Capítulo 2 – O Gelo das Mentiras
por FanfiqueiraSeul, Tempo Presente — Séculos Depois
O contraste da memória com a realidade doeu como um soco no estômago de Jimin quando ele pisou na calçada fria de Gangnam.
Ele balançou a cabeça, tentando afastar o fantasma do cheiro de jasmim e terra molhada da antiga Hanyang. Ali, o ar cheirava a fumaça de escapamento, perfume caro e comida gordurosa. O som do vento nas árvores fora substituído pelo ronco dos motores e pela música eletrônica abafada que escapava das portas dos clubes noturnos.
Jimin ajeitou a jaqueta de couro preta, os metais tilintando suavemente (como o look de jaqueta pesada e correntes, image_3.png). Ele caminhou em direção ao restaurante. Seus passos eram automáticos. Ele já fizera aquilo tantas vezes, em tantas décadas diferentes. A rotina doía, mas a esperança era uma doença que ele não conseguia curar.
Ele parou diante da fachada de vidro fumê do restaurante L’Éclipse. Através do vidro, ele conseguia ver as mesas iluminadas por velas, os garçons de terno servindo vinho em taças de cristal. Seu olhar vagou de mesa em mesa, examinando os rostos das mulheres que jantavam ali.
E então, o tempo parou novamente.
Sentada em uma mesa próxima à janela dos fundos, de perfil para a rua, estava ela.
Jimin segurou o fôlego — um hábito puramente humano que ele mantinha para não parecer um cadáver entre os vivos. Seus olhos se arregalaram. Os traços eram idênticos. O contorno delicado do nariz, a curva dos lábios que ele beijara séculos atrás, a postura graciosa dos ombros. Ela usava um vestido moderno, escuro, e seus cabelos estavam soltos, caindo em ondas sobre as costas.
É ela, seu coração morto pareceu simular uma batida. S/N.
A frustração antiga subiu por sua garganta como bile. Lá estava ela. Mais uma vez, trinta anos após o último encontro desastroso na Europa, o destino a colocara em seu caminho. Ela parecia jovem, na casa dos vinte anos, o que significava que, na lógica de Jimin, ela havia reencarnado novamente. Ele sentiu a urgência de entrar lá, de segurar as mãos dela, de implorar para que ela olhasse para ele e se lembrasse da promessa na era Joseon. Mas ele se lembrou da dor dos outros séculos. Lembrou-se do olhar de desprezo e medo de suas “reencarnações” anteriores quando ele tentava forçar uma aproximação.
— Eu não posso simplesmente quebrar o seu mundo de novo… — ele sussurrou para si mesmo, os nós dos dedos ficando brancos enquanto ele lutava contra o próprio instinto de correr até ela.
Decidido a apenas observá-la de longe para acalmar a tempestade em seu peito, Jimin deu alguns passos para trás, recolhendo-se para a penumbra de um beco lateral que dava para a saída de serviço do restaurante. Ele esperaria. Veria com quem ela estava, veria se ela parecia feliz nesta vida. Se ela estivesse feliz, talvez… apenas talvez, ele a deixaria ir.
Minutos se passaram como horas para a percepção temporal acelerada de um vampiro. Lá dentro, S/N pediu a conta. Ela parecia estar sozinha. Ela se levantou, pegou sua bolsa e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Mas, em vez de sair pela porta principal, onde os manobristas esperavam, ela pegou o corredor que levava à saída dos fundos — justamente o beco escuro onde Jimin estava oculto pelas sombras.
Jimin colou o corpo contra a parede de tijolos. Suas pupilas se dilataram na escuridão.
A porta de metal pesada do restaurante se abriu com um rangido. S/N passou por ela. Ela parecia apressada, olhando para o relógio de pulso. Ela não olhou para os lados. Não viu o homem de cabelos loiros e olhos brilhantes que a observava a menos de três metros de distância, camuflado na escuridão densa.
S/N caminhou até o meio do beco deserto. Ela soltou um suspiro de impaciência e tateou a bolsa, retirando um telefone celular.
— Sim, estou saindo agora — ela disse ao atender uma ligação. A voz… era a mesma voz que jurara amor eterno a ele sob o céu de Joseon, mas havia uma cadência diferente, algo mais afiado, mais frio. — Tive que aguentar aquele humano estúpido por duas horas fingindo interesse. O sangue dele cheira a álcool e remédios, patético. Estou voltando para o distrito.
