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Índice do Capítulo

Ele ficou ali parado, com o celular ainda no ouvido, mesmo depois que a ligação caiu.

O silêncio no dormitório era pesado. Alguns colegas olharam na direção dele, mas ninguém ousou dizer uma palavra. A expressão de Jungkook era sombria, os olhos vidrados em um ponto qualquer, a mente longe dali.

As palavras da SN ecoavam na mente dele:

— “Eu juro por tudo, eu jamais faria isso…” — “Alguém mexeu no meu celular…” — “Me desculpa…”

Ele socou o armário com força, a raiva e a impotência se misturando num único impulso.

— Merda… — sussurrou, com os olhos ardendo. — Eu devia estar com ela agora…

Pegou o celular novamente, digitando o número da equipe de gestão de crise da HYBE.

— Descubram quem postou aquela foto. Agora. E protejam ela. A SN.

— Mas Jungkook… isso pode virar escândalo…

— Então deixa que seja. Mas ninguém encosta nela. Ninguém machuca ela. Entenderam?

— Certo. Vamos verificar o IP do post. Foi do próprio celular dela…

— Alguém mexeu nele. Ela não faria isso.

Ele desligou e respirou fundo. Não pensaria em estratégia, nem em timing. Pensaria nela. SN.

Ele ligou para ela mais uma vez. E de novo. Mas nada. Só caixa postal.

— Atende… por favor… — murmurou.

Jungkook atravessou o alojamento e foi direto à sala do seu superior imediato.

— Senhor, preciso de uma autorização emergencial. Uma dispensa de vinte e quatro horas.

O homem ergueu os olhos do relatório.

— Você acabou de voltar, isso é altamente irregular. Algum problema familiar?

Jungkook hesitou por um segundo.

— Algo… muito pessoal. Uma mulher. Minha mulher.

O superior arqueou uma sobrancelha.

— Jungkook…

— Eu não tô pedindo por capricho. Ela está sendo exposta. Atacada. Eu preciso protegê-la. Eu assumo qualquer punição. Mas por favor, me deixe sair.

O superior o encarou em silêncio por longos segundos, então suspirou.

— Você tem até às 06h de amanhã. Volte sem atrasos. E mantenha discrição.

— Obrigado. Obrigado de verdade, senhor.

Sem perder tempo, Jungkook saiu, trocou de roupa rapidamente, pegou o carro  e começou a dirigir com o coração na garganta.

— Se ela estiver indo embora… eu vou até o aeroporto. Eu atravesso o mundo se for preciso.

Enquanto isso…

SN arrumava uma pequena mala de rodinhas, jogando roupas de forma desajeitada. O rosto estava inchado de tanto chorar, os olhos vermelhos.

Ela passou a mão no focinho dele, tentando sorrir.

Ela deixou um bilhete para Ana, explicando que não podia mais ficar ali e que sentia muito por tudo. Pegou o passaporte, a carteira com o cartão internacional e respirou fundo.

— Força, SN… você já passou por coisa pior. Não vai deixar um coração partido te derrubar.

Desceu com dificuldade. Pediu um carro por aplicativo. Quando entrou, digitou:

“Aeroporto de Incheon.”

Jungkook estacionou o carro na primeira vaga que encontrou, nem se importou com alinhamento ou sinalização. Saiu em disparada, o coração batendo mais forte a cada degrau que subia. Nem esperou o elevador. As escadas se tornaram seu impulso. Subia duas por vez, os olhos fixos no alto, como se sua vida estivesse esperando por ele no último andar.

Quando chegou à porta do apartamento, arfando e com a respiração irregular, deu de cara com Clara e Yumi, que estavam ali paradas com o celular na mão, claramente tensas.

Clara arregalou os olhos ao ver quem estava diante dela.

— “J-Jungkook?” — gaguejou, totalmente sem saber como reagir.

Yumi, pálida, deixou o celular cair no chão.

— “Meu Deus…” — ela murmurou, a voz quase não saía.

Jungkook parou por um segundo. As veias do pescoço dele estavam saltadas de raiva contida. Ele oscilava entre o artista disciplinado e o homem completamente fora de si pelo medo de perder a mulher que amava.

Ele não disse nada por um instante — só os encarou.

A intensidade do olhar dele fez Clara dar um passo para trás, sentindo o peso daquela presença avassaladora. O Jungkook gentil dos vídeos, dos palcos, não estava ali. O que estava diante delas era o Jungkook que estava disposto a passar por cima do mundo por SN.

