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O beijo no espaço confinado do carro foi uma colisão de represamentos.

Não havia mais a cautela calculada dos últimos anos, nem a distância cortês que mantinham sob o rótulo de uma amizade segura. Quando os lábios dela finalmente tocaram os de Hoseok, o ar sumiu do veículo em uma fração de segundo. A mão dele na nuca dela se fechou com uma firmeza possessiva, puxando-a para mais perto, enquanto a outra mão envolveu seu quadril, pressionando-a contra o console central.

Hoseok suspirou contra a boca dela um som grave, denso, cheio de uma fome contida há tempo demais. O beijo começou urgente, com o sabor sutil da cerveja e a intensidade da adrenalina, mas rapidamente se aprofundou. A língua dele pediu passagem com uma autoridade que fez os joelhos dela fraquejarem mesmo ali, sentada. Ela passou os braços ao redor do pescoço dele, enterrando as mãos no cabelo macio de Hoseok e puxando-o para si como se ele fosse seu único suprimento de oxigênio.

Quando finalmente se separaram, estavam sem ar. As testas permaneceram encostadas, os peitos subindo e descendo em arfadas descontroladas. A iluminação fraca da garagem desenhava o contorno do rosto dele, que a encarava com pupilas dilatadas e lábios entreabertos, úmidos e vermelhos.

— Se a gente continuar aqui — Hoseok murmurou, a voz tão baixa e rouca que arranhou o ar, o segurança da garagem vai ter uma história excelente para contar amanhã.

Ela soltou uma risada curta, o som trêmulo e entregue.

— Vamos subir — disse ela, a decisão tomada sem um segundo de hesitação.

O apartamento de Hoseok era o exato reflexo dele: acolhedor, estiloso e absurdamente confortável. A iluminação era indireta, em tons quentes de amarelo e alaranjado, projetada por luminárias de piso de design retrô. O chão de madeira clara abrigava tapetes felpudos, e o ar tinha o aroma característico dele uma mistura envolvente de sândalo, café recém passado e brisa limpa. Não havia papéis espalhados, luzes frias ou o zumbido estressante de monitores. Era um santuário.

Assim que a porta se fechou às costas deles, o silêncio da noite os envolveu.

— Banheiro é na segunda porta à esquerda — disse Hoseok, tirando os sapatos na entrada e caminhando até o quarto dele. Ele voltou segundos depois segurando uma camiseta de algodão cinza-chumbo, visivelmente grande, e uma toalha macia. — Toma um banho quente. Tira esse dia da sua pele.

Ela pegou as peças. O tecido da camiseta já tinha o perfume dele.

— Obrigado, Hoseok.

— Vai lá. Vou preparar algo quente para você beber.

No banheiro espaçoso, ela trancou a porta e encostou as costas na madeira por alguns segundos, assimilando a reviravolta das últimas quatro horas. Quando se encarou no espelho sobre a bancada de mármore, quase não reconheceu a mulher refletida. A maquiagem perfeita do trabalho estava levemente borrada nos olhos, o cabelo estava desalinhado pelas mãos dele e os lábios estavam visivelmente inchados do beijo. Mas o olhar… o olhar não tinha mais aquele brilho opaco de exaustão. Havia vida ali.

Tirou a regata de seda, a calça de alfaiataria e a lingerie, deixando as roupas corporativas caírem no chão como uma pele velha da qual não precisava mais. Entrou debaixo do chuveiro e deixou a água fervente cair sobre os ombros rígidos. Fechou os olhos enquanto a água levava embora a tensão dos prazos, o peso da responsabilidade e o medo constante de não ser o suficiente.

Ao sair, vestiu a camiseta de Hoseok. A peça ficou enorme em seu corpo pequeno, cobrindo até a metade de suas coxas e deixando seus ombros ligeiramente descobertos pela gola larga.

Quando abriu a porta e voltou para a sala, encontrou o ambiente ainda mais meia-luz. Hoseok havia colocado uma música instrumental suave ao fundo e deixara duas xícaras de chá fumegante sobre a mesa de centro. Ele próprio já havia trocado de roupa, vestia uma calça moletom preta larga e uma regata simples, que deixava à mostra os braços definidos e os ombros largos.

