à cozinha com um rebolado sutil que fazia a barra da camiseta subir perigosamente.

— Esqueci de pegar água — ela murmurou, a voz propositalmente rouca.

Namjoon ficou paralisado, observando-a. O contraste da pele clara dela contra o tecido preto da sua camiseta o deixou sem ar. Ela foi até a geladeira e, em vez de se agachar com os joelhos, ela se curvou para frente, esticando as pernas e deixando a camiseta subir até revelar o contorno perfeito de sua calcinha de renda.

Namjoon sentiu o sangue fugir da cabeça e se concentrar em um só lugar. Ele sentiu seu membro pulsar contra o moletom, uma ereção imediata e dolorosa.

— Namjoon? — ela chamou, a voz doce e carregada de uma falsa inocência. — Você pode me ajudar? Não alcanço a jarra lá em cima.

Ele se levantou como se estivesse em transe. Caminhou até a cozinha, sentindo o corpo quente. Ele se posicionou atrás dela, colando seu peito nas costas dela para alcançar a prateleira superior. SN não se afastou; pelo contrário, ela se inclinou para trás, roçando propositalmente a bunda contra a ereção dele, que agora estava rígida e visível sob o tecido fino da calça.

Namjoon soltou um rosnado baixo, a mão que segurava a jarra tremendo. O cheiro dela estava em todo lugar. Ele inclinou o rosto, sentindo o calor do pescoço dela, sua boca a milímetros da pele que ele tanto desejava marcar.

— Você está brincando com o fogo, SN — ele sussurrou, a voz carregada de uma luxúria sombria.

Ela se virou lentamente nos braços dele, ainda presa entre o balcão e o corpo dele. Seus olhos se encontraram, e o desejo ali era uma força física, uma gravidade que tentava puxá-los para o chão da cozinha. Ela podia sentir o pulso dele contra sua barriga, a prova viva de que ela o tinha exatamente onde queria.

Por um segundo, o mundo parou. SN queria que ele a jogasse sobre o balcão, que rasgasse aquela camiseta e a possuísse com a força de quatro anos de saudade. Namjoon estava pronto para perder o controle, as mãos já descendo para apertar as coxas dela.

Mas, com um esforço sobre-humano, ela sorriu. Um sorriso vitorioso e cruel.

— Obrigada pela ajuda — ela disse, pegando a jarra da mão dele e deslizando por baixo do braço dele com uma agilidade que o deixou vazio. — Boa noite, Namjoon. Tente dormir um pouco. Você parece… tenso.

Ela subiu as escadas sem olhar para trás, cada passo sendo uma tortura para o homem que ficou parado na cozinha, com o coração disparado e o corpo implorando por um alívio que não viria.

SN fechou a porta do quarto e desabou contra ela, o coração martelando. Ela estava vitoriosa, mas seu próprio corpo ardia de desejo. A vingança tinha um gosto doce, mas o preço era uma noite de insônia e uma fome que apenas Namjoon poderia saciar.

13 Comentários

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  1. IASMINE
    Feb 1, '26 at 9:24 am

    Gente parem com essas brincadeiras gostosas kkkkkkk

  2. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 8:48 pm

    Ele sabendo exatamente o poder q tem

  3. VingançaNamutted
    Jan 3, '26 at 8:47 pm

    “Uma fome q apenas Namjoon poderia saciar”Sacia Nam

  4. Isa
    Jan 3, '26 at 6:06 pm

    Eles perdendo a oportunidade de ouro …

  5. Thamiris Gomes
    Jan 2, '26 at 12:48 am

    Nam querendo brincar com fogo,Sn sendo a própria gasolina

  6. Thamiris Gomes
    Jan 2, '26 at 12:45 am

    Aiiii,que maldade Nam

  7. Thamiris Gomes
    Jan 2, '26 at 12:43 am

    Misericórdia,uma cena dessa ele saindo do banho com essa toalha

  8. Anne Alves
    Jan 1, '26 at 2:25 am

    O pai dela será que falou algo?

    1. @Anne AlvesJan 1, '26 at 2:53 am

      Ela vai revelar pra ele depois..

    2. VingançaNamutted
      @Anne AlvesJan 3, '26 at 8:45 pm

      Qt provocação,uii

  9. Anne Alves
    Jan 1, '26 at 2:24 am

    O que foi que realmente aconteceu para ela ir embora assim?

    1. @Anne AlvesJan 1, '26 at 2:52 am

      Ela vai contar pra ele

  10. Anne Alves
    Jan 1, '26 at 2:24 am

    Eles estão brincando com fogo

Nota

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