Capítulo 24 – Surpresa em Nova York
por FanfiqueiraO apartamento de Jungkook continuava imerso num silêncio espesso nas horas que se seguiram. A noite caíra sobre Seul sem pedir licença, e a iluminação indireta da sala desenhava sombras longas no estofado macio do sofá de couro.
S/N estava sentada na beirada do sofá quando ele se mexeu, despertando do sono pesado. Ele parecia cansado, com as pálpebras inchadas, mas ao ver S/N ao seu lado, seu primeiro impulso foi puxá-la para perto. Foi nesse movimento que a manga do moletom subiu ligeiramente, revelando a atadura improvisada em sua mão direita. Além disso, a luz do abajur bateu direto no seu rosto, destacando o lábio inferior cortado e a marca arroxeada perto da mandíbula.
Ela não disse nada de imediato. Apenas pegou a mão enfaixada dele com extrema delicadeza, traçando o contorno dos nós dos dedos feridos. Jungkook congelou por um segundo, tentando instintivamente recolher o braço, mas ela o segurou com firmeza suave, olhando bem nos fundos dos olhos dele.
— Quando você se sentir pronto para me falar… se você quiser me falar, você pode — sussurrou S/N, com a voz carregada de uma compaixão pura, sem qualquer tom de cobrança. — Eu tô aqui.
Um nó doloroso se formou na garganta de Jungkook. A compreensão dela, livre de julgamentos ou perguntas invasivas naquele momento em que ele se sentia o pior dos homens, atravessou seu peito como um alívio avassalador.
Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, segurou o rosto dela com a mão esquerda, puxando-a para um beijo profundo e desesperado. Os lábios se tocaram com uma urgência quase dolorosa; ele a beijava agradecendo em silêncio por ela existir, por ser sua fortaleza e por não pressioná-lo quando tudo ao redor desmoronava.
— Obrigado… obrigado por ser assim comigo — ele murmurou contra a boca dela, arfando baixinho entre selinhos demorados.
O beijo gradualmente mudou de ritmo. O desespero deu lugar a um desejo denso, quente e urgente. Jungkook a puxou pela cintura, levantando-se da cama com ela nos braços e caminhando até a sala. Ele a deitou no sofá amplo de tecido cinza, corpo com corpo. A necessidade de se sentir conectado a ela, de esquecer a briga, o sangue e a culpa, fez com que as roupas fossem afastadas sem pressa, mas com um apetite voraz. Ali mesmo, no estofado da sala, sob a luz fraca da cidade que entrava pela janela, eles se entregaram um ao outro numa entrega intensa e apaixonada, selando a cumplicidade que os unia.
Os dias seguintes na empresa, no entanto, foram marcados por um ar congelante.
O adiamento da viagem para a segunda-feira forçou os membros a voltarem aos ensaios. A atmosfera na sala era pesada, quase insustentável. O ambiente profissional fora mantido à força: ninguém tocava no assunto, mas a distância entre os integrantes era palpável.
Antes de iniciarem a passada de coreografia, Namjoon e Seokjin fecharam as portas e colocaram Jungkook e Yoongi frente a frente no centro da sala.
— Chega dessa infantilidade — declarou Namjoon, com os braços cruzados e o tom gélido. — Vocês vão se desculpar agora. Não me interessa o que pensam no íntimo, mas para este grupo funcionar, esse clima acaba aqui.
Yoongi, com o olho ainda apresentando um tom amarelado do machucado, encarou o chão. Jungkook manteve os lábios prensados, os nós dos dedos ainda cobertos por curativos discretos.
— Desculpa, hyung — murmurou Jungkook, a voz baixa, mecânica, engolindo o orgulho e tudo o que fervia dentro de si por respeito à liderança de Namjoon e Jin.
— Desculpa — respondeu Yoongi no mesmo tom seco e distante, sem olhar diretamente para o caçula.
A paz selada era meramente diplomática. Durante todo o resto dos ensaios até o fim da semana, o clima permaneceu estritamente organizado, mas absurdamente frio. Eles falavam apenas o estritamente necessário para marcar as posições da dança e ajustar os vocais. Cada um ficava no seu canto durante os intervalos. Yoongi passava o tempo no celular ou no estúdio; Jungkook permanecia focado na água e nas suas anotações, sem cruzarem olhares.
A segunda-feira finalmente chegou, trazendo o dia da partida para os Estados Unidos.
Para evitar alarde na imprensa e diminuir o desgaste, a equipe organizou para que os membros viajassem em grupos separados. Jungkook e S/N iriam no último voo da noite, sozinhos, como o toque final da logística.
No apartamento de Jungkook, o quarto estava uma bagunça organizada com malas abertas sobre a cama. Enquanto S/N dobrava algumas peças de roupa, o celular de Jungkook vibrou sobre o criado-mudo.
