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Há quem diga que o tempo cura todas as feridas, mas quem afirma tamanha leviandade claramente nunca experimentou a eternidade. Para Park Jimin, o tempo não era um curativo; era um tecido pesado, mofado e infinito que ele era obrigado a arrastar pelas calçadas brilhantes de Seul.

Hoje, ele era uma miragem de modernidade. O cabelo loiro, longo o suficiente para roçar a linha do maxilar esculpido, brilhava sob os neons da metrópole. Seus dedos, adornados com anéis de prata pesados, tamborilavam no volante do carro esportivo estacionado discreetamente em uma travessa escura do bairro de Gangnam. Ele vestia uma jaqueta de couro preta, fivelas metálicas reluzindo a cada movimento, e uma camiseta escura que contrastava com a palidez quase sobrenatural de sua pele. Para o mundo, ele era o idol em ascensão, a promessa da música, o jovem belo e intocável que arrancava suspiros em palcos iluminados.

Para si mesmo, ele era apenas um túmulo ambulante.

Ele suspirou, o ar frio saindo em uma névoa tênue de seus lábios carnudos. Seus olhos cor de mel, que podiam queimar com uma intensidade perigosa quando a sede apertava, fixaram-se na vidraça de um restaurante de alta gastronomia do outro lado da rua. Não era a fome que o guiava até ali. Vampiros não precisavam de iguarias humanas. O que o trazia de volta àquela zona, de trinta em trinta anos, era a promessa. Uma promessa maldita e bela, selada com sangue e lágrimas sob as pétalas de cerejeira de uma era que o mundo moderno insistia em esquecer.

— Você prometeu que me encontraria, S/N… — ele sussurrou para o vazio do automóvel, a voz grave carregada de uma melancolia que nenhuma de suas canções de amor conseguiria traduzir.

Ele se lembrava de cada suposta reencarnação. Lembrava-se da mulher idêntica a ela nos anos 1920, em uma Xangai febril, que rira de seu desespero e o chamara de louco. Lembrava-se da jovem nos anos 1970, em uma Londres cinzenta, que recuara assustada quando ele pronunciara seu nome com os olhos marejados. Toda vez, o mesmo rosto, os mesmos traços que ele esculpira no lado de dentro de suas pálpebras. E toda vez, a mesma barreira intransponível: o esquecimento. Ela nunca se lembrava dele. A reencarnação limpava sua mente, deixando Jimin sozinho com o fantasma de um amor que se recusava a morrer.

Jimin ajustou o espelho retrovisor, encarando o próprio reflexo. O loiro de seus cabelos era uma tentativa de se distanciar do homem que fora no passado, mas a dor em seu olhar continuava exatamente a mesma daquela noite fatídica na era Joseon.

Ele abriu a porta do carro. O estômago de Jimin revirou, não por fome, mas pelo pressentimento que sempre o assaltava quando o ciclo de três décadas se completava. Ele cruzaria aquela rua. Procuraria por ela entre as mesas do restaurante. E, como nas últimas vezes, recolheria os pedaços de seu próprio coração imortal quando ela olhasse através dele como se ele fosse um estranho.

O que Park Jimin não sabia, enquanto caminhava a passos lentos e elegantes em direção à luz quente daquele restaurante, era que o destino não era apenas cruel. Ele gostava de jogar.

Hanyang (Antiga Seul), Era Joseon — Séculos Atrás

O aroma de terra molhada e agulhas de pinheiro sempre seria o cheiro da felicidade para Park Jimin. Naquela época, seus cabelos não carregavam o tom dourado artificial da modernidade; eram fios negros como o nanquim, longos, presos parcialmente no topo da cabeça por uma fita de seda escura. Ele não vestia couro ou metal, mas sim um hanbok de linho claro, cujas mangas largas balançavam suavemente de acordo com o ritmo de sua caminhada pelos jardins da propriedade.

Jimin não nascera em berço de ouro, mas o trabalho árduo como um dos jovens oficiais de guarda da região — e a ajuda indispensável de seu amigo mais próximo, Jung-hyun — garantiu-lhe uma vida confortável. Uma vida pequena, porém plena.

