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  • Capítulo 5 – O Resgate de Si Mesma Capa
    por Fanfiqueira — O cursor continuava a piscar na tela do computador. Pisca. Pisca. Pisca. Durante anos, aquele retângulo luminoso no monitor fora o centro gravitacional de sua existência. Cada linha de texto, cada célula de planilha, cada métrica de desempenho parecia uma prova irrefutável de sua capacidade e de seu valor no mundo. Mas agora, na solidão daquela sala envidraçada no décimo andar, o brilho azulado parecia apenas o reflexo de uma vida vivida pela metade. Ela olhou para o relógio digital no canto…
  • Capítulo 4 – A Fronteira da Realidade Capa
    por Fanfiqueira — A luz do sol invadiu o quarto não com um sobressalto, mas como um borrão dourado e suave que atravessava as frestas da persiana de madeira do apartamento de Hoseok. Quando ela abriu os olhos, a sensação de desorientação durou apenas alguns segundos. O cheiro de café fresco já pairava no ar, misturado ao aroma de sândalo do ambiente. O lado da cama ao seu lado estava vazio, mas o lençol ainda conservava um resquício morno da presença dele. Ela se espreguiçou devagar, sentindo cada músculo…
  • Capítulo 3 – A Gravidade do Toque Capa
    por Fanfiqueira — O beijo no espaço confinado do carro foi uma colisão de represamentos. Não havia mais a cautela calculada dos últimos anos, nem a distância cortês que mantinham sob o rótulo de uma amizade segura. Quando os lábios dela finalmente tocaram os de Hoseok, o ar sumiu do veículo em uma fração de segundo. A mão dele na nuca dela se fechou com uma firmeza possessiva, puxando-a para mais perto, enquanto a outra mão envolveu seu quadril, pressionando-a contra o console central. Hoseok suspirou…
  • Capítulo 2 – O Peso da Gravidade Capa
    por Fanfiqueira — A centímetros de distância, a respiração de Hoseok era a única coisa no universo que parecia ter ritmo. Todo o resto o som abafado dos pinos caindo a três pistas dali, o zumbido mecânico do ar-condicionado e o piscar roxo e azul das luzes fluorescentes sobre o piso encerado perdeu a nitidez. O peito dela subia e descia em arfadas curtas. A presença dele não era mais apenas protetora ou acolhedora; era um peso magnético, uma força da gravidade que a empurrava para um terreno onde ela não…
  • Capítulo 17 – As Peças do Passado e o Recomeço Capa
    por Fanfiqueira — O silêncio na pequena quitinete era quebrado apenas pelo ritmo calmo da sua respiração. A sua cabeça descansava no peito de Seokjin, que permanecia imóvel no sofá. O braço esquerdo dele cercava a sua cintura com cuidado, enquanto a mão direita segurava o celular com a luz da tela no mínimo. Na tela, as notificações não paravam. A agência de investigação enviava atualizações uma atrás da outra. “Rastreando rotas do interior. Histórico da mãe cobrindo deslocamento para a…
  • Capítulo 16 – O Carro Cheio e o Silêncio da Casa Capa
    por Fanfiqueira — A manhã de domingo mal tinha despontado no horizonte quando Seokjin fechou a porta do seu apartamento na capital. Ele não havia dormido uma única hora. A imagem da foto amassada, os olhos do pequeno Minjun e a constatação esmagadora de que era pai mantiveram o seu cérebro em uma espiral incansável de adrenalina e ansiedade. Às sete da manhã, a maior loja de brinquedos do centro da cidade ainda estava com as portas de ferro totalmente abaixadas. Seokjin, no entanto, não esperou. Ele fez três…
  • Capítulo 15 – O Peso de um Segredo Capa
    por Fanfiqueira — O algodão caiu da sua mão, quicando suavemente no chão de paralelepípedo da quitinete antes de ficar imóvel. O silêncio que se seguiu foi sepulcral, interrompido apenas pelo som fraco do relógio de parede e pelo ritmo acelerado da sua própria respiração. O seu sangue gelou de tal forma que a ponta dos seus dedos ficou dormente. Você travou, ajoelhada entre as pernas de Seokjin, com os olhos arregalados encarando a figura imponente do homem acima de você. — O que... o que você tá…
  • Capítulo 14 – A Foto na Gaveta Capa
    por Fanfiqueira — A calçada da pracinha continuava um caos de vozes sobrepostas, mas para Seokjin, o som era abafado, como se estivesse debaixo d'água. O motorista da caminhonete ainda pedia desculpas em pânico, a sua mãe tentava acalmar o menino, e você, ajoelhada no asfalto, apertava Minjun contra o peito enquanto olhava para o homem à sua frente. Seokjin tentou se levantar rápido, querendo manter aquela postura inabalável de CEO, mas no segundo em que colocou o peso na perna esquerda, uma fisgada no joelho…
  • Capítulo 13 – O Peso de um Instinto Capa
    por Fanfiqueira — Ele esperou três minutos depois que você desceu. Foi até a garagem no subsolo, entrou no seu carro preto de vidros bem escuros e deu a partida. Quando o ônibus que você costumava pegar passou pela avenida em frente ao prédio, o carro de Seokjin entrou no trânsito logo atrás. Ele manteve uma distância segura durante todo o percurso de trinta minutos. O olhar de Seokjin acompanhava o ônibus vermelho enquanto ele cruzava as pontes e ia em direção aos bairros mais simples do subúrbio. O…
  • Capítulo 12 – Entre Espelhos e Paralelepípedos Capa
    por Fanfiqueira — A porta social da cobertura em Hannam-dong deslizou suavemente atrás de você, selando o silêncio da noite com um bipe eletrônico contido. Seokjin ficou imóvel na bancada de granito, com a colher de madeira suspensa a poucos centímetros do prato de porcelana. O vapor do gyeoran-guk subia em pequenas espirais, desenhando fios invisíveis no ar gelado da sala. Ele ouviu o som abafado do elevador privativo descendo pelo fosso do prédio, e só então soltou o ar que segurava no peito. Suas mãos,…
Nota