Capítulo 7 – O Reverso da Promessa
por FanfiqueiraA revelação de Jung-hyun não entrou na mente de Jimin como uma informação; entrou como um estilhaço de metal em brasa, perfurando a fina camada de autocontrole que ele levara séculos para construir.
No terraço. Ela está no terraço.
A frase ecoava, ricocheteando nas paredes de seu crânio imortal com o peso de uma sentença de morte. Por um segundo, o mundo ao redor de Jimin perdeu a cor, os detalhes e o som. O estúdio de ensaio, os espelhos que refletiam sua imagem loira e desgastada, a presença de Taehyung, a respiração pesada de Jung-hyun… tudo sumiu, engolido por um zumbido agudo e ensurdecedor. Uma cegueira branca e furiosa tomou conta de suas pupilas, apagando qualquer vestígio das íris cor de mel. O rastro biológico que ele não conseguira farejar antes agora não importava mais; ele tinha uma localização. Ele tinha um alvo.
Jimin deu o primeiro passo em direção à porta, mas o movimento não foi humano. O ar ao seu redor deslocou-se com um estalo seco, a pressão atmosférica da sala caindo drasticamente à medida que sua aura de predador despertava em sua totalidade.
— Jimin, espere! Você enlouqueceu?! — a voz de Jung-hyun cortou o zumbido, carregada de uma autoridade que outrora fizera Jimin recuar na era Joseon.
O presidente da Eclipse Entertainment moveu-se com a velocidade de um imortal milenar, materializando-se instantaneamente no vão da porta, bloqueando a única saída. Suas mãos espalmadas avançaram, os dedos cravando-se nos ombros da jaqueta de couro de Jimin com a força de prensas hidráulicas.
— Saia da minha frente, Jung-hyun — Jimin sibilou. A voz não parecia mais a do idol que encantava multidões, nem mesmo a do jovem guarda que chorara nos jardins de Hanyang. Era o rosnado cavernoso de uma besta encurralada.
— Você não vai subir! — Jung-hyun comandou, os olhos escuros brilhando com uma intensidade perigosa enquanto ele firmava os pés no porcelanato. — Olhe para o seu estado! Você está cego de ódio, agindo como um recém-transformado selvagem! Se você subir lá desse jeito, vai expor nossa natureza, vai destruir décadas de disfarce na mídia! Há câmeras no entorno, há humanos neste prédio! Nós não sabemos o que ela quer, não sabemos quem está com ela! Esqueça a porra desse luto por cinco minutos e pense!
Ao mesmo tempo, Taehyung descolou-se da parede. A diversão cínica sumira completamente de seu rosto felino. Compreendendo a gravidade do colapso de Jimin, o jovem vampiro usou seu próprio deslocamento linear, surgindo pelas costas de Jimin e envolvendo seus braços ao redor do peito do amigo, travando-o em uma chave de braço técnica e pesada.
— Ele tem razão, Jimin! Segura essa porra desse ímpeto! — Taehyung rosnou perto do ouvido dele, os músculos de seus braços de seda preta saltando com o esforço de conter a força bruta que começava a emanar do corpo do loiro. — Você vai se entregar para os caçadores da corte moderna por causa de um fantasma? Deixa a poeira baixar! Se ela está aqui, ela não vai sumir em quatro minutos!
Dois vampiros de alto escalão. Um mentor milenar com séculos de experiência de combate e um executor implacável que desligara a própria humanidade para não sentir dor. Ambos aplicando força máxima para segurar um único homem. Qualquer criatura da noite seria esmagada, imobilizada e reduzida à submissão sob aquele duplo bloqueio.
Mas Park Jimin não era qualquer criatura.
Ele fora o oficial de guarda mais letal de sua província quando ainda respirava, um prodígio da espada cujos reflexos e instinto de sobrevivência eram lendários. E quando o veneno de Jung-hyun entrou em suas veias, ele não apenas sobreviveu; ele absorveu a imortalidade de uma forma única, tornando-se um dos predadores mais fisicamente devastadores de sua geração. Agora, com trezentos anos de luto acumulado, a dor da traição da noite anterior e o choque da mentira secular agindo como combustível puro em seu sistema, a fúria de Jimin atingiu um nível que desafiava a própria lógica do submundo.
— Eu mandei… SAÍREM DA MINHA FRENTE! — o rugido de Jimin não foi um som humano; foi uma onda de choque sônica que fez as lâmpadas de LED do teto do estúdio piscarem e estalarem.
Os músculos sob a jaqueta de couro preta expandiram-se com uma rigidez sobrenatural. Jimin não tentou se soltar com técnica; ele usou força bruta pura, destilada e concentrada. Com um movimento violento de rotação do tronco, ele jogou o próprio peso para trás, chocando as costas contra o peito de Taehyung. O impacto foi tão brutal que o som dos ossos imortais de Taehyung se comprimindo ecoou pela sala. O aperto do Taehyung vacilou por uma fração de segundo, e foi o suficiente. Jimin segurou os antebraços de Taehyung, girou o corpo com a velocidade de um chicote e o arremessou contra a parede de espelhos dos fundos.
O vidro temperado explodiu em dez mil fragmentos brilhantes, e o corpo de Taehyung colidiu contra o concreto, caindo em meio aos estilhaços.
