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A escuridão na cobertura parecia ter peso. O silêncio só era quebrado pelo som do líquido âmbar sendo derramado, seguidamente, em um copo de cristal que já acusava os maus-tratos da noite anterior. Jimin estava jogado no chão de mármore do escritório, as costas apoiadas contra o que restara de uma estante de livros raros. Ao seu redor, o cenário era de guerra: telas rasgadas, molduras partidas e lascas de madeira cobertas por uma fina camada de poeira de carvão. Os traços de S/N estavam destruídos, mas a imagem dela continuava intacta e torturante dentro de sua mente.

Ele virou mais um copo de uísque puro. Para um humano, aquela quantidade de álcool combinada com o luto seria fatal nas primeiras horas. Para Jimin, servia apenas para anestesiar a queimação em suas veias e desacelerar os pensamentos que o bombardeavam. Ele queria esquecer. Pela primeira vez em trezentos anos, ele amaldiçoava a própria memória perfeita.

O sol nasceu lá fora, filtrado pelas pesadas cortinas blecaute que bloqueavam qualquer raio de luz. O dia avançou e, com ele, o mundo dos vivos começou a cobrar a presença do idol brilhante de Seul.

Distante, em cima do balcão quebrado da cozinha, o celular de Jimin vibrava consecutivamente. Uma, duas, cinco vezes. A tela iluminava o ambiente caótico com chamadas perdidas da agência e mensagens urgentes de seu empresário. Já passava das onze da manhã. Ele tinha uma sessão de fotos de alta relevância para uma marca internacional e um ensaio coreográfico marcado para o início do dia. Mas Park Jimin permanecia estático, com os cabelos loiros desgrenhados caindo sobre os olhos opacos, perdido no limbo de sua própria dor imortal.

Do outro lado da pesada porta de madeira da cobertura, o salto alto de Min-jee estalava no corredor de mármore do condomínio de luxo. Ela segurava o celular contra o ouvido, a respiração ligeiramente opressa pela ansiedade. Era a nova estagiária da equipe de gerenciamento de Jimin, uma jovem que recém-ingressara no universo frenético do entretenimento e que, até então, só conhecia o artista através das telas perfeitas e das interações estritamente profissionais.

— Sim, chefe, acabei de sair do elevador — Min-jee falava ao telefone, tentando manter a voz firme apesar do nervosismo. — O carro já está esperando no subsolo. Vou ver o que aconteceu. Pode ser que ele tenha esquecido de carregar o aparelho. Eu aviso assim que conseguir falar com ele.

Ela desligou o celular e o guardou na bolsa, parando diante da imponente porta com fechadura eletrônica. Min-jee ajeitou a saia de seu conjunto social e respirou fundo. Estar ali, no espaço pessoal do homem que dominava não apenas as paradas de sucesso, mas também seus pensamentos mais profundos e inconfessáveis, fazia seu coração acelerar de uma forma perigosa.

Sempre que estava perto de Jimin na agência, ela tentava parecer invisível, mas seus olhos inevitavelmente seguiam a linha de seu maxilar, a postura imponente e o magnetismo que ele exalava. Para Min-jee, ele era uma divindade intocável. Ela mal sabia que, para Jimin, a mente dela era como um livro aberto.

Antes mesmo que a mão de Min-jee subisse para tocar o sensor da campainha, a fechadura emitiu um estalo seco.

A porta abriu-se abruptamente, cortando o ar.

Min-jee deu um sobressalto, dando um passo para trás. A figura que surgiu no vão da porta não lembrava em nada o idol impecável das revistas. Jimin estava com a jaqueta de couro preta entreaberta sobre o peito, a camiseta amassada e os fios loiros completamente desalinhados. Havia uma palidez quase doentia em sua pele, e o aroma denso de bebida alcoólica exalava dele como uma névoa.

Mas o que realmente paralisou Min-jee foram os olhos dele. Eles pareciam mais escuros, profundos e carregados de uma intensidade predatória que ela nunca vira antes.

