Capítulo 8 – O Sabor da Ilusão
por FanfiqueiraO andar superior do restaurante era um templo de sombras calculadas e luzes amareladas. A arquitetura de vidros jateados permitia que a cidade do lado de fora parecesse uma pintura em movimento, enquanto o silêncio interno era quebrado apenas pelo tinir discreto dos talheres de prata.
A mesa deles, posicionada estrategicamente diante do jardim de inverno, tinha a luz perfeita. Do lado de fora, a metros de distância, as lentes de alcance longo dos fotógrafos capturavam cada enquadramento.
Quando o garçom serviu o prato principal, Jungkook segurou o pegador de prata e, com uma delicadeza quase ensaiada, colocou um corte nobre de carne no prato de S/N. Ele se ajeitou na cadeira, buscando o olhar dela com um brilho suave nos olhos escuros.
— Obrigado — disse ela, a voz saindo fluida e macia.
Instintivamente, S/N ergueu a mão e usou as costas dos dedos para tocar a bochecha dele, ajustando um fio curto de cabelo que caía sobre sua testa. O gesto era para ser apenas mais um detalhe da encenação, mas a reação de Jungkook fugiu de qualquer script.
Ele não se afastou. Em vez disso, segurou a mão dela contra o próprio rosto, inclinando a cabeça levemente para pressionar a pele quente da palma dela contra a sua bochecha. Jungkook fechou os olhos por um segundo inteiro, absorvendo aquele toque. Não havia rigidez em sua postura; um sorriso pequeno, genuíno e relaxado começou a desenhar-se em seus lábios, suavizando as linhas de seu rosto habitualmente tenso.
Para S/N, assistindo a tudo com o coração em um ritmo compassado, aquilo parecia uma atuação brilhante. Ele estava evoluindo drasticamente. No início do contrato, eles precisavam ensaiar gestos simples no apartamento para não parecerem robóticos; agora, ele entregava nuances dignas de um ator premiado.
Então, a consciência do que estava fazendo atingiu Jungkook como uma descarga elétrica.
As pálpebras dele se abriram em um susto discreto. A realidade da sala, das câmeras e da mão que ele segurava voltou com força total. Com um sobressalto quase imperceptível, ele afastou a mão dela de seu rosto com gentileza, mas de forma definitiva, e pigarreou, ajeitando a gola do casaco.
— Com licença… eu preciso ir ao banheiro — murmurou ele, a voz um pouco mais rápida do que o normal.
Ele se levantou sem esperar resposta, caminhando a passos largos em direção ao corredor privativo. S/N o acompanhou com o olhar, tombando a cabeça de leve. Ela soltou um riso baixo e discreto, negando com a cabeça. “Perfeito”, pensou, voltando a atenção para o prato. “Ele incorporou tanto o personagem que precisava de um segundo para respirar.”
No espaço amplo do banheiro, cercado por espelhos e mármore escuro, Jungkook apoiou as duas mãos na borda da pia. Ele encarou o próprio reflexo, o peito subindo e descendo acelerado. Ligou a torneira e jogou água fria no rosto, sentindo as gotas escorrerem pela mandíbula.
“O que você está fazendo?”, questionou-se em um sussurro enfurecido, encarando seus próprios olhos no espelho. “Você tem a Mia. Ela é a sua namorada. A Mia te ama, você ama a Mia. Ela está em casa te esperando agora. Isso aqui é um teatro.”
Ele puxou o ar com força, secando o rosto com a toalha de algodão disponível. Ele tentou organizar o caos em sua mente, repetindo para si mesmo que tudo não passava de fadiga, de pressão da mídia e de uma necessidade inconsciente de provar algo a si mesmo.
Quando Jungkook retornou à mesa, recomposto e com sua postura impecável de volta, a sobremesa já havia sido servida.
Ele desacelerou os passos ao notar a pequena travessa de cerâmica à sua frente: um doce tradicional de arroz com recheio de gergelim e mel, exatamente o que ele havia passado os últimos três dias comentando que estava com vontade de comer.
— Eu vi que tinha no cardápio — S/N disse assim que ele se sentou, apoiando o queixo na mão e oferecendo a ele um sorriso doce e relaxado. — Lembrei de você comentando na cozinha essa semana.
Jungkook piscou, a surpresa desarmando completamente a guarda que ele acabara de erguer no banheiro.
