You have no alerts.
Header Background Image

Meus olhos se abriram num solavanco. O lado dela da cama estava arrumado, frio. O travesseiro não tinha mais o calor do seu corpo.

— S/N? — minha voz saiu falha, um sussurro carregado de terror.

O silêncio da penthouse era ensurdecedor. Pulei da cama, o coração martelando contra as costelas como um animal enjaulado. Corri pelo corredor, os pés descalços batendo no mármore. O pensamento de que ela tinha esperado eu apagar para ir embora, para se encontrar com o Yoongi ou simplesmente sumir da minha vida, me cegava. Eu estava pronto para gritar o nome dela, para ligar para a segurança, para revirar a cidade…

Até que o cheiro me parou.

Café fresco. Torradas. O aroma doméstico e quente de uma manhã que eu nunca tinha vivido naquela casa.

Meus passos desaceleraram. Na cozinha banhada pela luz da manhã, eu a vi.

S/N estava de costas para mim, movendo-se com uma leveza que eu não via há anos. Ela usava apenas um blusão meu, de algodão preto, que ficava enorme nela, cobrindo metade de suas coxas. Seus cabelos estavam presos num coque bagunçado e ela balançava o corpo num ritmo próprio, distraída, com os fones de ouvido isolando-a do resto do mundo.

O pânico desapareceu, substituído por um nó na garganta. Ela não tinha ido embora. Ela estava ali, na nossa cozinha, agindo como se fôssemos um casal normal.

Olhei para a porta da entrada. Não havia ninguém. Onde estavam os seguranças? Onde estava a pressão constante da vigília de Taehyung ou Yoongi?

Eu não ouvi Jungkook se aproximar. A música nos meus ouvidos era alta o suficiente para abafar o mundo, e o ato de quebrar os ovos na frigideira era quase meditativo.

Eu tinha tomado uma decisão ao acordar: hoje, as paredes dessa cobertura não seriam uma prisão. Eu usei o interfone da cozinha e dei a ordem direta. “Ninguém entra. Retirem-se para o perímetro externo. O Sr. Jeon e eu não seremos perturbados.”

Eu queria sentir o gosto de uma vida sem o peso do contrato. Queria ver se, sem os olhos dos outros homens e sem a sombra da Sun-hee, nós ainda éramos capazes de respirar o mesmo ar.

Senti um par de braços envolver minha cintura por trás. Não foi um toque possessivo ou bruto; foi um abraço de quem tinha acabado de ser resgatado de um naufrágio. Jungkook enterrou o rosto na curva do meu pescoço, inspirando meu cheiro com força.

— Você me assustou… — ele murmurou contra a minha pele, a voz ainda rouca de sono. — Achei que tinha te perdido de novo.

Eu não parei o que estava fazendo. Continuei mexendo os ovos, sentindo o calor do peito dele contra as minhas costas, o blusão dele sendo o único tecido entre nós.

— Eu disse que ficaria, Jungkook — respondi, inclinando a cabeça para dar mais espaço ao seu carinho. — E mandei todos embora. Somos só nós dois agora. Sem público, sem guarda, sem mentiras.

Jungkook apertou o abraço, deixando um beijo demorado no meu ombro.

— É a melhor visão que eu já tive nesta casa — ele disse, e eu pude sentir o sorriso dele contra minha pele. — Você, o meu blusão e o silêncio.

O mundo parecia ter parado naquela cozinha. Quando me virei nos braços dele, o blusão deslizou levemente pelo meu ombro, e eu o puxei pela nuca para um beijo que não tinha nada de melancólico. Foi um beijo profundo, quente, que carregava a promessa de que, embora a dor estivesse ali, o desejo ainda era o nosso mestre.

​Separei nossos lábios devagar, sentindo a respiração dele falhar.

​— O café está pronto — sussurrei, meus dedos brincando com os fios de cabelo na nuca dele. — Vai ao trabalho hoje?

​Jungkook abriu a boca para responder, o olhar ainda nublado pelo beijo, mas eu o cortei com uma voz suave, porém definitiva.

