You have no alerts.
Header Background Image

Ela fechou os olhos e olhou para outro lado…

Jungkook sentiu a tensão no ar e, ao vê-la desviar o olhar, soube que as palavras dele não eram suficientes para mudar o que ela estava sentindo. Ele se aproximou lentamente, sem querer invadir o espaço dela, mas desejando, de alguma forma, se reconectar.

— Eu entendo se você não quiser mais falar comigo, SN. Eu te machuquei, e não sei se vou conseguir consertar isso. Só queria que soubesse que, de algum jeito, eu tô tentando entender tudo o que aconteceu. Não é só sobre a aposta. Eu… eu realmente me importo com você.

Ele deu um passo para trás, sentindo um nó na garganta. Ficar em silêncio parecia a coisa mais difícil de fazer naquele momento, mas ele sabia que precisava respeitar o espaço dela.

Quando ele recuou, SN pegou as coisas dela e saiu dali, sem olhar para trás.

Jungkook ficou parado, observando enquanto ela se afastava em silêncio. O som da porta se fechando pareceu ecoar por todo o cômodo. Ele queria correr atrás, dizer mais alguma coisa, fazer qualquer coisa — mas sabia que se fizesse isso agora, só iria afastá-la ainda mais.

Ele fechou os olhos, o peito apertado de arrependimento. Sabia que tinha perdido a chance de mostrar a SN que ela significava muito mais do que as palavras frias ou os erros impulsivos que cometeu. Sentou-se no sofá, com os olhos fixos no vazio. A mente confusa e acelerada repetia a mesma pergunta:

“Será que ainda tem jeito?”

Enquanto isso, SN entrou no quarto e fechou a porta atrás de si com um suspiro pesado. Uma dor profunda invadia o peito, uma que ela não conseguia entender.

“Por quê? Por que ele? Por que eu tô sentindo como se o chão tivesse sumido?”

Ela sempre soube como Jungkook era. Sempre. Então por que doía tanto?

Se jogou na cama com raiva de si mesma. As lembranças invadiram sua mente como uma enxurrada — a conversa que tiveram durante toda aquela noite… o jeito como ele a fazia rir… o maldito sorriso que parecia só dela.

“Droga…” murmurou, enterrando o rosto no travesseiro. “Foi aquela conversa. Aquele maldito sorriso.”

Fechou os olhos com força, tentando afastar tudo aquilo. Mas não dava. A forma como ele a olhava, o jeito como dizia seu nome com aquela voz baixa e intensa… parecia tão real. Tão verdadeiro.

Ela virou de lado, os olhos vidrados no teto escuro do quarto.

“Sempre soube como ele era… Sempre soube!”

Então por que doía tanto?

Ela mordeu o lábio, sentindo as lágrimas ameaçarem cair. Talvez tivesse se deixado levar mais do que imaginava. Talvez, no fundo, tivesse acreditado que com ela seria diferente.

“Que idiota, SN…”

Respirou fundo, tentando controlar a tempestade dentro de si.

Se ele queria brincar, então ela também podia jogar.

Mas… seria mesmo capaz?

Será… Será que ele estava sendo sincero?

Essa dúvida era o que mais atormentava SN.

Se ao menos ele tivesse sido frio o tempo todo, teria sido mais fácil. Mas não… Jungkook dizia coisas que pareciam reais. Ele a olhava como se enxergasse algo nela que ninguém mais via. A segurava com uma intensidade que não combinava com alguém que só queria se divertir.

“Mas então por que ele foi pra cama com outra logo depois?”

SN fechou os olhos com força, tentando encontrar sentido em tudo.

Se ele estava sendo sincero… por que não lutou para provar isso? Por que sempre se afastava quando as coisas ficavam intensas demais?

Ela queria respostas. Mas… tinha medo do que descobriria.

Enquanto isso, Jungkook ainda estava no sofá, sentindo o peso esmagador das próprias ações.

Passou a mão pelo rosto, frustrado.
— Droga… — murmurou baixo, quase num sussurro.

Por que ele sempre fazia isso? Sempre fugia quando algo parecia real demais?

Sabia que tinha estragado tudo. Que tinha machucado SN de um jeito que talvez não pudesse consertar. Mas a verdade era que ele também estava perdido. Nunca tinha sentido algo assim antes. E isso o assustava mais do que gostaria de admitir.

Sem pensar muito, pegou o celular e abriu o chat com ela. Digitou uma frase… apagou. Tentou de novo. Suspirou.

No fim, guardou o celular no bolso e saiu do estúdio. Ele precisava vê-la. Precisava tentar, mesmo que fosse tarde.

Parou diante da porta do quarto dela, hesitante.

Fechou os olhos por um momento, tentando organizar os pensamentos antes de bater. Seu coração estava acelerado, e o nó na garganta só aumentava.

“Será que ela quer me ver agora?”

