Capítulo 16 – O Carro Cheio e o Silêncio da Casa
por FanfiqueiraA manhã de domingo mal tinha despontado no horizonte quando Seokjin fechou a porta do seu apartamento na capital. Ele não havia dormido uma única hora. A imagem da foto amassada, os olhos do pequeno Minjun e a constatação esmagadora de que era pai mantiveram o seu cérebro em uma espiral incansável de adrenalina e ansiedade.
Às sete da manhã, a maior loja de brinquedos do centro da cidade ainda estava com as portas de ferro totalmente abaixadas. Seokjin, no entanto, não esperou. Ele fez três ligações, transferiu uma quantia absurda para a conta pessoal do proprietário e, vinte minutos depois, o dono da loja abria a porta com os olhos sonolentos, surpreso ao ver o empresário elegante parado na calçada.
— Pode pegar o que quiser, senhor Kim… — o homem disse, coçando os olhos.
Seokjin andava pelos corredores como se estivesse em um transe elétrico. Ele pegava caixas de blocos de montar, carrinhos de controle remoto, robôs e bolas de futebol.
— O que crianças de três ou quatro anos gostam hoje em dia? — Seokjin perguntou rápido, a voz carregada de uma animação inédita, segurando um dinossauro de plástico em uma mão e um avião na outra. — Será que ele gosta disso? Eu gostava desses aviões quando era garoto… Mas e se ele achar sem graça? E se ele me achar um chefe malvado de novo? Se eu levar isso aqui, será que ele para de me olhar daquele jeito e me vê com outros olhos?
— A-Acredito que ele vá amar qualquer um desses, senhor… — o dono da loja respondeu, impressionado com a pilha de brinquedos que se acumulava no balcão.
Quando Seokjin saiu da loja, trazia tantas sacolas que mal conseguia enxergar o caminho até o carro. Ele começou a guardar tudo no porta-malas, mas o espaço lotou em segundos. Passou a acomodar as caixas no banco traseiro, preenchendo cada centímetro até o teto.
Ele parou, olhou para o volume de brinquedos e franziu o cenho.
— Tem pouco espaço… Eu preciso comprar um carro maior. Um utilitário de sete lugares, talvez.
O dono da loja, que o ajudava a carregar as últimas sacolas, soltou uma risada fraca.
— Mas o seu SUV já é enorme, senhor Kim! É que o senhor comprou quase a loja inteira!
— Não importa. Agora eu tenho um filho, preciso de mais espaço — Seokjin rebateu com absoluta seriedade, ajeitando a última caixa antes de se despedir do homem e entrar no veículo.
A caminho da quitinete, no entanto, a mente dele não sossegava. A duas quadras da casa de SN, ele avistou um vendedor ambulante na praça segurando um maço gigante de balões coloridos recheados com gás hélio. Seokjin encostou o carro na hora, sacou a carteira e comprou todos os balões do vendedor. Ele os enfiou como pôde no banco do passageiro. Os balões flutuavam, encostando no teto do carro e atrapalhando a sua visão do retrovisor, mas ele apenas sorriu com o caótico cenário interior.
Ainda assim, ao olhar para o lado, sentiu uma pontada de incerteza.
— Tá faltando alguma coisa… — murmurou para si mesmo. — Bolo. Criança gosta de bolo.
Ele parou na primeira padaria aberta, encarou a vitrine cheia de doces e, na dúvida sobre qual seria o sabor favorito do garoto, comprou três bolos inteiros: chocolate, morango e cenoura com cobertura. Ajeitou as caixas com cuidado no assoalho do banco da frente.
Com o carro abarrotado de brinquedos, balões flutuando ao seu redor e três bolos no banco, Seokjin soltou um fôlego longo.
— Acho que tô pronto para tentar conquistar o meu filho.
Ele pegou o celular e discou o seu número. O telefone tocou até ir para a caixa de mensagem. Ele tentou uma segunda vez, e novamente você não atendeu.
