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O silêncio na cobertura do Distrito Sul era quase sólido, quebrado apenas pelo tique-taque ritmado do relógio de parede no corredor. S/N estava de pé no centro do escritório proibido, as palmas das mãos pressionadas contra a madeira fria da escrivaninha. Seus dedos ainda guardavam a textura do diário de veludo que ela acabara de trancar de volta na gaveta de fundo falso. Suas bochechas estavam limpas, as lágrimas secas às pressas, mas o ar em seus pulmões parecia feito de vidro moído.

Tudo era uma farsa. Cada toque de veludo, cada palavra de afeto, cada respiração compartilhada com Jeon Jungkook era parte de um cativeiro meticulosamente decorado.

O bipe agudo e eletrônico do elevador privativo ecoou pelo hall, vibrando como um tiro em sua espinha. Ele havia voltado.

S/N fechou os olhos por um segundo, forçando o ar a entrar e sair de seu peito em um compasso calmo. Ela precisava trancar a S/N real — aquela que queimava com o desejo de cravar as unhas no pescoço de Jungkook e arrancar a própria pele para se livrar de seus vestígios — em uma caixa escura no fundo de sua mente. Quando ela abriu os olhos, a máscara estava no lugar: a expressão suave, o olhar ligeiramente sonolento e submisso da boneca que ele havia moldado.

Ela saiu do escritório, fechando a porta dupla sem emitir um único clique, e caminhou até a sala de estar no exato momento em que as portas de metal do elevador se abriram.

Jungkook passou pelo portal como uma tempestade negra. O sobretudo comprido balançava ao redor de suas botas pesadas, e a aura de dominância que ele exalava estava carregada de uma eletricidade estática violenta. Suas feições impecáveis estavam rígidas, o maxilar trancado com tanta força que os músculos de seu pescoço saltavam. Ele não havia encontrado Jimin na loja de departamentos em Gangnam; havia encontrado apenas o rastro de sangue seco de uma funcionária e o vácuo de uma presença que já estava longe demais.

A frustração de um predador alfa que perdeu a presa flutuava dele como fumaça.

Ao ver S/N de pé perto do sofá, os olhos escuros e paranoicos de Jungkook se fixaram nela instantaneamente. Ele caminhou em sua direção com passos predatórios, pesados, diminuindo a distância entre os dois até que seu peito largo bloqueasse a visão dela do restante da sala.

— Você ainda está acordada — disse ele. A voz grave correu pelo ambiente, não como uma pergunta, mas como uma constatação fria, testando as barreiras dela.

— Eu não consegui dormir sem você — S/N respondeu. Sua voz saiu perfeitamente mansa, um sussurro aveludado que colou na masculinidade dele como uma carícia ensaiada.

Por dentro, o estômago dela revirou em uma náusea violenta.

Jungkook estendeu a mão enluvada de couro preto, tocando a lateral do pescoço de S/N. Ele inclinou o rosto para a curva do ombro dela, inspirando o ar profundamente, procurando pelo cheiro de adrenalina, de mentira, de medo. Era o teste cirúrgico dele. S/N manteve o batimento cardíaco controlado sob o esforço sobrenatural de sua linhagem transformada, focando em uma imagem pacífica para enganar os sentidos apurados do monstro.

— Você está tensa — Jungkook murmurou, os lábios roçando na pele da nuca dela, um toque que antes a fazia suspirar e que agora a fazia querer gritar de repulsa. Seus dedos subiram para o queixo dela, forçando sua cabeça para trás para que ela olhasse diretamente em suas íris escuras e hipnóticas. — Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

S/N sustentou o olhar, deixando que um brilho de doçura fingida cobrisse suas pupilas. Ela esticou as mãos e espalmou-as contra o peito dele, sentindo o tecido caro do paletó.

— Senti sua falta. E fiquei preocupada… você saiu com tanta pressa. Está tudo bem na agência? — perguntou ela, inclinando a cabeça de leve, usando a vulnerabilidade que ele tanto adorava controlar como uma arma para colher informações.

Jungkook a analisou por longos segundos. A pressão psicológica no ambiente era esmagadora, um jogo de xadrez invisível onde um único deslize de S/N significaria ter sua mente invadida e destruída pelo transe dele novamente. Mas a atuação dela foi perfeita. O maxilar de Jungkook relaxou minimamente, e ele soltou o queixo dela, deslizando a mão para a cintura de S/N, puxando-a contra o corpo.

— Apenas problemas com funcionários incompetentes no Distrito Sul — ele mentiu, a voz deslizando com a arrogância de quem se julgava intocável. — Nada com que você precise se preocupar, meu amor. Eu cuido de tudo. Vá para o quarto. Eu preciso dar alguns telefonemas e já vou ao seu encontro.

— Está bem — ela sorriu, o sorriso mais doce e letal que já havia moldado, antes de dar as costas e caminhar em direção ao quarto principal. A cada passo longe dele, a certeza de que ela destruiria aquele império de mentiras se tornava uma promessa silenciosa em suas veias.

Enquanto a farsa se sustentava na cobertura de Gangnam, o tabuleiro do submundo recebia o seu primeiro choque vindo da escuridão de Mapo-gu.

