Capítulo 46 – Meu primeiro e meu último amor
por FanfiqueiraNo consultório…
O ar frio do consultório médico parecia não importar quando SN e Jungkook entraram na sala. O ambiente estava silencioso, exceto pelo leve bip que preenchia o espaço, até que, de repente…
A médica sorriu, ajustou o aparelho de ultrassom, e colocou o sensor sobre a barriga de SN. Jungkook segurou a mão dela com tanta força que as palmas suavam.
E então veio o som.
— Tum tum tum ..
O coração do bebê batia forte, ritmado, um pequeno milagre que ecoava pela sala.
Jungkook fechou os olhos por um instante, sentindo as lágrimas que ameaçavam cair.
— Ele… ela está aqui — murmurou.
SN sorriu entre lágrimas, apoiando a cabeça no ombro dele.
A médica explicou os cuidados, o desenvolvimento, o que esperar. Mas naquele instante, para Jungkook, nada mais importava além daquela batida.
A Família e os amigos
O tempo passou, e SN já carregava com orgulho a barriga que crescia a cada dia. Jungkook se tornou um verdadeiro anjo da guarda: preparando refeições, ajudando-a a se sentar, massageando os pés cansados, levando a pequenas caminhadas para que ela respirasse ar puro.
— Você precisa descansar, não esquece — ele dizia, sempre preocupado.
Entre as visitas que receberam estava Ana, amiga de longa data de SN. Ela trouxe lembrancinhas, junto com mensagens das outras meninas do grupo — todas arrependidas e desejando o melhor para o bebê que estava chegando.
— Elas mandaram vários presentinhos, tudo fofo! — Ana comentou, abraçando SN.
Jungkook olhou desconfiado, das intensões das ex amigas de SN.
— Nosso bebê já tem uma rede de apoio incrível!
A reta final
Quando a gravidez avançou para a reta final, os membros do BTS começaram a passar mais tempo na casa do casal, trabalhando juntos e ajudando no que podiam. Jimin trouxe filmes para distraí-los, Yoongi cuidava das playlists calmas, colocando headphones na barriga de SN, jurando que o bebê já nasceria com bom gosto.
Jungkook nunca desgrudava de SN, que agora estava visivelmente cansada e emocionada.
— Calma, amor. Vai dar tudo certo — ele dizia, segurando a mão dela.
O Parto.
No hospital, a atmosfera era de tensão misturada com esperança. Jungkook estava visivelmente nervoso, mas firme ao lado dela.
— Eu estou aqui, não vou sair do seu lado — sussurrou.
SN apertava a mão dele com força, suas respirações se acelerando.
Quando o bebê finalmente chegou ao mundo, o choro encheu a sala, um som que mudou tudo.
Jungkook não conteve as lágrimas, olhando para o pequeno ser que acabara de nascer.
— Bem-vindo ao mundo, filhote — murmurou emocionado.
Na maternidade: primeiros cuidados
Ainda na maternidade, Jungkook tentou trocar a primeira fralda. Atrás daquela aparência segura, ele estava tenso e curioso, recebendo instruções de uma enfermeira e assistindo vídeos do YouTube.
— Você vai conseguir — ela disse, sorrindo.
Ele riu, suando um pouco, e conseguiu deixar a fralda no lugar.
— Não é tão fácil quanto parece — confessou, sorrindo para SN.
Depois, ajudou SN a amamentar, segurando a pequena nos braços dela com cuidado e orgulho.
— Você está fazendo um trabalho incrível — disse, olhando para ela.
Meses depois…
O sol mal tinha surgido e o som da risadinha da bebê ecoava pelo ambiente, misturado aos passos apressados de SN e ao barulho suave de Bam se espreguiçando no canto. A filha de Jungkook e SN estava prestes a completar um ano, e a presença das avós só deixava o clima ainda mais acolhedor e, ao mesmo tempo, movimentado.
A mãe e a irmã de SN haviam chegado ao fim de semana anterior para passar uma temporada com eles. Já os pais de Jungkook, quase residentes fixos, apareciam com frequência, muitas vezes dormindo ali para ajudar com a neta — o que, secretamente, também permitia que o casal tivesse seus momentos a sós.
Jungkook e SN, depois de quase um ano imersos na rotina de pais de primeira viagem, finalmente decidiram ter uma noite para eles. A ideia era simples: sair para jantar e talvez dar uma volta em silêncio, de mãos dadas, como nos tempos de namoro. Mas a execução… foi outro nível de caos.