Naquela tarde específica, o sol de primavera estava se pondo, tingindo as nuvens altas com tons de pêssego e violeta. Jimin caminhava pelo pátio interno da casa que construíra com as próprias mãos. Seus olhos procuravam a única razão pela qual ele ansiava voltar para casa todos os dias após os treinos exaustivos com a espada.

— Se continuar vigiando o horizonte dessa forma, os criados vão achar que está esperando uma invasão de rebeldes, meu amigo.

Jimin sorriu, virando-se para o homem que acabara de cruzar o portal de madeira da entrada. Jung-hyun. Ele era alguns anos mais velho que Jimin, dono de uma postura impecável e um olhar que misturava sabedoria e uma pitada de mistério que Jimin nunca soubera decifrar por completo. Jung-hyun fora mais que um amigo; fora um mentor, o homem que intercedera por ele junto aos magistrados e que sempre parecia ter o conselho exato para qualquer crise.

— Não estou esperando rebeldes, Jung-hyun — Jimin respondeu, a voz jovem e limpa, livre do peso dos séculos que viriam a esmagá-la no futuro. — Estou apenas esperando que o dia termine logo.

Jung-hyun soltou uma risada contida, aproximando-se e pousando a mão firme no ombro de Jimin. Havia algo na temperatura daquela mão… Jimin sempre achara Jung-hyun um homem de hábitos peculiarmente frios. Ele raramente saía sob o sol forte do meio-dia, preferindo as sombras dos salões de estratégia, e sua pele tinha uma palidez sutil, que contrastava com o bronzeado dos outros soldados. Mas Jimin nunca questionara. Jung-hyun era seu irmão de armas, o homem em quem confiava sua vida.

— Você é um homem casado há menos de um ano e já se comporta como se o mundo lá fora não passasse de uma distração enfadonha — provocou Jung-hyun, embora houvesse um brilho estranhamente melancólico no fundo de suas pupilas escuras. — Vá para dentro. Ela está na cozinha dos fundos, separando as ervas que compramos no mercado. Não a faça esperar.

— Obrigado por vir verificar os relatórios comigo hoje. Você não precisava ter caminhado até aqui — Jimin agradeceu sinceramente.

— Eu sempre estarei por perto, Jimin. Lembre-se disso — Jung-hyun disse, suas palavras soando mais densas do que o normal. — Mais do que você imagina.

Com um aceno de cabeça, Jung-hyun despediu-se, caminhando de volta para a rua da vila com aquela sua postura deslizada, quase sem ruído, que Jimin sempre considerara a marca registrada de um guerreiro excepcionalmente treinado. Jimin não sabia. Ele não tinha como saber que o homem que chamava de irmão carregava a maldição do sangue há mais de duzentos anos, ocultando sua natureza sob as vestes de um oficial da corte apenas para observar os humanos passarem como folhas ao vento.

Afastando os pensamentos sobre o trabalho, Jimin praticamente correu em direção aos aposentos traseiros. Seus passos no piso de madeira ecoaram suaves. Ele parou junto à porta de correr, observando a silhueta que se movia lá dentro através do papel de arroz translúcido.

Quando ele puxou a porta, o mundo exterior simplesmente deixou de existir.

S/N estava sentada sobre as pernas dobradas, cercada por pequenas cestas de vime cheias de folhas secas de chá e pétalas de lótus. Ela usava um chima — a saia do hanbok — em um tom de azul-celeste profundo, e o jeogori branco realçava a delicadeza de seus ombros. Seu cabelo estava preso em uma trança baixa, adornada com uma presilha de jade simples que ele lhe dera no dia do casamento.

Ao ouvir o som da porta, ela ergueu os olhos. O sorriso que se formou nos lábios dela foi o suficiente para dissipar todo o cansaço que travava os músculos de Jimin.

— Você demorou — ela disse, a voz suave agindo como um bálsamo nos ouvidos dele. — Jung-hyun o reteve por muito tempo?