Antes que Jung-hyun pudesse fechar a guarda ou desferir um golpe de contenção, Jimin avançou. Seus olhos brancos fixaram-se nos do mentor. Ele desferiu um soco direto, revestido com uma velocidade que rasgou o ar com um assobio agudo. Jung-hyun cruzou os braços em posição de defesa, mas a potência do soco de Jimin foi avassaladora. O impacto empurrou o presidente da Eclipse três metros para trás, fazendo seus sapatos sociais rasgarem o porcelanato do corredor antes que ele colidisse contra a parede oposta, deixando uma fissura no gesso.
O caminho estava livre.
Jimin não pegou o elevador. O elevador era lento demais para o inferno que queimava em suas pernas. Ele invadiu a porta corta-fogo que dava acesso às escadarias de emergência.
Cada passo que ele dava nos degraus de concreto era um salto que vencia lances inteiros de escada. Ele subia os andares como um borrão loiro e sombrio, a jaqueta de couro estalando contra as paredes de concreto enquanto ele subia do quinto ao vigésimo andar em questão de segundos. A velocidade era tão extrema que a fricção do ar começava a aquecer a pele de seu rosto, mas ele não sentia nada além do vazio. Sua mente projetava apenas o rosto de S/N, os detalhes de seu vestido moderno no beco, a voz fria dizendo que voltaria para o distrito.
“Por que você mentiu para mim? Por que me deixou sangrar? Por que me fez passar trezentos anos desenhando o seu fantasma no papel de arroz enquanto você ria da minha tolice no escuro?”
As perguntas martelavam em sincronia com o impacto de seus pés nos degraus. Ele ia exigir respostas. Ele ia agarrá-la pelos ombros, olhar no fundo daqueles olhos que ele beijara na era Joseon e forçá-la a dizer a verdade, mesmo que precisasse destruir aquele edifício inteiro para isso.
Ele atingiu o último lance. A pesada porta de metal que dava acesso ao terraço privativo da Eclipse Entertainment estava trancada com uma barra de ferro de alta segurança. Jimin não hesitou. Ele não procurou chaves ou cartões de acesso. Ele simplesmente chocou o próprio ombro contra o metal. A fechadura estourou com um estalo ensurdecedor, os parafusos voaram pelo ar como projéteis, e a porta foi arrancada das dobradiças, caindo pesadamente sobre o piso emborrachado do terraço.
Jimin pisou no ambiente aberto, o vento frio do meio-dia de Seul atingindo seu rosto loiro desgrenhado. O céu estava nublado, uma redoma cinzenta e opaca que cobria os arranha-céus de Gangnam, combinando perfeitamente com a atmosfera de destruição que ele carregava no peito. Suas pupilas começaram a voltar ao normal, a cegueira branca recuando para dar lugar ao foco predatório de suas íris cor de mel.
Ele olhou ao redor, os dentes cravados uns nos outros, pronto para o confronto. Pronto para o grito, para a fúria, para arrancar a verdade dela à força.
Mas o que Park Jimin viu congelou o sangue em suas veias de uma forma que nem a morte fora capaz de fazer.
A trinta metros de distância, junto à amurada de vidro que dava vista para a metrópole, S/N não estava sozinha. E ela não parecia a criatura sombria, distante e fria que ele testemunhara no beco lateral do restaurante L’Éclipse.
Ela usava um sobretudo escuro que dançava suavemente com o vento de Seul. Seus cabelos longos e ondulados voavam de forma graciosa ao redor de seu rosto. Mas ela não estava olhando para a cidade. Seus braços pequenos e delicados estavam firmemente entrelaçados ao redor do pescoço de um homem. Ela estava colada ao corpo dele, os corpos fundidos com uma naturalidade esmagadora, as pontas dos pés dela ligeiramente erguidas para alcançar a altura dele.
O homem segurava a cintura dela com uma possessividade que fez o estômago de Jimin revirar como se estivesse cheio de vidro moído. Ele vestia uma jaqueta escura, os cabelos negros e curtos levemente bagunçados pelo vento, e a postura exalava um poder silencioso, arrogante e absoluto.
Jeon Jungkook.
Viiish agora o pau vai tirar celoco
A fúria que esse homem ta, nem o exército inteiro seria capaz de segurar ele
Celoco ele quebrou a empresa inteira por causa dela
Valha meu pai amado
[quote]— Saia da minha frente, Jung-hyun — Jimin sibilou. A voz não parecia mais a do idol que encantava multidões, nem mesmo a do jovem guarda que chorara nos jardins de Hanyang. Era o rosnado cavernoso de uma besta encurralada.
Ele já com sangue nos olhos, puto da vida
[quote]— Eu mandei… SAÍREM DA MINHA FRENTE! — o rugido de Jimin não foi um som humano; foi uma onda de choque sônica que fez as lâmpadas de LED do teto do estúdio piscarem e estalarem.
O homem tá descontrolado
O ódio tomando conta de tudo
[quote]O vidro temperado explodiu em dez mil fragmentos brilhantes, e o corpo de Taehyung colidiu contra o concreto, caindo em meio aos estilhaços.
Bom que já tá morto, ne?? Se não, tinha ido de arrasta
O homem segurava a cintura dela com uma possessividade que fez o estômago de Jimin revirar como se estivesse cheio de vidro moído. Ele vestia uma jaqueta escura, os cabelos negros e curtos levemente bagunçados pelo vento, e a postura exalava um poder silencioso, arrogante e absoluto.
Prontoooo, agora que ele vai ficar com mais ódio ainda