Capítulo 39 – Dois Meses e Uma Promessa
por FanfiqueiraAinda estavam colados no sofá, os corpos suados, respiração entrecortada. O mundo parecia distante. Os dedos dele ainda deslizavam lentamente pela coxa dela, traçando círculos preguiçosos. Os lábios dela estavam grudados ao maxilar dele, dando pequenos beijos, mordidas suaves. Ele sorria com aquele olhar de meio lado, os olhos fechando às vezes, relaxado e entregue.
— Se eu soubesse que você ia me despedir assim… tinha pedido pra me alistar de novo. — ele murmurou com a voz ainda rouca, rindo baixo.
— Se você se alistar de novo, eu mesma te mato. — ela respondeu, passando a unha de leve no peito dele.
— Hm… que medo. — ele brincou, se inclinando pra beijar o ombro dela. — Mas se for morrer na sua mão, tudo bem. Desde que você continue fazendo isso com a boca…
Ela deu um tapa leve na barriga dele, rindo, e ele aproveitou pra morder de leve o queixo dela em provocação. Um beijo safado se formou, cheio de língua e toque, quase esquentando tudo de novo. Mas ele parou primeiro.
— Calma… a gente ainda precisa tomar café da manhã, lembra? — disse, com dificuldade de se afastar.
— Só porque você tá com a farda pela metade. — ela apontou, maliciosa. — Rasgou tudo, selvagem.
— Culpa sua. — ele levantou do sofá ainda nu, indo direto pra a mochila que estava no chão e pegando outra parte de cima da farda. — Fica me olhando daquele jeito, faz essas vozes… quem aguenta?
Ela apenas deu um sorrisinho e se espreguiçou, preguiçosa e satisfeita.
Depois de alguns minutos no banheiro, ele voltou mais apresentável — cabelo molhado, rosto limpo, a nova camisa colocada. SN também foi se vestir rapidamente e desceu com ele até a cozinha, onde o café da manhã já estava quase pronto.
Torradas, ovos, frutas cortadas. Ele arrumava a mesa e servia os dois com atenção, colocando um copo de suco pra ela e servindo café pra si.
— A gente devia fazer isso mais vezes. — ela comentou, pegando um morango da tigela. — Tipo, transar selvagemente e depois tomar café da manhã como se fosse casal de comercial.
— A gente é um casal de comercial. Só que com classificação +18. — ele respondeu com um sorriso torto, sentando de frente pra ela.
Conversavam, trocavam olhares cúmplices, pequenos toques por baixo da mesa. Ela ria quando ele fazia piadas sobre o uniforme, e ele desviava o olhar, claramente já sentindo o aperto da hora.
E então, do nada, ele se levantou.
Ela acompanhou com os olhos, achando que ele iria pegar algo na geladeira. Mas ele não foi.
Ele deu a volta na mesa, parou ao lado dela… e se agachou devagar.
Ela achou que ele fosse pegar algo caído no chão, mas o coração acelerou quando viu o que ele segurava.
Uma caixinha.
Pequena. Preta. E nas mãos dele, parecia pesar uma tonelada de emoção.
— Eu ia esperar. De verdade. — ele disse, a voz baixa, como se estivesse nervoso. — Ia fazer isso com tudo preparado, depois da formatura, com mais tempo, mais jeito…
Ele abriu a caixinha. Um anel simples, elegante, dourado com uma pedrinha sutil no centro. Mas aquilo não era sobre o anel. Era sobre eles.
— Mas aí… eu pensei no que você me disse. Que queria guardar tudo na memória. E eu também quero guardar isso. Agora. Porque eu sei o que sinto. Porque eu sei quem você é pra mim. Porque… a vida é curta, e eu não quero esperar mais.
Ele engoliu seco, os olhos brilhando.
— Casa comigo?
Ela ficou muda por um segundo. Os olhos marejaram na hora, sem controle. A mão tapou a boca por instinto, mas o sorriso estava ali, estampado, escancarado.
— Você tá brincando…? — ela perguntou, com a voz trêmula.
— Não brinco com isso. — ele respondeu, firme, seguro.
Ela riu, o rosto entre as mãos, e depois se jogou nos braços dele, quase o derrubando sentado no chão.
— Sim. É óbvio que sim. — ela disse no ouvido dele. — Sim, sim, sim, mil vezes sim.
O beijo veio como uma explosão. Ele a puxou pra sentar no colo dele ali mesmo, no chão da cozinha. Os beijos quentes, carregados, as mãos apertando com vontade. Ele empurrou a blusa dela pra cima, e ela já puxava a farda dele de novo…
— Se a gente começar agora… não vou conseguir sair. — ele disse, ofegante, entre um beijo e outro.
