Capítulo 14 – O Preço do Descaso
por FanfiqueiraO silêncio dela doía mais do que qualquer grito, mas a pergunta… a pergunta foi um golpe físico. Senti meus braços tremerem levemente ao redor dela, o calor do seu corpo sendo a única coisa que me impedia de desmoronar ali mesmo.
Quando ela finalmente se virou, o estrago estava feito. Ver os olhos dela vermelhos, transbordando uma mágoa que eu mesmo cultivei, foi como olhar em um espelho que distorcia minha própria alma. Eu vi a negligência. Vi as sombras do contrato que eu usei como escudo e que agora servia apenas como minha sentença.
“Você me ama agora, Jeon?”
A voz dela não tinha ódio; tinha cansaço. E isso era pior.
Tentei formular uma resposta, mas as palavras pareceram secar na minha garganta. Eu queria gritar que sim, que o amor tinha se infiltrado pelas frestas que eu esqueci de fechar. Mas como convencê-la de que não era apenas o medo de perder o controle? Como explicar que o “controle” que eu tanto prezava agora parecia uma prisão solitária?
Eu olhei para ela, e pela primeira vez, a máscara caiu completamente. A inundação de culpa nos meus olhos não era um artifício — era o naufrágio.
Engoli em seco, o gosto amargo da verdade travando na minha língua. A menção ao “controle” me atingiu porque, por muito tempo, foi a única coisa que me restou. Quando meu pai e eu quase vimos o império desmoronar, aquela que eu chamava de “amada” não pensou duas vezes antes de saltar do barco. Ela queria o brilho, o ouro, o sexo e a adoração; nunca quis o homem que sangrava para manter tudo de pé.
E por causa dela, eu me fechei. Fiz de você um contrato porque contratos são seguros. Contratos não partem seu coração, eles apenas cumprem cláusulas.
Mas agora, olhando para você, o peso da minha estupidez me esmagava.
— Eu amei uma imagem antes — comecei, minha voz falhando, os olhos ainda presos nos seus. — Eu amei alguém que só estendia a mão se houvesse algo para receber em troca. Eu achei que aquilo era o topo, S/N. Achei que aquele incêndio era o único que existia.
A puxei mais pra mim, sentindo o calor que emanava da sua pele. Esse era o ponto: a ex me incendiava como um fósforo, rápido e destrutivo. Mas você… o seu toque me incendiou como o sol. É constante. Você sempre me deu tudo sem eu pedir, a atenção nos detalhes que eu nunca julguei merecer, a forma como você me olhava como se eu fosse um homem, e não um título ou uma conta bancária.
— Não é controle — sussurrei, a mão subindo devagar, parando antes de tocar seu rosto, esperando uma permissão silenciosa que talvez não viesse. — É pânico. É o pânico de perceber que eu passei meses tentando me proteger de uma dor antiga, enquanto causava uma ferida real na única pessoa que me tratou como se eu fosse humano.
Apertei os olhos por um segundo, a imagem da ex sumindo como fumaça irrelevante diante da mulher ferida à minha frente.
— Ela queria que eu atendesse aos desejos dela. Você… você simplesmente me deu o que eu nem sabia que precisava. E eu fui covarde demais para admitir que isso me mudou. Que você me mudou.
Me inclinei levemente, encostando minha testa na sua, respirando o mesmo ar que você.
— Se eu pudesse rasgar aquele contrato e cada lembrança daquela negligência com as minhas próprias mãos, eu faria. Eu não quero o controle, S/N. Eu quero o direito de tentar curar o que eu quebrei.
As palavras dele flutuavam entre nós, carregadas de um arrependimento que eu nunca achei que veria em seu rosto. Ele parecia sincero. Ele parecia desesperado. Mas a matemática da dor não batia.
— Uma noite não muda dois anos, Jungkook — minha voz saiu embargada, interrompida por um soluço que eu tentei, em vão, engolir. — Como… como isso pode ser amor?
Eu me afastei um centímetro, o suficiente para conseguir olhar para ele sem ser consumida pelo seu calor. As lágrimas queimavam meu rosto, traçando o caminho da minha exaustão.
— O sentimento que você tinha por ela… você não escondia de ninguém. O mundo inteiro sabia que ela era a sua “amada” e eu era apenas o papel que você assinou para salvar sua empresa. Como isso acaba assim, em uma única noite? — Gesticulei entre nós dois, sentindo o peso do vazio. — Nosso primeiro beijo de verdade, depois de dois anos de silêncio, foi ontem.
Eu queria acreditar. Uma parte de mim gritava para me lançar nos braços dele e aceitar qualquer migalha de afeto. Mas a parte que sobreviveu à negligência estava em alerta.
— Você passou setecentos e trinta dias me olhando como se eu fosse um móvel na sua casa. E agora, porque me tocou, você me ama? Isso parece controle, Jungkook. Parece que você só está assustado porque eu finalmente parei de esperar por você. É uma mudança repentina demais para ser real. Como eu posso saber que amanhã você não vai acordar e lembrar que, no fundo, ainda prefere o fantasma dela?
