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A semana de provas caiu sobre Karine como uma tempestade de granizo. Entre as partículas gramaticais do curso de Coreano e a Literatura Comparada, seu cérebro parecia um computador com abas demais abertas. O Sr. Park, em um raro gesto de doçura, permitiu que ela saísse às 16h para se enfurnar na biblioteca.

— Vá, Karine. Seus olhos estão parecendo duas passas — disse ele, empurrando-a para fora.

O que era um alívio para ela, tornou-se o martírio de Namjoon.

Nos dias seguintes, ele apareceu na cafeteria às 18h, às 19h e até às 20h, disfarçado e ansioso. Seus olhos buscavam o avental verde e o sorriso cansado de Karine, mas encontravam apenas o rosto sério de Woobin ou a agitação de Ji-a. O vazio no balcão ecoava no peito dele.

“Onde ela está?”, ele se perguntava, sentindo o gosto amargo do café que não fora preparado por ela. Ele tentou ir mais cedo, no horário de almoço, escondido no banco de trás do carro preto. Viu-a de longe, saindo com um livro debaixo do braço e um sanduíche na mão, mas não podia descer. Havia um grupo de estudantes perto. O risco de um escândalo destruiria a paz que ela tanto amava.

Namjoon bateu com a mão no joelho, frustrado. — Minho, eu preciso falar com ela. De verdade. Sem máscaras.

Minho, sempre eficiente, consultou suas anotações sobre a rotina dela. — Senhor, o curso de Literatura dela vai ter um seminário especial amanhã. Eles sempre convidam palestrantes para falar sobre a influência da arte na sociedade.

As engrenagens na mente de Namjoon giraram. Como um mestre do xadrez, ele viu a jogada perfeita. Ele não iria como o “homem do livro”, ele iria como Kim Namjoon.

Namjoon passou a noite organizando a logística. Ele faria a palestra, usaria as palavras para tocá-la e, então, entregaria um convite para o encontro final. Ele escreveu um bilhete em um papel azul-celeste, o mesmo tom que ela usava no cabelo às vezes: “Biblioteca central. Seção de Poesia Estrangeira. 20h. Não haverá mais sombras.”

No dia seguinte, ele pediu que o bilhete fosse entregue na cafeteria.

Ji-a encontrou Karine no intervalo das provas, entregando o papel com um sorriso malicioso. — Um homem… Karine, um homem que parecia um príncipe de dorama moderno deixou isso para você. Alto, elegante, uma voz que faz os joelhos tremerem.

Karine pegou o papel, o coração disparando. Era a mesma caligrafia do livro. “Ele quer me ver”, pensou, os olhos brilhando. Ela passou o resto da tarde em transe. Imaginava o rosto por trás da máscara. Seria ele parecido com os poetas que ela estudava? Ele a beijaria entre as estantes de livros? O desejo de ser a mulher que ele descrevia nas anotações era agora uma chama viva.

Às 18h, Karine entrou no auditório do cursinho. Ela estava exausta, a cabeça cheia de datas literárias, e quase se esqueceu da palestra. Ela só conseguia olhar para o relógio, contando os minutos para as 20h.

De repente, um burburinho percorreu a sala. As luzes diminuíram e a diretora do curso anunciou o palestrante convidado.

— Recebam com carinho, Kim Namjoon.

Karine arregalou os olhos. Quando ele subiu ao palco, vestindo um terno cinza bem cortado e óculos, ela soltou um suspiro de reconhecimento. “O homem do cachorro!”, ela lembrou, sorrindo. Ela achou incrível que o líder do maior grupo do mundo estivesse ali, falando para simples estudantes.

Namjoon começou a falar. Sua voz preenchia o auditório com uma autoridade calma. Ele falava sobre como a literatura e a música são pontes, sobre como “encontros casuais podem ser destinos planejados”. Ele olhava diretamente para Karine, lançando ganchos que só ela entenderia.

— Às vezes — disse Namjoon, fixando os olhos nela — nós esbarramos em alguém em uma ciclovia da vida. E esse impacto, embora doa na hora, é o que nos faz despertar para uma nova gramática do afeto.

Namjoon continuou: — Eu escrevi uma vez que o brilho nos olhos, o nunbit, é a única tradução necessária. Algumas pessoas carregam cadernos no bolso, mas guardam o universo inteiro dentro de si.