Encostou a testa na porta, respirando fundo. Parte dele queria entrar, abraçá-la, explicar tudo. Mas a outra parte dizia que já era tarde demais, que talvez ela já estivesse decidida a seguir sem ele.

Passou a mão pelos cabelos com raiva de si mesmo.

Depois de alguns segundos ali parado, Jungkook deu um passo para trás e se afastou, sem coragem de bater.

Desceu as escadas em silêncio e foi para o lado de fora da casa. Ele precisava de ar. Precisava pensar.

Sentou-se na varanda, os olhos perdidos no céu escuro. O cigarro entre os dedos queimava devagar, mas ele nem o levou à boca. Só ficou ali, imerso nos próprios pensamentos… tentando entender por que, pela primeira vez, machucar alguém doía tanto.

Já era madrugada quando SN decidiu descer. Precisava respirar um pouco, clarear a mente.

Desceu em silêncio, os pés descalços tocando o chão frio. Caminhou até o jardim, sem perceber que Jungkook ainda estava ali, sentado mais ao fundo na varanda, oculto pela escuridão.

Ela não o viu. Apenas olhou para o céu.

A lua estava brilhante, cercada por estrelas que pareciam sorrir para ela. SN ficou ali, parada por alguns instantes, encantada. Olhar para o céu sempre ajudava a colocar as coisas em perspectiva, a esvaziar a mente quando os pensamentos pesavam demais.

“Talvez tudo passe… talvez eu passe por isso também…”

O vento soprou suave, mexendo nos cabelos dela. E, por um momento, ela deixou o silêncio tomar conta.

Mal sabia ela que a poucos metros dali, ele a observava… e que, mesmo sem dizer nada, Jungkook estava lutando internamente contra a vontade de chamá-la, de tentar mais uma vez.

Mas será que ela o ouviria?

Jungkook estava sentado na lateral da varanda, escondido pela sombra das árvores, os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto olhava para o chão. O cigarro que antes segurava já tinha se apagado há tempos, mas ele ainda o mantinha entre os dedos, perdido em pensamentos.

Quando ouviu passos leves na grama, levantou o olhar… e a viu.

SN caminhava devagar pelo jardim, os olhos voltados para o céu, completamente alheia à sua presença. A luz da lua iluminava seu rosto, e ele percebeu o quão bonita ela parecia naquele momento.

Ela parecia… distante. Não apenas fisicamente, mas de uma forma que apertou o peito dele de um jeito que doía.

Jungkook ficou observando por alguns segundos, incerto se devia dizer algo ou apenas continuar ali, em silêncio.

Mas então, sem pensar muito, ele se levantou e deu alguns passos em direção a ela.

— Não consegue dormir? — Sua voz soou rouca no silêncio da noite.

SN se virou devagar na direção dele, surpresa. Seus olhos o encararam algumas vezes, como se tentasse entender se ele realmente estava ali.
— Eu não sabia que tinha alguém aqui…

Jungkook deu de ombros, enfiando as mãos nos bolsos da calça.

— Eu podia dizer o mesmo. — Soltou um suspiro e desviou o olhar para o céu, como ela fazia instantes antes. — O que você tá fazendo aqui sozinha a essa hora?

Ele não queria que a conversa soasse estranha, mas havia um peso no ar que ele não sabia como dissipar.

SN hesitou antes de responder.
— Gosto de fazer isso antes de dormir… me ajuda a me acalmar.

Ela o olhou por um breve momento… e seus olhos caíram na mão dele.
— Cigarro?

Jungkook seguiu o olhar dela e soltou um riso curto, apagando o cigarro contra o parapeito da varanda.
— É… às vezes ajuda a distrair. — Deu de ombros. — Mas acho que olhar pro céu é um jeito melhor, né?

Apoiou os braços na grade da varanda, observando as estrelas por um instante, antes de virar o rosto de leve na direção dela.

— Conseguiu se acalmar? — Sua voz saiu mais baixa agora, quase cuidadosa.

SN suspirou, balançando a cabeça suavemente.
— Hoje não…

Jungkook a observou em silêncio por alguns segundos, sentindo o peso no tom dela. Então, deu um pequeno passo à frente, ainda mantendo uma distância respeitosa.

— O que aconteceu? — Sua voz foi suave, tentando não ser invasivo, mas deixando claro que se importava.

Ele não precisava que ela dissesse… ele sentia. Algo nela estava diferente. Mais contido. Mais frio.

E, ainda assim, ali estava ele — tentando se aproximar, mesmo depois de tudo.

— Ainda pergunta? — SN disse com ironia.

Jungkook percebeu o tom e franziu a testa, sentindo o peso daquela resposta. Ele deu outro passo em direção a ela, com cautela — como se tentasse se aproximar sem ultrapassar a barreira invisível que ela havia colocado entre eles.

— Sei que está difícil, mas… eu quero entender. — Sua voz baixou, quase um sussurro. — Você tem razão em estar chateada. E eu errei. Mas… só me diz o que eu posso fazer pra tentar consertar.