— E eu quero exatamente isso. — ela respondeu, mordendo o lábio inferior dele.
— Você é uma droga, viciante e deliciosa. — ele sussurrou, rindo com os olhos fechados.
— E agora sou sua noiva, então cuidado com o que fala. — ela provocou.
Eles quase transaram ali mesmo no chão, mas o relógio no pulso dele apitou.
— Droga… — ele sussurrou. — Eu tenho que ir.
Ela suspirou, ainda no colo dele. Depois se levantaram juntos, em silêncio. Jungkook terminou de fechar os últimos botões, ajeitou a farda pela última vez, prendeu o cinto. O ar estava pesado.
Desceram até a garagem subterrânea. Bam seguiu os dois, atento, como se soubesse exatamente o que estava prestes a acontecer.
Ela ficou ali, perto da porta do carro, olhando pra ele. O uniforme completo, o olhar sério, mas o coração dele exposto só pra ela.
— Quando você voltar… — ela disse, acariciando o peito dele. — A gente marca a data.
— Quando eu voltar… você é oficialmente minha pra sempre. — ele respondeu, segurando o rosto dela.
Se beijaram como se fossem colar um no outro.
E então ele entrou no carro, com o olhar preso ao dela até o último segundo. Ela não chorou ali. Apenas ficou parada. Com a mão no peito, e o anel novo brilhando no dedo.
Bam encostou o focinho na perna dela, como quem dizia: ele volta.
Ela se agachou, abraçou o cachorro com força.
— Ele volta, né, Bam? — ela sussurrou. — Porque agora… agora ele é meu noivo.
E sorriu. Mesmo com o coração apertado.
Jungkook indo pra base…
O carro seguia silencioso pelas ruas ainda escuras de Seul, cortando o frescor da madrugada que começava a dar lugar ao azul acinzentado da manhã. Jungkook estava no banco de trás, encostado no vidro, a farda já alinhada, o cabelo ainda levemente úmido da pressa.
Os olhos estavam fixos no nada lá fora, mas por dentro, ele revivia cada instante com ela.
A forma como ela o chamou no meio do desespero. O beijo que ela deu quando o viu de farda. A urgência no sofá. O “sim” sussurrado com lágrima nos olhos. O gosto da boca dela ainda ali, como se estivesse preso na pele dele.
As mãos estavam cruzadas sobre as pernas, firmes, tentando conter a tensão no corpo. O peito pesava. Não era tristeza, mas também não era leve. Era um amontoado de coisas. Amor. Desejo. Ansiedade. Saudades que já doíam.
— Dois meses… — ele murmurou baixinho, para si mesmo, sem tirar os olhos da janela. — Só dois meses.
O segurança, atento e respeitoso ao silêncio do passageiro, não disse uma palavra.
O celular dele vibrava no bolso, mas ele não quis olhar agora. Já tinham trocado tudo que precisavam por aquela manhã. E o que ela disse — “Quero guardar na memória como você me faz gozar” — ainda ecoava nele, mais forte do que qualquer notificação.
Chegaram ao portão da base, e ele fez questão de descer sozinho. Caminhou com passos firmes, cumprimentou o guarda de plantão e seguiu até o alojamento.
Ainda era cedo, mas o dormitório já começava a ganhar vida. Alguns soldados arrumavam os beliches, outros ajustavam os uniformes. Mas quando ele abriu a porta do quarto dele e entrou, o som de uma risada abafada foi o primeiro a recebê-lo.
— Olha só quem chegou… o noivinho da base. — Jimin estava sentado na própria cama, ainda de calça do uniforme e camiseta branca, com o cabelo bagunçado e uma caneca na mão. — Tava começando a achar que você ia desertar.
Jungkook jogou a mochila em cima da cama e soltou um suspiro fundo, se espreguiçando como se estivesse tentando tirar o peso do mundo das costas.
— Por pouco. — respondeu com um sorriso torto.
— Então… o que rolou? — Jimin perguntou, curioso e já sorrindo, como se soubesse a resposta.
Jungkook apenas levantou a mão e mostrou discretamente o dedo anelar — não o dele, mas o gesto simbólico. Como se dissesse: ela disse sim.
Jimin arregalou os olhos, depois bateu a mão contra a coxa, rindo.
— Eu sabia! Caralho, você pediu mesmo?
— Pedi. — ele respondeu, agora tirando o casaco e sentando na beirada da cama. — Não aguentei esperar.
— Aish… tá gamadinho. — Jimin disse, meio zoando. — E ela? Como ficou?
