Capítulo 3 -Retratos em Cinzas
por FanfiqueiraHanyang, Era Joseon — Três Séculos Atrás
O inferno tinha o gosto de terra e ferro.
Jimin lembrava-se do despertar. Lembrava-se da queimação insuportável em suas veias, o veneno do sangue de Jung-hyun forçando seu coração humano a parar de bater para sempre. Mas a dor física não era nada comparada à agonia da perda. Assim que seus novos sentidos sobrenaturais se estabilizaram, antes mesmo que pudesse domar a sede que arranhava sua garganta, Jimin rugiu. Um som desumano que assustou as aves noturnas da floresta de Hanyang.
Ele correu de volta para a casa destruída. Suas novas garras rasgaram os escombros de madeira e papel de arroz. Não havia nada. Apenas as cestas de vime reviradas, as folhas de chá espalhadas e o sangue. Tanto sangue.
Nas semanas que se seguiram, Jimin transformou-se em uma tempestade de fúria e desespero. Ele não comia, não descansava. Movido pela velocidade sobre-humana que mal compreendia, ele cruzou províncias, invadiu becos escuros da capital, farejou cada rastro de podridão que pudesse pertencer aos monstros que haviam invadido seu paraíso. Ele encontrava pistas — um pedaço de tecido azul-celeste aqui, um boato sussurrado por camponeses aterrorizados ali —, mas quando chegava ao local, só encontrava cinzas e silêncio. Nenhum corpo. Nenhum vestígio real de S/N.
— Você precisa parar! Se continuar agindo como um animal selvagem, chamará a atenção dos caçadores da corte!
O estalo da voz de Jung-hyun ecoou pelo salão abandonado onde se escondiam. Jimin virou-se, os olhos injetados de sangue, as presas expostas. Suas vestes de linho claro agora estavam manchadas de poeira e do sangue de animais que ele caçara para se manter de pé.
— Ela está viva, Jung-hyun! Eu sinto! — Jimin gritou, a voz rouca, avançando contra o mentor. Ele agarrou as vestes escuras do amigo com uma força que teria quebrado os ossos de um humano. — Se o seu sangue me salvou, o sangue daqueles monstros pode ter feito o mesmo por ela! Por que não a procuramos nos clãs? Por que não a trazemos de volta?!
Jung-hyun não revidou o aperto. Apenas olhou para Jimin com uma piedade fria e sombria, segurando seus pulsos com firmeza gélida.
— Porque ela está morta, Jimin. Eu vi.
As palavras caíram como uma lâmina. Jimin piscou, cambaleando para trás.
— Não… você está mentindo…
— Eu vi o corpo dela, Jimin! — Jung-hyun mentiu com uma perfeição cirúrgica, os olhos fixos nos dele, sustentando a farsa com uma gravidade inabalável. — O coração dela parou antes mesmo que eles a levassem. Ela foi entregue àquele homem. O mestre do clã que eu estava investigando.
Jimin sentiu os joelhos fraquejarem. — Então vamos atrás dele! Vamos destruir esse clã!
— Você é um tolo! — Jung-hyun elevou o tom de voz, a aura de um vampiro de duzentos anos pesando no ambiente. — Você não sabe com quem está lidando. Aquele homem comanda um clã que estende suas garras para dentro do próprio palácio real. Há magistrados, oficiais de alto escalão e nobres influentes que limpam os rastros deles. Nós somos apenas dois, Jimin. Se dermos um passo em falso, se invadirmos o território deles sem saber quem são os aliados humanos que os protegem nas sombras, seremos caçados e executados antes do amanhecer. É perigoso demais. Para nós, e para o que restou da sua sanidade. Esqueça-a.
Mas Jimin não esqueceu. O conformismo de Jung-hyun só alimentou sua revolta.
Naquela mesma noite, violando todas as ordens do mentor, Jimin esgueirou-se pelas sombras da vila fortificada. Ele seguiu o rastro de dois soldados inferiores daquele clã — meros peões, sanguessugues recém-transformadas que usavam a noite para abusar de humanos indefesos nos arredores do mercado.
A fúria de Jimin foi um espetáculo de horror. Usando a velocidade que o vento mal conseguia acompanhar, ele materializou-se atrás do primeiro soldado. Antes que a criatura pudesse gritar, os dedos de Jimin cravaram-se em sua garganta, arrancando-lhe a cabeça com um puxão violento. O corpo desfez-se em poeira escura aos seus pés.
O segundo soldado sacou a espada, mas Jimin era uma força da natureza movida pelo luto. Ele desviou do corte de aço com um movimento fluido, segurou o braço do oponente e o quebrou com um estalo seco.
— Onde ela está?! — Jimin rosnou, prensando o vampiro contra a parede de pedra de um armazém, suas presas roçando a pele do pescoço do inimigo. — Onde está a mulher que levaram da casa do guarda?!
