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O clima no Velvet Brew naquele dia não tinha o aroma habitual de grãos recém moídos e canela; parecia saturado de uma melancolia agridoce. Para a SN, cada azulejo branco atrás do balcão e cada marca de uso nas mesas de madeira contavam uma história de anos de esforço, madrugadas frias e sorrisos trocados com clientes habituais.

O balcão de granito parecia mais frio sob as mãos de SN enquanto ela polia uma xícara pela última vez. Ao seu lado, Hyejin não conseguia mais disfarçar. O som do fungar constante da amiga era o único ruído que competia com o chiado da máquina de espresso.

— Para com isso, Hye… você vai me fazer borrar a maquiagem antes do meio-dia — SN brincou, embora sua própria voz estivesse perigosamente embargada.

Hyejin largou o pano de prato e a abraçou de lado, apertando-a com força. — Eu não consigo, SN! Quem vai rir das minhas piadas ruins às seis da manhã? Quem vai saber exatamente quanto de caramelo o Sr. Choi gosta sem ele precisar pedir? O café vai ficar vazio sem você. É como se a alma do lugar estivesse pedindo as contas.

SN sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Ela olhou para o salão, vendo as pessoas em suas rotinas alheias ao seu turbilhão interno. — Eu também vou sentir falta, Hye. Muita. Mas eu preciso disso… por mim.

Enquanto as duas se abraçavam, a porta do escritório nos fundos se abriu. A Sra. Cho, a gerente, saiu de lá com uma expressão que oscilava entre o desespero e a determinação. Ela não era uma mulher de demonstrações de afeto, mas a perda de sua melhor funcionária a estava fazendo agir de forma impulsiva.

Ela se aproximou do balcão, ignorando a fila que começava a se formar. — SN, podemos conversar no canto um minuto? — O tom era de quem ia fazer uma proposta de vida ou morte.

SN a seguiu até o final do balcão, perto das máquinas. A Sra. Cho pegou suas mãos, um gesto raro. — Ouça, eu estive pensando. Eu sei que o Park Jimin é… bem, ele é quem ele é. Mas o mundo corporativo devora pessoas como você, querida. Aqui você é segura. Aqui você é a melhor.

— Sra. Cho, eu já tomei minha decisão…

— Espere! — a gerente a interrompeu, a voz baixinha e urgente. — Eu falei com os donos. Podemos cobrir qualquer oferta razoável. Eu te dou um aumento de 40%. Não, 50%! E você não precisa mais fechar o caixa às dez. Você faz o turno da manhã, quatro horas por dia, salário de gerente plena. Você pode até escolher as folgas. O que me diz? Fica. Por favor.

SN olhou para a mulher à sua frente. Por um breve segundo, a segurança do conhecido pareceu um cobertor quente em uma noite de tempestade. Ela olhou para o avental pendurado no gancho, para as mãos da Sra. Cho que tremiam levemente. O conforto era tentador, mas então, a lembrança do olhar de Jimin naquela manhã, a promessa de um destino maior e o fogo que ele acendera em sua ambição falaram mais alto.

— Sra. Cho… — SN sentiu uma lágrima solitária escorrer, mas seu sorriso era firme. — Esse aumento ajudaria muito há um ano. Mas hoje… não é sobre o dinheiro. É sobre quem eu quero me tornar. Eu não posso ficar pequena para sempre só porque o lugar é confortável.

A gerente soltou as mãos dela, os ombros caindo em derrota. Ela viu no olhar de SN algo que não podia ser comprado com bônus ou redução de carga horária: ela viu uma mulher que já pertencia a outro mundo.

O restante do dia passou como um borrão cinematográfico. Cada pedido de “latte” parecia um adeus. Os clientes regulares que ficaram sabendo da notícia deixavam gorjetas generosas e palavras de incentivo, fazendo o coração de SN apertar a cada “boa sorte”.

Às 18h, o turno acabou. SN retirou o avental lentamente, dobrando-o com um cuidado quase religioso. Ela o colocou sobre o balcão pela última vez.

Hyejin a acompanhou até a porta, segurando suas mãos. — Promete que não vai virar uma daquelas executivas geladas que não têm tempo para um café de três dólares?

SN riu entre as lágrimas, puxando a amiga para um abraço final que cheirava a café e amizade verdadeira. — Eu prometo. E se eu tentar, você me sequestra e me traz de volta pra limpar esse balcão.

