Capítulo 4 – O Xeque-Mate
por FanfiqueiraEu estava perdida no beijo de Namjoon, no cheiro da sua pele, na sensação das suas mãos firmes. Enquanto os lábios dele me devoravam, eu senti a sua mão escorregar ainda mais para baixo, apertando a minha bunda com uma força que me fez ofegar. Um tapa sutil, mas firme, ecoou na pele da minha coxa, e um gemido escapou da minha garganta, perdido no beijo. Era audacioso, era depravado, e era exatamente o que eu queria que Jungkook ouvisse.
— PARE COM ISSO! AGORA! — O rugido de Jungkook perfurou o som do nosso beijo, carregado de uma dor e de uma fúria que eu nunca pensei que ele seria capaz de expressar. — S/N, VOCÊ VAI SE ARREPENDER DISSO!
Parei o beijo, ofegante. Olhei para Namjoon, um brilho de gratidão e… algo mais… nos meus olhos. Ele me sustentava com um olhar de pura cumplicidade. Dei um beijinho rápido no canto da boca dele e, com um movimento fluido, tirei um cartão do decote do meu vestido, colocando-o na mão dele.
— A gente termina isso outra hora — sussurrei para Namjoon, sem tirar os olhos de Jungkook, que parecia estar prestes a implodir. Um sorriso vitorioso desenhou-se nos meus lábios. — Se eu não for agora, aquele bebezão ali vai chorar pro papai dele.
Desci do colo de Namjoon, sentindo o ar frio me atingir. Não olhei para trás. Caminhei em direção a Jungkook, meus passos firmes, meu olhar ardendo em desafio.
Namjoon segurou o cartão na mão, um sorriso presunçoso brincando em seus lábios enquanto observava S/N descer de seu colo. O gemido dela, o tapa na bunda, o beijo… tudo era um show para o homem enraivecido na porta, e Namjoon havia sido o maestro perfeito.
Ele acompanhou S/N com o olhar, apreciando cada centímetro da sua figura que exalava poder. Quando ela se virou para Jungkook e proferiu as palavras que o transformariam em um pedaço de pó, Namjoon apenas riu baixinho, balançando a cabeça.
— Meu número, Princesa — ele sussurrou, mais para si mesmo do que para ela. — Estou ansioso para essa “outra hora”.
As palavras dela… “aquele bebezão ali vai chorar pro papai dele”. Aquilo foi a última gota. Ela me chamou de bebezão, na frente daquele homem, depois de gemer no colo dele. Meu corpo todo tremia de fúria. A imagem dela beijando Namjoon, os gemidos, as mãos dele… aquilo ia me assombrar.
Quando ela desceu, e eu vi o cartão na mão dele, uma raiva gélida tomou conta de mim. Ela havia dado o número dela para ele. Na minha frente.
— Você… — minha voz falhou, e eu não consegui terminar. Eu não conseguia mais. Eu não a reconhecia. A mulher à minha frente era uma estranha, uma predadora que eu criei com minha própria indiferença.
Eu dei um passo para trás, sentindo o ar faltar. A balada inteira parecia rir de mim. Eu não podia mais encará-la. Eu não podia mais encará-los. Meu império de gelo havia derretido, e tudo o que restava era a vergonha e a promessa silenciosa de que ela pagaria por isso. Eu não sabia como, mas ela pagaria.
O trajeto até a saída da boate foi um corredor de olhares. Eu caminhava com o queixo erguido, sentindo o latejar na minha coxa onde a mão de Namjoon estivera e o gosto do uísque dele ainda na minha boca. Jungkook estava logo atrás, sua presença era como uma tempestade de granizo que tentava, sem sucesso, apagar o fogo que eu tinha acabado de acender.
Eu não olhei para trás. Cada passo meu era uma batida de martelo no caixão do nosso contrato. Eu já estava quase sentindo o ar fresco da noite de Seoul quando a voz de Sun-hee cortou o som abafado da música.
— Jungkook! Espera!
Parei por um segundo, apenas o suficiente para ver, pelo reflexo de uma coluna espelhada, ela agarrando o braço dele. O rosto dela estava em pânico, as unhas bem feitas cravando no terno preto de Jungkook. Era a cena que eu assisti por dois anos, mas agora, eu era apenas a espectadora.