— Eu… eu não sei! — o soldado ganiu, aterrorizado com a força daquele recém-transformado. — Nós só pegamos os corpos… os líderes… os líderes decidem! Nós não sabemos de nada!
Com um grito de frustração puramente dolorosa, Jimin cravou as garras no peito do soldado, arrancando seu coração corrompido. O luto o transformara em um assassino eficiente, mas de nada adiantara. Ele continuava cego, no escuro, tateando por um fantasma.
Seul, Tempo Presente
O bipe estridente de uma buzina de carro cortou a memória, trazendo Jimin de volta à realidade com a violência de um chicote.
Ele piscou, respirando o ar poluído de Gangnam. O beco estava vazio. S/N já estava longe. O choque deu lugar a algo muito mais sombrio: uma cólera negra, tóxica, que começou a ferver em suas veias imortais.
Jimin caminhou até o carro esportivo a passos largos, a jaqueta de couro estalando com a tensão de seus músculos. Ele bateu a porta, ligou o motor e pisou no acelerador com tudo. O carro cantou pneu, cortando as avenidas de Seul como um projétil de metal. Ele ignorou os sinais vermelhos, desviou de táxis por milímetros e rasgou o asfalto em uma velocidade que desafiava a física humana. Os motoristas buzinavam, assustados com o rastro de destruição quase iminente, mas Jimin não se importava. Ele só precisava chegar em casa.
Quando a porta de sua cobertura de luxo se abriu, a represa que segurava sua fúria estourou.
— Aaaargghhh! — o grito de Jimin rasgou o silêncio do apartamento, um rugido carregado de trezentos anos de agonia e humilhação.
Ele avançou como um furacão. Com um único soco revestido de força sobrenatural, ele partiu a mesa de centro de vidro temperado em milhares de pedaços. Ele chutou as cadeiras de design, arremessou as garrafas de bebidas caras contra as paredes texturizadas, assistindo ao líquido escorrer como o sangue que ele tanto odiava.
Mas a verdadeira dor estava no escritório.
Jimin invadiu o cômodo e parou diante das paredes. Ali, pendurados com um cuidado quase religioso, estavam dezenas de desenhos. Esboços em carvão, pinturas em aquarela, telas detalhadas que ele passara séculos criando de memória. Todos com o mesmo rosto. O sorriso dela sob o papel de arroz, os olhos dela sob as pétalas de cerejeira, a delicadeza de suas mãos humanas.
— Por que… POR QUÊ?! — ele berrou, as lágrimas de sangue finalmente transbordando e riscando suas bochechas pálidas.
Suas mãos espalmadas avançaram contra as telas. Ele rasgou o linho com as garras, reduziu os papéis antigos a fiapos, quebrou as molduras de madeira contra o chão. Ele destruiu cada traço, cada lembrança visual que guardara dela como uma relíquia sagrada.
Se ela era uma vampira… desde quando? Se ela fora atacada naquela mesma noite, se ela se transformara e sobrevivera aos séculos, por que nunca o procurara? Eles haviam jurado! Haviam selado um pacto de que suas almas se encontrariam, não importava o tempo ou a distância. Eles agora eram eternos, tinham todo o tempo do mundo, e ela simplesmente escolhera se esconder? Escolhera olhá-lo nos olhos em outras décadas e fingir que era apenas uma humana desconhecida, deixando-o sangrar de dor e solidão?
Jimin caiu de joelhos no meio do caos que ele mesmo criara, cercado pelos restos rasgados do rosto da mulher que amava. Seus cabelos loiros caíram sobre os olhos, e o peito subia e descia em soluços secos e mudos.
O amor de sua existência era uma mentira. E a criatura que ele jurara proteger por toda a eternidade era, agora, o monstro que ele mais odiava no mundo.
Viiish virou odio puro, sai da frente
Mano imagino o odio dele, a fela da puta esse tempo todo se fazendo
Aaah então foi outros que fizeram o caos ta explicado pq transformou o Jimin
Chocada que foi ele que transformou ele
[quote]— Por que… POR QUÊ?! — ele berrou, as lágrimas de sangue finalmente transbordando e riscando suas bochechas pálidas.
Bixinhooo
Só mentiras em cima de mentiras, e ele amando e sofrendo sozinho
[quote]— Eu vi o corpo dela, Jimin! — Jung-hyun mentiu com uma perfeição cirúrgica, os olhos fixos nos dele, sustentando a farsa com uma gravidade inabalável. — O coração dela parou antes mesmo que eles a levassem. Ela foi entregue àquele homem. O mestre do clã que eu estava investigando.
A Globo tá perdendo esse ator
[quote]— Porque ela está morta, Jimin. Eu vi.
Não tou sentindo confiança nas suas palavras, SR Jung-Hyun