Capítulo 11 – A Rachadura no Espelho
por FanfiqueiraO chiado monocórdico e ininterrupto do motor da esteira de alta velocidade dominava o ambiente fechado da academia privativa da cobertura.
Jungkook estava com a regata preta encharcada de suor, grudada ao tórax que subia e descia em um ritmo desordenado e violento. Gotas grossas escorriam por sua testa, queimavam seus olhos escuros e pingavam sem parar sobre o painel digital, onde o cronômetro cravava uma hora e vinte minutos de corrida contínua na esteira. As solas de seus tênis golpeavam a lona em uma cadência quase destrutiva.
Ele não estava correndo para treinar o físico; estava correndo para fugir da imagem da própria fraqueza.
A cada passada pesada, o viva-voz da voz rouca de Yoongi ecoava dentro de sua cabeça como um estalo de chicote: “Se importa com a sua vida e deixa a minha em paz.”
Jungkook fechou os olhos com força, puxando o ar rasgado pela boca seca. A vergonha que o consumia era corrosiva. Ele havia se exposto da maneira mais ridícula possível. Arrancara o telefone das mãos de S/N como um adolescente descontrolado, rosnara contra o microfone e entregara de bandeja a Mia — a mulher com quem dividia a vida há anos — a prova viva de que a presença de S/N o estava enlouquecendo.
Ele diminuiu a velocidade no painel, o motor desacelerando sob seus pés até parar por completo.
Perto do espelho lateral, o barulho metálico das anilhas se chocando ecoou pela sala quando ele finalmente pulou fora da esteira. Arfando, com as mãos apoiadas nos joelhos e o tronco curvado para a frente, ele encarou o próprio reflexo. Suas pupilas estavam dilatadas, o pescoço avermelhado pelas veias saltadas, os punhos cerrados.
Sem fazer pausas para descansar, caminhou até o suporte de pesos para dar início à segunda metade do treino. Pegou dois halteres pesados de trinta quilos e começou uma série exaustiva de bíceps e ombros. Os músculos dos seus braços queimavam, gritando sob a carga excessiva, mas ele continuou. Um. Dois. Três. Ele empurrava o corpo ao limite extremo ao longo daquelas quase três horas totais de musculação e esteira porque a dor física era a única coisa capaz de abafar temporariamente o ciúme cego que ainda queimava em seu estômago. A ideia de Yoongi tocando S/N, a ideia da risada que ela dera ao ler a mensagem, o tom de intimidade entre eles…
— Porra — ele praguejou baixo, soltando os halteres no chão de borracha com um estrondo abafado.
Ele tombou de costas no colchonete, encarando o teto iluminado por fitas de LED. O suor esfriava na sua pele, trazendo um calafrio incômodo. Ele sabia que o tempo estava correndo. Sabia que precisava tomar um banho, abrir aquela porta e encarar o desastre que deixara na sala. Mas o medo de olhar nos olhos de Mia e ver a confirmação de que sua máscara caíra o mantinha acorrentado àquele chão frio.
Na sala, o silêncio que sucedera a partida de Jungkook era espesso, quase sufocante.
Mia continuava sentada na ponta do sofá. A xícara de chá em seu colo agora estava fria. Suas mãos tremiam tão levemente que a porcelana dava pequenos estalos contra o pires. Ela não chorava. Não havia uma única lágrima escorrendo por suas bochechas; em seu lugar, havia uma expressão de torpor estático, como se o mundo ao seu redor tivesse perdido o som e a cor em um único segundo.
A dor não veio como um choro espalhafatoso; veio como uma paralisia gelada na boca do estômago.
Ela vira Jungkook bravo. Vira Jungkook exausto, estressado com reuniões de diretoria, protetor com os membros do grupo e até ciumento em situações bobas dos primeiros anos de namoro. Mas ela jamais, em toda a história dos dois, o vira perder o controle daquela forma. A fúria no olhar dele ao arrancar o celular das mãos de S/N, a veia saltada no pescoço ao rosnar para Yoongi, a voz trêmula de possessividade… Não era o desespero de quem protegia a agência ou a imagem do grupo. Era o desespero cru de um homem que sentia que estava perdendo o controle sobre a mulher que queria para si.
E esse homem era o seu namorado.
Ele gritou com o Yoongi por causa dela. A frase repetia-se em sua mente como um mantra venenoso. Ele perdeu o juízo na minha frente. Por causa dela.
Mia ergueu o rosto devagar, olhando para a porta da academia no fundo do corredor. O som fraco dos aparelhos ainda cruzava o ar. Ela baixou os olhos para o relógio de pulso de ouro no seu braço esquerdo.
11:45 da manhã.
Em menos de duas horas, a van da sua própria agência de modelos, passaria na portaria da cobertura para levá-la ao aeroporto de Incheon. Ela tinha um compromisso contratual inadiável: uma semana inteira em Paris para cobrir a Semana de Moda e participar dos eventos da marca para a qual era embaixadora. Uma semana fora da Coreia. Uma semana em que Jungkook viajaria para Nova York acompanhado por S/N, dividindo o mesmo hotel, os mesmos bastidores, a mesma narrativa pública, sem a presença de Mia para monitorar cada passo.