Jimin franziu o cenho na escuridão. Humano estúpido? Sangue? Seu cérebro imortal vacilou, tentando processar as palavras que acabara de ouvir.
Antes que ele pudesse formular um pensamento coerente, S/N desligou o telefone e o guardou na bolsa. Ela olhou para o final do beco, que dava para uma avenida movimentada a cerca de cinquenta metros dali.
O que aconteceu a seguir estilhaçou tudo o que Park Jimin acreditara nos últimos trezentos anos.
S/N não caminhou. Ela não correu.
Em um piscar de olhos — um movimento tão rápido que um olho humano veria apenas um borrão ou um vento súbito —, a silhueta dela desapareceu de onde estava e materializou-se instantaneamente no final do beco, já sob a luz da avenida, caminhando como se nada tivesse acontecido.
Foi uma fração de segundo. A velocidade de deslocamento pura, o corte preciso no ar que apenas uma criatura da noite era capaz de realizar. A mesma velocidade que o próprio Jimin usava para caçar.
Jimin descolou-se da parede, os olhos completamente escuros, as pupilas dominando as íris cor de mel. Seus lábios se entreabriram em um choque tão profundo que ele sentiu suas mãos tremerem.
Ela não se moveu como uma humana. Ela não era uma humana.
O peso de todas as rejeições do passado, de todas as vezes que ela dissera “não te conheço” com um olhar distante, desabou sobre os ombros de Jimin como uma avalanche de gelo. Ela não havia esquecido por causa da reencarnação. Ela nunca havia reencarnado. Ela estava viva. Ela era um monstro, exatamente como ele.
A mentira de três séculos acabara de se desvendar diante de seus olhos loiros e torturados, sob a luz suja de um beco de Seul. E Jimin percebeu que o verdadeiro pesadelo estava apenas começando.
A névoa da avenida engoliu o borrão que outrora fora S/N. O beco voltou a ser apenas um corredor de concreto sujo, escorrendo água da chuva e cheirando a abandono. Mas para Park Jimin, o mundo inteiro havia desmoronado.
As mãos, adornadas com os pesados anéis de prata, começaram a tremer. O choque não veio como uma onda, mas como um prego em brasa cravado diretamente no centro de sua mente imortal. Ele deu um passo em falso para trás, colidindo contra a parede de tijolos. As pupilas, completamente dilatadas, recusavam-se a aceitar o que os olhos haviam testemunhado.
Ela não reencarnou. Ela nunca morreu.
A verdade ecoou em sua mente como uma piada cruel de três séculos. O peso de cada rejeição, de cada década em que ele chorara diante de um rosto idêntico que o olhava com indiferença, transformou-se em um vidro moído em seu estômago. Ela esteve viva o tempo todo. Ela se tornara um monstro. O mesmo monstro que ele.
De repente, o som do tráfego de Gangnam silenciou em sua mente, substituído pelo estalar de galhos secos e pelo cheiro de sangue que ele tentara soterrar no passado. A realidade se desfez, arrastando-o de volta para o abismo de suas próprias memórias.
…. CONTINUA …
[quote]É ela, seu coração morto pareceu simular uma batida. S/N.
Fiquei apreensiva por ele kkkk
[quote]— Eu não posso simplesmente quebrar o seu mundo de novo… — ele sussurrou para si mesmo, os nós dos dedos ficando brancos enquanto ele lutava contra o próprio instinto de correr até ela.
Msm sofrendo, ele pensou primeiro nela
[quote]Jimin franziu o cenho na escuridão. Humano estúpido? Sangue? Seu cérebro imortal vacilou, tentando processar as palavras que acabara de ouvir.
Ela também é um vampiro?? Oiii??
É isso msm, produção? Kkkk
[quote]Foi uma fração de segundo. A velocidade de deslocamento pura, o corte preciso no ar que apenas uma criatura da noite era capaz de realizar. A mesma velocidade que o próprio Jimin usava para caçar.
Geeente, tou passada que ela é um vampiro TB
Aiii deus ela apareceu.. vai que é sua
Aaah como ele ama essa mulher gente
Que??????? Não pera, eu to lendo isso mesmo?
Mano não é possível isso… eu não tava esperando por isso não kkkkkk