— Você lembrou? — o tom dele saiu mais suave do que pretendia, um brilho infantil e entusiasmado surgindo em seus olhos. — Eu comentei com a Mia ontem, achei que tinha sido só para ela…
— Eu estava no balcão preparando chá, se lembra? — ela deu de ombros, divertida com a reação dele. — Como o garçom mencionou que era a especialidade da casa, achei que você gostaria de experimentar.
O peito de Jungkook se aqueceu de uma forma perigosa. Ele pegou a colher pequena e provou um pedaço, fechando os olhos enquanto saboreava.
— É incrível — disse ele, a alegria transbordando em seu rosto.
S/N observava a empolgação dele com um orgulho velado, achando adorável a facilidade com que ele se deixava levar por pequenas coisas. Ela deu uma garfada em sua própria sobremesa — uma torta leve de frutas —, saboreando em silêncio.
Jungkook a olhou por alguns segundos. Em um impulso espontâneo, ele pegou uma porção generosa do seu doce, levou a colher na direção dela e inclinou o corpo sobre a mesa.
— Experimenta. É sério, você precisa provar isso.
S/N riu, inclinando-se para a frente e aceitando o gesto. Ela comeu o doce direto da colher dele, fechando os olhos por um segundo.
— Hum… você tinha razão. É realmente muito bom — elogiou ela, limpando os lábios.
— Não falei? — ele sorriu, vitorioso.
No entanto, ao olhar para o rosto dela, Jungkook notou um pequeno traço de calda no canto esquerdo da boca de S/N. Sem pensar, agindo pelo puro reflexo do momento, ele levou a mão ao rosto dela. Com a ponta do polegar, limpou o canto dos lábios dela e, em um gesto absurdamente íntimo, levou o polegar à própria boca, lambendo a calda.
O ar entre os dois simplesmente desapareceu.
S/N estancou na cadeira, os olhos arregalados de leve. Jungkook congelou na mesma posição, o polegar ainda próximo aos próprios lábios. Uma corrente elétrica invisível, mas devastadora, cruzou a mesa. O tempo pareceu parar por três segundos inteiros, onde o barulho do restaurante evaporou e apenas o olhar fixo um do outro existia.
Lembrando-se abruptamente dos fotógrafos no jardim, Jungkook recolheu a mão devagar, pigarreando. O rubor subiu sutilmente por seu pescoço.
S/N ajeitou o guardanapo no colo, tentando disfarçar a súbita aceleração de seu pulso com um sorriso leve, embora seus olhos entregassem que ela também sentira o impacto.
— Você está ficando realmente ousado, sabia? — ela brincou em um tom baixo, tentando quebrar o peso do ambiente. — No começo do contrato eu tinha que te empurrar para você segurar minha mão. Agora você até limpa minha boca. A agência deveria me pagar um bônus pelo seu treinamento.
Jungkook deu um sorriso tímido, desviando o olhar para a mesa, a timidez característica assumindo o controle mais uma vez.
— Eu só estou… jogando o jogo direito — murmurou ele, a voz baixa.
— E está fazendo isso muito bem — ela elogiou, sincera.
Alguns minutos se passaram até que o gerente se aproximasse para avisar que o carro os aguardava na saída privativa. Eles se levantaram.
Enquanto S/N ajeitava a bolsa no ombro, Jungkook percebeu, pela fresta da cortina do mezanino, um fotógrafo posicionado extremamente perto da área de transição. Ele se aproximou por trás de S/N, inclinando o rosto até o ouvido dela.
— Gostou o jantar, meu amor — sussurrou ele, a voz grave e aveludada ressoando contra a pele do pescoço dela.
S/N arregalou os olhos por uma fração de segundo, pega totalmente de surpresa pelo tom carinhoso e direto. Antes que ela pudesse reagir, ele murmurou bem rápido, sem mover os lábios:
— Fotógrafo a dois metros à esquerda.
Entendendo o recado no ato, S/N virou o rosto para ele com um sorriso radiante, subindo na ponta dos pés para deixar um beijo na bochecha dele. Mas Jungkook, pego de surpresa pelo movimento rápido dela, virou o rosto na mesma fração de segundo.
Os lábios dela encontraram os dele.
