E Se Eu Quiser Mais?
por FanfiqueiraQuando passou pelo portão da casa dele, SN recebeu uma mensagem de Beddy. Na tela, lia-se:
“Eu entendo que você não gosta de mim. Demorei muito tempo pra expressar o que sinto, mas… será que ainda podemos ser amigos? Você disse que acha que está gostando de outra pessoa, e por isso não seria certo nos vermos hoje. Mas… eu ainda estou aqui, se precisar de qualquer coisa. Obrigado por tudo. Você é incrível.”
SN encarou a mensagem por alguns segundos antes de guardar o celular no bolso. Respirou fundo. Sabia que tinha feito a coisa certa. Não dar falsas esperanças a Beddy era o mínimo que podia fazer, especialmente agora que queria dar espaço — e talvez uma chance real — a Jungkook.
Um tempo depois…
Ela tentou se concentrar no trabalho ao chegar em casa, mas a cabeça simplesmente não colaborava. Depois de um tempo encarando a tela do computador sem produzir nada, decidiu sair e caminhar um pouco. O ar noturno talvez ajudasse a organizar as ideias.
O apartamento dela não ficava longe da mansão de Jungkook, mas ela jamais imaginaria esbarrar com ele por ali. Caminhou até uma loja de conveniência e entrou sem pensar muito, distraída, apenas querendo espairecer.
Jungkook, que passava do outro lado da rua, a viu entrando. Franziu o cenho, confuso.
“Ué… ela não deveria estar com aquele cara agora? ” — pensou, sentindo um desconforto inexplicável no peito.
Ficou parado por um tempo, observando pelo reflexo da vitrine. Algo nele se mexeu. Era curiosidade? Insegurança? Ciúme? Ele não sabia ao certo. Mas entrou na loja mesmo assim.
Lá dentro, SN estava parada em frente a uma prateleira, analisando os produtos com um olhar distante. Jungkook se aproximou devagar, pegando qualquer item aleatório só para disfarçar.
— Você não deveria estar ocupada agora? — ele perguntou com aparente casualidade, mas os olhos estavam atentos.
SN se virou, surpresa. Não esperava vê-lo ali.
— Você sempre anda descuidado assim com sua segurança? Não sabe que isso pode ser perigoso? — disse, desviando o olhar, tentando manter a calma.
Jungkook cruzou os braços, inclinando levemente a cabeça.
— Eu que devia perguntar isso pra você. — rebateu. — Anda distraída por aí, entrando em lojas sozinha… sem segurança nenhuma.
Ele lançou um olhar ao redor, como se avaliando a situação, antes de voltar os olhos pra ela.
— E o seu compromisso? — perguntou, tentando soar indiferente, mas o aperto leve na mandíbula entregava o incômodo.
— Eu não sou famosa. Não ao ponto de correr riscos por causa de algumas pessoas que não entendem que eu tenho uma vida pessoal. Já você… não deveria estar sozinho. — ela respondeu com firmeza.
— Eu sei me cuidar. — Jungkook retrucou, sem desviar o olhar. Deu um passo mais próximo, abaixando um pouco a voz. — Mas você… tá sozinha agora. Não era pra estar com ele?
SN desviou o olhar, fingindo buscar algo na prateleira.
— Era… mas eu não fui vê-lo. — respondeu, quase num sussurro.
Jungkook ficou em silêncio por um momento. O olhar dele suavizou, tentando entender o que ela realmente queria dizer. Deu mais um passo, ficando ainda mais próximo.
— Por que não foi? Está me dizendo que prefere estar aqui? — ele perguntou, os olhos fixos nela.
Ela respirou fundo, os dedos ainda tocando a prateleira.
— Não faz sentido ir até ele e dar falsas esperanças se… — SN pausou por um segundo, como se lutasse com as palavras. — Se eu já sei que não o amo mais.
Houve um silêncio breve entre os dois. Jungkook absorveu as palavras com expressão séria, quase vulnerável. Ele via sinceridade no rosto dela. E aquilo mexia com ele mais do que queria admitir.
Depois de alguns segundos, com a voz mais baixa e suave, ele perguntou:
— Então… o que você quer agora?
SN esticou o braço para alcançar um pacote de ramen que estava alto demais na prateleira, fingindo ignorar a pergunta. Jungkook observou o esforço dela e, sem dizer nada, se aproximou, pegando o ramen e entregando em suas mãos.
Os olhares se encontraram rapidamente, e ele deu um leve sorriso de canto.
— Você realmente gosta de ignorar tudo, né? — disse com um tom suave, quase divertido.
Mesmo aguardando uma resposta, Jungkook respeitou o silêncio dela. Talvez ela só precisasse de tempo para organizar os próprios sentimentos… ou coragem para dizer em voz alta o que ele já começava a sentir também.
Ela finalmente olhou nos olhos dele e disse um “obrigada”. Foi um sorriso sutil, mas Jungkook viu.