Jimin não respondeu de imediato. Em vez disso, ele cruzou a sala com passos largos, ajoelhou-se ao lado dela e, sem se importar com as folhas de chá que voaram com o movimento de suas mangas, envolveu-a em um abraço apertado. Ele enterrou o rosto na curvatura do pescoço dela, respirando o cheiro de jasmim e pele quente. O calor dela. O pulsar ritmado e reconfortante do coração dela contra o peito dele.

— Jimin? — Ela riu, uma risada musical, enquanto tentava afastar as mãos dele que já se entrelaçavam em sua cintura. — O que aconteceu? Alguém o aborreceu no palácio?

— Nada aconteceu — ele murmurou contra a pele dela, depositando um beijo terno ali, bem na linha onde a vida pulsava com tanta força. — Só senti sua falta. A cada hora que passo longe desta casa, sinto como se estivesse perdendo o meu tempo neste mundo.

S/N relaxou nos braços dele, deixando a cabeça repousar no ombro largo de Jimin. Suas mãos pequenas subiram para acariciar os cabelos negros dele, desfazendo a fita que os prendia e deixando que os fios caíssem livres pelas costas do marido.

— Você é muito dramático para um oficial da guarda, meu amor — ela brincou, embora seus olhos estivessem cheios de um afeto profundo, quase devocional. — Estamos juntos todos os dias. Viveremos aqui até nossos cabelos ficarem brancos como a neve do inverno.

Jimin se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. Seus dedos contornaram a linha do queixo de S/N, movendo-se com uma reverência que beirava o sagrado. Ele a amava tanto que, às vezes, a intensidade desse sentimento o assustava. Era uma fome que não se saciava, um desejo de funder sua alma à dela de forma que nem a morte pudesse separá-los.

— Prometa-me uma coisa — Jimin pediu, a seriedade em sua voz fazendo com que S/N piscasse, surpresa.

— O que você quiser.

— Se o mundo girar, se os reinos caírem… se algo acontecer e formos separados por este destino incerto… prometa que sua alma dará um jeito de voltar para mim. Prometa que me procurará em outra vida.

S/N olhou para ele, a expressão suavizando-se em uma ternura infinita. Ela pegou a mão direita de Jimin, unindo as palmas dos dois. Os dedos se entrelaçaram perfeitamente, pele quente contra pele quente.

— Eu prometo, Park Jimin — ela disse, cada palavra carregada com a solenidade de um juramento de sangue. — Não importa quantas vidas eu tenha que viver, não importa o tempo que passe ou a distância que o céu nos imponha. Minha alma sempre reconhecerá a sua. Eu voltarei para você. Sempre.

Ele sorriu, o peso de uma angústia que ele sequer compreendia sendo aliviado por aquelas palavras. Jimin inclinou-se para a frente, selando a promessa com um beijo. Foi um beijo lento, profundo, que guardava o gosto do presente e a inocência de dois humanos que acreditavam que o amor era a força mais poderosa do universo. Eles não sabiam que, nas sombras da floresta que cercava a vila, monstros reais observavam a luz daquela casa, esperando o momento exato de despedaçar o paraíso.

Naquela noite, eles jantaram rindo de piadas bobas sobre os outros guardas, compartilharam uma única taça de vinho de arroz e dormiram abraçados sob os cobertores de seda, com Jimin segurando a mão dela como se temesse que ela desaparecesse se ele soltasse por um segundo sequer. Foi a última noite de paz que Park Jimin teve em sua existência.

9 Comentários

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  1. Thamiris
    May 22, '26 at 7:53 pm

    O aroma de terra molhada e agulhas de pinheiro sempre seria o cheiro da felicidade para Park Jimin. Naquela época, seus cabelos não carregavam o tom dourado artificial da modernidade; eram fios negros como o nanquim, longos, presos parcialmente no topo da cabeça por uma fita de seda escura. Ele não vestia couro ou metal, mas sim um hanbok de linho claro, cujas mangas largas balançavam suavemente de acordo com o ritmo de sua caminhada pelos jardins da propriedade.