Ele estava sendo óbvio. Ele estava entregando tudo. Mas Karine, com a mente focada no “Homem do Livro” que a esperava na biblioteca, não conseguia ligar os pontos. Para ela, Namjoon era o ídolo gentil que ela conhecera no parque. O autor das notas do livro era… bem, outra pessoa. Alguém mais sombrio, mais misterioso.

Ela começou a ficar impaciente. Olhou para o relógio: 19h45. “Preciso ir!”, pensou, aflita. “Se eu me atrasar, ele pode sumir para sempre”.

Assim que a palestra terminou e os aplausos cessaram, Namjoon desceu do palco. Ele ignorou os outros alunos e caminhou diretamente até a fileira de Karine.

— Posso falar com você um momento? — ele perguntou, com um sorriso de covinhas que costumava derreter estádios inteiros.

Karine sorriu de volta, mas era um sorriso de pressa. — Ah, oi! Namjoon-ssi, sua palestra foi incrível, sério. Fiquei muito feliz em te ver de novo. Como está o Monie?

— Ele está ótimo — Namjoon respondeu, sentindo que algo estava errado. “Ela parecia… distraída?” — Eu queria saber se você teria tempo para conversar agora, em outro lugar, mais calmo…

Karine olhou para o relógio com pavor. 19h55. — Ai meu Deus, me desculpa! Eu adoraria, de verdade, você é incrível, mas eu tenho um encontro agora. Um encontro que eu esperei o mês inteiro! — Ela começou a recolher suas coisas às pressas.

Namjoon piscou, confuso. — Um encontro? Com quem?

— Eu não sei o nome dele ainda! — ela riu, nervosa, já dando passos para trás. — Mas ele me deixou um bilhete. Ele está me esperando na biblioteca agora. Se eu não for, vou perder a chance da minha vida. Me desculpa, Namjoon! A gente se vê no parque qualquer dia!

Ela se virou e saiu correndo pelo corredor do auditório, deixando o líder do BTS parado no meio do salão, com a mão estendida para o nada.

Namjoon ficou imóvel por alguns segundos, processando o que acabara de acontecer. Minho aproximou-se cautelosamente.

— Senhor? O carro está pronto para irmos à biblioteca.

Namjoon soltou uma risada seca, uma mistura de incredulidade e admiração. — Minho… ela me deu um “fora” para ir se encontrar… comigo.

Ele percebeu a ironia suprema. Karine não estava apaixonada pelo Kim Namjoon que o mundo idolatrava. Ela estava apaixonada pelo homem que escrevia nas margens dos livros, pelo homem que ela nem sequer sabia o rosto. Ela estava correndo desesperada para encontrar a alma dele, enquanto deixava o corpo dele para trás no auditório.

— Ela não faz a menor ideia, não é? — Namjoon murmurou, um brilho de desafio surgindo em seus olhos. — Ela prefere o meu mistério à minha fama.

Ele ajeitou o terno e começou a caminhar em direção à saída, com passos rápidos.

— Vamos para a biblioteca, Minho. Eu não posso deixar aquela garota esperando por um homem que já está lá.

Longe dali, Karine corria pelas ruas frias de Seul para conseguir um taxi, o bilhete azul amassado na mão, o coração batendo tão forte que ela achava que todos podiam ouvir. Ela mal sabia que o “homem misterioso” e o “palestrante famoso” estavam prestes a se tornar uma única e avassaladora realidade.

15 Comentários

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  1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Apr 21, '26 at 6:43 pm

    — Ela não faz a menor ideia, não é? — Namjoon murmurou, um brilho de desafio surgindo em seus olhos. — Ela prefere o meu mistério à minha fama.

    Ela tá fingindo, Joonie, conheço a peça

  2. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Apr 21, '26 at 6:40 pm

    Minho, sempre eficiente, consultou suas anotações sobre a rotina dela. — Senhor, o curso de Literatura dela vai ter um seminário especial amanhã. Eles sempre convidam palestrantes para falar sobre a influência da arte na sociedade.

    Droga

  3. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Apr 21, '26 at 6:40 pm

    Nos dias seguintes, ele apareceu na cafeteria às 18h, às 19h e até às 20h, disfarçado e ansioso. Seus olhos buscavam o avental verde e o sorriso cansado de Karine, mas encontravam apenas o rosto sério de Woobin ou a agitação de Ji-a. O vazio no balcão ecoava no peito dele.