O toque de Sun-hee no meu braço sempre foi o meu porto seguro, o lugar para onde eu fugia quando o peso do nome Jeon se tornava insuportável. Eu olhei para ela, para os olhos que eu jurei amar, e por um segundo, o mundo pareceu querer voltar ao normal.
— Fica — ela implorou, a voz trêmula. — Deixa ela ir, Jungkook. Ela deixou claro que não te quer. Vamos voltar para o camarote, vamos esquecer que isso aconteceu. Eu estou aqui agora.
Meu coração martelava contra as costelas. Eu olhei para Sun-hee e depois para as costas de S/N, que continuava a se afastar, indiferente, como se eu fosse um detalhe insignificante na sua noite gloriosa. O beijo dela com Namjoon, o tapa, o deboche… tudo aquilo estava girando na minha mente, criando uma pressão insuportável.
Eu gostava de Sun-hee. Eu a queria. Mas o que estava acontecendo com S/N era… demais. Era um insulto à minha existência, um desafio que eu não podia ignorar. Pela primeira vez, o amor que eu sentia por Sun-hee parecia pálido perto da fúria possessiva que me arrastava em direção à minha esposa.
— Agora não, Sun-hee — eu disse, a voz rouca, soltando o braço dela com uma firmeza que beirava a frieza.
— Mas Jungkook… você disse que…
— Eu disse muita coisa — cortei-a, meus olhos fixos na silhueta de S/N cruzando a porta giratória. — Mas ela ainda carrega o meu sobrenome. E eu não terminei com ela.
Virei as costas para a única mulher que eu achei que amava, deixando-a parada no meio da boate, e saí em direção ao frio da madrugada.
O ar frio de Seoul atingiu meu rosto, limpando parte da névoa de álcool e adrenalina. Eu esperava o manobrista trazer o carro quando ouvi os passos pesados dele atrás de mim.
— Entra no carro. Agora — a voz de Jungkook veio baixa, perigosa, desprovida de qualquer traço da hesitação que ele tivera com a ex há poucos segundos.
Eu me virei lentamente, dando um sorriso seco. — O que foi, Jeon? O “amor da sua vida” não foi o suficiente para te manter lá dentro? Ou o bebezão ficou com medo de eu dar o meu endereço para o Namjoon também?
Jungkook deu um passo para frente, invadindo meu espaço, o rosto contorcido em uma mistura de ódio e algo que ele se recusava a nomear.
O frio da madrugada de Seoul contrastava com o calor que emanava do corpo de Jungkook enquanto ele avançava sobre mim. Eu sentia o metal gelado do carro contra as minhas costas e a fúria dele vibrando no ar, mas eu não recuei. Pela primeira vez, eu não era a esposa que esperava por migalhas; eu era o incêndio que ele mesmo provocou.
Quando ele parou a milímetros de mim, encurralando-me com seus braços fortes contra a lataria do veículo, eu vi o conflito em seus olhos: o ódio, a posse e uma confusão que ele nunca soube mascarar. Eu não o deixei falar. Eu não deixei que ele despejasse mais uma de suas ordens gélidas sobre mim.
Com um movimento impetuoso, agarrei a gola de seu terno e o puxei para baixo, colando meus lábios nos dele.
Foi o nosso primeiro beijo em dois anos. E foi tudo, menos doce.
Foi um beijo carregado de toda a negligência que sofri, de todas as noites que dormi sozinha naquele penthouse e de cada vez que ele me olhou como se eu fosse um erro. Eu despejei naquele contato todo o desejo que guardei, mas também toda a mágoa. Minha língua invadiu sua boca com uma urgência selvagem, dizendo a ele tudo o que o contrato nunca permitiu: que eu o queria, mas que eu também o odiava por me obrigar a chegar a esse ponto.
Eu o beijei para que ele sentisse o gosto de Namjoon ainda em mim, para que ele soubesse o que estava perdendo, e para que ele nunca mais esquecesse que a “cláusula inconveniente” tinha o poder de deixá-lo sem fôlego.
O impacto da boca dela contra a minha foi como uma explosão de estilhaços. Eu estava pronto para brigar, para gritar, para arrastá-la dali… mas não para isso. S/N nunca tinha tomado a iniciativa, nunca tinha me tocado com tamanha agressividade e fome.
