Capítulo 14 – A Foto na Gaveta
por FanfiqueiraA calçada da pracinha continuava um caos de vozes sobrepostas, mas para Seokjin, o som era abafado, como se estivesse debaixo d’água.
O motorista da caminhonete ainda pedia desculpas em pânico, a sua mãe tentava acalmar o menino, e você, ajoelhada no asfalto, apertava Minjun contra o peito enquanto olhava para o homem à sua frente.
Seokjin tentou se levantar rápido, querendo manter aquela postura inabalável de CEO, mas no segundo em que colocou o peso na perna esquerda, uma fisgada no joelho rasgado o fez franzir o cenho.
— Eu tô bem — ele disparou logo, a voz seca, desviando o olhar do seu. — Não foi nada. O pano da calça rasgou, só isso. Dá licença.
ele deu um passo mancando, fingindo que a dor não existia. Você levantou rápido, o coração ainda batendo na garganta.
— Não está bem nada, Seokjin. Você caiu de mau jeito no asfalto seco e ralou o joelho e o cotovelo — você disse, a voz firme, cortando o tom frio dele. — A minha casa é logo ali. Você vai entrar e eu vou limpar isso.
— Eu disse que não precisa — ele rebateu, sem olhar nos seus olhos, arrumando a gola do sobretudo sujo de terra. — Eu pego um táxi e resolvo isso em casa.
— Você acabou de salvar a vida do meu filho! — você quase gritou, a voz embargada pelo choque que só agora começava a passar. — Você acha mesmo que eu vou deixar você ir embora mancando e sangrando depois do que fez? Você vai entrar, sim.
Seokjin travou. Ele olhou para você, viu as lágrimas ainda presas nos seus cílios e a determinação assustada no seu rosto. Ele soltou um ar pesado pelo nariz, fechou a cara e não argumentou mais.
O caminho de três minutos até a sua casa foi feito em um silêncio absoluto. A sua mãe andava mais à frente, segurando a mão de Minjun com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos. O olhar dela alternava entre o garoto e as costas de Seokjin com um pânico indisfarçável.
Assim que você abriu o portão de ferro e todos entraram na pequena sala da quitinete, o ar pareceu faltar.
O espaço era minúsculo. Um sofá simples, uma televisão pequena e algumas prateleiras de madeira. Seokjin, com seus mais de um metro e setenta e sete e ombros largos, parecia gigante demais para aquele ambiente. Ele ficou parado no meio da sala, olhando em volta, absorvendo cada detalhe da sua realidade sem dizer uma única palavra.
— Senta ali — você indicou o sofá, a voz rápida. — Eu vou buscar a caixa de primeiros socorros no banheiro.
Enquanto você passava pelo corredor estreito, a sua mãe te puxou pelo cotovelo, te prensando contra a parede da cozinha, longe da vista da sala. O rosto dela estava pálido.
— Você ficou louca?! — a sua mãe sussurrou em um pânico desesperado, agarrando os seus braços. — O que esse homem tá fazendo aqui dentro, mulher?! Você tem noção do risco que tá correndo?
— Mãe, fala baixo! — você pediu, procurando o algodão e o antisséptico no armarinho. — Ele salvou o Minjun! O carro ia pegar o menino! O que você queria que eu fizesse? Mandasse ele embora sangrando?
— Ele vai descobrir, garota! Se ele olhar direito para o menino, se ele reparar no jeito que o Minjun sorri, ele vai juntar as coisas! Você quer que ele tire o seu filho de você? Quer que a família dele venha aqui acionar advogados e acabar com a nossa vida? Você tá maluca de colocar o pai dele para dentro de casa!
— Ele não sabe de nada, mãe! Ele acha que eu tive esse filho com outro homem! Me deixa cuidar disso, por favor, só não surta!
Enquanto a discussão abafada acontecia na cozinha, o silêncio na sala era pesado.