A mente de Mia começou a girar em uma espiral desordenada.
E se eu cancelar? O pensamento surgiu rápido, desesperado. Posso inventar uma crise de saúde. Posso dizer que tive uma enxaqueca incapacitante, que caí da escada, que não posso voar. A agência vai surtar, a multa rescisória vai ser gigante, mas eu continuo aqui. Eu fico no apartamento. Eu não deixo ele ir para Nova York sozinho com ela.
Ela colocou a xícara sobre a mesa de centro. Suas unhas perfeitamente pintadas de nude cravaram-se na seda do robe.
Mas, à medida que os segundos passavam, a razão fria de Mia começou a retomar o espaço atropelado pelo pânico. Se ela cancelasse a viagem de trabalho, estaria entregando o jogo. Estaria admitindo que estava apavorada, que se sentia ameaçada por S/N, que o namoro estava ruindo. E o mais perigoso: se ela ficasse, forçaria Jungkook a encarar a situação. E se ele, encurralado pela culpa e pelo desejo sufocado, acabasse admitindo em voz alta o que suas atitudes acabavam de gritar?
Ela não podia ouvir aquela verdade. Se ele colocasse em palavras que estava confuso por S/N, o namoro terminaria ali.
Mia engoliu em seco, a garganta queimando. Ela se levantou do sofá devagar, ajustando o cinto do robe com dedos trêmulos. Encarou a porta fechada da suíte principal, onde suas malas já estavam prontas perto do closet.
Ela iria para Paris. Cumpriria a agenda. Mas a dúvida que acabara de se instalar em seu peito nunca mais seria apagada.
[quote]Sem fazer pausas para descansar, caminhou até o suporte de pesos para dar início à segunda metade do treino. Pegou dois halteres pesados de trinta quilos e começou uma série exaustiva de bíceps e ombros. Os músculos dos seus braços queimavam, gritando sob a carga excessiva, mas ele continuou. Um. Dois. Três. Ele empurrava o corpo ao limite extremo ao longo daquelas quase três horas totais de musculação e esteira porque a dor física era a única coisa capaz de abafar temporariamente o ciúme cego que ainda queimava em seu estômago. A ideia de Yoongi tocando S/N, a ideia da risada que ela dera ao ler a mensagem, o tom de intimidade entre eles…
Tá perdendo o controle, hein querido??
[quote]Mia continuava sentada na ponta do sofá. A xícara de chá em seu colo agora estava fria. Suas mãos tremiam tão levemente que a porcelana dava pequenos estalos contra o pires. Ela não chorava. Não havia uma única lágrima escorrendo por suas bochechas; em seu lugar, havia uma expressão de torpor estático, como se o mundo ao seu redor tivesse perdido o som e a cor em um único segundo.
Se arrependimento matasse, tu tava lascada Mia
[quote]Ela vira Jungkook bravo. Vira Jungkook exausto, estressado com reuniões de diretoria, protetor com os membros do grupo e até ciumento em situações bobas dos primeiros anos de namoro. Mas ela jamais, em toda a história dos dois, o vira perder o controle daquela forma. A fúria no olhar dele ao arrancar o celular das mãos de S/N, a veia saltada no pescoço ao rosnar para Yoongi, a voz trêmula de possessividade… Não era o desespero de quem protegia a agência ou a imagem do grupo. Era o desespero cru de um homem que sentia que estava perdendo o controle sobre a mulher que queria para si.
Tá muito claro isso
Pior é ela saber que tudo começou com uma ideia que ela teve, pqp
[quote]Em menos de duas horas, a van da sua própria agência de modelos, passaria na portaria da cobertura para levá-la ao aeroporto de Incheon. Ela tinha um compromisso contratual inadiável: uma semana inteira em Paris para cobrir a Semana de Moda e participar dos eventos da marca para a qual era embaixadora. Uma semana fora da Coreia. Uma semana em que Jungkook viajaria para Nova York acompanhado por S/N, dividindo o mesmo hotel, os mesmos bastidores, a mesma narrativa pública, sem a presença de Mia para monitorar cada passo.
Mia, vá certa de que já era, viu?
Vá sabendo que F U D E U
e nesse caso, fudeu mesmo, e com força
[quote]Mas, à medida que os segundos passavam, a razão fria de Mia começou a retomar o espaço atropelado pelo pânico. Se ela cancelasse a viagem de trabalho, estaria entregando o jogo. Estaria admitindo que estava apavorada, que se sentia ameaçada por S/N, que o namoro estava ruindo. E o mais perigoso: se ela ficasse, forçaria Jungkook a encarar a situação. E se ele, encurralado pela culpa e pelo desejo sufocado, acabasse admitindo em voz alta o que suas atitudes acabavam de gritar?
Poha Mia, sei nem como te ajudar
Amigo tu se perdeu no personagem kkkkkkk deixou escancarado pra todo mundo
Meu deus que humilhação Mia fiaa kkkkkkk
Isso aqui deve ter doído mais que um soco na fuça
Mia fia tu ta desesperada agora.. o tiro saiu pela culatra