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Índice do Capítulo

A porta da garagem se fechou lentamente atrás dela, abafando o som do motor que já se perdia pelas ruas de Seul. O silêncio que ficou no ar era quase ensurdecedor.

SN permaneceu parada por alguns segundos, olhando pro espaço vazio onde o carro havia estado. A respiração saía curta, como se prender o choro exigisse mais energia do que suportar a despedida em si.

Bam se aproximou devagar, roçando o focinho na mão dela, como se tentasse dizer: “Você não tá sozinha.”

Ela afagou a cabeça dele sem dizer uma palavra, os olhos marejados já brilhando com as primeiras lágrimas que ela vinha tentando conter desde que ele entrou naquele carro.

Subiram juntos, os passos lentos pela escada até o andar superior. Cada degrau era um peso novo no peito. O cheiro dele ainda estava por toda parte — impregnado no corredor, na blusa que ela ainda usava, no travesseiro amassado no quarto.

Quando abriu a porta do quarto, foi como se o tempo tivesse congelado.

O lençol ainda estava bagunçado, as roupas jogadas pelo chão… o toque dele ainda parecia ali, recente, vivo.

Ela se aproximou da cama e, devagar, sentou-se à beira, passando os dedos pelos lençóis amassados, como se pudesse sentir a pele dele de novo. Depois, sem mais forças, deitou de lado no mesmo espaço onde ele esteve horas antes.

Bam pulou devagar na cama também, deitando aos pés dela, com a cabeça apoiada nas patas, os olhos atentos nela.

SN abraçou o travesseiro dele e enfiou o rosto ali, puxando o cheiro dele pra dentro dos pulmões como se fosse a única forma de sobreviver àquele vazio.

As lágrimas vieram silenciosas, deslizando pelo rosto e encharcando o tecido macio.

— Só dois meses… — ela sussurrou, como se repetisse pra si mesma. — Só dois meses…

Bam, percebendo a dor muda da dona, se arrastou devagar até mais perto, deitando a cabeça na barriga dela. Ela enfiou os dedos na pelagem dele com carinho, chorando baixo, o rosto ainda enterrado no travesseiro de Jungkook.

Ela fechou os olhos, tentando dormir mais um pouco. Porque talvez ele ainda estivesse ali.

Base militar – 20h47

As luzes do dormitório já estavam sendo apagadas uma a uma. A maioria dos soldados já se organizava para dormir ou aproveitava os últimos minutos permitidos no celular.

Jungkook estava sentado na própria cama, de fones no ouvido, as pernas cruzadas, o celular em mãos.

A foto dela era a tela de fundo. O anel brilhando discretamente na mão que repousava sobre o colo. Ele deslizou o dedo pelo contato salvo com um coração ao lado: “Meu mundo.”

Suspirou.

Chamou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Sem resposta.

Franziu o cenho, o polegar apertando a tela com mais força a cada nova tentativa.

Chamou de novo.

Nada.

O peito apertou.

Ele se levantou de repente e saiu do dormitório, cruzando os corredores silenciosos até a salinha onde os soldados tinham autorização para fazer ligações por vídeo, em horários pré-determinados.

Pediu gentilmente ao oficial, que acenou em silêncio. Estavam quase encerrando, mas abriram exceção. Era Jungkook, afinal.

Ligou outra vez. Nada.

Então, com um toque de urgência, ele acessou o número da segurança da casa.

— Alô? — a voz da segurança atendeu, alerta.

— Aqui é o Jungkook. — ele disse, tentando manter o tom calmo, mas havia tensão clara em cada palavra. — A SN tá bem?

— Senhor… ela está em casa. — respondeu a segurança, num tom profissional. — Não saiu do quarto o dia inteiro, não atendeu a porta, nem celular. O cachorro só desceu pra comer e voltou pro quarto também. Estávamos monitorando, mas não quisemos forçar.

Jungkook fechou os olhos por um segundo. O maxilar travou.

— Ficou trancada o dia todo? — perguntou, mesmo sabendo a resposta.

— Pelo que conseguimos ver pelas câmeras… sim, senhor.

Ele respirou fundo. O coração apertando mais a cada segundo.

— Me dê acesso das câmeras do quarto!

— Claro. Estamos liberando o sinal pro seu acesso agora.

Ele rapidamente abriu o aplicativo no celular, digitou a senha de segurança e conectou.