Ouvir os números saindo da boca dela — dois anos, setecentos e trinta dias — foi como sentir o peso de cada segundo que eu desperdicei. Ela estava certa em duvidar. Se eu estivesse no lugar dela, eu já teria ido embora há muito tempo.
— Não foi só uma noite, S/N… — tentei dizer, mas a frase morreu.
Como eu poderia explicar que o incêndio de ontem foi apenas a explosão de algo que vinha vazando dentro de mim há meses? Como dizer que eu vinha observando o jeito que ela ajeitava o cabelo quando estava nervosa, ou a forma gentil como ela tratava os funcionários, e comparando isso, inconscientemente, com a frieza de quem eu amei antes?
A verdade é que eu estava sendo covarde. Eu estava usando o fantasma da minha ex como um escudo para não admitir que você estava ganhando espaço. Eu me agarrava àquela dor antiga porque ela era familiar, enquanto o que eu sentia por você me apavorava por ser novo e real.
— Eu sei que parece repentino — falei, dando um passo à frente, ignorando o impulso de recuar diante da sua rejeição justa. — Eu sei que o tempo não joga a meu favor. Mas não foi o sexo que mudou tudo, S/N. O sexo só foi o momento em que eu parei de lutar contra o que já estava me sufocando.
Eu queria mostrar a ela que a “amada” do passado era uma construção de ego, enquanto ela… ela era a realidade que eu não merecia.
— Eu não escondia o que sentia por ela porque aquilo era fácil de exibir. O que eu sinto por você… eu escondi de todo mundo, inclusive de mim, porque se eu admitisse, eu teria que encarar o monstro que fui com você por dois anos. E eu sou um monstro, S/N. Mas sou um monstro que finalmente acordou e não consegue suportar a ideia de ver você partir.
As palavras saltaram da minha boca antes que eu pudesse contê-las. Foi um reflexo de defesa, uma tentativa de feri-lo de volta, de nivelar o jogo de dor que jogamos por dois anos.
— Eu transei com o seu segurança, Min Yoongi.
O silêncio que se seguiu não foi vazio; foi pesado, denso como chumbo. Eu esperava que ele gritasse, que me mandasse embora, ou que risse com desdém. Mas a reação de Jungkook foi pior. Ele não se moveu. O maxilar dele travou com tanta força que pude ver os músculos do pescoço saltarem.
Jungkook fechou os olhos por um segundo longo demais. Quando os abriu, a culpa que antes inundava seu olhar foi substituída por uma sombra muito mais escura.
— Você acha que eu não vi? — A voz dele saiu num sussurro perigosamente calmo, o que me fez estremecer. — Você acha que eu não encontrei o que você deixou no meu carro, S/N?
Ele me puxou pra mais perto ainda, mas dessa vez não havia hesitação. Havia uma possessividade ferida que emanava dele em ondas.
— Eu vi. Eu senti o cheiro de outro homem no meu banco, vi a prova da sua vingança… e sabe o que é o pior? — Ele soltou um riso seco, sem humor, que terminou em um suspiro quebrado. — O pior é saber que eu não tenho o direito de reclamar. Porque eu te empurrei para os braços de qualquer um que te desse a atenção que eu, como um covarde, neguei.
Ele parou a centímetros de mim. Eu conseguia ver o conflito em seu rosto: ele queria me odiar pelo que fiz com o Yoongi, mas o amor tardio que ele dizia sentir o obrigava a aceitar que a culpa de tudo isso começava e terminava nele mesmo.
— Você queria me destruir com isso? — Ele perguntou, os olhos fixos nos meus, brilhando com uma intensidade que me fez perder o fôlego. — Parabéns. Você conseguiu. Mas se você acha que saber disso vai me fazer desistir de você agora… você não me conhece.
— Você não pode! — O grito saiu rasgando minha garganta, mais alto e mais desesperado do que eu pretendia.
As lágrimas, que eu achei terem secado, voltaram a inundar minha visão, quentes e amargas. Eu recuei, balançando a cabeça, sentindo o peso de cada escolha errada que fiz na quele dia. O fato de ele aceitar o Yoongi, o fato de ele dizer que me amava agora… tudo isso me fazia sentir sufocada. Me fazia sentir suja.
— Você não pode simplesmente aceitar isso, Jungkook! — Solucei, levando as mãos ao rosto. — Eu… eu transei com o Tae também.
O nome dele flutuou no ar como uma sentença de morte. Eu vi o momento exato em que o corpo do Jungkook paralisou. Se o Yoongi era uma suspeita confirmada, o Taehyung era o golpe que ele não viu chegar.
— Enquanto você ia ao mercado… — continuei, a voz falhando, as palavras saindo como se eu estivesse confessando um crime hedionde. — Eu fiz isso, Jungkook. Com os seus dois homens de confiança.