— “Onde ela tá?” — ele perguntou, seco, direto, sem desviar os olhos.

Clara tentou manter a postura.

— Por que quer saber? Ela nem é… vocês nem são… quer dizer…”

Ele deu um passo à frente, e ela recuou mais um, a voz falhando.

— “Vocês têm noção do que fizeram?” — ele rosnou, o maxilar travado. — “Vocês expuseram alguém que só queria viver em paz. Que confiava em vocês. Vocês… destruíram a única coisa que ela tinha aqui.”

— “Eu… eu não sabia que ia tomar essa proporção—” Yumi tentou dizer, com a voz embargada.

— “Vocês mexeram no celular dela. Invadiram a privacidade dela. Jogaram a minha vida e a dela pra uma tempestade.” — ele virou o rosto de leve, tentando conter o impulso de explodir de vez.

— “Ela foi embora…” — Clara sussurrou. — “Achamos que… você só era um cara qualquer. E mesmo se fosse o Jungkook… ela não falou nada. Foi escondido. Ela mentiu.”

— “Ela não devia nada pra vocês.” — ele rebateu. — “E agora… ela tá sozinha. Sem saber quem pode confiar. E eu não sei se vou conseguir impedir que ela vá embora.”

Ele deu as costas para as duas, parando por um segundo diante da porta do apartamento. Mas ao invés de bater, encostou a testa na madeira por alguns segundos, respirando fundo.

Seu coração apertava.

Ele se virou de volta para as duas, os olhos cheios de algo mais profundo que raiva: dor.

— “Se ela for embora… vocês vão ter tirado algo que nem era de vocês.”

E com isso, desceu as escadas novamente, correndo até o carro. Precisava ir até o aeroporto — mesmo que fosse a última chance.

Minutos depois…

Jungkook empurrou a porta de vidro giratória, entrando no saguão principal do Aeroporto Internacional de Incheon. O ruído abafado das conversas foi interrompido por algo no ar: um silêncio imediato, antes dos celulares começarem a apontar para ele.

— É ele…
— É…
— Jungkook do BTS?

Fãs e passageiros arregalaram os olhos. Celulares surgiam como insectos luminosos, apontados para o rosto dele ainda marcado pela farda militar impecável. Ele apertou a mandíbula, o coração martelando. Cada passo era um campo minado de olhares curiosos.

Alguns reconhecedores soltavam “jungkook-ah!” ou “saranghae!“, misturando alegria e confusão. Jungkook manteve o rosto baixo, usando  máscara — táticas que mal disfarçaram sua presença:

Ele tentou seguir o fluxo lateral, camuflando-se entre grupos, mas os flashes continuavam.

Emitiram cruzamentos de mensagens como “Jungkook no aeroporto” e “ele tá sozinho?”

Staff e seguranças se aproximaram, formando um cordão humano, enquanto Jungkook tentava avançar sem bloqueios.

— “Desculpa por isso,” ele murmurou quase para si, caminhando com urgência.

A cada obstáculo, Jungkook respirava fundo e acelerava os passos, segurando o celular na mão. Tentou mandar mensagem para SN, mas a tela estava apagada — e o símbolo da bateria vazia piscava como um alarme dentro dele.

Enquanto isso, SN estava alguns quilômetros dali, sentada num banco do portão de embarque. O celular descansava no colo — vazio, sem energia, sem conselhos. Ela encarava o nada, mas os pensamentos explodiam dentro dela:

“Logo agora que tudo estava perfeito…”

As lágrimas escorriam silenciosas, molhando o moletom que agora sentia pesado. Carregava o bilhete, o passaporte— mas o peso maior era sabe que tinham cortado seu mundo em asas.

Ela se levantou, limpou o rosto, pegou a mala e se dirigiu à esteira de bagagem de mão.

Enquanto isso….

Jungkook surgiu na entrada do portão, ainda no cordão de seguranças, parando um segundo para olhar seu redor. Respirou fundo — e então viu o vulto familiar dela. O rosto baixado, o cabelo jogado para frente, a postura desolada.

Ela estava a apenas alguns metros. Correndo ao mesmo tempo em que as pessoas gritavam “Jungkook!

Ele deslizou por entre os seguranças.

Ela ergueu os olhos, ouviu um “hm?” baixo — era ele, em farda, suado e ofegante, embalando um encontro que parecia impossível.

