Capítulo 13 – O Peso das Palavras Não Ditas
por FanfiqueiraO silêncio que sobrou na cobertura depois da partida da van de Mia pesava nos ombros de Jungkook. Ele descravou a testa do vidro frio da varanda, soltando um suspiro longo que fez o peito largo subir e descer devagar. Passou as mãos pelo rosto, puxando a pele para baixo em um gesto puro de exaustão, antes de encarar o corredor silencioso que levava aos quartos.
Ele sabia que S/N estava lá dentro.
Jungkook caminhou em silêncio até a cozinha. Encarou o fogão de indução, onde o frango com legumes recém-preparado ainda soltava uma névoa rala de vapor. Ele encarou as duas tigelas sobre a bancada e engoliu em seco. Precisava consertar as coisas. Não podia viajar para Nova York deixando aquele clima sufocante para trás.
Com passos vacilantes, ele tomou o rumo do corredor. Parou diante da porta do quarto de hóspedes. O som sutil do edredom se movendo lá dentro indicava que ela ainda estava acordada. Jungkook hesitou, fechando os olhos por um segundo inteiro antes de dobrar os nós dos dedos e bater fraco na madeira clara. Três toques curtos.
— S/N? — chamou, a voz saindo baixa, raspando pelo cansaço físico e pela incerteza.
Houve uma pausa do outro lado. O som de passos firmes se aproximou até a tranca girar com um clique seco.
A porta se abriu. S/N apareceu no vão, vestindo o moletom cinza folgado. Seu corpo estava rígido, os braços cruzados na altura do peito e o olhar distante de quem ainda processava turbilhões internos.
Quando os olhos de S/N encontraram os dele, Jungkook desarmou completamente. Ele não sustentou a postura altiva ou durona de mais cedo. Seus ombros caíram, a cabeça pendeu levemente para o lado e os lábios se projetaram para fora em um bico involuntário e tímido. Ele encarou S/N com os olhos escuros bem abertos, brilhando sob a luz do corredor com a pura expressão de um cachorro abandonado que sabe que aprontou e espera, receoso, pelo perdão.
Ele coçou a nuca com a mão direita, num gesto desajeitado.
— Eu… fiz o almoço — a voz dele saiu pequena, quase um sussurro. — É frango com legumes. Do jeito que você gosta. Você… não quer vir comer?

S/N encarou o rosto dele. Aquele olhar fofo e desarmado era um golpe baixo. Por dentro, o peito dela deu uma cambalhota dolorosa; o coração acelerou de um jeito que a fez querer cobrir o rosto e surtar ali mesmo com o charme involuntário dele. Não faz essa cara, ela gritou mentalmente, cravando as unhas na própria palma por dentro do moletom para se manter firme por fora. Ela precisava parecer forte, inabalável.
— O almoço? — S/N perguntou, mantendo a voz plana, a expressão neutra como uma máscara de vidro.
— É — Jungkook deu um meio passo para trás, indicando a cozinha com a cabeça, sem desfazer o olhar manhoso. — A Mia já foi… e a gente precisa comer antes que esfrie. Por favor?
S/N sustentou o olhar dele por mais três segundos. A armadura externa permanecia intacta, mas o cansaço e a atração sufocante que sentia por ele venceram a resistência. Ela soltou uma respiração curta pelo nariz e deu um passo para fora do quarto.
— Tá bom. Vamos antes que esfrie.
Na bancada da cozinha, o barulho do metal dos talheres contra a cerâmica era o único som presente.
Jungkook empurrava um pedaço de brócolis pelo prato sem levar nada à boca. Ele ajeitou a postura na banqueta alta, apoiou os cotovelos no mármore e encarou S/N, que comia em silêncio.
— S/N — ele começou, a voz caindo para um tom grave e sincero. — Me desculpa por hoje cedo. Pela cena ridícula na sala… por ter surtado.
S/N pausou o garfo no ar, erguendo os olhos devagar.
— A pressão tá me esmagando — continuou ele, as sobrancelhas se juntando no centro da testa enquanto as mãos grandes se fechavam sobre o mármore. — É a turnê em Nova York, a agência no meu pé a cada cinco minutos, o medo brutal de que qualquer errinho nosso estrague a imagem da Mia ou prejudique os outros membros. Se esse contrato der errado, se vazar de um jeito torto, destrói a carreira de todo mundo. Eu me exaltei, fiquei cego de estresse e descontei em você. Me desculpa, de verdade.
Ele fez uma pausa, o olhar descendo para as próprias mãos antes de encarar o rosto dela com uma suavidade que fez a pele de S/N arrepia.
