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O cheiro de ferrugem, salmoura e chuva ácida impregnava o ar do galpão três, nas docas abandonadas do Rio Han. As portas de metal corrugado foram arrancadas de seus trilhos com um estrondo violento que ecoou pelas vigas de aço do teto. Os homens do Clã da Serpente de Ferro e os Rebeldes de Gwanak invadiram o perímetro com as armas em punho, as presas expostas e os olhos injetados pela ganância e pela paranoia.

— Procurem em cada canto! — ordenou o líder de Gwanak, a voz ecoando no vazio. — Chutem os caixotes! Ele está fraco, não pode ter ido longe!

Vampiros se espalharam como ratos pelas sombras, mas a única resposta que obtiveram foi o som gotejante da água da chuva vazando pelo teto quebrado. Não havia ninguém. Nem Jimin, nem servos, nem rastro de sangue fresco. Apenas um notebook quebrado no chão, queimado de dentro para fora, e uma cadeira vazia no centro do galpão.

Antes que os clãs menores pudessem processar a farsa, a temperatura do ambiente despencou. A pressão atmosférica ficou tão densa que os imortais mais jovens caíram de joelhos, sufocando com o súbito peso no ar.

Pela entrada arrombada, a silhueta aristocrática de Park Jung-hyun surgiu da névoa da noite, ladeada por Kim Taehyung e a elite tática da Eclipse Entertainment. A presença de Jung-hyun era avassaladora, uma muralha de poder ancestral que fez os líderes das pequenas facções recuarem instintivamente.

— Ora, ora… Vejam o que a chuva trouxe — o chefe da Serpente de Ferro tentou mascarar o medo com um sorriso cínico, dando um passo à frente. — Chegou tarde, Park. O seu filhote de estimação não está aqui. Mas já que você apareceu com seu herdeiro… que tal conversarmos sobre os territórios do Distrito Sul que você nos prometeu no século passado? Nós queremos a cabeça do Jimin por quebrar o sigilo, mas tudo tem um preço.

Taehyung deu um passo à frente, as lâminas táticas brilhando sob a luz fraca dos postes externos, mas Jung-hyun estendeu o braço, parando-o. O olhar do criador era puro desprezo.

— Vocês realmente acharam que um imortal da linhagem pura da Eclipse seria capturado por escória da periferia? — a voz de Jung-hyun fluiu como veludo e navalha. — Vocês não passam de peões em um jogo que mal conseguem compreender. Saiam do meu caminho antes que eu limpe este chão com o sangue insignificante de vocês.

— Limpar o chão? — o líder de Gwanak rosnou, sacando uma adaga de prata. — O Jimin sem humanidade vai expor todos nós! Se você não vai matá-lo para proteger o segredo, nós vamos barganhar com as suas cinzas!

A tensão explodiu. Taehyung não esperou por ordens; avançou como um borrão escuro, colidindo contra o líder de Gwanak. O som de carne rasgando e metal batendo contra metal preencheu o galpão enquanto os clãs menores avançavam contra a elite da Eclipse, iniciando uma batalha brutal nas sombras das docas.

A pouca distância dali, ocultos pela escuridão entre dois contêineres de carga, Jeon Jungkook e seus executivos mais leais observavam a movimentação. Eles haviam chegado de forma cirúrgica, passos fantasmas que não deixavam rastro no asfalto molhado. Jungkook mantinha os olhos semicerrados, os dentes trancados enquanto via a Eclipse colidir com os clãs da periferia. Algo estava errado. Onde estava Jimin? Por que o desgraçado não estava no centro do próprio tabuleiro?

De repente, o ponto eletrônico oculto no ouvido de Jungkook emitiu um estalido de alta frequência. Uma voz profunda, urgente e carregada de uma autoridade fria cortou sua linha de pensamento.

Jungkook. É uma armadilha. Saia logo daí.

Jungkook franziu o cenho, a paranoia atingindo o ápice. Ele pressionou o ponto no ouvido, a voz saindo em um sussurro tenso:

— Mas… Namjoon? Tem certeza disso? Eu estou vendo a Eclipse aqui na minha frente. O criador dele está aqui.

Tenho certeza absoluta. O Jimin vazou essas coordenadas de propósito para fazer vocês se matarem no Rio Han. Saia agora, Jeon… E há algo mais. — A pausa de Namjoon no fone durou um milissegundo, mas pareceu uma eternidade. — Ela acordou de novo. A S/N recuperou as memórias.

O mundo ao redor de Jungkook pareceu parar. As pupilas do mestre do Distrito Sul se dilataram a um ponto perigoso, e a aura de dominância que ele exalava vacilou por um segundo antes de se transformar em pura fúria possessiva. Ela lembrava.

— Recuar! Agora! — Jungkook rosnou para os seus homens, dando as costas para o galpão sem olhar para trás, a mente queimando em um inferno de traição. — Voltem para a cobertura.

