Capítulo 6 – “Meu Amor ❤️”
por FanfiqueiraO silêncio da penthouse era cortante, interrompido apenas pela vibração intermitente daquele aparelho sobre a mesa de cristal. Eu não consegui voltar para o quarto. Não consegui me deitar ao lado do homem que me possuiu com fúria, mas que me guardava no esquecimento de um número sem nome.
Enrolei-me em um roupão de seda preta e me encolhi no sofá da sala, bem de frente para o celular dele. Meus olhos estavam fixos na tela que acendia a cada poucos minutos, iluminando a escuridão com o nome “Meu Amor ❤️”. Cada chamada perdida era um prego no caixão da noite perfeita que tínhamos tido. Eu assisti ao tempo passar, sentindo o latejar no meu corpo — um lembrete físico da entrega dele — enquanto minha mente processava a crueldade do descaso emocional.
Por volta das seis da manhã, a luz cinzenta da aurora começou a rastejar pelo chão da sala. Meus olhos pesavam, o cansaço da noite de prazer e da madrugada de agonia finalmente vencendo a minha resistência. Eu estava em um sono leve, um transe exausto, quando o barulho recomeçou.
Vrum… Vrum… Vrum…
Desta vez, o som parecia mais alto, ecoando na minha cabeça como uma britadeira. O nome dela brilhava ali, implacável. Às seis da manhã, Sun-hee não estava apenas ligando; ela estava desesperada.
Acordei em um solavanco com o som estridente do toque personalizado que, agora eu percebia, ele tinha apenas para ela. Meu coração deu um salto descompassado. Ainda meio grogue pelo sono picado, minha mão agiu por puro instinto, antes mesmo que minha razão pudesse me impedir.
Estiquei o braço e deslizei o dedo pela tela.
Chamada Atendida.
O silêncio do outro lado durou apenas um segundo antes que a voz de Sun-hee transbordasse, carregada de choro e uma possessividade irritante.
— Jungkook? Graças a Deus! Por que você não me atendeu? Eu passei a noite inteira em claro! Aquela mulher… ela te obrigou a ir embora, não foi? Jungkook, fala comigo! Eu sei que você não queria me deixar lá na boate…
Eu segurei o aparelho junto ao ouvido, sentindo uma calma glacial percorrer minha espinha. Olhei para o corredor que levava ao quarto, onde o dono do celular provavelmente ainda dormia o sono profundo de quem achava que tinha o controle de tudo.
— Sinto muito, Sun-hee — eu disse, minha voz saindo baixa, rouca pelo uso da noite anterior e cortante como uma lâmina. — Mas o Jungkook está… profundamente ocupado no momento. E, a julgar pelo cansaço dele, ele não vai acordar tão cedo.
O som de vozes baixas vindo da sala começou a furar o bloqueio do meu sono. Meus músculos protestavam, cada fibra do meu corpo lembrando da intensidade com que possuí S/N naquela cama. Estiquei a mão para o lado, tateando o lençol à procura do calor dela, mas encontrei apenas o tecido frio e vazio.
Abri os olhos de supetão. A memória da noite anterior voltou como uma avalanche: a boate, Namjoon, o beijo no carro e a rendição absoluta dela sob meu corpo.
Levantei-me, vestindo apenas uma calça de moletom, e caminhei em direção à sala, guiado pelo som da voz dela. Quando cheguei ao arco da porta, parei estático.
S/N estava sentada no sofá, o meu celular pressionado contra a orelha, um sorriso gélido e vitorioso nos lábios. Ela me viu. Seus olhos encontraram os meus com um desprezo que me fez congelar no lugar.
— Quer falar com ele agora, “Meu Amor”? — S/N disse para o telefone, mantendo o contato visual comigo. — Ele acabou de acordar. Está aqui na minha frente… exatamente como passamos a noite toda: sem espaço para mais ninguém.
Ela estendeu o celular em minha direção, o braço firme, o olhar queimando em uma mistura de ódio e triunfo. Naquele momento, eu soube. O segredo do meu celular, a forma como eu a negligenciei e a persistência de Sun-hee… tudo tinha colidido.
O jogo não tinha acabado no quarto. Ele estava apenas começando de um jeito muito mais perigoso.
Eu não desviei o olhar nem por um milímetro. A confusão no rosto de Jungkook, os cabelos bagunçados e o peito nu ainda marcado pelos meus arranhões formavam uma imagem de vulnerabilidade que eu saboreei. Com um movimento lento e deliberado, apertei o ícone na tela.