No pequeno e silencioso apartamento de classe média, Park Jimin estava de pé diante da janela, observando os reflexos das luzes da cidade na chuva que lavava o vidro. O capuz do moletom oversized preto estava caído, revelando os fios loiros e o olhar cor de mel que agora não carregava uma única gota de calor humano. Suas íris estavam frias, destituídas da dor e do luto que quase o haviam destruído semanas atrás. Ele estava em seu ápice de força; o sangue fresco drenado de sua nova serva circulava por seu corpo como fogo imortal.

Atrás dele, sentada na beira da cama em um estado de apatia profunda, estava Min-jee. Seus olhos estavam opacos, a mente completamente moldada e acorrentada pela vontade do vampiro. No colo da garota, um notebook corporativo da Eclipse Entertainment brilhava, iluminando suas feições pálidas.

Jimin não precisou dizer uma palavra em voz alta. Através da pressão psicológica e do comando mental que mantinha sobre a jovem, ele ditou cada comando.

Os dedos trêmulos de Min-jee digitaram nas teclas, acessando a intranet criptografada da agência e os servidores secundários que faziam a ponte de comunicação entre os clãs de Seul. Usando as credenciais de funcionária de apoio, ela anexou um arquivo de mídia corrompido — uma assinatura digital que apenas os imortais de alto escalão conseguiriam decodificar.

Era uma armadilha. Uma provocação direta e cirúrgica.

Jimin vazou uma coordenada geográfica específica: os galpões abandonados nas docas do Rio Han, na fronteira exata que dividia o território da Eclipse Entertainment e o Distrito Sul de Jeon Jungkook. Na mensagem oculta, ele plantou a pista falsa de que estaria lá nas próximas horas, fraco e tentando negociar sua saída de Seul com contrabandistas humanos.

Ele sabia exatamente o que aquele vazamento causaria.

Park Jung-hyun e Kim Taehyung receberiam o alerta no sistema de segurança da Eclipse e, movidos pelo desespero e pelo orgulho ferido, marchariam com seus homens mais leais para capturá-lo antes que o segredo dos imortais vazasse. Do outro lado, os informantes de Jeon Jungkook interceptariam a mesma transmissão no Distrito Sul, e o mestre paranoico não hesitaria em mover seu exército pessoal para aquela zona neutra com o objetivo de decapitar Jimin de uma vez por todas.

Um riso mudo e desdenhoso vibrou no peito de Jimin enquanto ele observava Min-jee fechar a tela do notebook com um estalo definitivo.

6 Comentários

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  1. Iasmine
    Jun 23, '26 at 10:01 am

    — Eu não consegui dormir sem você — S/N respondeu. Sua voz saiu perfeitamente mansa, um sussurro aveludado que colou na masculinidade dele como uma carícia ensaiada.

    Noossa tenho que aplaudir essa mulher pqp…tem que ter o sangue frio pra cassete

  2. Iasmine
    Jun 23, '26 at 10:05 am

    — Senti sua falta. E fiquei preocupada… você saiu com tanta pressa. Está tudo bem na agência? — perguntou ela, inclinando a cabeça de leve, usando a vulnerabilidade que ele tanto adorava controlar como uma arma para colher informações.

    Muito QUEEN, conseguiu enganar direitinho

  3. Iasmine
    Jun 23, '26 at 10:07 am

    Um riso mudo e desdenhoso vibrou no peito de Jimin enquanto ele observava Min-jee fechar a tela do notebook com um estalo definitivo.

    Vampmin com a mente de titânio

  4. Marcela
    Jun 24, '26 at 10:23 am

    [quote]— Você está tensa — Jungkook murmurou, os lábios roçando na pele da nuca dela, um toque que antes a fazia suspirar e que agora a fazia querer gritar de repulsa. Seus dedos subiram para o queixo dela, forçando sua cabeça para trás para que ela olhasse diretamente em suas íris escuras e hipnóticas. — Aconteceu alguma coisa enquanto eu estava fora?

    Isso é uma pexte, ele percebe tudo

  5. Marcela
    Jun 24, '26 at 10:39 am

    [quote]— Senti sua falta. E fiquei preocupada… você saiu com tanta pressa. Está tudo bem na agência? — perguntou ela, inclinando a cabeça de leve, usando a vulnerabilidade que ele tanto adorava controlar como uma arma para
    colher informações.

    A mulher enganou até o djabo, imagine o jk perturbado

  6. GhostingBTS
    Jul 1, '26 at 1:27 am

    O silêncio na cobertura do Distrito Sul era quase sólido, quebrado apenas pelo tique-taque ritmado do relógio de parede no corredor. S/N estava de pé no centro do escritório proibido, as palmas das
    mãos pressionadas contra a madeira fria da escrivaninha. Seus dedos ainda guardavam a textura do diário de veludo que ela acabara de trancar de volta na gaveta de fundo falso. Suas bochechas estavam limpas, as lágrimas secas às pressas, mas o ar em seus pulmões parecia feito de vidro moído.

    Agora vai…

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