    Kkkk Irruuuu

  4. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Apr 21, '26 at 6:39 pm

    — Vá, Karine. Seus olhos estão parecendo duas passas — disse ele, empurrando-a para fora.

    Finalmente um a se compadecer pela classe trabalhadora

  5. IASMINE
    Jan 29, '26 at 6:32 pm

    — Eu não sei o nome dele ainda! — ela riu, nervosa, já dando passos para trás. — Mas ele me deixou um bilhete. Ele está me esperando na biblioteca agora. Se eu não for, vou perder a chance da minha vida. Me desculpa, Namjoon! A gente se vê no parque qualquer dia!

    Eu claramente daria uma bola fora dessa kkkkk

  6. Isa
    Jan 8, '26 at 12:07 pm

    Ah, não, acabou de novo… Aaaaaaah, que tortura!
    Não tô acreditando que essa fic vai virar +18
    Kkkkkkkkkk

    1. @IsaJan 8, '26 at 2:32 pm

      acredite kkkk é exatamente essa pegada…

  7. Thamis
    Jan 8, '26 at 10:29 am

    Longe dali, Karine corria pelas ruas frias de Seul para conseguir um taxi, o bilhete azul amassado na mão, o coração batendo tão forte que ela achava que todos podiam ouvir. Ela mal sabia que o “homem misterioso” e o “palestrante famoso” estavam prestes a se tornar uma única e avassaladora realidade.

    Socorro quero o restante…

  8. Thamis
    Jan 8, '26 at 10:28 am

    Ela se virou e saiu correndo pelo corredor do auditório, deixando o líder do BTS parado no meio do salão, com a mão estendida para o nada.

    Imaginando a carinha confusa dele,com aquele sorrisinho

    1. Isa
      @ThamisJan 8, '26 at 12:03 pm

      “Karine olhou para o relógio com pavor. 19h55. — Ai meu Deus, me desculpa! Eu adoraria, de verdade, você é incrível, mas eu tenho um encontro agora. Um encontro que eu esperei o mês inteiro! — Ela começou a recolher suas coisas às pressas. ”

      NEM SE O PRÊMIO DA MEGA SENA tivesse me esperando eu falaria NÃO pro Namjoom, continuaria pobre, mas feliz…

  9. Thamis
    Jan 8, '26 at 10:25 am

    Ele estava sendo óbvio. Ele estava entregando tudo. Mas Karine, com a mente focada no “Homem do Livro” que a esperava na biblioteca, não conseguia ligar os pontos. Para ela, Namjoon era o ídolo gentil que ela conhecera no parque. O autor das notas do livro era… bem, outra pessoa. Alguém mais sombrio, mais misterioso.

    Caramba,tá quase escrito na testa dele que é o mesmo,e ela dormindo kk

  10. Thamis
    Jan 8, '26 at 10:11 am

    Ji-a encontrou Karine no intervalo das provas, entregando o papel com um sorriso malicioso. — Um homem… Karine, um homem que parecia um príncipe de dorama moderno deixou isso para você. Alto, elegante, uma voz que faz os joelhos tremerem.

    Joelhos tremerem e o pirikito piscarem

  11. Anônimo Convidado
    Jan 8, '26 at 12:27 am

    Namjoon piscou, confuso. — Um encontro? Com quem?

    Kkkkk ele esqueceu

  12. Karine
    Jan 8, '26 at 12:26 am

    — Posso falar com você um momento? — ele perguntou, com um sorriso de covinhas que costumava derreter estádios inteiros.

    Aah as covinhas (。♥‿♥。)

  13. Karine
    Jan 8, '26 at 12:22 am

    Karine pegou o papel, o coração disparando. Era a mesma caligrafia do livro.“Ele quer me ver”, pensou, os olhos brilhando. Ela passou o resto da tarde em transe. Imaginava o rosto por trás da máscara. Seria ele parecido com os poetas que ela estudava? Ele a beijaria entre as estantes de livros? O desejo de ser a mulher que ele descrevia nas anotações era agora uma chama viva.

    Aah um encontro
    (๑˃ᴗ˂)ﻭ

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