Capítulo 6 – O Mesmo Segundo do Relógio
por FanfiqueiraO asfalto de Seul parecia um borrão sob as luzes de neon enquanto o carro preto cortava o trânsito com uma urgência quase ilegal. Dentro do veículo, Namjoon estava em um estado de combustão interna. Ele arrancou a gravata do terno, sentindo o pescoço queimar.
— Mais rápido, Minho! — ele ordenou, a voz grave vibrando com uma mistura de ansiedade e divertimento. — Ela pegou um táxi, se o sinal fechar para nós, ela chega antes!
— Estou fazendo o máximo, senhor — Minho respondeu, desviando de um ônibus com precisão cirúrgica. — A senhorita Karine parece… determinada.
Namjoon riu, passando a mão pelo cabelo. — Determinada? Ela correu de mim como se eu fosse um obstáculo no caminho para o verdadeiro tesouro. Mal sabe ela que o tesouro está tentando não chegar atrasado para o próprio encontro.
Enquanto isso, Karine, dentro de um táxi três quarteirões atrás, batia o pé freneticamente no tapete do carro. — Palli, palli, gisa-nim! (Rápido, rápido, motorista!) — ela implorava, checando o brilho do batom no reflexo do celular. Seu coração era um tambor ensandecido. Ela não pensava em Namjoon, o ídolo. Sua mente estava inundada pela imagem do homem de ombros largos e palavras doces que deixara o livro. “Por favor, não vá embora. Por favor, me espere”, ela rezava em silêncio.
O carro preto parou nos fundos da biblioteca dez minutos antes do táxi de Karine apontar na esquina. Namjoon saltou antes mesmo de Minho estacionar completamente.
— O sobretudo, senhor! — Minho estendeu uma peça de lã pesada, de um tom azul-petróleo profundo, que Namjoon mantinha para emergências de figurino.
Namjoon vestiu o casaco por cima do terno, escondendo a formalidade da palestra. Ele puxou o boné preto até a altura dos olhos e ajustou a máscara. A mudança de silhueta foi instantânea; ele deixou de ser o palestrante impecável para se tornar, novamente, a figura enigmática das sombras.
— Fique no perímetro — comandou Namjoon. — Ninguém entra pelos próximos sessenta minutos.
Ele entrou na biblioteca central. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo zumbido do ar-condicionado. Seus passos ecoaram no mármore até que ele alcançou a Seção de Poesia Estrangeira.
Ele olhou para o relógio de pulso. 19h58.
De repente, o som de portas de vidro se abrindo e passos apressados — quase tropeços — veio do andar de baixo. Era ela. Namjoon sentiu um solavanco de adrenalina. Ele precisava parecer calmo. Ele precisava ser o homem que “estava lá o tempo todo”.
Em um movimento brusco para alcançar o sofá de couro no canto da seção, ele tentou pegar um livro qualquer para fingir leitura. Mas, em sua agitação desajeitada (o clássico “God of Destruction” que ele nunca conseguia esconder totalmente), sua mão bateu em uma fileira de antologias.
Tump. Tump. Tump.
Três livros pesados deslizaram da prateleira. Namjoon soltou um palavrão mudo atrás da máscara e, em um reflexo quase cômico, chutou um dos livros para debaixo do sofá enquanto se jogava no assento, abrindo um exemplar de poemas coreanos de cabeça para baixo bem no momento em que a silhueta de Karine apareceu na entrada do corredor.
Karine parou. Ela estava ofegante, algumas mechas de cabelo grudadas na testa pelo suor da corrida, o rosto corado pelo frio e pela pressa. Seus olhos escanearam a penumbra até encontrarem a figura sentada no sofá.
Lá estava ele. O azul do sobretudo era diferente do que ela vira no café, mas a aura… a aura era inconfundível.
— Você… você não foi embora — ela disse, a voz saindo em um fio trêmulo, carregada de um alívio que quase a fez chorar.
Namjoon fechou o livro (percebendo discretamente que estava ao contrário e corrigindo-o no colo) e levantou o olhar. Mesmo com a máscara, a intensidade de suas pupilas era o suficiente para paralisar Karine.
— Eu disse que não haveria mais sombras — ele disse, a voz ecoando grave e profunda entre as estantes. — Eu esperaria o tempo que fosse necessário para ver você chegar.
Karine deu um passo à frente, as mãos apertando a alça da mochila. — Eu quase não vim. Tive uma palestra no curso… foi com o Namjoon, do BTS. Foi estranho, ele disse coisas que me lembraram você. Por um segundo, eu achei que estava ficando louca, mas aí eu lembrei que ele é uma estrela mundial e você… você é o dono deste livro.
Ela tirou o Walden da mochila e o segurou contra o peito. — Eu não podia deixar você esperando para ficar ouvindo um ídolo falar, por mais incrível que ele seja. Eu precisava saber quem é o homem que me vê através do vidro de uma cafeteria.
Namjoon sentiu uma pontada de ironia tão forte que quase o fez rir alto. Ele se levantou devagar, a altura impressionante preenchendo o espaço entre eles.
— Você realmente correu de uma palestra de Kim Namjoon para vir encontrar um estranho em uma biblioteca deserta? — ele perguntou, dando um passo em direção a ela.
— Corri — ela afirmou, convicta, aproximando-se também. — Porque Kim Namjoon é o sonho de milhões de pessoas. Mas o homem que escreveu essas notas… ele é o meu sonho.
Namjoon parou a centímetros dela. O cheiro de sândalo e o calor do corpo dele a envolveram. Ele estendeu a mão e, com uma delicadeza extrema, tocou a ponta dos dedos de Karine.
— Karine — ele sussurrou o nome dela pela primeira vez sem o disfarce da formalidade. — E se eu te dissesse que o sonho e o homem são a mesma pessoa? E se o “ídolo” que você deixou para trás estivesse apenas tentando te mostrar o caminho para chegar até aqui?
Karine franziu a testa, a confusão começando a nublar seus olhos brilhantes. — O que você quer dizer com…
Namjoon levou a mão à máscara. Seus dedos hesitaram por um milésimo de segundo, sabendo que, assim que o tecido caísse, o mundo nunca mais seria o mesmo para nenhum dos dois. Ele puxou o elástico devagar.
Quando a máscara deslizou pelo seu queixo, revelando o sorriso de covinhas e o rosto que ela acabara de ver sob as luzes do auditório, Karine sentiu o chão sumir.

— Eu disse que não haveria mais máscaras entre nós — Namjoon disse, a voz vibrando de emoção. — Olá, Karine. Finalmente, estamos no mesmo segundo do relógio.
Meu, meu e meu
Mas é claro…
Onde é q ela n reconheceria os ombros largos?? Namutted nenhuma deixaria um detalhe desses passar batido
Ui, q delícia de pescoço
Pqp eu caia pra trás certeza kkkkkk
Genteeeeeeee
Eu não confundiria esses olhinhos nuncaaa
Poff: eu caindo no chão
ahhhhhhj, ela descobrindo que o sonho e o desejo dela está na mesma pessoa
Eita,pra que tanto tempo???
Imaginando a cena dela ,dando de cara com o Nam
Paroooow, que as pernas amoleceram
Eu não iria reclamar nunca de dor no pescoço, de fica olhando pra essa geladeira Electrolux
Bobinha
Kkkkkk tadinho, já imagino a cena
Minha cor favorita
Corre tesouro