— Será que ela tá me evitando? — Seokjin resmungou, apertando o volante, a ansiedade voltando a apertar o peito. — Quer saber? Dane-se. É o meu filho. Eu vou assim mesmo.
Quando o carro parou em frente à pequena casa, o silêncio da rua era quase opressivo.
Seokjin tentou sair do veículo, mas a manobra levou quase dois minutos — ele precisou empurrar dezenas de balões para o lado para conseguir abrir a porta sem que eles voassem para o céu. Ele caminhou até o portão de ferro, notando que o fecho interno estava acessível por cima do muro baixo. Ele enfiou a mão, destrancou o portão e pisou no pequeno corredor, indo direto até a porta de madeira e batendo com firmeza.
Lá dentro, ao ouvir as batidas fortes, você deu um pulo do chão. Com o rosto inchado, os olhos vermelhos e o coração disparado, a sua primeira reação foi achar que a sua mãe tinha se arrependido e voltado com o Minjun.
Você destrancou a porta em um arranco desmesurado e a abriu de par em par.
Mas não era a sua mãe. Era Seokjin.
No segundo em que os seus olhos encontraram a figura dele, o pouco controle emocional que lhe restava ruindo completamente. Você se jogou contra o peito dele, agarrando a regata branca que ele ainda vestia sob o casaco, desfazendo-se em um choro convulsivo, soluçando tão forte que o seu corpo inteiro tremia.
— Minjun… O Minjun… Seokjin… o Minjun! — você repetia sem parar, a voz afogada em lágrimas, o rosto escondido no pescoço dele.
Seokjin congelou por um milissegundo, surpreso com o impacto do seu abraço, mas o instinto falou mais alto. Ele envolveu os braços largos ao seu redor, apertando você contra o peito, sentindo o seu desespero cru. A preocupação dele subiu a níveis alarmantes.
— SN… O que aconteceu?! — a voz dele saiu alterada, cheia de pavor. — Fala comigo! Cadê o menino?! O que aconteceu com o Minjun?!
— Por favor… por favor, não tira ele de mim! — você gritava entre os soluços, agarrando-o com todas as forças que tinha. — Eu não posso viver sem ele, Seokjin! Por favor, não tira o meu filho de mim!
— Ei! Olha para mim, SN! — ele pediu, segurando o seu rosto com as duas mãos grandes, forçando você a encará-lo com os seus olhos banhados em lágrimas. — Eu não vim tirar o menino de você. Eu nunca faria isso! Eu só vim para fazer parte da vida dele!
A declaração dele fez você chorar ainda mais forte, um choro de alívio e dor misturados. Seokjin virou o rosto levemente e apontou para a rua, através do portão aberto. Dali, você conseguia ver o SUV dele encostado: o banco de trás abarrotado de caixas de brinquedos até o teto e dezenas de balões coloridos pressionados contra os vidros do carro.
A visão daquele gesto puro e atrapalhado dele em tentar ser pai só fez o seu peito doer mais.
Seokjin percebeu que você não conseguiria se manter de pé por muito tempo. Ele te pegou no colo sem esforço, levou você para dentro da sala, fechou a porta com o pé e te acomodou no sofá, sentando-se ao seu lado e mantendo você firme nos seus braços, tentando acalmá-la enquanto você tentava puxar o ar.
— Calma… respira. Eu tô aqui. Ninguém vai tirar nada de você — ele sussurrava, passando as mãos pelo seu cabelo desalinhado. — Onde ele tá, SN?
Sem conseguir articular as palavras, você estendeu a mão trêmula até a mesa de centro e pegou o pedaço de papel pardo, entregando-o a ele.
Seokjin pegou o bilhete. À medida que os olhos dele liam a caligrafia apressada da sua mãe, o rosto dele foi se transformando. A surpresa deu lugar a uma frustração queimante. As mandíbulas dele se travaram com tanta força que os músculos do seu rosto saltaram.
