Antes Que Seja Tarde
por FanfiqueiraHyna contou tudo para o Namjoon, ele ouviu tudo atentamente, enquanto Hyna descrevia o jeito que Jungkook chegou na balada, o modo como ele praticamente a tirou de lá e a discussão intensa no estacionamento.
— Ele estava muito bravo, Namjoon. Eu nunca vi ele assim antes. — Hyna comentou, preocupada.
Namjoon suspirou, passando a mão pelo rosto. Ele conhecia Jungkook há anos e sabia que, por mais ciumento que fosse, ele nunca perdia o controle daquele jeito.
— Isso não é só ciúmes. — Ele disse. — Tem algo maior por trás disso.
Hyna assentiu.
— E a SN… Ela não falou quase nada. Só queria sair dali, mas dava pra ver que tava machucada.
Namjoon ficou em silêncio por um momento, pensando. Então, pegou o celular e mandou uma mensagem para Jungkook.
Namjoon: “A gente precisa conversar.”
Jungkook viu a mensagem de Namjoon, mas demorou para responder. Ele estava sentado no sofá da casa dele, com a cabeça baixa, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas. Bam estava deitado ao lado dele, sentindo o peso da tensão no ar.
Ele soltou um suspiro pesado, a mente ainda girando com tudo o que aconteceu naquela noite. A imagem de SN, sem olhar para ele, apertando a bolsa no colo, segurando as lágrimas… aquilo o estava matando.
Quando finalmente pegou o celular, viu várias mensagens não lidas de Namjoon e Hyna. Ele ignorou todas, exceto aquela última.
Jungkook: “Onde?”
A resposta veio rápido.
Namjoon: “Minha casa. Agora.”
Jungkook passou a mão pelo rosto, respirou fundo e se levantou. Vestiu uma jaqueta e pegou as chaves do carro. Bam levantou a cabeça, observando seu dono com um olhar preocupado.
— Eu volto logo, garoto. — Jungkook murmurou antes de sair.
No caminho para a casa de Namjoon, ele apertava o volante com força. O peito estava pesado, a mente cheia de pensamentos confusos. Ele sabia que Namjoon ia falar verdades que ele talvez não estivesse pronto para ouvir. Mas, acima de tudo, sabia que precisava resolver isso antes que perdesse SN de vez.
Jungkook dirigia em silêncio, os dedos apertando o volante com força. A cada farol vermelho, ele fechava os olhos por um segundo, tentando controlar a raiva misturada com frustração.
“Por que ela simplesmente não me disse que ia pra essa festa? Por que eu tive que descobrir desse jeito?”
A imagem dela, se divertindo, rodeada de caras interessados, martelava na cabeça dele. Não era só ciúme — era medo. Medo de perdê-la. Medo de que, no final, ela percebesse que tinha outras opções e escolhesse alguém que não fosse ele.
“Ela realmente acredita que eu não me importo? Que eu não a escolho todos os dias?!”
Ele passou a língua por dentro da bochecha, sentindo a mandíbula travada. SN nunca evitava conversar, nunca fugia… Mas dessa vez, ela simplesmente não quis falar.
“E se for porque ela já desistiu? E se, na cabeça dela, não tem mais o que resolver?”
Esse pensamento fez seu peito apertar. Ele fechou a mão em um punho sobre a perna, respirando fundo.
“Não. Eu não vou deixar isso acontecer.”
Se havia algo que Jungkook sabia com certeza, era que amava SN. E se ela ainda estivesse disposta a lutar por eles, ele lutaria também.
Jungkook parou o carro bruscamente em frente à casa de Namjoon e saiu sem nem se preocupar em trancar a porta. Seu coração batia acelerado, mas não era pelo frio da noite — era pela tempestade de emoções que tomava conta dele.
Ele tocou a campainha uma vez. Nada.
Segurou o interfone e apertou de novo, com mais força.
Dessa vez, ouviu passos se aproximando e, logo depois, a porta se abriu, revelando Namjoon com uma expressão surpresa.
— Chegou rápido…
— A Hyna tá aqui? — Jungkook cortou, direto ao ponto.
Namjoon franziu a testa.
— Tá, por quê?
— Eu quero saber tudo. Desde o momento que a SN chegou naquela festa até a hora que eu apareci. Quero saber cada detalhe.
Namjoon suspirou, cruzando os braços.
— Cara… Olha, eu entendo que você tá puto, mas…
— Namjoon, me ajuda. — Jungkook fechou os olhos por um instante, tentando se controlar. — Eu tô tentando entender o que tá acontecendo. Eu não posso perder ela.
A sinceridade no tom de Jungkook fez com que Namjoon o encarasse por alguns segundos antes de finalmente abrir a porta por completo.
— Entra. Vou chamar a Hyna.
Namjoon ainda queria conversar com o Jungkook sobre como ele agiu com a SN na balada… Mas primeiro ele deixou o Jungkook tirar as dúvidas que queria ou precisava com a Hyna.