Ao pegar o aparelho, ele franziu o cenho. Era uma notificação de confirmação automática de reserva de um restaurante refinado em Manhattan, o L’Étoile Sombre.
— Puts… — resmungou ele alto, passando a mão na nuca.
— O que foi? — perguntou S/N, erguendo os olhos da mala.
— Nada, amor. Só uma que eu esqueci de cancelar. Deixa pra lá, depois eu resolvo — ele desconversou rapidamente, deslizando a tela para apagar a notificação. Internamente, seu estômago deu um nó: ele lembrou que aquela reserva tinha sido feita para um jantar especial com Mia. Eu deveria ter desmarcado essa merda antes, pensou ele com raiva de si mesmo. Deixa cair no cancelamento, não vou mexer nisso agora.
Segundos depois, o aplicativo de concierge de viagem apitou novamente. Desta vez, era a confirmação do check-in antecipado em uma suíte exclusiva do hotel The Obsidian Haven — um estabelecimento ultra-reservado em Nova York, famoso por sua política rígida de privacidade, onde celebridades podiam entrar por garagens subterrâneas privadas sem que nenhum funcionário visse nada e sem vazamento de informações.
Jungkook engoliu em seco. Essa era a suíte de luxo que ele havia reservado meses atrás para ele e Mia, com um quarto anexo ao lado onde originalmente S/N ficaria quando ainda era tratada apenas como um “contrato”. Ele não conseguiu alterar a reserva em cima da hora sem gerar alarde na equipe, então decidiu que manteria o local, mas transformaria a estadia em algo totalmente novo ao lado de S/N.
No aeroporto Internacional de Incheon, a chegada dos dois foi um acontecimento. Como os outros membros já haviam embarcado mais cedo, toda a atenção dos fotógrafos e fãs restantes se voltou para o casal.
Jungkook vestia um sobretudo escuro e usava máscara preta, mas não fez questão alguma de esconder a mão firmemente entrelaçada na de S/N. Cercados por uma comitiva de seguranças altos, eles avançavam pelo saguão lotado sob o disparo ensurdecedor de centenas de flashes.
— Jungkook-ah! A gente te ama! — gritavam algumas fãs na grade. — Ela não combina com você! Fica solteiro! — esbravejou uma voz isolada no meio da multidão.
Jungkook nem piscou. Ele apenas puxou S/N para mais perto do seu peito, cobrindo o ombro dela com o próprio corpo e guiando-a com proteção absoluta até passarem pela área de embarque restrita.
Já dentro da aeronave, na exclusiva, eles se acomodaram na cabine privativa dupla. O espaço parecia um pequeno quarto de luxo nas alturas, com poltronas que se transformavam em uma cama de casal perfeita, iluminação suave e portas de correr que os isolavam completamente do restante do avião.
Assim que a aeronave atingiu a altitude de cruzeiro, eles se deitaram juntos sob o edredom macio fornecido pela companhia.
— Finalmente em paz — suspirou S/N, deitando a cabeça no peitoral dele.
Jungkook sorriu, fazendo carinho nos cabelos dela com a mão esquerda.
— Nem me fale. A gente tem uma agenda cheia assim que chegar, a primeira apresentação da turnê num palco aberto em Nova York… tá um frio congelante lá, sabia? Dizem que tá caindo neve.
— Sério? — os olhos dela brilharam. — Eu adoro neve.
— Pois é. A gente vai fazer o show, cumprir os compromissos nos dois primeiros dias, mas eu reservei três dias inteiros só pra gente depois. Sem câmeras, sem trabalho. Só nós dois aproveitando a cidade no lugar mais privado possível.
S/N deu uma risada fraca, provocando-o:
— Ué, mas a gente não tinha que se expor pro público essas coisas?
Jungkook curvou os lábios num sorriso sacana e apaixonado, inclinando-se para selar a boca dela num beijo demorado.
— Sim, tínhamos que nos expor quando você era minha namorada de mentira. Agora que você é minha namorada de verdade, eu não preciso expor nossa vida particular pra ninguém. O que é nosso, fica só entre a gente.
Ela sorriu abertamente, sentindo o peito aquecido, e se aconchegou ainda mais nos braços dele enquanto o avião cruzava o Oceano Pacífico.
Enquanto isso, a milhares de quilômetros dali, em Paris…
Mia estava no camarim de um estúdio de fotografia de alto padrão, terminando uma sessão de fotos para uma grife francesa. O clima ao seu redor era de pura tensão; sua equipe pisava em ovos desde o escândalo que ela fez a uns dias atrás.
Ela pegou o celular para checar a hora e franziu as sobrancelhas ao ver uma notificação na tela.
Era o aplicativo de reservas de luxo. A confirmação da mesa no L’Étoile Sombre em Nova York e o lembrete da suíte no The Obsidian Haven haviam sido disparados também para o e-mail dela, já que a reserva inicial fora feita no nome dos dois.
