Capítulo 1 – O Ponto de Ruptura
por FanfiqueiraO brilho azulado da tela do monitor parecia queimar diretamente em suas retinas. A luz fria era o único feixe que cortava a penumbra da sala do escritório, onde os ponteiros do relógio na parede já haviam ultrapassado a marca das dez da noite há muito tempo. Ao redor, o silêncio da cidade parecia um deboche; enquanto o mundo lá fora desacelerava e dormia, a mente dela operava em um ritmo frenético, doloroso e ininterrupto.
Só mais um e-mail. Só mais um relatório. Só mais essa planilha e eu posso respirar.
Essa era a mentira que ela contava a si mesma todas as noites. Uma narrativa bem ensaiada para justificar o aperto constante no peito, a rigidez dolorosa nos ombros e a sensação incômoda de que, a qualquer segundo, a estrutura perfeita que havia construído com tanto suor iria ruir.
Para os clientes, para a equipe e para o mercado, ela era o exemplo inabalável de controle, eficiência e sucesso. A mulher que resolvia crises com um sorriso impecável nos lábios e uma postura ereta. Mas ali, na solidão daquela mesa, sem plateia para admirar a performance, a máscara caía. O que sobrava era apenas um invólucro oco, drenado de qualquer energia vital.
Esfregou os olhos com força, sentindo as pálpebras pesadas. A respiração saía curta, presa no topo do tórax. O som repetitivo do cursor piscando no documento em branco parecia um cronômetro indicando a contagem regressiva para o colapso.
Eu não aguento mais.
O pensamento surgiu sem pedir licença, cru e aterrorizante. Pela primeira vez em meses, a palavra “desistir” não pareceu uma fraqueza, mas um refúgio. Ela sentiu um nó denso se formar na garganta, a visão embaçando ligeiramente pela promessa de lágrimas que lutava desesperadamente para conter. Não podia chorar. Se começasse agora, sabia que não conseguiria parar.
Ajustou a postura na cadeira, tentando engolir o cansaço, e recolocou os dedos sobre o teclado. Precisava terminar. Tinha prazos, responsabilidades, e as pessoas dependiam dela.
Foi no exato segundo em que sua mão hesitou sobre as teclas que ouviu o som suave da porta se abrindo.
Não era um arrombamento, nem passos apressados. Era uma presença calma, pausada e dolorosamente familiar. Passo a passo, o som dos sapatos contra o piso de madeira ecoou até parar bem ao lado da mesa.
Ela não levantou a cabeça. Não queria que ele visse seus olhos vermelhos nem queria dar a ele a confirmação do que ele provavelmente já sabia.
— Você ainda está aqui — a voz dele soou suave, mas carregada de uma gravidade que a fez estremecer levemente.
— Tenho que entregar esse projeto até amanhã cedo, Hoseok — murmurou ela, tentando manter a voz firme, profissional e limpa. Falhou miseravelmente; o tom saiu rouco, quase um sussurro quebradiço. — Falta pouco. Se você me der mais uma hora…
Antes que pudesse terminar a frase, a mão dele surgiu em seu campo de visão. Longa, de dedos firmes e quentes. Sem hesitação, Hoseok alcançou o topo da tela do notebook e, com um movimento suave porém irrefutável, baixou a tampa.
O som do clique ao fechar a tela pareceu um tiro no silêncio da sala. A luz apagou, e a iluminação do ambiente caiu drasticamente.
— Ei! — protestou ela, levantando os olhos de golpe, com a indignação subindo como uma fagulha momentânea. — O que você está fazendo? Eu preciso…
— Você não precisa de nada disso agora — ele a interrompeu.
Jung Hoseok estava parado ao lado da cadeira. Vestia roupas casuais e confortáveis, em total contraste com o terno estruturado e desconfortável dela. Os olhos dele, escuros e incrivelmente atentos, varriam cada detalhe do rosto cansado à sua frente. Ele não olhava para ela como os outros olhavam — procurando resultados, cobranças ou respostas. Ele a olhava como se estivesse lendo as entrelinhas de sua alma.
— Hoseok, por favor — ela tentou desviar o olhar, desconfortável com a súbita vulnerabilidade. — Eu realmente estou sob muita pressão hoje. Não dá para brincar.
