Capítulo 6 – Invisível à Eternidade
por FanfiqueiraEle estava tão profundamente mergulhado nesse abismo de questionamentos, paralisado no meio do corredor com os punhos cerrados dentro dos bolsos da jaqueta, que não percebeu a aproximação de passos leves e deliberadamente audíveis atrás de si.
— Sabe, Jimin… para alguém que estampa as capas de revista como o sinônimo da perfeição moderna, você parece surpreendentemente um cadáver que esqueceu de deitar na cova hoje.
A voz era arrastada, banhada em um sarcasmo cortante e uma indiferença fria que Jimin reconheceria em qualquer canto do planeta.
Jimin respirou fundo, forçando os ombros a relaxarem antes de se virar lentamente.
Kim Taehyung estava escorado contra o batente de uma porta lateral. Ele vestia calças de alfaiataria escuras e uma camisa de seda preta com os primeiros botões abertos, revelando a pele excessivamente pálida. Os cabelos castanhos, levemente ondulados, caíam de forma rebelde sobre a testa, e seus olhos — longos, felinos e completamente opacos — ostentavam uma apatia que beirava a crueldade.
Taehyung era um dos melhores amigos de Jimin, se é que a palavra “amigo” ainda possuía algum significado no vocabulário de criaturas que já haviam visto impérios ruírem. Ele era um jovem vampiro transformado no século XIX, conhecido no submundo por sua imprudência absoluta. Taehyung fazia o que queria, quando queria, sem o menor respeito pelas leis do disfarce ou pela sutil hierarquia dos clãs.
Há algumas décadas, após um incidente catastrófico onde quase drenara até a morte um membro humano de sua própria linhagem familiar remanescente, Taehyung tomara uma decisão radical: ele “desligara” sua humanidade. Ele trancara qualquer resquício de empatia, remorso ou calor emocional em uma caixa escura, tornando-se uma criatura que vivia exclusivamente pelo tédio, pelo deboche e pelo prazer imediato da caça.
Taehyung desencostou da parede, caminhando até Jimin com passos lentos, os lábios curvados em um sorriso cínico que não alcançava seus olhos sem vida.
— Parece que você perdeu a vida, meu caro — Taehyung provocou, parando a centímetros de Jimin, a voz baixa o suficiente para não ser ouvida pelos humanos que transitavam no final do corredor. — Ah, espere. Nós já não temos uma. Mas você… você parece ter morrido uma segunda vez nas últimas doze horas. O que foi? A sua agência humana descobriu que o grande Park Jimin não respira nas fotos ou o estoque de sangue sintético do seu frigobar estragou?
Jimin encarou o amigo com uma seriedade gélida. Ele não tinha paciência para os jogos de Taehyung hoje, mas sabia que o outro não sairia de seu encalço até conseguir uma reação.
— Não comece, Taehyung. Eu não estou com humor para as suas piadas de necrotério hoje — Jimin respondeu, a voz grave e cortante.
Taehyung soltou uma risada curta, sem emoção, cruzando os braços sobre o peito.
— O humor de um imortal apaixonado é sempre uma coisa fascinante de se assistir. Você exala essa melancolia barata de Joseon a quilômetros de distância, Jimin. Dá para sentir o cheiro de poesia trágica e arrependimento daqui. Vai me dizer que passou a noite chorando por causa daquela moldura de papel de arroz que você guarda no escritório?
Jimin sustentou o olhar do amigo por alguns segundos. A tensão entre os dois era palpável, como duas forças da natureza prontas para colidir. Mas Jimin precisava falar. Ele precisava externalizar a loucura que estava prestes a explodir sua mente, e Taehyung, apesar de sua humanidade desligada, era o único ali que entendia o peso da eternidade.
Jimin segurou o braço de Taehyung com firmeza e o empurrou para dentro de um estúdio de ensaio vazio que ficava logo ao lado, fechando a porta acústica com um estalo seco. O silêncio absoluto engoliu os dois.
— Eu a vi, Taehyung — Jimin disparou, sem preâmbulos, as pupilas dilatando-se instantaneamente na penumbra da sala espelhada.
Taehyung piscou, o sorriso cínico vacilando por uma fração de segundo antes de retornar, ainda mais afiado.
— Ah, por favor. Viu quem? A reencarnação número quatro de sua amada? Deixe-me adivinhar: você cruzou a rua, olhou nos olhos dela, ela te chamou de louco ou chamou a polícia, e você voltou para casa para quebrar os seus brinquedos de luxo. É o mesmo roteiro há séculos, Jimin. Você devia trocar o disco.
— Não, Taehyung! Você não está entendendo! — Jimin deu um passo à frente, a jaqueta de couro estalando, a fúria e o choque transbordando em sua voz. — Ela não reencarnou. Ela não é uma humana que esqueceu o passado.
Taehyung franziu o cenho, a apatia de sua expressão dando lugar a uma sutil curiosidade. Ele inclinou a cabeça para o lado, examinando a seriedade perturbadora no rosto de Jimin.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu a vi ontem à noite, em Gangnam, saindo de um restaurante — Jimin começou a relatar, as palavras saindo rápidas, atropeladas pela urgência da revelação. — Eu a segui até um beco escuro. Eu ia apenas observá-la de longe, como eu sempre faço para não assustá-la. Mas ela atendeu o telefone. Ela falou sobre um humano estúpido cujo sangue cheirava a álcool. E então… antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ela se deslocou. Ela usou a velocidade pura, Taehyung. Ela sumiu diante dos meus olhos em uma fração de segundo. O rastro de vento, o corte no ar… a mesma velocidade que nós usamos.
Taehyung permaneceu estático. Seus olhos felinos piscaram lentamente, processando a informação. Pela primeira vez em décadas, uma faísca de genuína surpresa cruzou a mente fria do jovem vampiro.