— Tá tudo na bolsa? Leite, fralda, mordedor? — Jungkook perguntava pela terceira vez, ansioso. — Kook, amor… a gente só vai sair por uma hora. Tá tudo certo. Minha mãe criou duas filhas, lembra? — SN dizia com um sorriso cansado, mas carinhoso.
Ele sorriu meio sem graça, arrumando a gola da camisa como se fosse uma ocasião de gala. Quando finalmente conseguiram sair, caminharam até o carro rindo nervosamente, cheios de culpa e saudade antes mesmo de virarem a esquina.
Meia hora depois, estavam de volta. Literalmente.
— Oi…? — A mãe de SN sussurrou ao abrir a porta da casa. Bam veio primeiro, abanando o rabo.
— Não. Voltem amanhã. Vocês precisam de um descanso. Vão pra um hotel, dormem dentro do carro… sei lá, mas não voltem hoje! E só liguem se for urgente! — a mãe de SN falou, praticamente empurrando os dois pela porta.
Jungkook olhou pra SN, meio incrédulo.
— Fomos expulsos da nossa própria casa… — ele comentou, rindo.
A casa do lago…
O plano era claro: aproveitar a noite sem interrupções. Mas a verdade é que, depois de tomarem banho, comerem besteiras na cozinha e rirem de coisas bobas, acabaram dormindo a noite inteira após meses.
Quando voltaram pela manhã, cheios de saudades, a pequena princesa nem deu bola.
— Ham! — ela gritou ao ver o cachorro, ignorando completamente os pais.
Jungkook ficou parado por um segundo, segurando o presente que havia comprado no caminho — um coelhinho com um grande laço roxo.
— Ela… me trocou pelo cachorro? — disse, indignado, mas com aquele biquinho irresistível.
— Amor… — SN tentou segurar o riso.
— Eu fiquei acordado a noite toda, sonhando com o sorrisinho dela me chamando de appa quando entrássemos pela porta… a primeira palavra dela é ham? — ele suspirou dramaticamente.
A bebê, finalmente percebendo a presença dele, soltou um gritinho e foi engatinhando em direção a ele. Jungkook se ajoelhou no chão e abriu os braços.
— Vem cá, meu amorzinho do appa! — disse com a voz derretida.
Ela parou. Olhou para o Bam. Depois para ele. E então desviou rumo à avó.
Jungkook tombou de joelhos no tapete.
— Acabou pra mim… passei uma noite fora e ela já me esqueceu. — disse teatralmente, enquanto SN e todos na casa caíam na gargalhada.
Mais tarde naquele dia, ela finalmente se aninhou no colo do pai e encostou a cabecinha no ombro dele, deixando Jungkook paralisado de emoção.
— Ainda sou o appa favorito… nem que seja só pra um cochilo. — ele sussurrou, beijando a testa da filha com os olhos brilhando.
SN observava a cena, com um sorriso apaixonado.
Dias antes da festa…
A pequena Min-ji estava com quase um ano de idade quando aconteceu o que Jungkook tanto sonhava: ela olhou diretamente para ele, esticou os bracinhos e, com um som claro e confiante, disse:
— Appa!
Ele congelou por um segundo, olhos arregalados, o coração disparando. Em seguida, um sorriso enorme tomou conta do seu rosto e lágrimas brotaram sem controle. Ele se ajoelhou no tapete da sala, estendendo os braços enquanto ela caminhava desajeitada até ele, rindo.
— Ela disse! Ela disse appa! — ele gritou, emocionado, abraçando Min-ji e a enchendo de beijos.
SN apareceu na porta com a mãe dela ao lado, ambas sorrindo comovidas.
— Eu ouvi! — disse a mãe de SN. — Que orgulho!
— Meu Deus… eu esperei tanto por isso… — Jungkook ainda chorava, segurando a filha com carinho.
Alguns dias depois, J-Hope e Jimin estavam sentados planejando algo grande.
— Vai ser a melhor festa de aniversário da história das festas! — exclamou J-Hope, anotando ideias em um bloco.
— A gente precisa de algo especial, ela é tipo… a princesinha da nação, né? — disse Jimin, rindo.
O local estava decorado com temas florais, borboletas roxas… Havia uma mini passarela de LED onde ela “desfilava” apoiada pelas mãos de Jungkook, vestida com um hanbok roxo tradicional.
Jin roubou a cena ao cantar “Super Tuna” com um microfone, fazendo todo mundo rir enquanto os outros membros também dançavam. Até Suga, que era o mais reservado, se rendeu e apareceu com uma tiara de Min-ji na cabeça, dançando com ela nos braços.