— Eu pareço estar brincando? — ele perguntou, dando um passo mais perto.
Ele se inclinou para a frente, apoiando as duas mãos nos braços da cadeira de rodinhas, cercando-a. O perfume dele — uma mistura quente de madeira, limão e algo distintamente dele — envolveu o espaço apertado entre os dois. A proximidade repentina fez o coração dela dar um salto involuntário.
— Você está na mesma posição há horas — disse ele, com a voz baixa, em um tom quase provocante e protetor ao mesmo tempo. — O seu sorriso de fachada pode enganar a diretoria, as suas redes sociais e até você mesma quando se olha no espelho de manhã. Mas não me engana. Eu conheço esse olhar. O cinza tomou conta de você de novo.
Ela piscou devagar, sentindo as defesas ruírem com a precisão cirúrgica das palavras dele.
— Eu só preciso de mais um tempo… — tentou negociar, mas o tom era fraco.
— O que você precisa é parar antes que o seu corpo pare por você — ele rebateu com firmeza. Hoseok se ergueu, pegou o casaco dela pendurado no encosto da cadeira e estendeu a mão. — Levanta.
— Para onde?
— Não interessa. Você vem comigo.
— Hoseok, eu não posso simplesmente largar tudo! Minha vida está um caos…
— Exatamente por isso — ele sorriu. Não era o sorriso radiante e solar que costumava dar para o mundo, mas um sorriso torto, de canto de boca, cheio de intenção e cumplicidade. — Eu estou te sequestrando desse caos. E você não tem a opção de recusar.
Antes que ela pudesse formular outro argumento lógico, a mão dele se fechou ao redor do pulso dela. O toque não era doloroso, mas era firme, quente e inegociável. Quando ele a puxou devagar, o corpo dela simplesmente obedeceu. A exaustão era tanta que a ideia de deixar outra pessoa tomar o controle, mesmo que por algumas horas, pareceu uma tentação irresistível.
Ele pegou a bolsa dela, desligou a luz principal do escritório e a guiou pelo corredor escuro até a saída.
O ar da noite atingiu o rosto dela como um choque elétrico quando saíram do prédio. O contraste da brisa fria contra a pele quente fez com que soltasse um suspiro longo — o primeiro suspiro profundo em dias.
Hoseok a levou até o carro dele. Abriu a porta do passageiro, esperou que ela entrasse e a observou enquanto se acomodava. Quando entrou no banco do motorista e ligou o motor, o som suave da música preencheu o ambiente.
— Para onde estamos indo? — ela perguntou, encostando a cabeça no apoio de couro e fechando os olhos.
— Para um lugar onde prazos não existem — ele respondeu, engatando a marcha. — Um lugar onde você é só você, sem títulos, sem entregas e sem a obrigação de ser perfeita.
O trajeto durou cerca de vinte minutos. Ela ficou em silêncio durante todo o caminho, observando as luzes da cidade passarem rápido pela janela. Pela primeira vez em semanas, suas mãos não estavam digitando, seu cérebro não estava calculando riscos e o celular repousava no fundo da bolsa, em modo silencioso, sob ordens expressas dele.
Quando o carro finalmente parou, ela olhou para fora. Estavam em um bairro um pouco mais afastado da área financeira, em uma rua iluminada por letreiros em neon levemente desgastados. O letreiro principal na fachada de um prédio retrô dizia: Strike & Lounge.
— Um boliche? — olhou para ele, surpresa.
— Um boliche — ele confirmou, com um brilho divertido nos olhos. — Com comida de rua, cerveja gelada e a pista só para nós.
— Hoseok, faz anos que eu não jogo boliche. Eu sou péssima nisso.
Ele se aproximou no espaço do carro, soltando o cinto de segurança dela. A mão dele roçou “sem querer” em sua coxa, enviando uma descarga elétrica sutil diretamente para a espinha dela. Ela o encarou, prendendo a respiração.
— A ideia é exatamente essa — ele murmurou, mantendo os olhos fixos nos lábios dela por uma fração de segundo antes de subir para os olhos. — Você passa o dia inteiro tentando ser impecável. Hoje, eu quero ver você errar. Quero ver você se soltar.