Escondida atrás de uma pilha de caixotes de madeira na lateral leste do galpão, S/N assistia à movimentação com o coração batendo aos tropeços. Ela vira os clãs menores arrombarem o local, vira a chegada imponente do criador de Jimin e a fúria cega de Taehyung. Ela estava prestes a recuar, percebendo que Namjoon estava certo e que o lugar era uma zona de guerra, quando seus olhos sobrenaturais focaram em um ponto específico na passarela de metal elevada, do lado de fora do galpão.

Pousado na estrutura de ferro, com o capuz do moletom jogado para trás e os fios loiros balançando contra o vento frio, estava Park Jimin.

Ele não parecia fraco. Não parecia prestes a fugir do país. Havia um sorriso cínico, quase infantil e completamente sádico em seus lábios cheios enquanto ele observava, de camarote, os clãs se estraçalharem lá dentro por causa de sua mentira. Ele estava se divertindo.

S/N prendeu a respiração, o peito apertado pela visão do homem que ela costumava conhecer. Quando Jimin se virou e saltou da passarela com a leveza de um felino, sumindo entre os becos escuros das docas, ela não pensou nas consequências. Ignorando o aviso sobre Jung-hyun, ela saiu de seu esconderijo e começou a segui-lo de forma sutil, pisando onde a água da chuva abafava seus passos.

Ela dobrou um corredor estreito entre dois galpões desativados. A escuridão ali era quase absoluta. S/N olhou para a frente, mas o rastro dele havia sumido. O silêncio era opressor.

Antes que pudesse dar mais um passo, um vulto se moveu com a velocidade do pensamento.

S/N foi violentamente empurrada para trás, suas costas colidindo contra a parede de tijolos frios do beco. Uma mão forte e gélida se fechou ao redor de sua garganta, não apertando o suficiente para sufocá-la, mas o bastante para prendê-la contra a estrutura.

Jimin estava a centímetros de seu rosto. Seus olhos cor de mel brilhavam com uma malícia cortante, destituídos de qualquer calor humano. O perfume de chuva e o cheiro metálico de sangue que emanavam dele reviraram o estômago de S/N.

— Oi, meu amor… — ele disse, a voz gotejando uma ironia venenosa que machucou os ouvidos dela. — Cansou do seu cachorrinho de estimação e veio me procurar? O que foi? O Jeon não está dando conta do recado na cobertura?

Lágrimas quentes e pesadas começaram a rolar pelas bochechas de S/N, contrastando com a frieza da pele dele. Ignorando a ameaça da mão em seu pescoço, ela ergueu a mão trêmula, tentando tocar o rosto pálido de Jimin, os dedos ansiando pelo homem que um dia a amara.

— Jimin… por favor — ela sussurrou, a voz embargada pela dor. — Você… você voltou? Sua humanidade… você lembrou de quem nós somos?

Antes que os dedos dela pudessem roçar sua pele, Jimin desviou o rosto com uma rapidez brusca, soltando um riso soprado e gélido. Ele soltou a garganta dela e deu um passo para trás, cruzando os braços com total indiferença.

— Não gaste suas lágrimas, S/N. Aquilo que você chama de “nós” morreu no momento em que você escolheu deitar na cama daquele maldito — ele disse, as palavras saindo secas, desprovidas de qualquer sentimento. — Eu não me importo com você. Não me importo com o que o Jungkook faz com você.

Olhando para aquele olhar vazio, para a frieza cirúrgica de alguém que um dia daria a vida por ela, o desespero de S/N transbordou. Ela deu um passo à frente, segurando o tecido do moletom dele com força, soltando o único nome que pertencia à alma dele:

Mochi… por favor, olha para mim…

No instante em que a palavra ecoou pelas paredes do beco, Jimin estancou.

Suas pupilas oscilaram violentamente. Um zumbido agudo e ensurdecedor começou a ecoar dentro de seus ouvidos imortais, como se a barreira de gelo que trancava sua humanidade estivesse sofrendo uma rachadura sísmica. O vampiro soltou um gemido abafado de dor, levando as mãos à cabeça, cambaleando um passo para trás. O desconforto era físico, uma rejeição violenta da escuridão contra a luz daquela memória.

Mochi?! — S/N deu mais um passo, agora tomada por uma preocupação genuína, tentando tocá-lo novamente. — O que está acontecendo? Mochi!

Antes que ela pudesse pronunciar o apelido pela terceira vez, o instinto de autopreservação do monstro reagiu. Jimin esticou os braços com uma força descontrolada e a empurrou.

O impacto foi violento. S/N foi lançada contra a parede de tijolos, sua cabeça batendo contra o concreto com um estalo seco. O impacto a fez desabar no chão lamacento, a visão turvando instantaneamente enquanto ela levava a mão à nuca, incapaz de se mover pelo choque da concussão.