    Baby mochi

  2. Thamiris
    May 22, '26 at 7:48 pm

    Hoje, ele era uma miragem de modernidade. O cabelo loiro, longo o suficiente para roçar a linha do maxilar esculpido, brilhava sob os neons da metrópole. Seus dedos, adornados com anéis de prata pesados, tamborilavam no volante do carro esportivo estacionado discreetamente em uma travessa escura do bairro de Gangnam. Ele vestia uma jaqueta de couro preta, fivelas metálicas reluzindo a cada movimento, e uma camiseta escura que contrastava com a palidez quase sobrenatural de sua pele. Para o mundo, ele era o idol em ascensão, a promessa da música, o jovem belo e intocável que arrancava suspiros em palcos iluminados.

    Vampirao em que o tempo só ajudou a melhorar

  3. Marcela
    May 21, '26 at 5:14 pm

    [quote]— Se o mundo girar, se os reinos caírem… se algo acontecer e formos separados por este destino incerto… prometa que sua alma dará um jeito de voltar para mim. Prometa que me procurará em outra vida.

    Sentia que poderia acontecer alguma coisa ??

  4. Marcela
    May 21, '26 at 5:08 pm

    [quote]— Eu sempre estarei por perto, Jimin. Lembre-se disso — Jung-hyun disse, suas palavras soando mais densas do que o normal. — Mais do que você imagina.

    Esse homem é meio estranho
    ( Papo esquisito do CCT) Kkkk

  5. Marcela
    May 21, '26 at 5:07 pm

    [quote]Ele se lembrava de cada suposta reencarnação. Lembrava-se da mulher idêntica a ela nos anos 1920, em uma Xangai febril, que rira de seu desespero e o chamara de louco. Lembrava-se da jovem nos anos 1970, em uma Londres cinzenta, que recuara assustada quando ele pronunciara seu nome com os olhos marejados. Toda vez, o mesmo rosto, os mesmos traços que ele esculpira no lado de dentro de suas pálpebras. E toda vez, a mesma barreira intransponível: o esquecimento. Ela nunca se lembrava dele. A reencarnação limpava sua mente, deixando Jimin sozinho com o fantasma de um amor que se recusava a morrer.

    Coitadoooo
    Cada reincarnação, um novo sofrimento

  6. Iasmine
    May 21, '26 at 12:06 am

    Naquela noite, eles jantaram rindo de piadas bobas sobre os outros guardas, compartilharam uma única taça de vinho de arroz e dormiram abraçados sob os cobertores de seda, com Jimin segurando a mão dela como se temesse que ela desaparecesse se ele soltasse por um segundo sequer. Foi a última noite de paz que Park Jimin teve em sua existência.

    La vem bomba.. aiii meu deus

  7. Iasmine
    May 21, '26 at 12:05 am

    — Eu sempre estarei por perto, Jimin. Lembre-se disso — Jung-hyun disse, suas palavras soando mais densas do que o normal. — Mais do que você imagina.

    shiiii esse cara é sinistro ein

  8. Iasmine
    May 21, '26 at 12:05 am

    — Você prometeu que me encontraria, S/N… — ele sussurrou para o vazio do automóvel, a voz grave carregada de uma melancolia que nenhuma de suas canções de amor conseguiria traduzir.

    Pobre vampiro solitária em busca de seu grande amor

  9. Iasmine
    May 21, '26 at 12:03 am

    Hoje, ele era uma miragem de modernidade. O cabelo loiro, longo o suficiente para roçar a linha do maxilar esculpido, brilhava sob os neons da metrópole. Seus dedos, adornados com anéis de prata pesados, tamborilavam no volante do carro esportivo estacionado discreetamente em uma travessa escura do bairro de Gangnam. Ele vestia uma jaqueta de couro preta, fivelas metálicas reluzindo a cada movimento, e uma camiseta escura que contrastava com a palidez quase sobrenatural de sua pele. Para o mundo, ele era o idol em ascensão, a promessa da música, o jovem belo e intocável que arrancava suspiros em palcos iluminados.

    Fui eu que pedi jimin vampirão sim

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