Seokjin sentou na ponta do sofá com cuidado. Ele tirou o sobretudo escuro e o paletó de grife, deixando os tecidos caros dobrados de qualquer jeito no braço do estofado simples. O joelho da calça cinza estava rasgado e melado de sangue, e o tecido da camisa social no cotovelo também tinha se desgastado na queda.
Minjun estava parado a dois passos dele, com os braços para trás, encarando o homem alto com uma curiosidade sem tamanho.
— Você é o moço alto da minha mãe, né? — o garotinho perguntou, a voz fina e inocente cortando o silêncio. — O chefe malvado?
Seokjin olhou para baixo. A carranca dele amoleceu um milímetro.
— Eu não sou malvado, garoto — Seokjin respondeu, a voz grave saindo mais baixa do que o normal. — Só sou o chefe dela.
Minjun deu mais um passo para perto, olhando para a calça rasgada.
— O seu joelho tá feio. A minha mãe vai passar o remédio que arde, mas se você não chorar, ela deixa você ganhar um abraço.
Seokjin soltou um ar curto pelo nariz, uma risada irônica e sem humor.
— É mesmo?
— É — Minjun concordou com a cabeça, muito sério. De repente, os olhos do menino brilharam, como se ele tivesse lembrado de algo muito importante. Ele se aproximou mais um pouco e sussurrou: — Moço… meu papai trabalha no seu trabalho… você conseguiu encontrar o meu papai?
O peito de Seokjin deu um golpe seco. A pergunta da criança veio como uma agulhada.
Ele piscou, encarando o garotinho.
— O quê? — Seokjin murmurou. — Não… eu não conheço o seu pai.
— Ah… — o menino murchou os ombros, decepcionado. Mas logo recuperou a animação: — Espera aí! Eu vou pegar uma foto! Tá na gaveta da mamãe, debaixo das meias. Eu vou pegar pra te mostrar, aí você olha e vê se encontra ele pra mim!
Antes que Seokjin pudesse dizer qualquer coisa, as perninhas curtas de Minjun dispararam em direção ao único quarto da casa.
Poucos segundos depois, o garotinho voltou correndo. Ele trazia nas mãos pequenas uma fotografia antiga, com as bordas desgastadas e levemente amassadas, como se tivesse sido dobrada e escondida às pressas várias vezes.
— Olha — Minjun disse, ficando na ponta dos pés e entregando o papel fotográfico para o homem gigante. — É essa aqui. A mamãe acha que eu não sei onde tá, mas eu olho às vezes.
Seokjin pegou o papel.
No primeiro segundo, os olhos dele não entenderam. A imagem estava um pouco embaçada pelo tempo, uma foto tirada sem pretensão na câmera de um celular anos atrás e impressa em papel barato. Havia um risco leve na superfície, desgastado pelo manuseio.
Mas o cérebro dele não precisou de mais do que dois segundos para reconhecer as formas.
A mulher na foto era você, mais jovem, sorrindo de um jeito leve que ele não via há anos, com o cabelo desalinhado pelo vento de Mapo. E ao seu lado, com o braço em volta dos seus ombros, rindo para a câmera com uma expressão relaxada e apaixonada… era ele.
Era Kim Seokjin.
O mundo ao redor dele simplesmente parou. O ar sumiu dos seus pulmões com tanta violência que a sua caixa torácica doeu.
A pele do rosto de Seokjin perdeu toda a cor instantaneamente, ficando pálida como papel. As mãos grandes, que costumavam assinar contratos milionários sem tremer, começaram a estremecer de leve, segurando as pontas daquela fotografia amassada.
Três anos e pouco. A moça chegou grávida. Nenhum homem pisou ali. O pai do menino…
As frases da vizinha fofoqueira, as memórias do passado, a data da separação de vocês em Mapo, o rosto do garoto, a cor dos olhos de Minjun… Tudo se colidiu na cabeça dele em um estrondo ensurdecedor.
Não tinha outro homem. Nunca teve outro homem.