Jimin continuou de pé, a respiração arfante, o peito subindo e descendo com violência. E então, no silêncio do beco, a névoa carmesim de seus olhos desapareceu. Suas íris voltaram a ser o mel puro e aquecido do passado. Ele olhou para as próprias mãos, depois para S/N caída na lama, sangrando.

A dor da culpa, o amor sufocado e o horror pelo que acabara de fazer rasgaram o peito de Park Jimin. Sua humanidade havia voltado. Ele deu um passo trêmulo à frente, o braço estendido em direção a ela, os lábios moldando o nome dela em um sussurro desesperado:

S/N…

Mas no milissegundo em que o corpo dela se moveu minimamente no chão, tentando erguer os olhos para ele, o pânico de ser quebrado por completo dominou o imortal. A barreira de gelo se fechou novamente com a força de uma avalanche, apagando o brilho mel de seus olhos.

Antes que ela pudesse focar a visão, o espaço diante dela estava vazio. Jimin havia fugido, deixando apenas o som da chuva e a solidão do beco escuro para trás.

10 Comentários

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  1. Iasmine
    Jul 4, '26 at 10:18 pm

    A tensão explodiu. Taehyung não esperou por ordens; avançou como um borrão escuro, colidindo contra o líder de Gwanak. O som de carne rasgando e metal batendo contra metal preencheu o galpão enquanto os clãs menores avançavam contra a elite da Eclipse, iniciando uma batalha brutal nas sombras das docas.

    Pronto o caos foi instalado

  2. Iasmine
    Jul 4, '26 at 10:18 pm

    — Mas… Namjoon? Tem certeza disso? Eu estou vendo a Eclipse aqui na minha frente. O criador dele está aqui.

    Que? Mas que fdp MANOOO!!!!!! JUDAAAS

  3. Iasmine
    Jul 4, '26 at 10:20 pm

    — Oi, meu amor… — ele disse, a voz gotejando uma ironia venenosa que machucou os ouvidos dela. — Cansou do seu cachorrinho de estimação e veio me procurar? O que foi? O Jeon não está dando conta do recado na cobertura?

    Puta merda, ele totalmente debochado vei, não to crendo

  4. Iasmine
    Jul 4, '26 at 10:21 pm

    — Mochi… por favor, olha para mim…

    Mochiiiiii olha pra ela meu.. escuta a bichinha coitada

  5. Iasmine
    Jul 4, '26 at 10:22 pm

    Mas no milissegundo em que o corpo dela se moveu minimamente no chão, tentando erguer os olhos para ele, o pânico de ser quebrado por completo dominou o imortal. A barreira de gelo se fechou novamente com a força de uma avalanche, apagando o brilho mel de seus olhos.

    Porraaaa Mochi custa escutar a mulher caraio pra entender o que aconteceu INFERNOO

    1. Marcela
      @IasmineJul 4, '26 at 10:48 pm

      [quote]A dor da culpa, o amor sufocado e o horror pelo que acabara de fazer rasgaram o peito de Park Jimin. Sua humanidade havia voltado. Ele deu um passo trêmulo à frente, o braço estendido em direção a ela, os lábios moldando o nome dela em um sussurro desesperado:

      Voltou? VOOOOOLTOUU PORRA

  6. Marcela
    Jul 4, '26 at 10:39 pm

    [quote]— Mas… Namjoon? Tem certeza disso? Eu estou vendo a Eclipse aqui na minha frente. O criador dele está aqui.

    Oii? Como assim? É não pow, n tou acreditandooo

  7. Marcela
    Jul 4, '26 at 10:41 pm

    [quote]— Tenho certeza absoluta. O Jimin vazou essas coordenadas de propósito para fazer vocês se matarem no Rio Han. Saia agora, Jeon… E há algo mais. — A pausa de Namjoon no fone durou um milissegundo, mas pareceu uma eternidade. — Ela acordou de novo. A S/N recuperou as memórias.

    NAO NAO NAO NAOOO , NAO PODE SEEER

  8. Marcela
    Jul 4, '26 at 10:46 pm

    [quote]O impacto foi violento. S/N foi lançada contra a parede de tijolos, sua cabeça batendo contra o concreto com um estalo seco. O impacto a fez desabar no chão lamacento, a visão turvando instantaneamente enquanto ela levava a mão à nuca, incapaz de se mover pelo choque da concussão.

    Ele n da espaço nem pra uma conversa vei, aí complica

  9. Marcela
    Jul 4, '26 at 10:50 pm

    [quote]Mas no milissegundo em que o corpo dela se moveu minimamente no chão, tentando erguer os olhos para ele, o pânico de ser quebrado por completo dominou o imortal. A barreira de gelo se fechou novamente com a força de uma avalanche, apagando o brilho mel de seus olhos.

    Voltou, n voltou
    ( Na próxima n comemorarei antecipadamente)

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