Em segundos, caiu no choro de novo — mas era diferente. Havia alívio ali, mesmo na tempestade emocional:

— “O que você tá fazendo aqui?” murmurou, entre soluços.

Ele abriu os braços, sem se importar com olhares. 

— “Eu não ia te deixar partir assim. Eu atravessaria o mundo se fosse preciso…  você é tudo pra mim.” — ele disse, quase chorando também.

Ele respirou fundo, encostando a testa na dela, o polegar acariciando a bochecha molhada de lágrimas. Ainda com a farda marcada de suor, o coração acelerado.

— “Você vem comigo agora, tá me ouvindo? A gente vai pra casa. Pra minha casa.” — disse firme, mas com carinho na voz. — “Chega disso. Chega de dor, de esconder, de correr.”

SN piscou, atordoada. Ele continuou, ainda segurando o rosto dela com as duas mãos.

— “A partir de agora, você fica comigo. Lá, com o Bam, com a gente. Onde é seguro. Onde eu posso te proteger de tudo isso.”
— “Você não vai voltar sozinha pra canto nenhum. A sua casa agora é comigo. E ninguém mais vai encostar em você sem passar por mim.”

Ela soluçou entre lágrimas, os olhos brilhando com tudo aquilo que ela precisava ouvir — e que ele sentia há tanto tempo.

— “Me deixa cuidar de você. Do nosso silêncio, da nossa bagunça, da nossa história. Eu prometo… com você, eu enfrento o mundo inteiro se for preciso.”

10 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 31, '26 at 11:44 pm

    [quote]— Então deixa que seja. Mas ninguém encosta nela. Ninguém machuca ela. Entenderam?

    N tem escândalo certo, ele só queria saber delaa

  2. Marcela
    Mar 31, '26 at 11:44 pm

    [quote]— Então deixa que seja. Mas ninguém encosta nela. Ninguém machuca ela. Entenderam?

    N tem escândalo certo, ele só queria saber delaaa

  3. Marcela
    Mar 31, '26 at 11:49 pm

    [quote]— Algo… muito pessoal. Uma mulher. Minha mulher.

    Nem pensou duas vezes, por ela vale tudo

  4. Marcela.
    Mar 31, '26 at 11:57 pm

    [quote]Fãs e passageiros arregalaram os olhos. Celulares surgiam como insectos luminosos, apontados para o rosto dele ainda marcado pela farda militar impecável. Ele apertou a mandíbula, o coração martelando. Cada passo
    era um campo minado de olhares curiosos.

    Ele só meteu a cara e foi atrás dela , msm sabendo que todo mundo ia reconhece-lo

  5. Marcela
    Mar 31, '26 at 11:59 pm

    [quote]— “Eu não ia te deixar partir assim. Eu atravessaria o mundo se fosse preciso… você é tudo pra mim.” — ele disse, quase chorando também.

    AAAAAAAAAAAA
    Como o amor é lindo kikk

  6. Marcela
    Apr 1, '26 at 12:00 am

    [quote]— “Você vem comigo agora, tá me ouvindo? A gente vai pra casa. Pra minha casa.” — disse firme, mas com carinho na voz. — “Chega disso. Chega de dor, de esconder, de correr.”

    Ele tacou o foda-se e pronto

  7. Iasmine
    Apr 27, '26 at 10:47 pm

    — Você tem até às 06h de amanhã. Volte sem atrasos. E mantenha discrição.

    Porra que alivio ele conseguiu.. tava aflita aqui

  8. Iasmine
    Apr 27, '26 at 10:50 pm

    — “Ela foi embora…” — Clara sussurrou. — “Achamos que… você só era um cara qualquer. E mesmo se fosse o Jungkook… ela não falou nada. Foi escondido. Ela mentiu.”

    Independente sua vagabas songamongas, pior especia de ser

  9. Iasmine
    Apr 27, '26 at 10:51 pm

    — “Você vem comigo agora, tá me ouvindo? A gente vai pra casa. Pra minha casa.” — disse firme, mas com carinho na voz. — “Chega disso. Chega de dor, de esconder, de correr.”

    É depois de ser expulsa, único lugar que ela tem agora

  10. Iasmine
    Apr 27, '26 at 10:51 pm

    — “Me deixa cuidar de você. Do nosso silêncio, da nossa bagunça, da nossa história. Eu prometo… com você, eu enfrento o mundo inteiro se for preciso.”

    Ele é um príncipe demais, e apaixonado

Nota

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