A intensidade do olhar dele a deixou sem ar. Não era apenas o tom amigável de sempre; havia uma tensão subjacente na voz dele, um peso velado que flertava abertamente com o perigo.
Desceram do carro. O interior do local era um portal para outra época. A iluminação era baixa, dominada por tons de azul e roxo fluorescente, o ar tinha o cheiro inconfundível e apetitoso de frituras quentes e hambúrgueres artesanais, e o som característico de pinos de madeira caindo ecoava ao fundo. O local estava quase vazio, um refúgio calmo e nostálgico.
Hoseok conseguiu uma pista no fundo do estabelecimento, mais reservada. Ele trocou os sapatos, pediu porções de comida e duas bebidas, enquanto ela se sentava no sofá de couro estofado, sentindo o cansaço acumulado pesar nas pernas.
— Tira essa jaqueta formal — ele ordenou suavemente, caminhando até ela.
Ele não esperou que ela o fizesse. Inclinando-se sobre ela, Hoseok segurou as lapelas do blazer de alfaiataria e deslizou o tecido pelos braços dela. A proximidade era tanta que ela pôde sentir o calor emanando do corpo dele. Quando a jaqueta caiu sobre o sofá, ela ficou apenas com uma regata fina de seda. O ar frio da pista arrepiou sua pele exposta.
— Melhor — ele disse, a voz descendo uma oitava. Os olhos dele demoraram-se por um segundo no contorno das sabonetiras e no decote discreto da regata antes de voltarem para o rosto dela. — Agora você parece alguém disposta a viver, e não uma máquina de trabalhar.
— Você é folgado, sabia? — ela tentou soar ríspida, mas o sorriso involuntário em seus lábios traiu a intenção.
— Sou o cara que acabou de salvar a sua vida hoje — ele piscou, pegando uma bola de boliche e estendendo a ela. — Sua vez. Vamos ver do que você é capaz.
Ela pegou a bola pesada. A textura fria do material contrastava com o calor que ainda queimava onde as mãos dele haviam tocado seu corpo. Caminhou até a linha da pista, respirou fundo e jogou.
A bola foi direto para a canaleta, fazendo um som oco ao rolar sem derrubar um único pino.
Ela soltou uma risada frustrada, cobrindo o rosto com as mãos.
— Eu disse! Eu sou horrível!
Quando ameacei se virar para voltar ao sofá, sentiu o corpo de Hoseok colar diretamente no seu por trás.
A respiração dele bateu em seu pescoço, quente e descarada. A presença física dele era avassaladora e não dava espaço para se afastar. Uma das mãos dele envolveu a cintura dela, puxando seu quadril para colá-lo firmemente contra a parte frontal do corpo dele, enquanto a outra mão subiu pelo braço até alcançar a bola de boliche que acabara de colocar em suas mãos novamente.
— Você está muito tensa — a voz dele soou bem rente à orelha dela, um sussurro grave que fez todos os pelos do corpo dela se arrepiarem instantaneamente. — O seu problema é que você quer controlar o trajeto da bola, assim como tenta controlar tudo na sua vida. Você precisa soltar.
A mente dela travou. O cansaço mental desapareceu em uma fração de segundo, completamente substituído por uma onda avassaladora de consciência corporal. Ela conseguia sentir a firmeza do peitoral dele pressionando suas costas, o calor da mão dele apertando sua cintura, a pressão deliberada do corpo dele contra o seu.
— Respira — ele instruiu, a voz baixa e impregnada de um tom terrivelmente sedutor. A mão dele na cintura apertou um pouco mais, os dedos se enterrando na carne macia acima do jeans. — Esquece os pinos. Sinta o movimento.
Tentar focar no jogo era impossível. Tudo o que ela conseguia sentir era a boca dele a milímetros da pele sensível do seu pescoço, o hálito quente roçando seu lóbulo e a sensação de estar completamente cercada por ele.
Ele guiou o braço dela para trás e depois para a frente em um movimento fluido. Lançaram a bola juntos.
Desta vez, a bola rolou com precisão pelo centro da pista e atingiu os pinos com um estrondo alto, derrubando quase todos.