Jungkook olhou pro chão, depois sorriu de canto, um sorriso quente e cansado.
— Me implorou pra não ir embora. — disse baixo. — Chorando, gritando meu nome pela casa… achei que meu peito fosse explodir.
— E você ainda teve força pra sair de lá?
— Jimin… — ele murmurou, sério agora, olhando pro amigo. — Eu deixei a mulher da minha vida em casa. E mesmo sabendo que volto daqui a dois meses… já sinto como se faltasse uma parte de mim aqui.
O quarto ficou em silêncio por alguns segundos.
Jimin apenas assentiu. Porque ele sabia. Porque era o tipo de coisa que não se explica — só se sente.
— Vai passar rápido. — Jimin disse, bebendo o último gole da caneca. — E quando passar… você volta pra ela. E aí, mano… aí vocês não se separam mais.
Jungkook assentiu com um pequeno sorriso, tirando o coturno e deitando por um momento, o braço cobrindo os olhos.
— Tomara que passe rápido mesmo. Porque eu juro… dessa vez, não vou sair do lado dela nunca mais.
Horas depois…
O dia estava abafado, e o treino matinal tinha sido mais puxado que o normal. Todos os soldados voltavam pro alojamento pingando suor, exaustos, as camisetas coladas nos corpos.
Jungkook entrou por último, já puxando a barra da blusa com uma mão só, respirando fundo. Ele nem pensou muito, simplesmente tirou a camiseta de uma vez e jogou sobre a cama, indo direto ao armário pegar a toalha antes de tomar banho.
Mas no segundo que ele ficou de costas…
— P*TA MERDA… — alguém soltou, alto, do outro lado do quarto.
— O QUÊ ISSO, JEON?! — outro emendou, já rindo, os olhos arregalados.
Jimin, que estava bebendo água, virou na hora e… cuspiu tudo.
— VOCÊ TÁ MALUCO?! — ele gritou, com a garrafinha ainda na mão, se aproximando. — Jungkook… você foi atacado por um bicho? OU FOI A SUA NAMORADA QUE TE USOU COMO SOBREMESA?
Jungkook travou por meio segundo, olhando por cima do ombro, e viu a galera toda agora o encarando — uns rindo, outros fingindo choque.
Suas costas estavam riscadas. Marcas de unhas bem vermelhas, algumas mais fundas. Ombros mordidos, chupões roxos pelo trapézio, um no meio das costas. Abdômen com marcas de dedos como se ela tivesse se agarrado com força. No peito, um chupão bem evidente sobre o músculo esquerdo. E umas leves arranhadas por ali também.
Ele soltou um suspiro lento… e deu aquele sorriso de canto, sem negar.
— Eita… — Jimin murmurou, mais de perto. — Foi a despedida, né?
— Eu diria… que foi uma cerimônia de possessão. — outro brincou, fazendo todos rirem.
— Foi só a despedida? — um soldado mais novo perguntou, curioso e assustado. — Ou ela sempre faz isso com você?
Jungkook pegou a toalha calmamente, virou de frente, e respondeu com o olhar calmo, mas cheio de orgulho:
— Ela sempre marca o que é dela. Só que ontem… ela queria ter certeza de que ninguém ia esquecer.
Risos e gritos de “aaaah!” encheram o dormitório.
— Isso não é uma namorada, é uma artista plástica. — alguém gritou.
— Pior que ele nem tá bravo. Tá com cara de quem quer voltar pra apanhar mais. — Jimin provocou, rindo alto.
Jungkook apenas deu de ombros, já andando em direção ao banheiro.
— É porque você não viu ela…
Ele entrou no banheiro com aquele sorrisinho orgulhoso no rosto e fechou a porta sob mais algumas risadas, comentários e piadas ecoando.
Mas ele sabia… que cada marca era dela. E por mais que estivessem longe agora, a presença dela ainda estava ali — grudada na pele, impressa como um lembrete ardente do que tinham. Do que eram.
E que dois meses depois… ela faria tudo aquilo de novo. E mais.
[quote]— A gente devia fazer isso mais vezes. — ela comentou, pegando um morango da tigela. — Tipo, transar selvagemente e depois tomar café da manhã como se fosse casal de comercial.
Que ideia ótima, né JK?
[quote]— Casa comigo?
AAAAAAAAAAAAAAA CCT, esse é desenrolado msm
— Aish… tá gamadinho. — Jimin disse, meio zoando. — E ela? Como ficou?
Tem que ter a zoação dos amigos kkkkkkkk
[quote]— Isso não é uma namorada, é uma artista plástica. — alguém gritou.
Kkkkkkkkk pqp, a zoação n vai te fim