— Eu só tô com saudade, S/N.
S/N congelou. A palavra pareceu ecoar pelo espaço amplo da cobertura.
— Saudade? — sussurrou ela.
— É — Jungkook deu um sorriso pequeno, carinhoso. — Saudade de como a gente era antes. De sentar aqui e dar risada sem esse clima pesado. De jogar videogame de madrugada até o dedo doer, de conversar sobre qualquer besteira. A gente se afastou tanto com essa confusão toda… Eu gosto muito da nossa amizade. Sinto falta da minha parceira.
O peito de S/N apertou com tanta força que o ar faltou nos pulmões.
Aquelas palavras entraram como uma lâmina fria. A “saudade” dele não era do toque, do beijo no carro ou do calor que existia entre os dois. Era da amizade. Ele a enxergava exatamente como enxergava o Jimin, o Taehyung ou o Hoseok: uma boa companheira de rotina, nada mais.
É claro, ela pensou, engolindo o amargo que subiu pela garganta enquanto mantinha a face inexpressiva. Ele nunca me viu e nunca vai me ver como vê a Mia. Eu sou só a garota do contrato, uma amiga de momento. Preciso me contentar com isso antes que eu me destrua por completo.
Ela forçou os cantos da boca para cima em um sorriso leve e despretensioso.
— A rotina tá insana mesmo — disse ela, a voz saindo limpa, impecável. — Tá tudo bem, Jungkook. A gente supera.
Um suspiro visível de alívio saiu dos lábios dele. O rosto de Jungkook se iluminou imediatamente, e ele voltou a comer com um apetite renovado.
Minutos depois, enquanto engrenavam uma conversa banal sobre o clima frio de Nova York, a tela do celular de S/N, virada para cima sobre a bancada, acendeu com uma notificação.
Yoongi: Não esquece do casaco pesado mais tarde. O ar do estúdio tá congelando.
S/N pegou o aparelho para responder.
Ao lado dela, a reação de Jungkook foi instantânea. O garfo que ele levava à boca parou no meio do caminho. Seus olhos escuros se cravaram na tela, reconhecendo o nome de Yoongi no topo do visor. A mão esquerda dele, apoiada na bancada, fechou-se em um punho tão firme que os nós dos dedos descoloriram. O metal do talher rangendo contra a cerâmica denunciou a força bruta que ele aplicou sem perceber. A linha do seu maxilar travou, rígida.
S/N bloqueou o aparelho e o colocou de volta na mesa, alheia à tensão visceral que emanava dele.
Jungkook engoliu em seco, tentando disfarçar a rigidez na voz:
— Vocês estão saindo já tem muito tempo?
S/N piscou, pega de surpresa.
— O quê?
— A Mia me disse que vocês estão saindo desde a noite daquela festa, ele pontuou, os olhos fixos no copo de água, a voz saindo ríspida antes que conseguisse conter. — Não sabia que tinham continuado ficando.
S/N ajeitou a postura na banqueta, visivelmente desconfortável com a cobrança velada. Suas sobrancelhas se franziram ligeiramente.
Percebendo a reação defensiva dela e temendo estragar o clima que acabara de consertar, Jungkook recuou no mesmo segundo. Ele soltou os talheres na tigela e ergueu as duas mãos no ar, soltando uma risada curta e sem graça para aliviar a pressão.
— Quer saber? Esquece! — disse ele rapidamente, abanando a mão. — Não é da minha conta. Desculpa, me meti onde não devia. Esquece que eu perguntei.
Ele se levantou agilmente da banqueta, pegando o prato vazio para quebrar o assunto.
— Deixa que eu lavo a louça — anunciou ele, indo até a pia e ligando a torneira.
S/N, querendo afastar de vez a tortura daquele assunto, levantou-se logo em seguida e parou ao lado dele com o próprio copo.
— Eu ajudo. Se dividir, acaba mais rápido.
O clima voltou a esfriar para a leveza de antes. Jungkook olhou para ela de lado, o canto dos lábios subindo num tom brincalhão. Sem avisar, ele mergulhou o indicador na espuma de sabão do prato e passou a ponta ensaboada no nariz de S/N.
S/N parou. Ela olhou para baixo, enxergando a bola branca no próprio nariz, enquanto Jungkook dava dois passos para trás, soltando uma gargalhada alta e infantil que fez seus olhos virarem dois riscos fofos.

— Ficou ótimo em você — provocou ele.