Ele estava de pé ao lado do sofá, mas se virou assim que ouviu os passos dela. Os olhos de Hoseok desceram devagar pelo corpo dela, absorvendo a imagem de seu corpo pequeno afundado na camiseta dele, os pés descalços e as pernas expostas. O olhar dele voltou para o rosto dela, denso e terrivelmente expressivo.

— Ficou melhor em você do que em mim — ele comentou, a voz grave descendo um tom.

Ela caminhou devagar até ele, sentindo o piso de madeira frio sob os pés, em contraste com o calor que voltava a se acender em seu ventre.

— Você diz isso para todas as mulheres que sequestra? — provocou, parando a um passo de distância.

Hoseok não sorriu. Ele deu o passo final que faltava, eliminando qualquer espaço entre os dois. Suas mãos subiram devagar, contornando a cintura dela por cima do algodão macio da camiseta e puxando-a para junto de seu corpo.

— Eu nunca sequestrei ninguém na minha vida — ele disse, olhando diretamente nos olhos dela, sem um pingo de brincadeira. — Só você. Porque eu não aguentava mais ver você se destruindo e fingindo que não precisava de ninguém.

A honestidade brutal dele fez o coração dela dar um salto.

— Hoseok… eu sempre achei que precisava ser forte sozinha.

— Você é forte — ele corrigiu imediatamente, o polegar acariciando a pele macia de sua cintura. — Mas ser forte não significa carregar tudo sem pedir ajuda. Comigo você não precisa ser a dona da porra toda, não precisa ser a mulher inabalável. Aqui você pode simplesmente ser.

Ele se inclinou e segurou o queixo dela, iniciando um beijo completamente diferente do anterior. Se no carro havia urgência e desespero, agora havia calma, intenção e uma sensualidade profunda. Os lábios dele moveram-se sobre os dela com uma lentidão torturante, saboreando cada detalhe, explorando a boca dela com movimentos ritmados e quentes.

Uma das mãos dele subiu pelas costas dela, os dedos se enterrando na pele exposta entre as escápulas, enquanto a outra mão desceu pela coxa dela, erguendo-a suavemente. Sem quebrar o beijo, Hoseok a pegou no colo. Ela enlaçou as pernas ao redor da cintura dele por instinto, soltando um suspiro baixo contra a boca dele ao sentir o contraste da pele quente dele contra a sua.

Ele a carregou até o quarto em penumbra. A cama de casal king-size estava arrumada com edredons escuros e travesseiros macios. Hoseok a deitou no centro do colchão com um cuidado quase reverente, ajoelhando-se entre as pernas dela em seguida.

A iluminação que vinha do corredor desenhava a musculatura das costas dele. Ele a encarou por longos segundos, os olhos escuros brilhando na penumbra, varrendo cada detalhe do rosto dela.

— Certeza? — ele perguntou, a voz como um sussurro aveludado, dando a ela a palavra final.

Em resposta, ela puxou a gola da camiseta dele para baixo, trazendo-o para si.

— Não me faz esperar, Hoseok.

A partir daquele segundo, o tempo parou.

Não havia mais passado, não havia o amanhã com suas cobranças inevitáveis. Havia apenas o toque das mãos de Hoseok quentes, firmes, mapeando cada centímetro da pele dela como se estivesse memorizando um território sagrado. Cada carícia dele era um lembrete físico de que ela estava viva, de que tinha um corpo que merecia sentir prazer, e não apenas acumular exaustão.

Ele tirou a camiseta dela devagar, os olhos acompanhando a revelação de sua pele sob a luz fraca. Os lábios dele seguiram o caminho de suas mãos: começaram no pescoço, descendo pela linha da sabonetira, traçando a curva do peito até alcançar o ventre, fazendo-a arquear as costas no colchão e enterrar as unhas nos ombros dele.