Ela atravessou a porta de vidro e o tilintar do sino ecoou em seus ouvidos. SN parou na calçada por um momento, respirando o ar úmido de Seul. Ela olhou para trás, para as luzes quentes do Velvet Brew ficando para trás.

Lá no fim da rua, o carro de Jimin já estava à espera. A silhueta dele era visível através do para-brisa, um farol de poder e luxo aguardando sua rainha. SN secou a última lágrima com as costas da mão, endireitou os ombros e caminhou.

O motor do carro rugia baixo, um som que preenchia o espaço confinado e luxuoso onde SN tentava reencontrar o próprio fôlego. Assim que ela fechou a porta, o perfume amadeirado de Jimin a envolveu como um abraço, mas o contraste entre a simplicidade do café que ela acabara de deixar e a opulência daquele veículo a fez sentir uma vertigem emocional.

Jimin não ligou o carro imediatamente. Ele girou o corpo no banco de couro, observando o rastro de uma lágrima que ela ainda não tinha secado. Ele estendeu a mão, o polegar traçando o contorno do maxilar dela com uma delicadeza que desarmava qualquer defesa.

— Você está em pedaços — Jimin murmurou, a voz suave, mas carregada de uma observação aguçada. — Eu vi como você olhou para trás.

SN suspirou, encostando a cabeça no banco. — Foram anos, Jimin. Não se apaga uma rotina assim em dez minutos. Eu conheço o som de cada degrau daquela escada, o nome de cada fornecedor… dói um pouco deixar o que é seguro.

Jimin a encarou por um longo tempo, os olhos escuros brilhando com uma ideia que parecia estar sendo gestada há horas. Ele apertou a mão dela, os dedos entrelaçados com firmeza.

— Se o problema é o vínculo, nós resolvemos agora — ele disse, com a naturalidade de quem decide o que vai jantar. — Você quer continuar com o café? Eu compro o Velvet Brew. Amanhã mesmo os advogados fazem a oferta. Você não precisa ser a garçonete, SN. Você volta para lá como a dona. Você manda em tudo, muda o que quiser, coloca a sua visão de negócios em prática. O lugar seria seu, um presente meu.

SN arregalou os olhos, surpresa com a escala da proposta, mas um sorriso triste tocou seus lábios. Ela balançou a cabeça devagar.

— Jimin… não se trata de dinheiro. Não se trata de comprar o local para me sentir poderosa. — Ela o olhou nos olhos, buscando fazê-lo entender o que batia em seu peito. — Eu criei carinho pelas pessoas, pela rotina, mesmo que fosse exaustiva. É uma parte da minha história que está ficando para trás. Mas comprar o café não mudaria o fato de que eu estudei para algo maior. Eu não quero ser a dona de uma cafeteria só por medo de seguir em frente.

Jimin suavizou a expressão. Ele admirava a integridade dela; outra pessoa teria aceitado o “império de cafeína” sem hesitar, mas ela tinha uma bússola moral que ele raramente encontrava no topo do mundo.

— Eu entendo — ele disse, aproximando o rosto do dela. — Eu apoiaria qualquer decisão sua, SN. Se você quisesse ser a rainha dos grãos de café, eu construiria um castelo de porcelana para você. Mas me dói ver você desperdiçando o intelecto que eu vi na faculdade servindo bandejas. Você é brilhante demais para ser apenas uma atendente. Você merece estar onde as decisões que mudam o mundo são tomadas.

A mão dele subiu para a nuca dela, puxando-a para um beijo lento, carregado de suporte e uma promessa silenciosa de que ele seria o porto seguro dela nessa nova fase. Quando se afastaram, SN riu baixo, tentando aliviar a tensão.

— Você é impossível, Park Jimin. Mas eu já decidi. Amanhã, eu sou sua diretora de projetos.

— Minha garota — ele rosnou, o tom descendo para aquele território perigoso e rouco que a fazia estremecer.

Ele começou a beijar o pescoço dela, as mãos descendo possessivamente para a cintura, apertando-a contra o console central. O “Modo CEO” estava perdendo espaço para o “Modo Obsessão” em segundos.

— Jimin! — ela exclamou entre risos, empurrando-o de leve pelos ombros. — Estamos no meio da rua! O carro é luxuoso, mas não é invisível. Você não vai tirar a minha roupa aqui, agora!