Namjoon foi o responsável por um discurso emocionante sobre família, enquanto Taehyung ensinava Min-ji a assoprar a vela sem colocar a mão no bolo. Os pais de Jungkook e a mães de SN, estavam todos ali junto com os pais dos outros membros.
Anos depois…
A infância de Min-ji passou como um sopro.
Em seu primeiro dia de aula, ela estava animada e nervosa. Vestia um uniforme branquinho impecável, uma mochila roxa com detalhes de coelho, e segurava a mão de Jungkook com força.
Ele parecia mais tenso que ela.
— Appa… você acha que vão gostar de mim? — perguntou com os olhos arregalados.
Jungkook engoliu seco. Seus olhos estavam marejados, e seu coração batia em descompasso. Por um instante, ele viu o tempo correr diante dos seus olhos — a primeira vez que ela segurou seu dedo, os primeiros passos, o primeiro “omma” que doeu e encantou ao mesmo tempo… e agora ali estava ela, de uniforme, pronta para enfrentar o mundo.
— Como… como não gostariam? — tentou sorrir, mas a voz saiu trêmula. Ele se abaixou lentamente, ajeitou o laço em seu cabelo com as mãos ligeiramente tremendo e beijou sua testa com carinho. — Vá lá e mostre o quanto você é especial.
SN ficou ao lado, emocionada, segurando as lágrimas ao ver a cena. Ela tocou de leve no ombro dele, oferecendo apoio silencioso. Jungkook se levantou devagar, seus olhos não desgrudando da filha que entrava pelos portões do colégio.
— Parece que foi ontem… — ele murmurou, puxando SN para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela para disfarçar o choro. — Ela está crescendo tão rápido… e eu tenho tanto medo de não conseguir proteger ela de tudo.
— Você está fazendo um trabalho maravilhoso, meu amor. — SN sussurrou. — E ela sabe disso. Por isso ela segurou sua mão com tanta força.
Ele fechou os olhos, inspirando fundo, tentando conter o nó que apertava seu peito.
Ali, naquele portão escolar, Jungkook percebeu que estava aprendendo a deixar Min-ji voar — mesmo que tudo dentro dele quisesse mantê-la perto para sempre.
Mais anos se passaram…
Na pré-adolescência, Min-ji era uma mistura de Jungkook e SN — determinada, tímida, sonhadora e muito criativa. Gostava de desenhar e dançar sozinha no quarto. Certa noite, ela sentou com a mãe e, envergonhada, contou que tinha menstruado pela primeira vez.
— E eu nem sei se isso é normal… tem muito sangue… e eu tô com dor na barriga…
SN a abraçou com ternura.
— É completamente normal, meu amor. Vou te ensinar tudo o que você precisa saber.
Jungkook, do outro lado da porta, esperava com um cobertor quentinho e uma bolsa de água quente.
— Eu posso entrar? — perguntou, nervoso.
— Pode, appa… — Min-ji respondeu, sorrindo.
Ele entrou, colocou o cobertor sobre ela e sussurrou:
— Você está crescendo tão rápido…
Mais anos se passaram…
O tempo passou e Min-ji estava no colegial quando se apaixonou pela primeira vez.
SN percebeu quando ela passou a se arrumar mais para sair, passava perfume antes da escola e sorria sem motivo. Um dia, Min-ji chegou em casa e, nervosa, sentou entre os dois.
— Eu… tô gostando de alguém. De verdade. E acho que ele gosta de mim também.
Jungkook arregalou os olhos.
— Alguém? Quem? Como assim? Já? Mas…!
— Jungkook! — SN segurou o riso e o braço do marido. — Deixa ela terminar…
Min-ji contou que era um colega da escola, educado e gentil, que gostava de desenhar e era tímido como ela.
— A gente só andou de mãos dadas… e ele me perguntou se podia me beijar. Eu disse que sim.
Jungkook ficou em silêncio por um momento, encarando a filha com olhos marejados.
— Eu confio em você… só… lembra que você é a coisa mais preciosa da minha vida, tá?
Ela o abraçou com força.
— Eu sei, appa. E você é o meu herói.
O tempo não parava e Jungkook sabia disso. Mas, entre cada nova fase de Min-ji, ele se lembrava da vozinha dela dizendo “appa” pela primeira vez… e seu coração continuava a se aquecer.
Min-ji Jeon — uma menina que cresceu rodeada de amor. E Jungkook, mesmo sendo um dos maiores idols do mundo, sabia que seu maior papel, seu maior sucesso… era ser o pai da Min-ji.