O toque que era para ser na pele da bochecha virou um selinho calmo, macio e inesperado no meio do corredor. Ambos pararam por um segundo, os lábios colados em um encaixe perfeito, antes de se afastarem devagar, os olhos fixos um no outro.
— Perfeito — sussurrou S/N, recuperando o fôlego primeiro. — Esse clique vale ouro.
Eles caminharam em direção à saída. A caminho do veículo, o segurança da equipe aproximou-se de Jungkook e murmurou de forma quase inaudível:
— Senhor, os repórteres na calçada estão pressionando por um registro mais claro de vocês antes de entrarem no carro. Apenas um gesto.
Quando o motorista abriu a porta do carro executivo para S/N, ela hesitou por um segundo na calçada, o corpo levemente rígido diante da presença distante das câmeras.
Jungkook notou a tensão dela. Naquele instante, algo estranho aconteceu dentro dele: toda a hesitação, o medo, a culpa em relação a Mia ou a preocupação com o contrato simplesmente evaporaram de sua mente. Ele viu apenas S/N, o vestido de seda e o olhar vulnerável que ela tentava disfarçar.
Sem pensar em câmeras, em contrato ou em qualquer regra, ele deu um passo à frente. Com uma delicadeza extrema, levou a mão ao rosto dela, colocando uma mecha desgarrada de cabelo atrás da orelha de S/N. Ele se inclinou e deixou um beijo suave em sua testa. Depois, desceu e selou o nariz dela com outro beijo leve.
— Fica tranquila — sussurrou ele, a voz soando como um abraço em meio à noite fria.
S/N olhou para ele, os olhos brilhando na penumbra.
— Eu sei o que eles pediram… — ela sussurrou de volta, a voz baixinha. — Mas e a Mia?
Jungkook travou por um milésimo de segundo. O nome de sua namorada ecoou no ar, mas quando ele olhou nos olhos de S/N — tão perto, tão real, a respiração dela roçando a sua —, o mundo ao redor simplesmente deixou de existir. Ele não viu a imprensa, não pensou no apartamento e não lembrou de mais nada.
Ele segurou a nuca dela com a palma da mão e a puxou.
O beijo começou lento, uma exploração calma e profunda que parecia anestesiar o resto da cidade. A boca de Jungkook buscou a dela com uma fome contida, e S/N respondeu no mesmo segundo, as mãos dela subindo para o peito dele, agarrando o tecido do terno. A intensidade do momento escalou rapidamente; o beijo deixou de ser um gesto suave e tornou-se algo denso, urgente, um encontro de línguas e respirações desordenadas que fez o chão sumir sob os pés de ambos.
Quando a percepção da gravidade daquele toque os atingiu, ambos travaram ao mesmo tempo.
Ainda com os lábios colados aos dele, a milímetros de distância, S/N soltou o ar entrecortado e murmurou com um pequeno sorriso profissional nos lábios:
— Eu acho que fomos bem convincentes…
Jungkook sentiu o impacto daquelas palavras direto no peito.
“Para ela, isso é só trabalho. Ela não sentiu nada.”
A constatação veio como um choque gélido. S/N se afastou um centímetro a mais, mantendo aquele sorriso leve e sereno, e sussurrou baixinho, quase como uma brincadeira provocativa:
— Vamos, namorado de mentira.
Aquelas quatro palavras ecoaram na cabeça de Jungkook, fazendo a ficha cair de uma altura devastadora. A ilusão se desfez. Ela estava ali cumprindo um papel. Ela estava sendo paga. A namorada dele estava em casa, e S/N era apenas uma prestadora de serviços executando uma função com perfeição.
E o pior de tudo: naquele exato segundo, enquanto encarava o rosto calmo dela, Jungkook percebeu a verdade aterrorizante que tentava esconder de si mesmo. Ele estava desejando aquela mulher. Ele estava querendo a namorada de mentira, exatamente por ela ser quem era — e ver que para ela tudo não passava de um contrato impecável doeu mais do que ele jamais admitiria.
Jungkook apenas assentiu com a cabeça, a expressão congelando em uma máscara de indiferença súbita.
— Vamos — respondeu ele, a voz seca.
Eles entraram no carro. Durante todo o trajeto de volta para a cobertura, o silêncio no banco traseiro foi absoluto. Jungkook manteve o rosto virado para a janela, os olhos fixos nas luzes da cidade que passavam como rastros luminosos, sem pronunciar uma única palavra.