​— Ah, e eu reorganizei seus seguranças… Min e Kim vão trabalhar só na sua empresa agora. Eles não ficarão mais aqui, nem terão contato comigo de novo.

​O choque percorreu meu corpo como uma descarga elétrica. Eu olhei para S/N, tentando decifrar o que havia por trás daquele sorriso sereno enquanto ela servia o café. Ela não estava apenas “organizando” a casa; ela estava queimando as pontes.

​Ao tirar Taehyung e Yoongi da cobertura, ela estava fazendo duas coisas ao mesmo tempo: me dando a exclusividade que eu implorei, mas também eliminando as testemunhas — e os participantes — da sua rebeldia. Ela estava limpando o rastro do “crime” e, ao mesmo tempo, garantindo que eu não tivesse que olhar para os homens que a tocaram enquanto eu falhava.

​— Você… — eu comecei, a voz falhando. — Você os mandou embora em definitivo daqui?

​— Sim — ela respondeu, calma, levando uma xícara aos lábios. — Se vamos recomeçar, Jungkook, não quero fantasmas rondando os corredores. Eles servem ao seu império, não ao nosso lar.

​Eu senti um alívio covarde misturado com uma admiração sombria. S/N era mais estratégica do que eu jamais dei crédito. Ela sabia que eu não conseguiria olhar para o Taehyung sem querer matá-lo, e sabia que o Yoongi era uma ferida aberta. Ao removê-los, ela estava assumindo o controle total da narrativa.

​— Eu não vou para a empresa hoje — eu disse, ignorando o celular que vibrava na sala. — Se você limpou a casa para ficarmos sozinhos, então eu vou honrar cada segundo disso.

​Eu vi a gratidão nos olhos dele, e uma parte de mim sentiu um prazer distorcido. Ao afastar o Min e o Kim, eu não estava “limpando a casa” para o Jungkook. Eu estava salvando a mim mesma de ser consumida pelo que eles representavam. E, mais do que isso, eu estava deixando o Jungkook em uma posição onde ele agora só tinha a mim.

​Sem Sun-hee, sem os amigos de confiança por perto… ele era meu. Totalmente meu.

​— Ótimo — respondi, dando um sorriso de canto que o fez perder o fôlego. — Então acho que temos o dia inteiro para descobrir se esse blusão fica melhor em mim ou jogado no chão do quarto.

​O café poderia esfriar, as torradas poderiam queimar e o mundo lá fora poderia desmoronar. Nada disso importava enquanto eu sentia o sabor de Jungkook novamente, mas dessa vez era diferente. Não havia a raiva cortante da cozinha, nem o desespero de provar algo. Era uma entrega lenta, uma possessão mansa que me fazia esquecer até de respirar.

— Aaah, Jung… — sussurrei contra os lábios dele, as mãos apertando seus ombros, sentindo o tecido da sua pele sob meus dedos.

O blusão dele, que me servia de vestido, subiu conforme ele me puxava para mais perto, e eu não fiz nada para impedir. Eu o queria ali, naquele parênteses de tempo que eu mesma criei ao expulsar os fantasmas de farda daquela casa.

Quando S/N sussurrou meu nome daquele jeito, entrecortado pelo beijo, eu senti como se o chão tivesse finalmente parado de tremer sob meus pés. Ela não estava apenas me beijando; ela estava me reivindicando.

O cheiro do café fresco se misturava ao perfume da pele dela pós-banho, um aroma que agora eu associava à minha única forma de salvação. Minhas mãos desceram pelas suas costas, sentindo a seda do meu próprio blusão sob as palmas, até encontrar a curva firme das suas coxas. Eu a suspendi, sentando-a no balcão de mármore — o mesmo lugar onde o caos começou ontem, mas que agora parecia o altar da nossa trégua.

— Esquece o café… — eu respondi entre beijos ávidos, minha voz soando como um rosnado baixo de quem encontrou o caminho de casa depois de anos no escuro.