Jimin a encarou de cima a baixo. Seus sentidos sobrenaturais captaram imediatamente o ritmo acelerado do coração dela e, flutuando na superfície da mente da garota, os pensamentos que ela tentava desesperadamente esconder. Ele ouviu o eco do desejo dela, o choque misturado à excitação genuína de vê-lo daquela forma — vulnerável, perigoso e terrivelmente atraente.

Um sorriso ladino, frio e calculista, desenhou-se nos lábios carnudos de Jimin.

— Min-jee… — a voz dele saiu mais grave do que o normal, arranhada pelo uísque e pelo silêncio da noite. — Que surpresa agradável na minha porta.

— S-Senhor Park… — ela gaguejou, sentindo as bochechas esquentarem sob o olhar dele. Ela olhou rapidamente por cima do ombro dele e vislumbrou o interior do apartamento: uma garrafa quebrada no chão da entrada e uma atmosfera de completa desordem. — Na agência… todos estão preocupados. O senhor está muito atrasado para a sessão de fotos. Mandaram-me vir até aqui para…

— Entre — ele a interrompeu, dando um passo para trás, convidando-a com um gesto lento de cabeça.

— Eu não acho que seja uma boa ideia, nós precisamos ir… — ela começou a dizer, mas seus pés simplesmente não se moveram em direção ao elevador. O magnetismo dele a puxava como um ímã.

— Você está linda hoje, Min-jee — Jimin sussurrou, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o calor sutil que ele emanava quando queria simular vida. Ele estendeu a mão adornada de anéis e tocou de leve uma mecha do cabelo dela. — Sempre tão eficiente. Por que não deixa o trabalho de lado por alguns minutos?

O flerte direto fez a mente de Min-jee girar. O homem que ela idolatrava estava ali, a poucos centímetros, olhando para ela com um interesse que ela jamais julgou ser possível.

— Nós realmente… deveríamos ir… — ela murmurou, mas a voz saiu fraca, sem nenhuma convicção real.

Jimin não respondeu com palavras. Em um movimento fluido e rápido, ele envolveu a cintura de Min-jee com um dos braços, puxando o corpo dela contra o seu com uma força firme, eliminando qualquer distância. Antes que ela pudesse processar o impacto, os lábios de Jimin tomaram os dela.

Foi um beijo faminto, ditado pela urgência e pelo rancor que queimava em seu peito. Jimin sentiu o gosto doce e puramente humano dela, o calor da vida que ele tanto tentara preservar em suas memórias e que agora parecia uma zombaria. Min-jee soltou um suspiro abafado contra a boca dele, as mãos subindo timidamente para os ombros da jaqueta de couro, entregando-se completamente ao toque.

À medida que o beijo se intensificava, a barreira do controle de Jimin vacilou. Suas íris cor de mel brilharam, mudando para um tom escuro e perigoso. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, prendendo o queixo de Min-jee entre o polegar e o indicador.

— Olhe para mim — ele ordenou, a voz carregada com o peso da hipnose vampírica.

Min-jee tentou piscar, mas sua mente foi instantaneamente inundada por uma névoa cinzenta e dócil. O livre-arbítrio dela dissolveu-se sob o comando dele. Ela assentiu, os olhos ligeiramente enevoados, totalmente submissa à vontade da criatura à sua frente.

— Você vai entrar. Você vai fazer exatamente o que eu quiser, e não vai questionar nada. Compreendeu?

— Sim… — ela respondeu em um sopro.

Jimin a conduziu para o interior da cobertura, fechando a porta com um estrondo que ecoou pelo ambiente destruído. Ele a guiou até o grande sofá de couro escuro da sala de estar, o único móvel que permanecera intacto. A dinâmica entre os dois mudou drasticamente; não era mais o idol e a estagiária, mas um predador usando uma distração humana para tentar calar a dor de uma traição secular.