— Ah, é? — S/N não pensou duas vezes. Ela puxou a mangueirinha extensível da pia e aperto o gatilho.
Um jato d’água forte atingiu em cheio o peito da camiseta branca dele.
— Eiii! — Jungkook deu um salto para trás, rindo enquanto a água encharcava o tecido limpo, colando a camisa ao seu peitoral.
S/N caiu na risada, a primeira gargalhada solta e verdadeira daquele dia, mantendo o jato apontado para ele por mais um segundo antes de fechar a torneira.
— Para aprender a não ser babaca! — disse ela, limpando o nariz com a manga do moletom.
Jungkook olhou para a própria camisa ensopada, rindo e balançando a cabeça enquanto passava a mão pelo rosto molhado.
— Tá bom, você ganhou! — ele disse, torcendo a barra da camisa. — Vou ter que trocar de roupa. Vai indo pra sala que eu já volto. Liga a TV aí.
— Tá bom — respondeu S/N, ainda sorrindo fraco.
Enquanto ele caminhava em direção ao seu quarto para trocar de roupa, S/N secou as mãos no pano de prato e foi para a sala, pegando o controle remoto sobre a mesa de centro para ligar o aparelho.
No quarto principal, Jungkook tirou a camisa molhada e jogou-a sobre o cesto de roupa suja. Pegou uma camiseta preta limpa no closet e, antes de vesti-la, encarou o celular sobre a cama. Ele puxou o ar devagar, pegou o aparelho e discou o número de Mia.
Ele queria consertar o estrago da manhã antes de viajar.
A ligação completou no terceiro toque.
— Oi, meu amor… — a voz de Jungkook saiu macia, pausada, carregada de um tom doce. — Você já tá no aeroporto? Conseguiu embarcar?
Do outro lado da linha, Mia respondeu com o tom seco de quem ainda guardava mágoa, mas o cansaço da viagem a fazia ceder aos poucos.
— Já tô na sala VIP — disse Mia, a voz abafada pelo som do aeroporto. — O voo sai daqui a pouco.
— Me desculpa por hoje cedo — pediu Jungkook, sentando-se na beira da cama king-size e inclinando a cabeça. — Eu fui um idiota. A pressão desse show em Nova York me deixou completamente surtado. Me perdoa?
Mia soltou um suspiro longo do outro lado.
— Aquilo… Aquela cena…
— Eu sei, eu sei… me perdoa — disse ele, a voz soando extremamente carinhosa. — Eu prometo que vou me controlar. Amor, tava pensando aqui… Quando essa sequência maluca de shows e os seus trabalhos em Paris terminarem, vamos fazer uma viagem? Só nós dois. Para onde você quiser.
Do outro lado, o tom de Mia suavizou visivelmente.
— Uma viagem? Sério?
— Sério — Jungkook sorriu de canto, o olhar fixo no chão do quarto. — A gente merece um tempo só nosso. O contrato é de seis meses, Mia… Já se passaram cerca de dois meses. Faltam só quatro meses pra essa palhaçada terminar de vez. Falta pouco pra S/N sair da nossa vida e a gente poder voltar a ser o que era antes. Eu não vejo a hora de voltar pra nossa rotina normal, sem precisar fingir nada pra ninguém.
Mia soltou uma risada leve, o ressentimento evaporando.
— É… faltam só quatro meses — disse ela. — Eu também quero muito que isso acabe logo. Se cuida em Nova York, tá?
— Pode deixar. Me avisa quando pousar em Paris. Te amo — disse ele.
— Também te amo. Tchau.
Jungkook encerrou a chamada e jogou o telefone na cama, vestindo a camiseta preta limpa. Ele ajeitou a gola, deu uma última checada no espelho e caminhou em direção à sala de estar, sentindo-se com a consciência limpa e pronto para aproveitar o resto da tarde leve.
Ele só não sabia de uma coisa.
No corredor escuro, a poucos passos da porta entreaberta do quarto, S/N tinha parado para buscar algo que esqueceu no quarto.
Ela ouvira absolutamente tudo.
Cada palavra — palhaçada, quatro meses, S/N sair da nossa vida, voltar ao normal — tinha entrado em suas ouvidos como um golpe fulminante, triturando o pouco que restava do seu coração. A ilusão da guerra de água na pia, o charme de cachorrinho abandonado, o carinho… tudo tinha sido reduzido ao que sempre foi: uma encenação com data de validade.
Com o rosto pálido e as mãos completamente frias, S/N tinha recuado em passos silenciosos antes que ele saísse.