Eu não conseguia parar de tocá-la. Era como se eu precisasse memorizar cada centímetro dela para acreditar que ela era real, que ela não tinha sumido com o nascer do sol. A menção de que ela tinha afastado o Taehyung e o Yoongi ainda ecoava na minha mente, trazendo um alívio que me deixava tonto. Eu não teria que dividir o olhar dela com ninguém. Eu não teria que ver a sombra do que ela fez nos olhos dos meus homens.

— Você não tem ideia do que faz comigo, S/N — murmurei, descendo os beijos para o seu pescoço, sentindo o pulso dela acelerar sob meus lábios. — Eu passaria o resto da minha vida aqui, nesse balcão, se isso significasse que você nunca mais vai olhar para outro homem como olhou para eles.

Eu a apertei contra mim, sentindo o calor do seu corpo, e percebi que, pela primeira vez, eu não queria o controle. Eu queria apenas pertencer a ela.

O café no bule foi esquecido, tornando-se apenas um ruído de fundo enquanto o calor entre nós atingia o ponto de ebulição. Jungkook não esperou por uma resposta verbal; ele leu o convite nos meus olhos e na forma como minhas pernas se abriram para ele no mármore frio.

Eu joguei a cabeça para trás quando senti as mãos dele rasgarem o blusão para cima, expondo minha pele ao ar frio da cozinha por apenas um segundo antes de ele me prensar novamente. Jungkook estava ávido, como se estivesse tentando marcar cada célula do meu corpo com a sua presença, apagando qualquer rastro residual que o Min ou o Kim tivessem deixado ali.

Ele não foi gentil. Havia uma urgência crua. Quando ele abriu a calça e se posicionou, eu segurei seus ombros, sentindo a dureza dele pressionando minha entrada já úmida e pulsante. Ele entrou de uma vez, um estocada funda que me fez arquear as costas e soltar um grito abafado no seu pescoço.

— Porra, Jungkook… — gemi, minhas unhas cravando-se nas costas dele. — Mais… fode a sua mulher…

Ouvir aquele palavrão saindo da minha boca o transformou. Ele rosnou, o rosto enterrado no meu decote, abocanhando um dos meus seios por cima da renda fina da lingerie. Ele chupava com força, a língua brincando com o mamilo ereto enquanto suas mãos apertavam minhas nádegas contra o mármore, elevando meu quadril para que ele pudesse ir ainda mais fundo.

Eu estava perdendo o juízo. O som da nossa pele colidindo, o estalo úmido e barulhento a cada estocada, era o único ritmo que importava. A forma como ela me apertava por dentro era surreal, um vácuo quente que parecia querer me consumir por inteiro.

— Caralho, S/N… olha como você está gulosa — sussurrei no ouvido dela, minha voz falhando de prazer. — Você está engolindo tudo… apertando o meu pau desse jeito… você é minha, entende? Só minha.

Eu a puxei para um beijo desesperado, nossas línguas se entrelaçando em uma troca de saliva barulhenta e faminta. Eu beijava o rosto dela, o pescoço, sussurrando entre arfares:

— Eu te amo… eu te amo tanto, porra. Me perdoa por ter demorado… me deixa ser o único…

Ela respondia com gemidos altos, palavrões que me faziam estocar ainda mais forte, mais rápido. Eu queria que ela sentisse cada centímetro da minha possessão. Eu queria que o prazer fosse tão intenso que apagasse qualquer memória de outros toques.

O balcão vibrava. O cheiro de café queimando agora se misturava ao cheiro de sexo e entrega. S/N travou as pernas na minha cintura, os espasmos dela começando a me apertar com uma força agonizante. Eu senti o meu próprio controle ruir. Com uma última estocada que nos uniu até o osso, eu gozei fundo dentro dela, soltando um rugido contra o seu ombro.

Ficamos ali, colados, os corpos suados deslizando um no outro. O silêncio da casa voltou a reinar, quebrado apenas pela nossa respiração entrecortada e o som dos nossos beijos lentos, ainda trocando saliva, num ritmo de despedida da tensão.

