Capítulo 3 -O Ritmo do Próprio Tempo
por FanfiqueiraA manhã de folga de Karine começou sem o despertador estridente. O sol de outono entrava pela fresta da cortina do quarto que dividia com Ji-a, desenhando linhas douradas no chão de madeira. Ela se espreguiçou, sentindo cada músculo relaxar. Nas últimas quatro semanas, a rotina de trabalho e estudos tinha sido implacável, mas hoje, o mapa de Seul não tinha marcações obrigatórias.
— Karine-ssi, eu vou sair com aquele cara do encontro às cegas! — Ji-a gritou da sala, enquanto lutava para calçar uma bota. — Tem certeza que não quer vir? Ele tem um amigo que…
— Tenho certeza, Ji-a! — Karine riu, saindo do quarto com o cabelo bagunçado. — Hoje meu encontro é com o Rio Han e com a vitamina D. Divirta-se por nós duas.
Karine preparou um café forte, colocou uma maçã e seu inseparável caderno na mochila. Ela vestiu um moletom oversized cor de creme e uma calça legging confortável. O dia estava estranhamente quente para a época, um “veranico” que pedia ar livre. Enquanto caminhava para o metrô, ela sentia uma leveza que não experimentava há tempos. A cicatriz no joelho era agora apenas uma mancha rosada, uma lembrança de algo que ela já tinha arquivado.
Do outro lado da cidade, no luxuoso complexo de Hannam-dong, Kim Namjoon fechava a porta de seu estúdio. Seus olhos estavam vermelhos de cansaço. Ele passara a noite inteira tentando ajustar a ponte de uma música que insistia em soar vazia. A pressão do comeback, as reuniões de estratégia, a imagem pública… tudo pesava como chumbo.
Ele olhou para o canto da sala, onde um pequeno ser peludo e branco esperava pacientemente.
— Vamos, Monie? — ele sussurrou.
O cachorro, um Esquimó Americano de pelos impecavelmente brancos, latiu baixo, abanando a cauda com entusiasmo. Namjoon sorriu — o primeiro sorriso verdadeiro do dia.
Para Namjoon, passear com Rapmon (ou Monie, para os íntimos) era seu ato de rebeldia silenciosa. Ele sabia que o risco de ser reconhecido era alto, mas o desejo de sentir a grama sob os pés e ver a alegria simples de seu cão superava o medo do caos.
— Minho, vou para o setor 4 do parque. — ele disse pelo rádio para o segurança que já o aguardava na garagem. — Por favor, mantenha a distância hoje. Eu só quero… ser eu por uma hora.
Karine encontrou um pedaço de grama perfeito, longe da agitação das barracas de comida. Ela estendeu uma pequena manta, deitou-se de barriga para cima e fechou os olhos. O som do rio era um murmúrio constante. O sol aquecia sua pele, fazendo-a lembrar vagamente das tardes em que não tinha tantas preocupações léxicas em coreano.
Ela estava quase cochilando quando algo úmido e gelado tocou sua bochecha. Depois seu nariz. E então, uma sucessão de lambidas frenéticas e entusiasmadas.
— Ai! Ei! O que é isso? — Karine sentou-se num pulo, rindo e tentando proteger o rosto.
À sua frente, uma “nuvem de pelos” branca saltitava, soltando latidos curtos de pura felicidade. O cachorro parecia ter decidido que Karine era sua nova melhor amiga.
— Calma, amiguinho! Você é muito animado! — Ela começou a acariciar as orelhas macias dele, e o cachorro se jogou de barriga para cima, pedindo atenção.
— Rapmon! Rapmon! 안돼 (Não pode)! — Uma voz masculina, profunda e levemente ofegante, soou a poucos metros.

Karine levantou os olhos. Um homem alto se aproximava a passos largos. Ele estava todo de preto e boné, mas havia algo na sua aura — um misto de autoridade e timidez — que preenchia o espaço.
— Me desculpe! — ele disse em coreano, aproximando-se e segurando a coleira. — Ele costuma ser educado, mas acho que ele gostou muito do seu perfume… ou da sua energia.
Karine continuava rindo, passando a mão pelo pelo sedoso do cão.
— Tudo bem, ele é lindo. Parece uma nuvem que caiu do céu — ela respondeu, também em coreano. — Como ele se chama?
O homem hesitou por uma fração de segundo antes de responder. — O nome dele é Rapmon. Mas ele atende por Monie também.
— Oi, Monie… — Karine sussurrou, e o cachorro deu mais uma lambida carinhosa na mão dela. — Ele tem olhos muito inteligentes.
Namjoon sentiu um solavanco no peito. Não foi apenas o fato de ela não ter gritado. Foi o modo como ela olhou para o cachorro — como se o cão fosse o protagonista e ele apenas o dono desastrado. Ele se sentou na grama a uma distância respeitosa, observando-os.