 Ela estava encolhida do lado esquerdo da cama, o travesseiro dele ainda nos braços. A blusa dele no corpo. O cabelo meio bagunçado. Os olhos visivelmente inchados, mesmo dormindo.

Ele sentiu o chão fugir um pouco dos pés.

Doía. Ver assim doía mais do que qualquer exercício, qualquer distância. Mais do que todos os meses no quartel.

Ele encostou a testa na parede fria da salinha, com o celular na mão, os olhos fixos nela.

E sussurrou:

— Amor… por que você não atendeu? Eu só queria ouvir tua voz. Só isso.

Olhou a imagem dela por mais alguns segundos. O peito pesando como se alguém estivesse sentado em cima dele.

Depois, digitou uma mensagem e enviou direto pra tela bloqueada do celular dela, na esperança de que ela visse ao acordar.

JK 🖤:
“Meu amor… eu sei que tá difícil. Mas a gente vai passar por isso. Dois meses. Só isso. E depois eu volto pra casa. Pra você.

Fica firme por mim, tá?
Dorme com meu cheiro. Com o anel no dedo. E lembra que você nunca vai dormir sozinha de verdade.

Eu tô aqui. Te amo.”

Ele apertou o celular contra o peito por um instante. Depois, olhou mais uma vez a imagem dela dormindo.

— Aguenta firme, jagi… — murmurou. — Porque daqui a dois meses, você não vai mais conseguir se livrar de mim.

Desligou o aplicativo, mas ficou ali parado, de olhos fechados. Gravando aquela imagem na mente. Tentando manter a força.

Porque amanhã… era outro dia longe dela.

E ele precisava ser forte pelos dois.

Quarto do casal – 23h38

A escuridão ainda reinava no quarto silencioso, interrompida apenas pela luz suave do abajur que Jungkook havia deixado ligado antes de partir. O lençol estava embolado ao redor do corpo dela, e o travesseiro — o travesseiro dele — ainda envolvido por seus braços.

Seus cílios tremeram. Um suspiro longo saiu pelos lábios entreabertos.

Ela despertou devagar… os olhos pesados, a garganta seca, o rosto colado no algodão com cheiro dele.

Por alguns segundos, não entendeu onde estava. Apenas sentia o vazio.

Então lembrou.

A despedida. A garagem. A promessa. A ausência dele.

O peito apertou.

Ela rolou de lado, instintivamente buscando a presença dele na cama. Mas estava fria. Vazia.

Ele já foi.

O pensamento veio como um soco. Mesmo que já soubesse, era como se só agora a realidade tivesse afundado completamente na pele.

Ela se sentou devagar, os cabelos caindo sobre o rosto, os olhos pesados e vermelhos. O Bam levantou a cabeça de onde estava deitado aos pés da cama e veio até ela, encostando o focinho na perna dela, como quem dizia “Você acordou. Tá tudo bem.”

— Ele foi mesmo… — ela murmurou, a voz rouca da emoção, dos soluços engolidos mais cedo, da dor. — Ele foi mesmo…

Bam subiu com as patas na beirada da cama, lambendo o braço dela, tentando acalmá-la.

Ela afagou a cabeça dele e olhou para o criado-mudo.

O celular piscava.

Uma notificação. Uma mensagem. Do único nome que ela queria ver.

Com o coração acelerado e os olhos marejando de novo, ela destravou a tela. Leu.

Devagar.

Cada linha.

“Dormir com meu cheiro… com o anel no dedo…”

Um soluço escapou.

Ela levou a mão à boca, e então olhou para a outra. O anel estava ali. Brilhando sob a luz amarelada do abajur.

Um choro silencioso escapou. Mas era diferente do de antes.

Não era vazio.

Era cheio dele.

Ela pegou o celular com as duas mãos e rapidamente digitou, os dedos ainda tremendo.

SN:
“Eu te amo tanto, meu noivo. Desculpa por não atender… eu dormi agarrada com teu cheiro. Sonhei com você.

Me promete que vai dormir também. Se cuida meu amor.”

Ela apertou enviar. Depois deixou o celular cair de novo no colchão, se enfiando sob o lençol com o travesseiro dele apertado contra o peito.

Bam se ajeitou encostado a ela. Silencioso. Protetor.

E ali, com a respiração ainda falha, mas o coração um pouco mais aquecido, ela murmurou:

— Dois meses passam rápido, né, Bam?

O cachorro soltou um resmungo baixo, como se dissesse “Passam sim.”