O garoto que tinha acabado de salvar na pista… o menino que estava parado na frente dele pedindo para encontrar o pai…
Era o filho dele.
A garganta de Seokjin deu um nó tão apertado que ele sentiu enjoo. Um pavor frio subiu pela sua espinha, misturado a um choque tão profundo que ele esqueceu como se respirava. O sangue nas suas têmporas latejava como um martelo. Ele olhou para o pequeno Minjun, depois para a foto, e de volta para o menino. Os olhos de Seokjin estavam arregalados, expressando um desespero mudo e uma dor devastadora.
O som de passos vindo do corredor o tirou do transe por um milissegundo.
Instintivamente, movido pelo choque e sem tempo para raciocinar, Seokjin dobrou a foto com os dedos trêmulos e a enfiou fundo no bolso interno do seu terno, que estava sobre o sofá.
Você surgiu no corredor trazendo uma bacia pequena com água, algodão e faixas. A sua mãe vinha logo atrás, ainda com a cara fechada e nervosa.
Ao ver a palidez assustadora no rosto de Seokjin, você travou por um segundo.
— Seokjin? — você perguntou, franzindo a testa, preocupada com a cor dele. — O que foi? Você tá sentindo tontura? Ficou enjoado por causa da queda?
Ele não respondeu imediatamente. Os olhos dele, frios e profundamente perturbados, se fixaram nos seus. Havia um abismo de coisas não ditas naquele olhar, uma tempestade tão densa que fez o seu estômago dar uma volta de pavor.
Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, a sua mãe deu dois passos à frente, puxando o Minjun pela mão com uma pressa quase artificial.
— Meu filho — a sua mãe disse, a voz exageradamente animada para tentar disfarçar a tensão —, vamos ali na esquina comprar um sorvete? O moço se machucou feio e precisa que a mamãe passe o remédio sem ninguém desconcentrar ela. Vamos para ele não chorar.
Seokjin soltou uma risada curta, seca e extremamente irônica pelo nariz. Ele nem piscou, mantendo os olhos cravados em você enquanto a sua mãe falava.
Minjun olhou para o homem no sofá e depois para você.
— Mamãe, toma cuidado com ele, tá? — o garotinho pediu, muito sério, soltando a mão da avó por um segundo para te dar um aviso. — Ele me salvou da caminhonete, então você tem que passar o remédio bem devagarinho para não doer nele.
— Pode deixar, meu amor… a mamãe vai cuidar dele — você murmurou, engolindo em seco, sentindo a pressão do ar na sala ficar insuportável.
A sua mãe praticamente arrastou o menino para fora, batendo a porta de ferro da entrada.
O silêncio que sobrou na quitinete era tão pesado que dava para ouvir o barulho do relógio de parede e a sua própria respiração descontrolada.
Você se aproximou do sofá, tentando manter o profissionalismo para esconder o nervosismo que a atitude dele estava te causando.
— Tira o sobretudo e a blusa social — você disse, baixando os olhos para a caixa de primeiros socorros. — O tecido do cotovelo tá rasgado e vai grudar no machucado se você não tirar.
Seokjin não protestou. Em um silêncio sepulcral, ele tirou a camisa social branca, ficando apenas com uma regata branca simples por baixo.
O contraste foi imediato. Sem o terno estruturado de CEO, apenas com a regata ajustada ao corpo, os ombros largos dele e o peitoral forte ficaram totalmente expostos. Fazia anos que você não via Kim Seokjin assim — vulnerável, sem as armaduras do poder e a pele do cotovelo ralada e sangrando.
O seu cérebro deu uma leve travada. Uma memória involuntária de Mapo passou pela sua cabeça, mas você balançou a cabeça rapidamente, focando nas suas mãos para não deixar transparecer nada.
Você se ajoelhou no chão, bem entre as pernas dele, e aproximou o algodão com antisséptico do joelho esquerdo dele.
— Vai arder um pouco — você avisou, a voz suave, começando a limpar o sangue seco ao redor do ferimento.