Ele sentiu um alívio imediato ao notar aquele pequeno gesto. Sorriu de volta, discretamente, como se aquele instante tivesse quebrado uma barreira invisível entre eles.
— Não precisa agradecer, SN. — respondeu com a voz calma, mas carregada de uma intenção que ele não fez esforço para esconder. — Se precisar de qualquer coisa… é só me chamar.
Permaneceu ali por alguns segundos, observando-a. Esperava que ela dissesse algo mais, talvez um movimento, uma resposta — qualquer coisa. Mesmo com a distância entre eles, havia algo mudando, e ele sabia. Só não queria apressar.
SN não respondeu de imediato. E então, dois estudantes entraram na loja e pararam ao vê-lo de costas. Uma delas cochichou para a outra:
— Aquele ali não parece o Jungkook do BTS?
SN ficou atenta ao comentário, e antes que as meninas se aproximassem o suficiente para confirmar suas suspeitas, ela reagiu por instinto — puxou Jungkook para um beijo, escondendo ao mesmo tempo a mão tatuada dele sob o próprio casaco.
Jungkook ficou surpreso no primeiro segundo, mas entendeu rapidamente. Sentiu o toque dela e se deixou levar, mesmo que momentaneamente, pela sensação. O beijo foi rápido, o suficiente para distraí-las e fazê-las hesitar, e isso bastou para tranquilizá-lo.
Quando se afastaram, ele a olhou com mais atenção. Havia algo diferente nos olhos dela. Ele sorriu de leve, não disse nada, mas seu olhar dizia tudo.
As meninas já estavam indo embora quando SN percebeu que queria mais uma desculpa para beijá-lo. Então o puxou de novo, antes que ele se virasse completamente, dizendo baixinho:
— Elas estão voltando…
A mão dele ainda estava escondida sob o casaco dela. SN a tocou por cima do tecido, sentindo o calor e a firmeza dele explorando sua pele por baixo da roupa, mesmo com a barreira entre eles.
Jungkook sentiu seu coração acelerar com o gesto. O o beijo foi ficando cada vez mais profundo, mais urgente. Como se os dois soubessem que não tinham muito tempo.
A tensão aumentava, o toque se intensificava, o mundo ao redor parecia ter ficado em segundo plano. Jungkook se perdeu naquele momento, aproveitando a intensidade, o calor, a proximidade.
Quando o beijo finalmente cessou, ele respirou fundo. O impacto ainda vibrando em seu peito.
Ela olhou para ele com um sorriso travesso, e Jungkook não pôde evitar de sorrir também, seus olhos agora mais intensos. Ambos sabiam que havia algo mais entre eles, uma espécie de silêncio não dito, mas palpável.
Quando o beijo cessou, SN se afastou dali e foi até a caixa com o mesmo sorriso nos lábios.
Jungkook ficou parado por um momento, observando-a se afastar com aquele jeito provocador. Respirou fundo, tentando se recompor da intensidade do momento, mas algo dentro dele dizia que aquilo era mais do que apenas uma troca de beijos espontânea. Sentia a necessidade de entender o que estava acontecendo, mas ao mesmo tempo não queria forçar nada.
Logo em seguida, ele se aproximou da caixa e a alcançou. Seus pensamentos ainda estavam bagunçados, tentando processar o que havia entre eles. Quando seus olhos encontraram os dela novamente, ele não conseguiu conter a curiosidade.
— Você vai me deixar na dúvida o tempo todo, não vai? — perguntou, com um sorriso suave nos lábios, tentando aliviar a tensão no ar.
SN apenas sorriu, pegou as compras depois de pagar e saiu da loja sem responder.
Mas antes que qualquer um dos dois pudesse dizer algo, o celular dela tocou. Era Beddy.
— Oppa? Amanhã? Que horas? Tá bom, vou na sua casa sim. Tchau. — disse ela, desligando em seguida.
Jungkook observou SN com uma expressão difícil de decifrar enquanto ela falava ao telefone. O sorriso que antes dançava em seu rosto se desfez sutilmente, dando lugar a uma tensão discreta. Ele não conseguia ignorar o jeito natural com que ela marcou algo com Beddy. Aquilo cutucou um incômodo que ele não sabia bem como lidar.
Ela desligou o telefone, e ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, até que perguntou, com a voz baixa:
— Você… vai encontrá-lo amanhã?
Já do lado de fora da loja, ela respondeu com simplicidade:
— Vou.
Jungkook a observou por um momento. Sentiu a distância entre eles crescer, mesmo que fisicamente estivessem tão próximos. A confirmação de que ela veria Beddy no dia seguinte caiu sobre ele como um balde de água fria. E, apesar de tentar esconder, não conseguiu disfarçar a frustração que passou rapidamente por seus olhos.
— Você tem certeza disso?
A pergunta saiu mais suave do que Jungkook imaginava, uma mistura de curiosidade e talvez uma necessidade silenciosa de entender por que ela estava fazendo essa escolha.