A Hyna chegou até a sala onde Jungkook estava com Namjoon.
— Me chamou? — disse ela.
Jungkook se virou imediatamente para Hyna, a expressão tensa e impaciente.
— Quero saber tudo. Desde o momento que a SN chegou naquela festa até a hora que eu tirei ela de lá.
Hyna cruzou os braços, erguendo uma sobrancelha.
— Tudo mesmo?
— Tudo. — Ele afirmou, sem hesitar.
Ela suspirou, olhando rapidamente para Namjoon antes de começar.
— Ela chegou comigo e com as meninas. Estava tranquila, sabe? Só queria se distrair. Não flertou com ninguém, não respondeu nenhuma indireta, só dançou e se divertiu.
Jungkook apertou os punhos sobre os joelhos, respirando fundo.
— E aquele cara no bar?
— Um amigo dela da faculdade. — Hyna respondeu sem rodeios. — Ele estava lá com a namorada, mas ela tinha ido ao banheiro naquele momento. Eles estavam só conversando, nada além disso.
A mandíbula de Jungkook travou. Ele sentiu o coração apertar com uma mistura de alívio e frustração.
Namjoon, que até então apenas observava, finalmente decidiu intervir.
— Agora eu que quero falar. — Ele olhou diretamente para Jungkook. — Você percebeu como você agiu com a SN naquela balada?
Jungkook desviou o olhar, sentindo o peso da pergunta.
— Eu…
— Você explodiu, cara. — Namjoon continuou. — Você tirou ela de lá como se ela tivesse feito algo errado, quando na verdade, ela não fez nada.
Hyna assentiu, completando:
— E ela ficou mal, Jungkook. Muito mal. Ela nem viu o celular depois, nem quis falar sobre isso.
Jungkook passou as mãos pelo rosto, sentindo um nó se formar na garganta.
— Eu… eu só… — Ele respirou fundo. — Eu me descontrolei.
Namjoon balançou a cabeça.
— Eu sei que você ama ela. Mas se continuar agindo assim, vai afastá-la.
Jungkook sentiu o peso das palavras de Namjoon como um soco no estômago. Ele sabia que tinha exagerado, sabia que tinha se deixado levar pelo ciúme e pela insegurança, mas ouvir aquilo em voz alta tornava tudo ainda pior.
Ele passou as mãos pelos cabelos, suspirando.
— Eu não queria machucar ela… Eu só… — Ele fechou os olhos por um momento, tentando organizar os pensamentos. — Quando ouvi aqueles caras falando dela, quando vi ela lá, rindo, cercada de gente… algo dentro de mim virou. Eu não pensei, só agi.
Hyna cruzou os braços.
— Mas esse é o problema, Jungkook. Você não pensou.
Ele engoliu em seco, sentindo um nó se formar na garganta.
— Ela chorou?
Hyna hesitou antes de responder.
— Sim.
O peito dele apertou. Ele sabia que a tinha magoado, mas ouvir que a fez chorar doeu mais do que esperava.
Namjoon suspirou.
— Você precisa dar um tempo pra ela. Se ficar insistindo agora, vai só piorar as coisas.
Jungkook balançou a cabeça, frustrado.
— Eu não posso simplesmente ficar parado, esperando.
— Então o que você vai fazer? — Hyna perguntou, desafiadora.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de levantar, decidido.
— Eu vou consertar isso.
— Como? — Namjoon arqueou a sobrancelha.
Jungkook olhou para os dois, determinado.
— Do jeito certo. Eu só preciso de um plano.
Jungkook saiu da casa de Namjoon com a cabeça a mil. Ele sabia que não podia simplesmente aparecer na frente de SN sem mais nem menos, ainda mais depois de como tudo aconteceu. Mas também sabia que não conseguiria dormir sem fazer algo.
No carro, ele apoiou a testa no volante por alguns segundos, respirando fundo. Sua mente repetia a cena dela saindo do carro em silêncio, deixando aquelas lágrimas caírem. “Aquilo tá me matando por dentro.”
Pegou o celular e abriu o chat com ela. Viu que ela não tinha respondido nada desde a última mensagem. Digitou algo, apagou. Tentou de novo, apagou de novo. Nada parecia certo.
Então, tomou uma decisão.
Ligou o carro e dirigiu até o prédio dela. Não ia bater na porta, não ia forçar nada. Só precisava estar ali, nem que fosse para ficar no carro a noite toda. Se ela precisasse dele, queria que ela soubesse que ele estava ali.
Encostou o carro a uma distância razoável e ficou observando as luzes do apartamento dela. Algumas estavam acesas.
“Ela ainda tá acordada…” — pensou.
Ele pegou o celular mais uma vez e digitou:
“Estou aqui embaixo. Não precisa vir, não precisa dizer nada. Só quero que saiba que eu tô aqui.”
Enviou a mensagem e recostou no banco, esperando.
Jk … Jk… o que dizer?!
Pisou na bola…
Vamos ver se fará direito agora?!