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Índice do Capítulo

O vapor já tomava conta do banheiro, e SN sentiu a água quente tocar sua pele como um abraço que o corpo implorava há horas. Jungkook continuava ali com ela, agora sentado do lado de fora do box, de camiseta e calça de moletom, apenas para garantir que ela ficaria bem. Ele mantinha os olhos nela — atentos, protetores — mas cheios de doçura.

— A temperatura tá boa? — ele perguntou, a voz suave e baixa.

— Tá perfeita… — ela respondeu, os olhos fechados, deixando a água escorrer sobre o rosto e os ombros. — Eu… precisava disso.

— Eu sei. — ele murmurou. — Se eu pudesse, eu lavava esse dia ruim inteiro pra fora de você.

Ela soltou um suspiro longo, quase um soluço engolido.

— Você já fez isso, só estando aqui.

Minutos depois, já seca e com roupas limpas e confortáveis que ele havia separado, ela saiu do banheiro. Jungkook estava na cozinha, organizando a mesa com as coisas que os seguranças haviam trazido: uma bandeja com sopa quente, arroz branco, kimchi suave e chá de gengibre com mel.

— Vem, senta aqui. — ele disse com um sorriso quando ela entrou, parecendo ainda mais frágil em sua blusa larga.

Ela obedeceu, sentando-se devagar à mesa enquanto ele empurrava a cadeira para ela.

Jungkook se sentou ao lado, em vez de em frente. Queria ficar perto, acompanhar cada garfada, cada expressão no rosto dela.

— Tá com gosto de casa. — ela comentou ao provar a sopa, sentindo o aroma leve de alho e cebolinha.

— Foi o que eu pedi pra eles trazerem. — ele disse, limpando o canto da boca dela com um guardanapo com a maior naturalidade do mundo. — Algo que reconfortasse… que aquecesse.

Ela parou por um segundo, observando o rosto dele de perfil, tão próximo. Os olhos, agora com olheiras leves, mas atentos. O queixo com uma sombra da barba por fazer. Os dedos ainda vermelhos do frio lá fora.

— Jungkook…

— Hm?

— Como você… saiu?

— Saí?

— Você… tinha acabado de voltar da folga. Você entrou de novo essa manhã. Como você saiu do exército tão rápido?

Ele demorou alguns segundos para responder. Pegou uma colher de sopa para si, pensou, suspirou. Então voltou os olhos pra ela com aquele brilho intenso que só ela conhecia.

— Eu fui até meu superior. Falei que era uma emergência pessoal. Que eu não podia ignorar. Que se não resolvesse aquilo naquele momento, podia perder algo… ou alguém… que jamais voltaria.

Ela o encarou, engolindo em seco.

— Você… correu esse risco por mim?

— Eu já te perdi uma vez, SN. Quando a gente parou de se falar anos atrás. E eu sei o que aquilo fez comigo. Eu não ia deixar isso acontecer de novo… principalmente agora que eu tenho você nos meus braços.

Ela piscou algumas vezes, tentando conter as lágrimas. Então, sem conseguir mais segurar, se jogou no peito dele e o abraçou forte, o prato ainda meio cheio à sua frente.

— Você é… meu lar. — ela sussurrou contra o peito dele.

— E você é a minha paz. — ele respondeu, passando a mão devagar pelos cabelos dela, colando um beijo no alto da cabeça. — Agora termina de comer. Preciso te ver forte de novo.

Ela assentiu, enxugando os olhos, e voltou a comer com mais calma, sentindo que pela primeira vez em dias conseguia respirar. 

O celular de Jungkook vibrou sobre a bancada da cozinha enquanto ele recolhia os restos do almoço. Ele atendeu com o cenho franzido, apoiando o aparelho entre o ombro e a orelha.

— “Jeon Jungkook?” — disse uma voz formal do outro lado.

— Sou eu.

— “Aqui é da diretoria da HYBE. Queríamos saber como estão as coisas…  Ela está segura?”

Jungkook olhou para o quarto, onde ela descansava. Seus olhos ainda carregavam marcas do choro, mas havia paz em sua expressão agora.

— Sim, ela está comigo. Está segura.

— “Recebemos todos os relatos. O jurídico está preparado. Mas queremos saber… ela vai querer processar a pessoa que postou?”

Ele ficou em silêncio por um momento, então olhou para ela mais uma vez.

— Eu perguntei. Ela disse que não vai processar. Só quer distância… Só quer seguir em frente.

— “Entendemos. Não é o mais recomendado legalmente, mas… respeitamos. Qualquer coisa, nos avise.”