Agora, quando Jungkook pisou na sala com um sorriso leve no rosto e se aproximou do sofá, encontrou S/N sentada. Ela estava imóvel, com a coluna ereta e os olhos fixos na tela da televisão, acompanhando as imagens do canal de variedades com uma concentração quase assustadora.
— Pronto! — disse Jungkook, sentando-se ao lado dela no sofá amplo. — Escolheu alguma coisa boa pra gente ver?
S/N não piscou. Não virou o rosto para encará-lo. Mantinha a cabeça firme, os dedos apertando o controle remoto sobre o colo com uma força silenciosa.
— Ainda tô procurando — respondeu ela.
Sua voz saiu plana, gélida e perfeitamente distante, sem deixar transparecer nem um único vestígio do abismo que acabara de se abrir dentro do seu peito.
Meu deus como ele é fofo, todo preocupado com ela
Amizade Jungkook? Mais uma mentira pqp kkkkk mentiu falando que era por causa do contrato e agora isso
Se vc não agilizar, o que vai te sobrar vai ser so a Mia Fia
Palhaçada? Manoo sera que ele não pensou nenhum pouquinho que ela poderia, só talvez estar ouvindo tudo? Tu foi cuzao jeikei
Eu ia falar que rasgava o contrato ali mesmo.. mas po dinheiros ne meu.. eu ia logo cantar a letra eu ouvi tudo que vc falou pra Mia Fia
[quote]— Eu… fiz o almoço — a voz dele saiu pequena, quase um sussurro. — É frango com legumes. Do jeito que você gosta. Você… não quer vir comer?
Já conhece bem os gostos dela, né JK safadinhoo??
[quote]S/N encarou o rosto dele. Aquele olhar fofo e desarmado era um golpe baixo. Por dentro, o peito dela deu uma cambalhota dolorosa; o coração acelerou de um jeito que a fez querer cobrir o rosto e surtar ali mesmo com o charme involuntário dele. Não faz essa cara, ela gritou mentalmente, cravando as unhas na própria palma por dentro do moletom para se manter firme por fora. Ela precisava parecer forte, inabalável.
A carinha de cachorro pidao kkkk
Realmente, muito difícil resistir
[quote]— A pressão tá me esmagando — continuou ele, as sobrancelhas se juntando no centro da testa enquanto as mãos grandes se fechavam sobre o mármore. — É a turnê em Nova York, a agência no meu pé a cada cinco minutos, o medo brutal de que qualquer errinho nosso estrague a imagem da Mia ou prejudique os outros membros. Se esse contrato der errado, se vazar de um jeito torto, destrói a carreira de todo mundo. Eu me exaltei, fiquei cego de estresse e descontei em você. Me desculpa, de verdade.
A imagem da mia, né? sei bem
[quote]Ao lado dela, a reação de Jungkook foi instantânea. O garfo que ele levava à boca parou no meio do caminho. Seus olhos escuros se cravaram na tela, reconhecendo o nome de Yoongi no topo do visor. A mão esquerda dele, apoiada na bancada, fechou-se em um punho tão firme que os nós dos dedos descoloriram. O metal do talher rangendo contra a cerâmica denunciou a força bruta que ele aplicou sem perceber. A linha do seu maxilar travou, rígida.
Surto (2) em processamento kkkk
[quote]— Eiii! — Jungkook deu um salto para trás, rindo enquanto a água encharcava o tecido limpo, colando a camisa ao seu peitoral
Aí que DELÍCIA CARAAAA, vai SN, molha maaais
Kkkkkkkkkkk
[quote]— Sério — Jungkook sorriu de canto, o olhar fixo no chão do quarto. — A gente merece um tempo só nosso. O contrato é de seis meses, Mia… Já se passaram cerca de dois meses. Faltam só quatro meses pra essa palhaçada terminar de vez. Falta pouco pra S/N sair da nossa vida e a gente poder voltar a ser o que era antes. Eu não vejo a hora de voltar pra nossa rotina normal, sem precisar fingir nada pra ninguém.
하하하하하하하하하 (RINDO EM COREANO)
Mentindo pra si msm JK? Pqp hein
[quote]Cada palavra — palhaçada, quatro meses, S/N sair da nossa vida, voltar ao normal — tinha entrado em suas ouvidos como um golpe fulminante, triturando o pouco que restava do seu coração. A ilusão da guerra de água na pia, o charme de cachorrinho abandonado, o carinho… tudo tinha sido reduzido ao que sempre foi: uma encenação com data de validade.
Puta que PARIUUU KKKKKK TU SO FAZ MERDA JK