Meu cérebro ordenava que eu a afastasse, que eu lembrasse da humilhação na boate, mas meu corpo traiu cada uma das minhas convicções. Minhas mãos, que antes estavam prontas para segurar seus pulsos com raiva, subiram para o seu rosto, enterrando-se em seus cabelos com uma possessividade desesperada.
O beijo dela tinha gosto de uísque, de rebeldia e de uma dor que eu me recusei a enxergar por setecentos dias. Era cru, era real. Pela primeira vez, Sun-hee e o resto do mundo desapareceram. Só existia o calor de S/N e a percepção violenta de que eu estava sendo dominado pela mulher que eu jurava desprezar.
Eu correspondi com a mesma força, apertando-a contra o carro como se pudesse fundir nossos corpos, tentando recuperar o controle que ela havia acabado de roubar de mim.
O ar entre nós estava rarefeito, carregado de uma eletricidade que ameaçava queimar o asfalto frio de Seoul. Nossas respirações se misturavam em nuvens brancas de vapor no inverno da madrugada. Eu mantive minha testa colada à dele, sentindo o suor frio em sua pele e o batimento frenético da sua carótida contra meus dedos.
Jungkook estava em transe. O domínio que ele tanto ostentava havia sido reduzido a cinzas por um único beijo. Eu sentia seus dedos tremerem contra o meu rosto, prestes a apertar, prestes a tentar retomar as rédeas da situação com alguma ordem autoritária.
Mas, antes que ele pudesse abrir a boca, meus olhos vagaram por cima do ombro dele.
Lá estava ela. Sun-hee estava parada à saída da boate, uma silhueta de desolação sob a luz do neon. Ela via tudo: a proximidade, a entrega dele, o modo como o homem que ela chamava de seu estava gravitando em torno da esposa que ele jurou desprezar.
Um novo tipo de poder correu pelas minhas veias. Eu não o beijei de novo por desejo — eu o beijei para marcar o território que ele mesmo tentou abandonar. Puxei-o pela nuca, selando nossos lábios em um estalo breve e úmido, interrompendo qualquer palavra que ele estivesse formando.
Afastei-me apenas o suficiente para que ele visse o brilho predatório nos meus olhos.
— Ainda me acha entediante, Jungkook? — sussurrei, minha voz saindo como seda e veneno.
A pergunta dela me atingiu como uma chicotada. O gosto dela ainda estava na minha língua, um gosto que fazia o perfume de Sun-hee, que ainda impregnava minhas roupas, parecer enjoativo e sem vida. Eu olhei para S/N e, pela primeira vez em dois anos de casamento, eu não vi a “esposa de contrato”. Eu vi uma mulher que poderia me destruir com um sorriso.
Ouvir aquele desafio — “entediante” — foi como ter um espelho colocado na frente da minha própria estupidez. Eu queria gritar que sim, que ela era um problema, que ela era um caos… mas a verdade é que eu nunca me senti tão vivo quanto naquele momento de humilhação e desejo.
Eu senti a presença de Sun-hee atrás de mim sem precisar olhar. Eu sabia que ela estava vendo a minha derrota. Mas, estranhamente, eu não conseguia me importar. Toda a minha obsessão pelo passado parecia pequena diante da fúria que S/N despertou em mim.
— Você não faz ideia do que acabou de começar — respondi, minha voz saindo em um rosnado baixo, enquanto minha mão descia para a cintura dela, prendendo-a contra mim com uma força que dizia que, se era guerra que ela queria, eu seria o seu general mais impiedoso.
Eita que ele se rendeu num beijo
Ele nem se importou mais com a sun-hee
Se o Nan chegar perto dela de novo. Acho que ele tem um treco.
Ainda mais que sentiu o gosto do beijo. Não vai querer perder mais
Bem aí tu arrasou bixa
Ah resolveu acordar pra vida
Menina que humilhação kkkk o cara foi de o rei gelo pra um cara desesperado
Menina isso aqui quebrou ele
Chocada Sun-hee de porto seguro virou nada
Aí q inveja amg
Passada
Iiih rapaz, bem feito
Call me, Nam
Ele a amava sem saber , descobriu por um beijo
Q sortuda eu sou, Jungkook pode até n me querer …mas tem quem queira.Ô se tem…
“Quando ela beija o seu namorado
E me beija por tabela, eu beijo ele
(Lá ele)” Perdão, Jungkook, mas só lembrei disso rs