S/N percebeu a mudança drástica de humor. Ela o observou pelo canto dos olhos por alguns minutos antes de tentar suavizar o ambiente.
— Ficou cansado depois do jantar? — perguntou ela, o tom amigável.
— Um pouco — ele respondeu, sem se virar. — Muito cheio. Muito sono.
S/N soltou uma risada fraca, acolhedora.
— Ah, é claro. Sempre que você termina de comer algo pesado, você quer dormir. Parece um bebê.
Jungkook fechou os olhos por um segundo, um aviso sonoro tocando no fundo de sua mente. Ela sabe… Ela reparava em seus hábitos pequenos, no seu ritmo, nas suas manias diárias. Ela o conhecia de uma forma detalhada, atenta, quase mais presente do que a própria rotina de seu relacionamento real.
E percebendo o quão profundamente ela já havia entrado em sua vida sem que ele percebesse, Jungkook soube que aquele jogo de aparências havia se tornado a coisa mais perigosa que ele já havia permitido começar.
[quote]Ele não se afastou. Em vez disso, segurou a mão dela contra o próprio rosto, inclinando a cabeça levemente para pressionar a pele quente da palma dela contra a sua bochecha. Jungkook fechou os olhos por um segundo inteiro, absorvendo aquele toque. Não havia rigidez em sua postura; um sorriso pequeno, genuíno e relaxado começou a desenhar-se em seus lábios, suavizando as linhas de seu rosto habitualmente tenso.
Jk, preciso te dizer uma coisa
F U D E U, TU SE LASCOU BONITO
[quote]— Eu vi que tinha no cardápio — S/N disse assim que ele se sentou, apoiando o queixo na mão e oferecendo a ele um sorriso doce e relaxado. — Lembrei de você comentando na cozinha essa semana.
Desse jeito tu complica a vida do Homem, SN
[quote]No entanto, ao olhar para o rosto dela, Jungkook notou um pequeno traço de calda no canto esquerdo da boca de S/N. Sem pensar, agindo pelo puro reflexo do momento, ele levou a mão ao rosto dela. Com a ponta do polegar, limpou o canto dos lábios dela e, em um gesto absurdamente íntimo, levou o polegar à própria boca, lambendo a calda.
Aí ai JK, pare com essas brincadeiras gostosas, pq vai dá merdaaa
[quote]— Eu só estou… jogando o jogo direito — murmurou ele, a voz baixa.
Nesse jogo, até eu já sei quem ganhou e quem perdeu JK
[quote]Os lábios dela encontraram os dele.
E tome BEIJO, E TOME BEIJO, E TOME BEIJO
[quote]O beijo começou lento, uma exploração calma e profunda que parecia anestesiar o resto da cidade. A boca de Jungkook buscou a dela com uma fome contida, e S/N respondeu no mesmo segundo, as mãos dela subindo para o peito dele, agarrando o tecido do terno. A intensidade do momento escalou rapidamente; o beijo deixou de ser um gesto suave e tornou-se algo denso, urgente, um encontro de línguas e respirações desordenadas que fez o chão sumir sob os pés de ambos.
Ô MIAAAAA, vem cá receber o teu prêmio
( CHIFRUDASOLO2026)
“Para ela, isso é só trabalho. Ela não sentiu nada.”
JK meu filho, pode ter certeza que ela sentiu até o que não era pra sentir kkkkk ela só n vai assumir
[quote]Jungkook fechou os olhos por um segundo, um aviso sonoro tocando no fundo de sua mente. Ela sabe… Ela reparava em seus hábitos pequenos, no seu ritmo, nas suas manias diárias. Ela o conhecia de uma forma detalhada,
atenta, quase mais presente do que a própria rotina de seu relacionamento real.
O cuidado, a atenção que ele nunca teve com a Mia
Opaaa esse capítulo não existia ein autora.. primeiro sinal que ele deu, mentira kkkkkk ja tinha dado outros sinais
Genteeee??????? Jeon ???? Negócio ta ficando perigosissimo
Mentiraaaa que ele fez isso… pqp ele praticamente tocou o foda se kkkkkkk a Mia gente… oooh mia teu homem ja eras
Realmente kkkkk deixou de ser um jogo ne, agora negócio ta mudando de rota