A primeira reação de Mia foi uma onda fulminante de raiva. O sangue subiu para o seu rosto ao lembrar da humilhação, do término abrupto e da cara de pau de Jungkook em assumir uma qualquer em rede nacional.
Mas então, seus olhos se estreitaram ao ler os detalhes da notificação.
Ué… ele não cancelou? — pensou ela, o cérebro trabalhando rápido. A raiva começou a dar lugar a uma gargalhada fria e amarga. Ele acha mesmo que vai usar a suíte e a mesa que ele planejou pra MIM para se divertir com aquela garota? Mas não vai mesmo.
Mia se levantou da cadeira de maquiagem, olhando diretamente para o seu empresário no espelho.
— Cancela o restante dos meus compromissos da semana — ordenou ela, com a voz firme e cortante. — Eu preciso de folga. Vou para Nova York agora.
— O quê?! Mia, você tem gravações amanhã! — o empresário protestou, chocado.
— Eu disse que vou para Nova York — ela repetiu, pegando a bolsa e óculos escuros. — Compra a primeira passagem no próximo voo.
Horas mais tarde, o carro executivo preto deixou Jungkook e S/N na entrada subterrânea e altamente discreta do The Obsidian Haven, em Manhattan. O ar lá fora estava congelante, com pequenos flocos de neve caindo lentamente sob as luzes da cidade.
O trajeto pelo elevador privativo foi rápido. O hotel era impecável: corredores silenciosos, carpetes espessos e uma aura de sigilo absoluto.
Jungkook segurava a mão de S/N enquanto aproximava o cartão magnético da porta da suíte principal. A luz verde piscou, e a tranca eletrônica estalou.
— Preparada para o nosso descanso? — brincou ele, empurrando a porta pesada.
— Mais do que pronta — sorriu S/N, dando o primeiro passo para dentro do apartamento de luxo.
Porém, assim que os dois cruzaram o hall de entrada e pisaram na área espaçosa do quarto principal, o sorriso de ambos desapareceu instantaneamente. O ar fugiu dos pulmões de Jungkook.
O quarto estava inteiramente decorado. No chão e sobre a cama king-size, dezenas de balões dourados e brancos flutuavam. Na parede estofada logo atrás da cabeceira, letras grandes em balões metálicos formavam a frase: PARABÉNS, PAPAI!
E deitada no centro da cama, usando um ropão de seda branco e exibindo um sorriso vitorioso e gélido, estava Mia.
Em sua mão direita, ela segurava displicentemente um teste de gravidez de farmácia com dois riscos vermelhos bem nítidos. Na outra mão, repousava um laudo médico timbrado com o resultado positivo de um exame de sangue.
— Chegaram finalmente? — disse Mia, a voz suave carregada de puro veneno enquanto olhava de Jungkook para S/N. — Estávamos esperando você… papai.
Viiish o bicho puro odios
La vem merda, sim eu tive spoiler kkkkk
Sabia que ia chegar este momento de merda
Aiii uma ridícula mano pqp
[quote]— Quando você se sentir pronto para me falar… se você quiser me falar, você pode — sussurrou S/N, com a voz carregada de uma compaixão pura, sem qualquer tom de cobrança. — Eu tô aqui.
Toda atenciosa com o xuxuzinho dela
[quote]Jungkook engoliu em seco. Essa era a suíte de luxo que ele havia reservado meses atrás para ele e Mia, com um quarto anexo ao lado onde originalmente S/N ficaria quando ainda era tratada apenas como um “contrato”. Ele não conseguiu alterar a reserva em cima da hora sem gerar alarde na equipe, então decidiu que manteria o local, mas transformaria a estadia em algo totalmente novo ao lado de S/N.
Rapaz, isso n vai dá certo
[quote]Ué… ele não cancelou? — pensou ela, o cérebro trabalhando rápido. A raiva começou a dar lugar a uma gargalhada fria e amarga. Ele acha mesmo que vai usar a suíte e a mesa que ele planejou pra MIM para se divertir com aquela garota? Mas não vai mesmo.
Ôa só a merda aii
[quote]O quarto estava inteiramente decorado. No chão e sobre a cama king-size, dezenas de balões dourados e brancos flutuavam. Na parede estofada logo atrás da cabeceira, letras grandes em balões metálicos formavam a frase: PARABÉNS, PAPAI!
Na moral
UM PQP BEM GRANDE
AAA FDP
[quote]— Chegaram finalmente? — disse Mia, a voz suave carregada de puro veneno enquanto olhava de Jungkook para S/N. — Estávamos esperando você… papai.
Por isso que ele te trocou, nojenta
Precisava disso? PRECISAVA MIA ??
Entendo que ele fez merda, mas pra que isso vei??