Ele se aproximou um pouco mais, mas a distância ainda estava ali — não apenas física, mas também emocional. Ele queria perguntar mais, queria entender o que se passava na cabeça dela, mas sabia que forçar demais talvez só a afastasse ainda mais.
SN, percebendo a tensão no ar, provavelmente sabia que as palavras que viriam agora seriam carregadas de um significado maior.
— Sim… Mas não é da forma que você está imaginando.
Jungkook a olhou atentamente, tentando entender o que ela queria dizer com aquilo. A confusão em seu rosto era evidente.
— Eu… não entendo, SN — ele disse com a voz mais suave, quase como se estivesse tentando juntar as peças de um quebra-cabeça que estava prestes a se encaixar, mas ainda faltava uma parte.
Ele respirou fundo, tentando se controlar, mas a sensação de não saber o que estava acontecendo entre eles começava a pesar.
— Então… o que está acontecendo? O que você sente por ele?
A pergunta parecia simples, mas ele sabia que as respostas poderiam ser mais complicadas do que estava preparado para ouvir.
— Eu amo ele. Mas é um amor de irmão. Eu já vinha, há um tempo, parando de gostar dele… mas só percebi…— só tive certeza — depois de ontem, de nós…
Jungkook ficou em silêncio por um momento, processando as palavras dela. Ele tinha imaginado muitas coisas, mas não aquela. Sentiu uma mistura de alívio e confusão. O fato de ela ter dito que amava o Beddy, mas de forma fraternal, parecia aliviar uma preocupação, mas ao mesmo tempo levantava outras.
— Então você… não está interessada nele da maneira que eu pensei? — ele perguntou, a voz baixa, ainda tentando entender completamente a situação.
Ele a observava, tentando descobrir como ela estava realmente se sentindo. Havia um alívio em saber que seus próprios sentimentos ainda faziam sentido, mas também uma nova camada de incerteza sobre o que ela queria — e precisava — naquele momento.
— Não… Não gosto dele como homem. E pra ser sincera, nem acho que ele me ame como mulher. Talvez ele esteja confuso, por eu estar descobrindo agora que não sinto mais nada por ele… Gostei dele durante tantos anos, sofri um bocado. Até já vi ele ficar algumas vezes, com outras mulheres…
— Ele sempre me respeitou… E nunca me viu como mulher — e agora, de repente, se apaixonou por mim? — SN riu incrédula. — Ele só está confuso. Com algo que sempre foi certo, de repente, não é mais.
E antes de sair da casa da sua casa hoje, conversei com ele sobre isso. Eu não ia embora. Mas vi o quanto você estava meio perdido e precisava de um tempo… Então achei melhor ir.
Jungkook ouviu atentamente, seus olhos fixos em SN enquanto ela falava. A clareza com que ela expressava seus sentimentos o fez pensar. Ele sentiu uma ponta de tristeza ao perceber que, de alguma forma, havia contribuído para aquela confusão dentro dela, mas ao mesmo tempo, um leve alívio — ela não estava e nem pensava em Beddy da maneira que ele mais temia.
— Eu entendo, — ele respondeu com calma, tentando manter a compostura. — E sobre o que você disse… de eu estar perdido… Eu não queria que você se sentisse assim também. Eu só… não sei o que fazer com tudo isso. Nunca pensei que ficaria assim por causa de alguém.
Jungkook fez uma pausa, observando SN com o olhar mais suave, carregado de honestidade.
— Eu realmente só quero que você esteja bem, SN. E se isso significa dar um passo para trás e deixar você tomar o seu tempo… eu vou fazer isso.
Ele se aproximou dela lentamente, ainda sério, mas com um toque de vulnerabilidade no olhar. — Mas eu… eu não quero que isso acabe assim, sem tentar. Eu gostei de você. Muito. E não sei como fazer isso do jeito certo, mas quero tentar.
A voz dele, incerta mas sincera, deixava claro que ele estava disposto a entender seus sentimentos e lutar pelo que havia começado a florescer entre os dois.
SN tinha um sorriso largo no rosto quando ele disse que gostava dela… Era mais do que ela esperava ouvir — era mais do que ela achava que merecia naquele momento. Ela se aproximou devagar e o beijou com delicadeza, deixando seus sentimentos falarem por ela. Sussurrou contra os lábios dele:
— Vamos pra minha casa?
Jungkook ficou momentaneamente sem palavras, sentindo a suavidade dos lábios de SN e a proximidade reconfortante do corpo dela. O sorriso que ela deu era contagiante, e ele sentiu um calor preencher seu peito ao ouvir aquela pergunta.
“Será que é agora? Será que é com ela mesmo que tudo começa a fazer sentido?”
Ele passou as mãos suavemente pela cintura dela, os olhos fixos nos dela. Havia algo sincero ali, algo que ele não queria perder por causa de confusões internas.
— Claro — respondeu com um tom suave, o sorriso surgindo com um leve nervosismo, mas também com uma clareza que antes não tinha. — Vamos.
A carne caiu no prato da carnívora