O toque de Hoseok não era apressado. Ele a serviu com uma dedicação quase devocional, garantindo que cada suspiro, cada arfada e cada tremor do corpo dela fossem provocados por ele. Quando ele finalmente se uniu a ela, o movimento foi fluido, profundo e avassalador.

Ela fechou os olhos, entregando o controle de seu corpo e de sua mente inteiramente a ele. A sensação de preenchimento, combinada com o ritmo cadenciado dos quadris dele e o som de suas respirações entrecortadas preenchendo o quarto, criou uma onda de intimidade que ultrapassava o físico. Era uma cura. A cada investida macia e firme de Hoseok, a casca dura e fria que ela construíra ao redor de si mesma se partia um pouco mais, até que só restasse a essência mais pura e vulnerável de quem ela era.

Quando o clímax os atingiu, veio como uma tempestade silenciosa um tremor profundo que percorreu a espinha de ambos, arrancando do peito dela um gemido agudo e dengoso que Hoseok abafou com um beijo intenso e faminto.

Minutos ou horas depois ela já não sabia dizer, a tempestade havia dado lugar a uma bonança absoluta.

O quarto estava mergulhado em uma calmaria quase mágica. O lençol escuro estava bagunçado ao redor deles. Ela estava deitada de lado, com a cabeça apoiada no peito largo de Hoseok. O braço dele a envolvia pelos ombros, mantendo-a colada ao seu corpo, enquanto os dedos dele traçavam círculos invisíveis e preguiçosos na pele nua das costas dela.

O som do coração dele forte, ritmado e constante era a única música do ambiente.

— Você está pensando em e-mails? — ele perguntou em um tom brincalhão, a voz rouca do pós sexo ressoando contra a caixa torácica dele sob a bochecha dela.

Ela soltou um suspiro longo, relaxado, apertando os braços ao redor da cintura dele.

— Eu nem lembro o que é um e-mail — admitiu, dando um beijo leve sobre o peito dele. — A minha mente está completamente vazia. Acho que não me sentia assim há anos.

Hoseok sorriu, inclinando a cabeça para beijar o topo da cabeça dela, demorando os lábios ali.

— Essa era a missão.

Ela fechou os olhos, sentindo o peso do sono finalmente chegar. Não era o sono agitado e sob o efeito de ansiedade que costumava ter, mas um descanso profundo, puxado pela gravidade do acolhimento dele.

No entanto, mesmo enquanto a consciência se esvaía para a escuridão do descanso, uma pequena faísca de realidade permaneceu acesa no fundo de sua mente. O sol nasceria em poucas horas. A quinta-feira viria, o mundo corporativo continuaria girando lá fora, e as notificações em seu celular que continuava silencioso no fundo da bolsa na sala eventualmente exigiriam respostas.

A pergunta permanecia suspensa no ar daquele quarto escuro: o que aconteceria quando a bolha mágica de Hoseok fosse confrontada pela luz do dia?

4 Comentários

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  1. Marcela
    Aug 21, '26 at 5:22 pm

    [quote]— Vamos subir — disse ela, a decisão tomada sem um segundo de hesitação.

    A Diva mostrando pra que veio kkkk

  2. Marcela
    Aug 21, '26 at 5:24 pm

    [quote]Quando abriu a porta e voltou para a sala, encontrou o ambiente ainda mais meia-luz. Hoseok havia colocado uma música instrumental suave ao fundo e deixara duas xícaras de chá fumegante sobre a mesa de centro. Ele próprio já havia trocado de roupa, vestia uma calça moletom preta larga e uma regata simples, que deixava à mostra os braços definidos e os ombros largos.

    Mostrando que é um grande GOSTOSOO

  3. Marcela
    Aug 21, '26 at 5:29 pm

    [quote]— Não me faz esperar, Hoseok.

    EU AMEI ESSA DIVAAAAA

  4. Marcela
    Aug 21, '26 at 5:34 pm

    [quote]— Eu nem lembro o que é um e-mail — admitiu, dando um beijo leve sobre o peito dele. — A minha mente está completamente vazia. Acho que não me sentia assim há anos.

    Pisa bem dada essa kkkkkk

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