Eu olhava para ele esperando o ódio. Eu precisava que ele me odiasse. Porque, se ele me odiasse, eu teria uma razão para o vazio que sentia. Mas o jeito que ele me olhava — com aquela mistura de dor e uma compreensão devastadora — só me fazia sentir pior. Durante dois anos, ele me tratou como nada, e agora que eu me transformei em algo que eu mesma não reconhecia, ele queria me dar o mundo?
A culpa me corroía. Eu sentia que não merecia esse “amor” repentino. Eu me sentia indigna de qualquer carinho, porque no processo de tentar feri-lo, eu acabei ferindo a mim mesma, manchando a única coisa que eu ainda tinha: minha integridade.
O nome de Taehyung saiu dos lábios dela como um estilhaço de vidro, cravando-se direto no meu peito.
Taehyung. Meu amigo. O homem que eu designei para protegê-la quando eu não estava.
Senti o chão sumir por um instante. O mundo girou e a imagem da S/N, chorando e se encolhendo como se estivesse suja, quebrou o que restava do meu coração. A raiva tentou subir — uma raiva possessiva, masculina, violenta — mas ela foi sufocada quase instantaneamente por uma percepção esmagadora.
Eu fiz isso.
Eu a levei ao limite. Eu a deixei tão faminta de afeto, tão desesperada para ser vista, que ela buscou refúgio nos únicos lugares onde encontrou calor. Eu a negligenciei por setecentos dias, e agora estava colhendo a tempestade que plantei.
— S/N… olha para mim — pedi, minha voz soando estranha, grossa de emoção contida.
Eu me ajoelhei diante dela, antes que ela pudesse recuar mais, segurei seus pulsos com firmeza, mas sem machucar. Ela tentava se soltar, tentando fugir da própria vergonha.
— Não diga que eu não posso. Eu posso e eu vou.
Eu a puxei para perto, forçando-a a encarar o naufrágio nos meus olhos.
— Você acha que está suja? — Perguntei, sentindo uma lágrima minha escapar. — Se você está suja, foi porque eu te joguei na lama. Se você buscou o Tae ou o Yoongi, foi porque eu agi como se você não existisse. A culpa não é deles, e porra… a culpa não é sua. É minha.
Encostei minha testa na dela, sentindo o tremor do seu corpo. O pensamento dela com o Taehyung me queimava como ácido, mas o medo de perdê-la era uma fornalha ainda maior.
— Eu não me importo se você transou com o mundo inteiro para tentar esquecer o que eu te fiz passar. Eu ainda estou aqui. E eu não vou a lugar nenhum. Você não vai se livrar de mim se transformando em alguém que você odeia, porque eu vou amar essa versão também, até você se lembrar de quem você realmente é.
Taehyung. Meu amigo. O homem que eu designei para protegê-la quando eu não estava.
Ele protegeu ela, só n foi da forma que ele esperava kkkkk
Uma mulher ferida faz coisa viu . E homem não dispensa !
Eu me ajoelhei diante dela, antes que ela pudesse recuar mais, segurei seus pulsos com firmeza, mas sem machucar. Ela tentava se soltar, tentando fugir da própria vergonha.
Rendido e apaixonado
Quer mais alguma coisa SN? Kkkkk
— Eu não me importo se você transou com o mundo inteiro para tentar esquecer o que eu te fiz passar. Eu ainda estou aqui. E eu não vou a lugar nenhum. Você não vai se livrar de mim se transformando em alguém que você odeia, porque eu vou amar essa versão também, até você se lembrar de quem você realmente é.
Um homem apaixonado é outra coisa, né ??
Eu me ajoelhei diante dela, antes que ela pudesse recuar mais, segurei seus pulsos com firmeza, mas sem machucar. Ela tentava se soltar, tentando fugir da própria vergonha.
Rendido e apaixonado.
Mais alguma coisa SN? Kkkkk
Eu me ajoelhei diante dela, antes que ela pudesse recuar mais, segurei seus pulsos com firmeza, mas sem machucar. Ela tentava se soltar, tentando fugir da própria vergonha.
Rendido e apaixonado
Mais alguma coisa SN? Kkkk
Ele está aceitando tudo o que ela fez
Dizer agora isso parece tão banal
JK a jogou ao mundo. Agora ela precisa entender que o que fez não foi culpa dela, foi de tudo o que aconteceu para chegar até esse momento
Aqui ele foi grandão, reconheceu o erro e ainda segurou a mão dela
Que mudança em Jk?! Arrependimento total!!!
Que ódio,pq não diz que ama
O silêncio é pior
Continua …ta no caminho
Triste,mais infelizmente é a realidade
Pronto….agora tá eu e o JK sem entender
Não era pra ele aceitar ??!!!
Agora matou ….Chama outro segurança JK tenho mais 4 pra indicar kk
É disso também não podemos discordar
Isso sim, é um corno conformado kkk