“Porra… eu acabei de descobrir que tenho um filho e já tiram ele de mim?”, o pensamento ecoou na mente dele como um golpe no estômago.
Mas, ao olhar para você destruída ao seu lado, Seokjin engoliu a própria raiva e a dor que ameaçavam subir. Ele não podia surtar agora. Você precisava dele.
Ele puxou você para mais perto, acomodando a sua cabeça contra o peito dele, e começou a acariciar os seus cabelos com uma delicadeza extrema.
— Escuta o que eu vou te dizer — a voz dele ressou grave e firme contra o seu ouvido. — Eu vou colocar o mundo inteiro atrás deles, se for preciso, para trazer os dois de volta para casa. Eu prometo. Em momento nenhum… em segundo nenhum passou pela minha cabeça tirar o Minjun de você. Eu sei o quanto você ama esse menino. Eu só queria… eu só queria fazer parte da vida de vocês dois.
Ele fez uma pausa, soltando um ar pesado.
— Se você não me quiser na sua vida, SN… se você ainda me odiar por tudo o que aconteceu no passado, eu vou entender e vou respeitar. Mas do meu filho eu não abro mão. Eu quero me fazer presente. E eu vou trazer ele de volta para você.
Você continuou chorando, mas o ritmo do seu choro foi diminuindo aos poucos, embalado pelo calor do corpo dele, pelo aroma familiar do perfume dele e pelo som ritmado do coração de Seokjin batendo forte contra o seu rosto. O cansaço extremo da noite em claro e o choque emocional cobraram o seu preço. Aos poucos, os seus soluçados cessaram, as suas pálpebras pesaram e você adormeceu profundamente no colo dele, exausta.
Seokjin permaneceu imóvel por longos minutos, segurando você com todo o cuidado do mundo para não te acordar. Ele olhou para o seu rosto adormecido, para as marcas de lágrimas na sua bochecha, e aproximou os lábios da sua testa, selando a sua pele em um gesto manso.
— Eu sonhei tanto com o dia em que teria você nos meus braços de novo… — ele sussurrou bem baixo, a voz embargada pela emoção, os olhos fixos em você. — Sonhei em comprar dezenas de coisas para o nosso bebê… coisas que naquela época, em Mapo, a gente não tinha como comprar. E agora a gente tá nessa situação… Mas eu vou resolver tudo, SN. Eu vou cuidar de tudo.
Com extrema cautela, usando apenas uma das mãos, Seokjin pegou o celular no bolso. Ele não discou para a polícia; ele entendia o pavor da sua mãe e sabia que registrar um boletim de ocorrência só traria complicações legais e traumas desnecessários para a família.
Em vez disso, ele discou o número direto de uma das maiores e mais discretas agências privadas de busca e investigação do país.
— É o Kim Seokjin — ele disse, mantendo a voz em um tom baixo e imperativo assim que a ligação foi atendida. — Eu preciso que vocês mobilizem todas as equipes disponíveis agora. Quero busca de localização, rastreamento de câmeras de estações de trem, rodoviárias e sinal de celular. Estou mandando as fotos e os dados de duas pessoas por mensagem.
Do outro lado da linha, o investigador principal fez uma pergunta rápida, sugerindo o envolvimento de autoridades policiais pelo envolvimento de uma criança.
— Não. Nada de polícia — Seokjin cortou imediatamente, a voz gélida e firme. — A intenção não é prender ninguém. A senhora que está com o menino é a avó dele, ela agiu por pânico. Quero que vocês deixem isso cristalino para todas as equipes em campo: ninguém encosta um dedo neles. Não quero que nenhum dos dois se machuque ou passe por qualquer tipo de estresse. Eu só quero que vocês localizem os dois e me tragam a localização exata para que eu possa trazer os dois de volta para casa com segurança. Entendido?
Após ouvir a confirmação do investigador do outro lado, Seokjin desligou o telefone e o jogou sobre o estofado do sofá.