Ele a dominou com gestos firmes e autoritários, controlando cada movimento dela no estofado. Suas mãos agiam com uma crueza que Min-jee nunca imaginaria que o doce Park Jimin possuísse, segurando-a pelos cabelos com firmeza enquanto a mantinha sob seu comando, explorando a entrega dela de forma intensa e unilateral. A resistência física de sua natureza imortal tornava cada toque prolongado, exaustivo para o ritmo humano dela, que parecia perder o fôlego diante da energia avassaladora dele.

No entanto, no auge daquela entrega, a imagem de S/N no beco — fria, poderosa e indiferente — cruzou a mente de Jimin como uma labareda. O ódio e a frustração reprimidos subiram por sua garganta.

Jimin segurou Min-jee pelo pescoço com uma força controlada, pressionando o polegar contra os lábios dela para abafar qualquer som, enquanto a intensidade de seus movimentos se tornava quase violenta, ditada pela fúria interna.

— Por que… por que você não voltou para mim?! — ele rosnou, as palavras saindo direcionadas ao fantasma de S/N, embora seus olhos estivessem fixos na garota abaixo dele. — Que porra de mentira foi essa?! Eu te amei tanto… te procurei por cada canto deste inferno!

Min-jee o olhava com uma mistura de torpor e incompreensão provocada pela hipnose, incapaz de processar o luto dele, mas totalmente entregue ao êxtase físico que aquela intensidade provocava em seu corpo. Ela alcançou o ápice do prazer consecutivas vezes, o corpo tremendo sob o domínio dele, até que Jimin finalmente encontrou sua própria liberação, entregando-se ao esgotamento daquela explosão de raiva e desejo.

Antes de se afastar por completo, o aroma do sangue pulsando na jugular de Min-jee tornou-se irresistível para a sede que a cólera despertara. Jimin inclinou o rosto e cravou as presas com precisão no pescoço dela. Min-jee soltou um suspiro trêmulo, sentindo a dor inicial ser rapidamente substituída pelo torpor anestésico do veneno vampírico enquanto ele se alimentava, extraindo o suficiente para recuperar suas forças, sem colocar a vida dela em risco.

Quando terminou, ele limpou o canto da boca com as costas da mão e encarou a jovem deitada no sofá, os olhos dela ainda fixos no teto, completamente sob o efeito do transe.

Jimin aproximou-se novamente, sussurrando contra o ouvido dela, ativando a sugestão hipnótica final:

— Você vai esquecer os detalhes desta tarde. Só vai se lembrar do que aconteceu aqui quando estiver a sós comigo, sob o meu comando. Você vai cobrir essas marcas no seu pescoço, vai inventar uma desculpa para a agência sobre o meu atraso e nunca, sob hipótese alguma, dirá uma única palavra a ninguém sobre o estado desta casa ou sobre mim.

— Eu… vou esconder tudo… — ela repetiu roboticamente.

— Descanse um pouco — Jimin disse, a voz voltando ao tom frio e distante de sempre. — Eu vou tomar um banho. Quando eu voltar, nós iremos para a agência.

Ele se levantou, a jaqueta de couro pesando sobre os ombros, e caminhou em direção à suíte master sem olhar para trás, deixando a estagiária imersa no silêncio da sala destruída. A tempestade física passara, mas o plano de Jimin para caçar a verdade e descobrir o que era o “distrito” de S/N estava apenas começando.

9 Comentários

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  1. Iasmine
    May 21, '26 at 8:47 pm

    — Você vai esquecer os detalhes desta tarde. Só vai se lembrar do que aconteceu aqui quando estiver a sós comigo, sob o meu comando. Você vai cobrir essas marcas no seu pescoço, vai inventar uma desculpa para a agência sobre o meu atraso e nunca, sob hipótese alguma, dirá uma única palavra a ninguém sobre o estado desta casa ou sobre mim.

    Pera ela vai virar vampiro?