— E ela te reconheceu dessa vez? — Taehyung perguntou, a voz perdendo um pouco do tom de deboche, tornando-se mais focada.
Jimin soltou uma risada amarga, um som que rasgou sua própria garganta. Ele caminhou até o centro da sala de ensaio, olhando para o próprio reflexo loiro e torturado nos espelhos da parede.
— Reconhecer? — Jimin virou-se para o amigo, os olhos marejados com uma cólera escura. — Ela não precisava me reconhecer, Taehyung, porque ela nunca esqueceu! Ela nunca morreu naquela noite em Hanyang! Ela esteve viva durante todos esses trezentos anos. Ela se tornou um monstro, exatamente como nós. E todas as vezes que eu a encontrei no século passado… em cada cidade, em cada década… ela olhou na minha cara e fingiu que não me conhecia. Ela me viu implorar, ela me viu chorar de luto, e ela simplesmente escolheu me ignorar. Ela me tratou como um estranho por pura diversão ou desprezo!
Taehyung descruzou os braços, os nós dos dedos empalidecendo sutilmente. Ele caminhou até Jimin, a postura desleixada dando lugar à seriedade de um predador que fareja um perigo real.
— Espere um segundo — Taehyung ponderou, a mente analítica funcionando por trás da máscara de indiferença. — Se ela é uma de nós… como você não sentiu a presença dela antes? Você é um oficial treinado, Jimin. O seu olfato e a sua percepção da aura imortal são impecáveis. Como ela passou por você como se fosse humana?
— Eu não sei! — Jimin bradou, golpeando o ar com o punho. — É isso o que está me enlouquecendo! Eu estava a três metros dela e meus sentidos não acusaram nada. Ela exalava o rastro biológico perfeito de uma mortal. Só descobri a verdade porque ela usou a velocidade. Ela mencionou algo sobre voltar para o “distrito”. Há um clã ou uma organização inteira escondendo a existência dela… e escondendo ela de mim.
Taehyung passou a mão pelos cabelos castanhos, soltando um assobio baixo.
— Isso é… perturbador. Uma criatura que consegue camuflar a própria assinatura imortal a ponto de enganar um vampiro de trezentos anos? — Taehyung passou a mão pelos cabelos castanhos, soltando um assobio baixo, os olhos fixos em Jimin. — Uma habilidade dessas não é só um truque, é…
O som estridente do toque do celular de Jimin cortou a fala de Taehyung, ecoando pelas paredes do estúdio de ensaio. Jimin congelou ao ler o nome no visor iluminado: Jung-hyun. Ele deslizou o dedo pela tela e atendeu.
— Onde você está, Jimin? — a voz de Jung-hyun preencheu a linha, direta e sem rodeios.
— Estou na empresa, Jung-hyun. Acabei de chegar. Estou trancado no estúdio de ensaio acústico do quinto andar com o Taehyung.
— Fique aí. Não saia daí, que eu preciso falar com você. — Jung-hyun comandou do outro lado, desligando logo em seguida.
Jimin abaixou o braço lentamente, guardando o aparelho no bolso da jaqueta de couro preta. Taehyung o encarava com uma sobrancelha arqueada, captando a eletricidade pesada que agora pairava no ar.
De repente, a pesada porta acústica do estúdio foi aberta abruptamente, batendo contra o batente com violência.
A figura que passou pelo vão da porta quebrou completamente toda a pose impecável e aristocrática que Jung-hyun ostentara nos últimos séculos. O terno sob medida cinza-escuro parecia desalinhado, e os cabelos negros tinham fios caídos sobre a testa. Sua palidez estava acentuada e as pupilas completamente dilatadas em um estado de choque genuíno.
Jung-hyun deu dois passos rápidos para dentro do estúdio, os olhos escuros cravados diretamente em Jimin.
— Jimin… eu a vi… — Jung-hyun disse, a voz saindo em um sussurro rouco, falho e trêmulo. — Como isso é possível? Eu vi a S/N… ela está no terraço da empresa.
[quote]Taehyung era um dos melhores amigos de Jimin, se é que a palavra “amigo” ainda possuía algum significado no vocabulário de criaturas que já haviam visto impérios ruírem. Ele era um jovem vampiro transformado no século XIX, conhecido no submundo por sua imprudência absoluta. Taehyung fazia o que queria, quando queria, sem o menor respeito pelas leis do disfarce ou pela sutil hierarquia dos clãs.
Atentado sempre kkkk
[quote]— Parece que você perdeu a vida, meu caro — Taehyung provocou, parando a centímetros de Jimin, a voz baixa o suficiente para não ser ouvida pelos humanos que transitavam no final do corredor. — Ah, espere. Nós já não temos uma. Mas você… você parece ter morrido uma segunda vez nas últimas doze horas. O que foi? A sua agência humana descobriu que o grande Park Jimin não respira nas fotos ou o estoque de sangue sintético do seu frigobar estragou?
Kkkkkkkkk olha como é afoito
[quote]— O humor de um imortal apaixonado é sempre uma coisa fascinante de se assistir. Você exala essa melancolia barata de Joseon a quilômetros de distância, Jimin. Dá para sentir o cheiro de poesia trágica e arrependimento daqui. Vai me dizer que passou a noite chorando por causa daquela moldura de papel de arroz que você guarda no escritório?
E n é que você acertou? Kkkkkkkkkk
[quote]— Fique aí. Não saia daí, que eu preciso falar com você. — Jung-hyun comandou do outro lado, desligando logo em seguida.
Só tou observando esse querido
Hehehehehe a piada de vampiro
Pior…. ele viu ela e depois chorou em cima do papel de arroz
Exatamente isso que to me questionando ate agora
Maaas o que? Perai??? Ela ta la ??????