Viva-voz Ativado.
— Jungkook? Jungkook, você está aí?! — A voz de Sun-hee ecoou pela sala luxuosa, agora aguda e histérica. — Quem era essa mulher? O que ela está fazendo com o seu telefone? Me responde!
Jungkook deu um passo à frente, a mão estendida para recuperar o aparelho, mas eu recuei o braço, mantendo o celular entre nós como uma granada sem pino.
— Ela está perguntando por você, “querido” — eu disse, o sarcasmo pingando como veneno de cada sílaba. — Anda, explique para o seu “amor” por que você não pôde atender as trinta ligações dela. Explique que você estava muito ocupado tentando me convencer de que eu sou sua.
Jungkook travou a mandíbula, os olhos escurecendo de uma forma que antes me daria medo, mas que agora só alimentava meu desprezo.
— S/N, desliga isso. Agora — ele ordenou, a voz baixa e rouca, vibrando com uma ameaça que ele não conseguia sustentar.
— Jungkook? É você? — Sun-hee gritava do outro lado. — Que barulho é esse? Quem está falando? Você está na penthouse com ela? Você prometeu que ela era só um negócio!
Eu ri. Um riso curto, seco e sem nenhuma alegria.
— Ouviu isso, Jungkook? “Apenas um negócio”. — Joguei o celular sobre o sofá, onde a voz dela continuava a sair, abafada pelo tecido. — É por isso que eu não estou salva nos seus contatos? Porque negócios não precisam de nome? Porque “meu amor” é um título reservado para quem você deixa plantada na boate enquanto se perde no meu corpo?
O som da voz de Sun-hee saindo do meu telefone, preenchendo a sala onde eu acabei de viver a noite mais intensa da minha vida, era insuportável. Eu olhei para o celular e depois para S/N. O contraste era violento. De um lado, o passado implorando por atenção; do outro, a mulher que acabara de me incendiar, olhando-me como se eu fosse nada além de um erro de contrato.
— Sun-hee, chega! — Gritei para o telefone, sem pegá-lo. — Eu ligo depois. Não ligue mais para este número hoje.
Cortei a chamada com um movimento brusco e o silêncio que se seguiu foi pior que os gritos. Eu me aproximei de S/N, tentando segurar seus ombros, mas ela se esquivou como se meu toque a queimasse.
— S/N, escuta… o nome no celular… eu nunca mudei porque nunca me importei o suficiente para mexer nisso — tentei dizer, a mentira soando amarga até para mim. — E sobre o seu número…
— Não se dê ao trabalho, Jungkook — ela me cortou, caminhando em direção à mesa de cristal e pegando a bolsa que deixara ali na noite anterior. — Você teve a noite toda para ser um homem. Mas você preferiu ser um dono de terras reivindicando um território que você nem se deu ao trabalho de registrar.
Eu me virei para ele, já perto da porta do elevador. O sol da manhã agora iluminava cada detalhe do desastre que éramos.
— Você quer que eu seja sua esposa no papel? Tudo bem. Mas não ouse tocar em mim de novo até que o nome naquele celular reflita a realidade — apontei para o aparelho no sofá.
Pressionei o botão do elevador.
— O café está na cozinha. Aproveite a solidão, Jungkook. Parece ser a única coisa que você realmente sabe cultivar.
As portas de metal se fecharam, deixando-o sozinho com o eco das chamadas perdidas e o perfume de uma mulher que ele finalmente percebeu que nunca possuiu de verdade.
Ela foi muito boa saindo assim
A Sun-hee achando que ele tinha ido embora forçado. Coitada
Achou que ela ia aceitar uma desculpa qualquer
Continua colocando moletom depois de uma noite deliciosa!!! Quero ser seu moletom!!!
Doce tortura!!!kkkk
Solidão que vc merece…
Agora receba…
Mas não vai esquecê-la tão cedo né?!
Principalmente depois da noite ardente que passaram!!!
Nossa!!! Perdeu a oportunidade de ficar com ela…
Nem registrar o nome dela nos contatos?!
Fala serio?!
Boa garota, deixa ele queimar agora kkkk
Mais que mulherzinha insuportável
Eita porra@,terminou de matar a outra kk
Brincou com fogo,agora te vira
Kk habla mesmo
De volta à dura realidade
Nossa,obriguei sim, o coitadinho indefeso n teve outra escolha a n ser ir comigo
E vc acreditou, n acreditou??