Ela fechou os olhos e adormeceu novamente.

Base Militar – 05h12 da manhã

O despertador estridente ecoou pelo dormitório ainda escuro. Jungkook abriu os olhos devagar, o corpo protestando com um cansaço que já não era novidade — mas o peito… o peito ainda doía diferente.
Não era físico. Era ausência.

Ele rolou de lado no beliche, encostando o antebraço na testa por alguns segundos. Respirou fundo.

Dois meses… Só dois meses.

O pensamento se repetia como um mantra — uma âncora pra mente que insistia em voar de volta pra casa, pro cheiro dela no travesseiro, pro gosto da boca dela, pro peso do “sim” dito no chão da cozinha.

Se sentou com um leve estalo nos ombros e passou a mão pelo rosto.

Já estavam começando os treinos mais pesados da semana. E ele sabia que precisava estar 100% presente, focado. Mas a lembrança dela… o toque dela… ainda dançava sob a pele dele como um eco.

Ele se levantou, pegou o uniforme dobrado, vestiu em silêncio e saiu com os primeiros que também despertaram. O céu ainda estava pintado de azul escuro, as estrelas começando a desaparecer enquanto o ar da manhã cortava o rosto com leveza.

06h03 – Pátio de Treinamento

O barulho das botas marchando, os gritos de contagem, o baque dos corpos contra o chão durante a série de flexões. Jungkook seguia tudo no ritmo. Mas diferente de outros dias, seus olhos estavam fixos no chão de terra batida com uma expressão mais… contida.

— DEZ FLEXÕES FINAIS! CONTANDO! — gritou o instrutor.

— UM! DOIS! TRÊS!

Ele foi até o fim. Suando. Focado. Mas assim que o treino terminou, o relógio acusando 06h45, ele correu direto pro vestiário.

Tomou uma ducha rápida. Queria o alívio da água fria, mas queria ainda mais pegar o celular no armário, que só era permitido fora dos horários de instrução.

Quando destravou a tela, o coração bateu diferente.

Uma mensagem.

SN:
“Eu te amo tanto, meu noivo. Desculpa por não atender… eu dormi agarrada com teu cheiro. Sonhei com você.

Me promete que vai dormir também. Se cuida meu amor.”

Ele ficou parado ali. Encostado na parede gelada do vestiário.
Os dedos segurando o celular com força.
Um sorriso lento e carregado de emoção se formou nos lábios dele. Os olhos baixaram, fechando por um instante, como se ele estivesse sentindo as palavras dela, ouvindo a voz dela dizendo cada uma delas contra seu pescoço.

Ele respondeu com calma, digitando devagar:

JK:
“Sonhei com você nos meus braços.

Agora tô aqui, lendo sua mensagem com vontade de te agarrar.

Eu te amo, minha noiva.”

Ele bateu o celular contra os lábios como se selasse a mensagem com um beijo, e soltou um longo suspiro antes de guardá-lo de volta.

— Bora, Jeon! — gritou um soldado do outro lado. — Café da manhã vai esfriar!

Jungkook girou os ombros, pegou a toalha e respondeu, com um sorriso de canto:

— Já comi meu melhor café. Tá no celular.

E saiu caminhando com aquele brilho nos olhos — cansado, suado, dolorido…
Mas feliz.
Porque o amor dele estava esperando por ele em casa.
E cada dia que passava… era um a menos até o reencontro.

4 Comentários

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  1. Marcela
    Apr 22, '26 at 1:30 am

    [quote]— Já comi meu melhor café. Tá no celular.

    Um homem, completamente apaixonadoo

  2. Marcela
    Apr 22, '26 at 1:28 am

    [quote]SN: “Eu te amo tanto, meu noivo. Desculpa por não atender… eu dormi agarrada com teu cheiro. Sonhei com você.

    “Meu noivo”
    Ela falando isso com todo o gosto do mundo

  3. Marcela
    Apr 22, '26 at 1:24 am

    [quote]Ela estava encolhida do lado esquerdo da cama, o travesseiro dele ainda nos braços. A blusa dele no corpo. O cabelo meio bagunçado. Os olhos visivelmente inchados, mesmo dormindo.

    Na vdd, n sei quem vai surtar primeiro, se é o JK ou ela

  4. Marcela
    Apr 22, '26 at 1:19 am

    [quote]O peito apertou.

    Esse homem vai surtar lá dentro, sem poder tá perto dela

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