— O dia está bonito, não está? — ele comentou, tentando manter a conversa casual, algo que raramente conseguia fazer com estranhos.
— Está maravilhoso. Em dias assim, sinto que Seul me aceita um pouco mais — Karine disse, olhando para o rio. — Às vezes a cidade parece um gigante que não para de correr. Hoje, parece que ela sentou para descansar conosco.
Namjoon inclinou a cabeça, surpreso com a escolha de palavras dela. “A cidade sentou para descansar”. Era uma imagem poética.
— Você não é daqui — ele observou, notando o sotaque leve, mas melódico.
— Brasil — ela sorriu. — Mas estou tentando fazer desse chão o meu lugar.
Eles conversaram por alguns minutos sobre coisas triviais: o temperamento dos Esquimós Americanos, a diferença entre o sol do Brasil e o da Coreia, a beleza das árvores de ginkgo. Namjoon sentia uma paz estranha. Ele não era o RM ali; era apenas um dono de cachorro conversando com uma estrangeira gentil.
No entanto, o mundo real começou a infiltrar-se. A cerca de vinte metros, um grupo de garotas parou, apontando os celulares e cochichando. O porte físico, o estilo das roupas e o cão icônico estavam começando a ligar os pontos na mente das fãs.
Namjoon percebeu a mudança no ar. Seus ombros ficaram tensos.
— Eu preciso ir — ele disse, a voz subitamente baixa e séria. — As coisas estão ficando… movimentadas.
Karine notou a tensão dele. Ela olhou para as garotas e depois para o homem à sua frente. Ela não era boba. Ela sabia quem ele era desde o momento em que ele chamou o cachorro pelo nome. Mas ela escolhera o silêncio como um presente para ele.
Ela se levantou, limpando a grama da calça. Ajoelhou-se uma última vez perto do cachorro.
— Foi muito bom conversar com você, Monie — ela disse alto. Depois, aproximou-se um centímetro a mais do homem e, num sussurro que só ele podia ouvir, completou: — Foi um prazer, Namjoon.
O corpo dele congelou. Os olhos, por trás dos óculos escuros, se arregalaram. O pânico e a curiosidade lutaram em seu rosto mascarado. Antes que ele pudesse processar, Karine já estava se afastando com um sorriso enigmático.
— Espere! — ele chamou, um pouco mais alto do que pretendia.
Karine parou e olhou por cima do ombro.
— Você… você sabe quem eu sou? — Ele perguntou, a voz carregada de uma vulnerabilidade genuína.
Ela deu um passo de volta, o sol batendo em seu rosto. — Namjoon. O líder do BTS, certo?
Ele assentiu devagar, esperando o próximo passo: o pedido de foto, o autógrafo, o grito. Mas nada disso veio.
— Por que não disse nada antes? — ele perguntou, genuinamente confuso.
— Porque antes você era apenas o dono do Monie. E parecia que você estava precisando ser apenas o dono do Monie hoje — ela respondeu com uma simplicidade que o desarmou completamente. — Além disso, se eu gritasse, o Monie ficaria assustado. E eu gosto dele.
Namjoon sentiu um calor que não vinha do sol. Era uma sensação de ser visto através de todas as camadas de fama e expectativas. Ele abriu a boca para dizer algo — talvez perguntar o nome dela, talvez agradecer — mas a realidade o atingiu.
Um dos seguranças, apareceu vindo do nada, posicionando-se entre eles e o grupo de fãs que já começava a correr em direção ao local.
— Senhor, temos que sair agora. O perímetro foi quebrado — Minho disse, firme, mas respeitoso.
— Mas… — Namjoon olhou para Karine.
— Vá — ela disse, acenando levemente. — A cidade está começando a correr de novo.
O segurança tocou gentilmente no braço de Namjoon, conduzindo-o rapidamente para o carro preto que já manobrava na beira do parque. Namjoon olhou para trás uma última vez enquanto entrava no veículo. Karine continuava lá, uma figura solitária e calma em meio ao início do tumulto.
Ai, q amor
O contraste kkk
O amigo é o RM?Se n for n tem a menor graça
nooossa quero esse homem
Eu te reconheceria só pela bolita do seu olho (づ。◕‿‿◕。)づ ♥
“Namjoon inclinou a cabeça, surpreso com a escolha de palavras dela. “A cidade sentou para descansar”. Era uma imagem poética. ”
SIM, É POÉTICO!
AH, QUE CRLH , EU SOU MUITO ILUDIDA MESMO
“Foi um prazer Namjoon” aqui ela foi grandona kkkk
Aaah, cadê o resto não faça isso comigo
Sonhando acordada
NÃO TEM MAIS , naaaaaao…
Tava maravilhoso ler isso.
Que delicia de homem, quero um assim…