Jimin parou por um segundo, um brilho de desafio nos olhos, a mão já subindo perigosamente pela coxa dela sob o casaco.

— Você ficaria surpresa com o que eu sou capaz de fazer nesse banco de trás sem ninguém perceber — ele provocou, mordendo o lábio inferior dela. — Mas… vou ser misericordioso. Vou te levar para casa para que você possa descansar. Amanhã, a sua vida muda de verdade. E eu quero você com toda a energia do mundo… tanto para os relatórios quanto para o que faremos no meu escritório.

Ele deu um último beijo casto na testa dela e finalmente engatou a marcha. O carro deslizou suavemente pelas ruas de Seul em direção à casa de SN. O silêncio agora era confortável, preenchido pela expectativa do que o amanhã reservava.

Jimin dirigia com a confiança de quem tinha o mundo nas mãos, mas o olhar que ele lançava para SN de vez em quando dizia que, de todos os seus ativos multimilionários, a mulher sentada ao seu lado era a única que ele realmente temia perder.

7 Comentários

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  1. Iasmine
    May 17, '26 at 10:43 am

    — Eu entendo — ele disse, aproximando o rosto do dela. — Eu apoiaria qualquer decisão sua, SN. Se você quisesse ser a rainha dos grãos de café, eu construiria um castelo de porcelana para você. Mas me dói ver você desperdiçando o intelecto que eu vi na faculdade servindo bandejas. Você é brilhante demais para ser apenas uma atendente. Você merece estar onde as decisões que mudam o mundo são tomadas.

    Onde eu encontro um Jimin desses ein? Caraii mano o cara só falta estender um tapete pra ela passar em cima e não sujar o pé na rua suja

  2. Iasmine
    May 17, '26 at 10:42 am

    — Sra. Cho… — SN sentiu uma lágrima solitária escorrer, mas seu sorriso era firme. — Esse aumento ajudaria muito há um ano. Mas hoje… não é sobre o dinheiro. É sobre quem eu quero me tornar. Eu não posso ficar pequena para sempre só porque o lugar é confortável.

    Aiii cara que decisão difícil putz.. eu ficaria dividida demais

  3. Iasmine
    May 17, '26 at 10:38 am

    — Espere! — a gerente a interrompeu, a voz baixinha e urgente. — Eu falei com os donos. Podemos cobrir qualquer oferta razoável. Eu te dou um aumento de 40%. Não, 50%! E você não precisa mais fechar o caixa às dez. Você faz o turno da manhã, quatro horas por dia, salário de gerente plena. Você pode até escolher as folgas. O que me diz? Fica. Por favor.

    Nooossa a sn super querida no trampinho dela, a mulher desesperada pra ela ficar

  4. Iasmine
    May 17, '26 at 10:37 am

    — Para com isso, Hye… você vai me fazer borrar a maquiagem antes do meio-dia — SN brincou, embora sua própria voz estivesse perigosamente embargada.

    Aiii que tristeza, essa parte é a mais difícil ne

  5. Marcela
    May 12, '26 at 10:50 pm

    [quote]— Jimin! — ela exclamou entre risos, empurrando-o de leve pelos ombros. — Estamos no meio da rua! O carro é luxuoso, mas não é invisível. Você não vai tirar a minha roupa aqui, agora!

    Duvide não, que ele tá sem controlee

  6. Marcela
    May 12, '26 at 10:48 pm

    [quote]— Se o problema é o vínculo, nós resolvemos agora — ele disse, com a naturalidade de quem decide o que vai jantar. — Você quer continuar com o café? Eu compro o Velvet Brew. Amanhã mesmo os advogados fazem a oferta. Você não precisa ser a garçonete, SN. Você volta para lá como a dona. Você manda em tudo, muda o que quiser, coloca a sua visão de negócios em prática. O lugar seria seu, um presente meu.

    Não só a gerente, o homem também tá doooooido

  7. Marcela
    May 12, '26 at 10:46 pm

    [quote]— Espere! — a gerente a interrompeu, a voz baixinha e urgente. — Eu falei com os donos. Podemos cobrir qualquer oferta razoável. Eu te dou um aumento de 40%. Não, 50%! E você não precisa mais fechar o caixa às dez. Você faz o turno da manhã, quatro horas por dia, salário de gerente plena. Você pode até escolher as folgas. O que me diz? Fica. Por favor.

    A gerente tá desesperada msm

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