O silêncio voltou a tomar conta da pequena sala da quitinete. La fora, no carro estacionado, centenas de brinquedos, bolos e balões coloridos aguardavam. Aqui dentro, Seokjin continuava sentado, segurando você firmemente contra o seu peito, acariciando a sua cabeça com calma enquanto velava o seu sono, determinado a mover céus e terras para reunir a sua família.
[quote]— O que crianças de três ou quatro anos gostam hoje em dia? — Seokjin perguntou rápido, a voz carregada de uma animação inédita, segurando um dinossauro de plástico em uma mão e um avião na outra. — Será que ele gosta disso? Eu gostava desses aviões quando era garoto… Mas e se ele achar sem graça? E se ele me achar um chefe malvado de novo? Se eu levar isso aqui, será que ele para de me olhar daquele jeito e me vê com outros olhos?
Ele tá nessa vibe (SOCORRO DEUUS)
Uma total mistura de sentimentos, mas FELIZ AO EXTREMO
— Se você não me quiser na sua vida, SN… se você ainda me odiar por tudo o que aconteceu no passado, eu vou entender e vou respeitar. Mas do meu filho eu não abro mão. Eu quero me fazer presente. E eu vou trazer ele de volta para você.
A escritora que lute com 100 comentários
EU TOU APAIXONADA PELO SEOKJIN DE NOVOOOO
Eu quero um desseeee
[quote]— Tem pouco espaço… Eu preciso comprar um carro maior. Um utilitário de sete lugares, talvez.
Homem pelo amor de Deus kkkkkkkkk
[quote]— Não importa. Agora eu tenho um filho, preciso de mais espaço — Seokjin rebateu com absoluta seriedade, ajeitando a última caixa antes de se despedir do homem e entrar no veículo.
Eu tou apaixonada pelo Seokjin sendo pai *-*
[quote]— Tá faltando alguma coisa… — murmurou para si mesmo. — Bolo. Criança gosta de bolo.
O menino vai olhar e perguntar para a mãe
É ANIVERSÁRIO MAE? DE QUEM? KKKKKK
[quote]— Acho que tô pronto para tentar conquistar o meu filho.
Vamos olhar bem a situação, que tu tás MT empolgado pra conquistar teu filho, mas também reconquistar a mãe dele, né ?
[quote]— Ei! Olha para mim, SN! — ele pediu, segurando o seu rosto com as duas mãos grandes, forçando você a encará-lo com os seus olhos banhados em lágrimas. — Eu não vim tirar o menino de você. Eu nunca faria isso! Eu só vim para fazer parte da vida dele!
Aaaah QUE AMOR, QUE AMOOOOOR
EU VOU CHORAAAAAR
[quote]“Porra… eu acabei de descobrir que tenho um filho e já tiram ele de mim?”, o pensamento ecoou na mente dele como um golpe no estômago.
Coitado velhoo, ele tá tão feliz
[quote]— Não. Nada de polícia — Seokjin cortou imediatamente, a voz gélida e firme. — A intenção não é prender ninguém. A senhora que está com o menino é a avó dele, ela agiu por pânico. Quero que vocês deixem isso cristalino para todas as equipes em campo: ninguém encosta um dedo neles. Não quero que nenhum dos dois se machuque ou passe por qualquer tipo de estresse. Eu só quero que vocês localizem os dois e me tragam a localização exata para que eu possa trazer os dois de volta para casa com segurança. Entendido?
Que homem perfeito é esse hein??
O cuidado dele em tudooooo
O pai mais incrível do mundo, alguém avisa
Ele falando ao 4 cantos do mundo que é pai kkkkkk eu amo esse homem
Porra foi o que eu pensei tbm amoo kkkkkk essa escritora esculhambou
Como é bom ter dinheiro ne bicho pqp
Desespero de uma mãe, que situação horrível… triste
Esse dia está chegando Jin… lindooo
Os dois… sempre os dois!!! Vão ficar juntos novamente!!! Uh uh!!!
Que delicia de colo… quero também kkkk