  2. Iasmine
    May 21, '26 at 8:46 pm

    — Por que… por que você não voltou para mim?! — ele rosnou, as palavras saindo direcionadas ao fantasma de S/N, embora seus olhos estivessem fixos na garota abaixo dele. — Que porra de mentira foi essa?! Eu te amei tanto… te procurei por cada canto deste inferno!

    300 anos sem transar.. e pensando na sn pqp

  3. Iasmine
    May 21, '26 at 8:45 pm

    Foi um beijo faminto, ditado pela urgência e pelo rancor que queimava em seu peito. Jimin sentiu o gosto doce e puramente humano dela, o calor da vida que ele tanto tentara preservar em suas memórias e que agora parecia uma zombaria. Min-jee soltou um suspiro abafado contra a boca dele, as mãos subindo timidamente para os ombros da jaqueta de couro, entregando-se completamente ao toque.

    Oloco ele pegou a estagiária CHOCADA

  4. Iasmine
    May 21, '26 at 8:44 pm

    Sempre que estava perto de Jimin na agência, ela tentava parecer invisível, mas seus olhos inevitavelmente seguiam a linha de seu maxilar, a postura imponente e o magnetismo que ele exalava. Para Min-jee, ele era uma divindade intocável. Ela mal sabia que, para Jimin, a mente dela era como um livro aberto.

    Aiiii que pesadelo, a pessoa saber tudo que to pensando kkkk

  5. Marcela
    May 21, '26 at 6:00 pm

    [quote]— Você está linda hoje, Min-jee — Jimin sussurrou, aproximando-se o suficiente para que ela sentisse o calor sutil que ele emanava quando queria simular vida. Ele estendeu a mão adornada de anéis e tocou de leve uma mecha do cabelo dela. — Sempre tão eficiente. Por que não deixa o trabalho de lado por alguns minutos?

    Nuuuum é, Min-Jee, aproveeeeita os minutos rpz

  6. Marcela
    May 21, '26 at 5:56 pm

    [quote]— Min-jee… — a voz dele saiu mais grave do que o normal, arranhada pelo uísque e pelo silêncio da noite. — Que surpresa agradável na minha porta.

    Aê, vaaaai que é tua Vampmin

  7. Marcela
    May 21, '26 at 5:54 pm

    [quote]Ela desligou o celular e o guardou na bolsa, parando diante da imponente porta com fechadura eletrônica. Min-jee ajeitou a saia de seu conjunto social e respirou fundo. Estar ali, no espaço pessoal do homem que dominava não apenas as paradas de sucesso, mas também seus pensamentos mais profundos e inconfessáveis, fazia seu coração acelerar de uma forma perigosa.

    Olha aí Jimin… Mostra pra SN que ela é uma vagaba e que você superou.
    ( Msm n sendo vdd a parte de superar)

  8. Marcela
    May 21, '26 at 5:49 pm

    [quote]Distante, em cima do balcão quebrado da cozinha, o celular de Jimin vibrava consecutivamente. Uma, duas, cinco vezes. A tela iluminava o ambiente caótico com chamadas perdidas da agência e mensagens urgentes de seu empresário. Já passava das onze da manhã. Ele tinha uma sessão de fotos de alta relevância para uma marca internacional e um ensaio coreográfico marcado para o início do dia. Mas Park Jimin permanecia estático, com os cabelos loiros desgrenhados caindo sobre os olhos opacos, perdido no limbo de sua própria dor imortal.

    Sem acreditar no que a SN ( SEM NOCAO) fez
    Kkkkk

  9. Marcela
    May 21, '26 at 5:46 pm

    [quote]Ele virou mais um copo de uísque puro. Para um humano, aquela quantidade de álcool combinada com o luto seria fatal nas primeiras horas. Para Jimin, servia apenas para anestesiar a queimação em suas veias e desacelerar os pensamentos que o bombardeavam. Ele queria esquecer. Pela primeira vez em trezentos anos, ele amaldiçoava a própria memória perfeita.

    Ela não te merece Vampirao…
    Tem outras pra você chupar( ops : ficar )

Nota

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