Eu a segurei com força, os olhos fechados, sentindo o latejar compartilhado. — Você é o meu mundo — sussurrei contra os lábios dela, que ainda tremiam. — Nunca mais vou deixar esse espaço esfriar.

13 Comentários

Aviso! Seu comentário ficará invisível para outros convidados e assinantes (exceto para respostas), inclusive para você, após um período de tolerância. Mas se você enviar um endereço de e-mail e ativar o ícone de sino, receberá respostas até que as cancele.
  1. Anne
    Feb 8, '26 at 11:06 pm

    Eu a segurei com força, os olhos fechados, sentindo o latejar compartilhado. — Você é o meu mundo — sussurrei contra os lábios dela, que ainda tremiam. — Nunca mais vou deixar esse espaço esfriar.

    Que ele consiga cumprir o que está prometendo

    1. Luana
      @AnneFeb 9, '26 at 2:45 pm

      Prometaaaaa

  2. Anne
    Feb 8, '26 at 11:06 pm

    ​— Ah, e eu reorganizei seus seguranças… Min e Kim vão trabalhar só na sua empresa agora. Eles não ficarão mais aqui, nem terão contato comigo de novo.

    Deixou os “estepes” longe

  3. Marcela
    Feb 9, '26 at 12:12 am

    — Você me assustou… — ele murmurou contra a minha pele, a voz ainda rouca de sono. — Achei que tinha te perdido de novo.

    Aaaaaah, que lindoo

    1. Luana
      @MarcelaFeb 9, '26 at 2:46 pm

      Vc conseguiu Jk

  4. IASMINE
    Feb 9, '26 at 10:25 pm

    Os dois totalmente entregues q lindo

  5. Sheila
    Feb 17, '26 at 4:23 pm

    Que delícia de entrega de ambos!!! Agora são realmente um só!!! Que inveja!!! Kkkk

  6. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:29 pm

    O pânico desapareceu, substituído por um nó na garganta. Ela não tinha ido embora. Ela estava ali, na nossa cozinha, agindo como se fôssemos um casal normal.

    Pior de tudo, é que o medo nunca vai embora kk
    Sempre vai ter uma sombra rodeando

  7. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:30 pm

    Eu tinha tomado uma decisão ao acordar: hoje, as paredes dessa cobertura não seriam uma prisão. Eu usei o interfone da cozinha e dei a ordem direta. “Ninguém entra. Retirem-se para o perímetro externo. O Sr. Jeon e eu não seremos perturbados.”

    Arrasou Patroa kk

  8. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:33 pm

    ​O choque percorreu meu corpo como uma descarga elétrica. Eu olhei para S/N, tentando decifrar o que havia por trás daquele sorriso sereno enquanto ela servia o café. Ela não estava apenas “organizando” a casa; ela estava queimando as pontes.

    Quando se tem uma mulher de verdade, é isso ai

  9. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:36 pm

    ​— Ótimo — respondi, dando um sorriso de canto que o fez perder o fôlego. — Então acho que temos o dia inteiro para descobrir se esse blusão fica melhor em mim ou jogado no chão do quarto.

    Eita Muié
    O café nem esfriou ainda

  10. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:40 pm

    [quote]— Porra, Jungkook… — gemi, minhas unhas cravando-se nas costas dele. — Mais… fode a sua mulher… [/quote
    MDS kk,que baixaria kk]

  11. THAMIRIS
    Feb 17, '26 at 9:42 pm

    O balcão vibrava. O cheiro de café queimando agora se misturava ao cheiro de sexo e entrega. S/N travou as pernas na minha cintura, os espasmos dela começando a me apertar com uma força agonizante. Eu senti o meu próprio controle ruir. Com uma última estocada que nos uniu até o osso, eu gozei fundo dentro dela, soltando um rugido contra o seu ombro.

    Eles nunca vão ter uma refeição,sem está queimada desse jeito kk

Nota

Você não pode copiar conteúdo desta página