— Pode deixar. E obrigado por ligarem.

Ele desligou e suspirou, apoiando os dois braços na bancada por um momento. A tensão de tudo que havia acontecido ainda pairava no ar, mas agora havia um pouco mais de estabilidade. E ele sabia que precisava transformar aquele dia em algo leve, digno dela.

Com tudo mais calmo, Jungkook foi até o quarto, tirou a farda cuidadosamente e se encaminhou para o banheiro.

O som do chuveiro preencheu o apartamento, abafando o mundo lá fora.

Já debaixo da água, com a cabeça encostada na parede fria e os olhos fechados, ele deixou a água escorrer pelo corpo, como se quisesse lavar não só o cansaço físico, mas o peso emocional também.

Foi então que sentiu braços o envolverem por trás. Um corpo quente e delicado se encaixou contra as costas dele, e ele soube na hora quem era.

SN estava nua, molhada pela água que também agora caía sobre ela. A pele dela colada à dele, o peito contra suas costas, os lábios encostando levemente em sua omoplata.

— Você me protegeu… — ela sussurrou, sua voz abafada pelo som da água.

— Sempre. — ele respondeu, virando levemente o rosto para ela.

As mãos dela passearam devagar pela barriga dele, subindo até o peito, onde sentiu o coração acelerado sob seus dedos. Ele segurou uma das mãos dela, entrelaçando os dedos.

— Você ainda tá tremendo. — ele murmurou, virando-se devagar para encará-la.

Os olhos dela estavam marejados, mas agora com emoção, não dor. As gotas escorriam por entre os fios molhados de cabelo e a moldavam como uma pintura viva.

— Eu ainda tô tentando acreditar…

Ele acariciou o rosto dela, colando a testa na dela.

— Você tá aqui. Comigo. E eu não vou deixar ninguém mais te machucar.

Ela o beijou. Um beijo profundo, lento, cheio de emoção e desejo contido. Não havia pressa, apenas a vontade de sentir.

Jungkook a colou contra a parede do chuveiro, as mãos em sua cintura, segurando-a como se ela fosse a coisa mais preciosa do mundo.

— Eu amo você, sabia? — ele sussurrou contra os lábios dela, entre beijos e respirações ofegantes.

Ela sorriu e roçou o nariz no dele.

— Eu sei… porque eu também amo você.

Ficaram ali, trocando beijos e carícias sob a água quente, deixando que o mundo lá fora fosse apenas um borrão sem importância.

7 Comentários

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  1. Marcela
    Apr 21, '26 at 6:48 pm

    [quote]— Eu sei. — ele murmurou. — Se eu pudesse, eu lavava esse dia ruim inteiro pra fora de você.

    Como sempre, ele cuidando dela *-*

  2. Marcela
    Apr 21, '26 at 6:51 pm

    [quote]— Eu fui até meu superior. Falei que era uma emergência pessoal. Que eu não podia ignorar. Que se não resolvesse aquilo naquele momento, podia perder algo… ou alguém… que jamais voltaria.

    Por ela, ele tirou a coragem ate de onde não tinha e pediu

  3. Marcela
    Apr 21, '26 at 6:57 pm

    [quote]— Eu já te perdi uma vez, SN. Quando a gente parou de se falar anos atrás. E eu sei o que aquilo fez comigo. Eu não ia deixar isso acontecer de novo… principalmente agora que eu tenho você nos meus braços.

    Não vai soltar ela mais nunca kkkkk

  4. Marcela
    Apr 21, '26 at 7:00 pm

    [quote]— Eu amo você, sabia? — ele sussurrou contra os lábios dela, entre beijos e respirações ofegantes.

    Aaah, eu tou apaixonada por eles juntinhos

  5. Iasmine
    May 2, '26 at 1:39 pm

    — Eu sei. — ele murmurou. — Se eu pudesse, eu lavava esse dia ruim inteiro pra fora de você.

    Aah que homem maravilhoso

  6. Iasmine
    May 2, '26 at 1:40 pm

    — Foi o que eu pedi pra eles trazerem. — ele disse, limpando o canto da boca dela com um guardanapo com a maior naturalidade do mundo. — Algo que reconfortasse… que aquecesse.

    Ah sério, vontade botar ele dentro de um potinho

  7. Iasmine
    May 2, '26 at 1:41 pm

    — Eu amo você, sabia? — ele sussurrou contra os lábios dela, entre beijos e respirações ofegantes.

    Meu deus isso foi tão profundo

Nota

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