…
Um senhor estava sentado numa poltrona confortável na sala iluminada por uma tarde preguiçosa. A brisa suave que entrava pela janela fazia as cortinas balançarem de leve, e o som dos passarinhos lá fora parecia acompanhar a calma daquele momento. Em seu colo, um garotinho curioso de cabelos escuros e olhos grandes o observava com atenção.
O menino balançava os pezinhos e segurava um bonequinho de pelúcia do RJ, um presente de um dos “tios” que ele adorava — enquanto ouvia atentamente, como fazia quase todos os dias.
Jungkook acariciava as costas do neto com uma das mãos, a outra repousando sobre o braço da poltrona. A voz dele, ainda firme apesar da idade, carregava um carinho profundo em cada palavra.
— …E foi assim que conheci sua vovó. — disse, com um sorriso sereno e uma emoção suave nos olhos, antes de beijar o topo da cabeça do menino, puxando-o mais para perto.
O garotinho apertou o bonequinho contra o peito.
— Uau… então você ficou nervoso igual eu quando vi a Sook pela primeira vez?
Jungkook riu baixinho, os olhos se enchendo de lembranças.
— Muito mais, meu pequeno… muito mais.
Antes que pudesse continuar, a voz suave e divertida ecoou da porta da sala.
— Já contou no dia que você e o Jimin, Jin, Namjoon, Yoongi, Tae e o J-Hope assustaram o papai dele, porque não queriam que ele namorasse a mamãe dele?
SN encostava no batente com os braços cruzados, os cabelos grisalhos presos num coque frouxo, e um sorriso maroto no rosto. Seus olhos brilharam ao ver o marido virar-se surpreso, sem conseguir esconder a expressão culpada.
O garotinho se virou rápido no colo do avô, arregalando os olhos.
— Vovô! Você assustou o papai?! De verdade?
Jungkook soltou um suspiro dramático, jogando a cabeça para trás.
— Ai… você tinha que entregar, né, amor?
SN deu uma risadinha.
— Só estou garantindo que ele saiba toda a verdade.
O menino se ajeitou animado no colo dele, os olhos brilhando de curiosidade.
— Conta! Conta essa parte, vovô! Por favor!
Jungkook olhou para a esposa, que já se aproximava com um beijo estalado no rosto dele, antes de sentar-se no braço da poltrona e acariciar os cabelos do neto.
Ele olhou para o menino, depois para SN — o primeiro e o útimo amor da sua vida, agora ainda mais bonita com o tempo — e sorriu com carinho e rendição.
— Tá bom, tá bom… mas se eu contar essa, amanhã você me lembra de contar como a vovó desceu correndo de salto a rampa do metrô…
SN deu um tapa leve no ombro dele, rindo envergonhada.
— Jeon Jungkook!
— Ué! Eu vou falar só da parte do meu coração, prometo.
O menino riu, já se ajeitando no colo do avô como se estivesse prestes a ouvir o melhor história de todas. E enquanto o sol começava a se pôr do lado de fora, tingindo a sala com tons alaranjados, a voz do vovô preencheu o ar com mais uma memória que virava tesouro.

[quote]Jungkook olhou desconfiado, das intensões das ex amigas de SN.
Ele pegou ranço delas kkkk
[quote]A mãe e a irmã de SN haviam chegado ao fim de semana anterior para passar uma temporada com eles. Já os pais de Jungkook, quase residentes fixos, apareciam com frequência, muitas vezes dormindo ali para ajudar com a neta — o que, secretamente, também permitia que o casal tivesse seus momentos a sós.
É sempre bom né kkkk
[quote]— Não. Voltem amanhã. Vocês precisam de um descanso. Vão pra um hotel, dormem dentro do carro… sei lá, mas não voltem hoje! E só liguem se for urgente! — a mãe de SN falou, praticamente empurrando os dois pela porta.
Onde acha uma mãe dessa?
[quote]Jin roubou a cena ao cantar “Super Tuna” com um microfone, fazendo todo mundo rir enquanto os outros membros também dançavam. Até Suga, que era o mais reservado, se rendeu e apareceu com uma tiara de Min-ji na cabeça, dançando com ela nos braços.
Claro que ele não deixaria passar. Tinha que tem “super tuna” klkkkkkkkkk
O menino riu, já se ajeitando no colo do avô como se estivesse prestes a ouvir o melhor história de todas. E enquanto o sol começava a se pôr do lado de fora, tingindo a sala com tons alaranjados, a voz do vovô preencheu o ar com mais uma memória que virava tesouro.
Que coisa mais lindaaaaa esse final, eu chorei horrores aqui