Ele a olhou nos olhos, os dele refletindo sinceridade… e uma pitada de vulnerabilidade.

— Eu não sei se tem algo a se fazer… — SN murmurou.

Jungkook abaixou a cabeça por um instante, apertando os lábios. Tragou o cigarro mais uma vez, depois o soltou no chão e pisou em cima, como se estivesse tentando esmagar algo mais profundo do que apenas a bituca.

— Eu nunca quis te machucar… — murmurou, erguendo o olhar até ela. — Mas eu fiz, não foi?

Passou a mão pelos cabelos, frustrado, a mandíbula tensa.

— Me diz o que você quer, SN. Se quiser que eu suma, eu sumo. Se quiser que eu pare de tentar… eu paro. Mas se tiver um jeito de fazer isso dar certo… — Ele prendeu a respiração antes de completar. — Eu quero tentar.

A respiração dela mudou. Ficou mais curta, mais contida. Ela não o olhava.

E Jungkook percebeu.

Percebeu que, apesar da mágoa, ela não conseguia mandá-lo embora. E talvez, no fundo, nem quisesse.

Ele deu mais um passo à frente, diminuindo a distância, mas sem tocá-la. Sua voz saiu baixa, quase como uma prece.

— Então me diz… O que eu faço?

Ele sabia que não dava pra apagar o que aconteceu, mas precisava que ela soubesse que ela não era qualquer uma. Que mesmo tendo ferrado tudo… ele ainda estava ali.

Esperando por uma chance.

— Eu quero dormir. — Ela disse.

Jungkook soltou um suspiro baixo, entendendo que ela não queria continuar aquela conversa. Passou a língua pelos lábios, hesitou, mas assentiu com um leve movimento de cabeça.

— Tá bom… — disse, a voz rouca, carregada de tudo o que ele queria dizer, mas não disse.

Deu um passo para trás, respeitando o espaço dela.

— Boa noite, SN.

Ele esperou um segundo. Parte dele queria que ela dissesse algo. Qualquer coisa.

E então veio:

— Você vem? — ela suspirou.

Jungkook congelou.

Seu coração acelerou e ele virou o rosto para olhá-la.

— O quê? — Sua voz saiu mais baixa do que ele pretendia.

Ela não repetiu de imediato. Apenas soltou outro suspiro, ainda sem encará-lo.

— Você vem? — repetiu, dessa vez com mais firmeza, mas ainda carregada de cansaço.

Ele piscou algumas vezes, tentando processar.

E então, sem hesitar mais, caminhou até ela.

— Sim, eu vou. — respondeu sem dúvidas.

Caminhou ao lado dela, em silêncio.

E, naquele momento, mesmo sem palavras, eles sabiam: ainda havia algo ali… mesmo que quebrado, ainda era deles.

8 Comentários

Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
  1. Marcela
    Mar 25, '26 at 7:41 pm

    [quote]“Por quê? Por que ele? Por que eu tô sentindo como se o chão tivesse sumido?”

    Tá aí, uma coisa que NGM controla, o coração.

  2. Marcela
    Mar 25, '26 at 7:43 pm

    [quote]Se ele queria brincar, então ela também podia jogar.

    Esse negócio de jogo nunca dá certo.

  3. Marcela
    Mar 25, '26 at 7:44 pm

    [quote]— O que aconteceu? — Sua voz foi suave, tentando não ser invasivo, mas deixando claro que se importava.

    Ele pergunta sabendo a resposta.

  4. Marcela
    Mar 25, '26 at 7:45 pm

    [quote]— Você vem? — ela suspirou.

    Han? Como assim? Do nada?
    Passada kkk

  5. Iasmine
    Mar 29, '26 at 3:11 pm

    Ele fechou os olhos, o peito apertado de arrependimento. Sabia que tinha perdido a chance de mostrar a SN que ela significava muito mais do que as palavras frias ou os erros impulsivos que cometeu. Sentou-se no sofá, com os olhos fixos no vazio. A mente confusa e acelerada repetia a mesma pergunta:

    O silêncio falando mais que qualquer palavra não dita

  6. Iasmine
    Mar 29, '26 at 3:13 pm

    — Não consegue dormir? — Sua voz soou rouca no silêncio da noite.

    Qual a chance bicho? Eles no mesmo lugar.. é destino

  7. Iasmine
    Mar 29, '26 at 3:13 pm

    — Você vem? — ela suspirou.

    Meu deus to gag… ela chamou ele pra dormir OH MAI GAA

  8. Iasmine
    Mar 29, '26 at 3:15 pm

    E, naquele momento, mesmo sem palavras, eles sabiam: ainda havia algo ali… mesmo que quebrado, ainda era deles.

    Cassete ela totalmente imprevisível, ele shhhhh quietinho pra ela não mudar de ideia

Nota