— Viu? — ele murmurou no ouvido dela, sem se afastar um milímetro sequer. Pelo contrário, ela sentiu os lábios dele roçarem de leve na curva entre seu pescoço e ombro, um toque quase imperceptível, mas que fez seu ventre se contrair. — É só uma questão de entregar o controle.
Ela girou o corpo devagar dentro do abraço dele, ficando de frente para ele. Estavam tão perto que os peitos se tocavam a cada respiração. Ela olhou para cima, encarando os olhos de Hoseok. A aura descontraída e brincalhona dele havia desaparecido completamente, substituída por um olhar denso, escuro e faminto.
— Você planejou isso, Hoseok? — ela perguntou, a voz saindo falhada, traindo a excitação repentina.
— Eu planejei te tirar daquela mesa antes que você pifasse de vez — ele disse, a mão subindo da cintura até a bochecha dela, o polegar acariciando a pele com uma familiaridade que, de repente, parecia perigosamente íntima. Os olhos dele desceram para a boca dela antes de voltarem para os seus. — Mas ver você aqui… sem essa sua armadura de mulher inabalável… está me dando umas ideias péssimas.
O coração dela martelava contra o peito. Eram amigos há tempo suficiente para saber o quanto ele era protetor, mas o jeito como ele a olhava agora não tinha nada de platônico. A exaustão do trabalho havia evaporado, queimada pelo calor da proximidade dele.
— Hoseok… a gente é… — ela tentou lembrar a si mesma da linha que sempre esteve ali, mas o nome dele saiu quase como um pedido.
Ele deu um sorriso lento, torto e perigoso — aquele sorriso que ela conhecia tão bem, mas que agora parecia completamente novo.
— A gente é o que a gente quiser ser hoje à noite — ele murmurou, aproximando o rosto do dela até que as pontas dos narizes se roçassem. — E eu não vou te devolver para aquela rotina até garantir que você esqueceu completamente de todos os seus problemas.
Isso aqui é a minha vida, gente, fiquei até triste
Resumindo: Vida adulta é um saco
Ai, nossa, Hoseok
Pode pegar o controle
Hoonynustzy]
Obrigada, JHope, você é mesmo um sol
[quote]Ajustou a postura na cadeira, tentando engolir o cansaço, e recolocou os dedos sobre o teclado. Precisava terminar. Tinha prazos, responsabilidades, e as pessoas dependiam dela.
Depois tem um piripaque e n sabe o pq
[quote]Ele se inclinou para a frente, apoiando as duas mãos nos braços da cadeira de rodinhas, cercando-a. O perfume dele — uma mistura quente de madeira, limão e algo distintamente dele — envolveu o espaço apertado entre os dois. A proximidade repentina fez o coração dela dar um salto involuntário.
Comigo um negócio desse n acontece kkkk
[quote]— Não interessa. Você vem comigo.
Sem nem pensar 2 vezes
[quote]— Exatamente por isso — ele sorriu. Não era o sorriso radiante e solar que costumava dar para o mundo, mas um sorriso torto, de canto de boca, cheio de intenção e cumplicidade. — Eu estou te sequestrando desse caos. E você não tem a opção de recusar.
Me sequestra no lugar dela, Hoseok
Eu vou pra onde você quiser
[quote]— A ideia é exatamente essa — ele murmurou, mantendo os olhos fixos nos lábios dela por uma fração de segundo antes de subir para os olhos. — Você passa o dia inteiro tentando ser impecável. Hoje, eu quero ver você errar. Quero ver você se soltar.
Tás querendo mostrar pra ela como se joga, né ? Sem vergonha
[quote]Quando ameacei se virar para voltar ao sofá, sentiu o corpo de Hoseok colar diretamente no seu por trás.
Hoseok, você tem exatamente 1 hora pra parar com essas brincadeiras gostosas
[quote]— Respira — ele instruiu, a voz baixa e impregnada de um tom terrivelmente sedutor. A mão dele na cintura apertou um pouco mais, os dedos se enterrando na carne macia acima do jeans. — Esquece os pinos. Sinta o movimento.
Kkkkkkkkkk eita movimento boom esse