Seokjin não se mexeu. Ele nem sequer contraiu os músculos quando o remédio tocou a pele ferida. Ele continuava imóvel, no alto do sofá, olhando para o topo da sua cabeça enquanto você trabalhava com cuidado.
— Eu… eu não sei nem como te agradecer, Seokjin — você começou, quebrando o silêncio sem olhar para cima, focada em limpar a pele dele. — Se você não estivesse lá… se você não tivesse corrido daquele jeito… eu nem consigo pensar no que teria acontecido com o meu filho. Você foi muito rápido. Obrigada. De verdade.
Você pegou mais um pedaço de algodão, umedecendo com cuidado, concentrada no corte do joelho dele.
— Você sempre foi muito boa nisso — a voz de Seokjin ressoou acima de você. Não era o tom debochado do escritório, nem o tom furioso da noite anterior. Era uma voz grave, baixa, carregada de uma perigosidade fria.
Você parou a mão por um segundo, surpresa com o comentário.
— Nisso o quê? — você perguntou, sem levantar o rosto, voltando a limpar o machucado.
— Em tirar o foco de uma coisa e colocar em outra — ele respondeu, a respiração dele roçando o topo da sua cabeça. — É isso que você faz com o nosso filho quando ele se machuca? Dá um sorvete para ele não perceber a ferida?
Você continuou o movimento do algodão por dois segundos automáticos, até que o significado das palavras dele finalmente atravessou a sua mente.
Nosso filho.
O algodão escapou dos seus dedos e caiu no chão.
O seu sangue gelou instantaneamente. Você travou na mesma hora, com as mãos suspensas no ar, e levantou o rosto devagar, encarando os olhos escuros e gélidos de Seokjin fixados nos seus.
[quote]— Não está bem nada, Seokjin. Você caiu de mau jeito no asfalto seco e ralou o joelho e o cotovelo — você disse, a voz firme, cortando o tom frio dele. — A minha casa é logo ali. Você vai entrar e eu vou limpar isso.
Ele já vai entrar lá, olhando pra todos os cantos, pra ver se encontra a resposta que ele tanto quer
[quote]— Você acabou de salvar a vida do meu filho! — você quase gritou, a voz embargada pelo choque que só agora começava a passar. — Você acha mesmo que eu vou deixar você ir embora mancando e sangrando depois do que fez? Você vai entrar, sim.
Vai seokjin
Só faltava você dizer assim, DO NOSSO FILHO, mas me vem a lembrança que você é lerdo e ainda n percebeu
[quote]— O seu joelho tá feio. A minha mãe vai passar o remédio que arde, mas se você não chorar, ela deixa você ganhar um abraço.
Isso ele vai querer, vai fazer nem careta pra ganhar
[quote]— Ah… — o menino murchou os ombros, decepcionado. Mas logo recuperou a animação: — Espera aí! Eu vou pegar uma foto! Tá na gaveta da mamãe, debaixo das meias. Eu vou pegar pra te mostrar, aí você olha e vê se encontra ele pra mim!
Fudeu kkkkk fudeu, fudeu, FUDEU MUITO
E EU TOU NERVOSA, AI MEU DEUUS, é agora ??
[quote]Três anos e pouco. A moça chegou grávida. Nenhum homem pisou ali. O pai do menino…
AAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAAAA CARALHOOOOOO, HURUULLL
[quote]— Em tirar o foco de uma coisa e colocar em outra — ele respondeu, a respiração dele roçando o topo da sua cabeça. — É isso que você faz com o nosso filho quando ele se machuca? Dá um sorvete para ele não perceber a ferida?
AAAAA PORRA, CARALHO, BUCETA
EU TOU TENTO UM TRECO AQUI
Mulher cale a boca.. ta achando que ele é seu marido asqueroso?
Tome aí o pai do menino que vc tava curioso pra saber quem era kkkkkkkkk RATINHOOOO
Calma ele acabou de tomar um chá revelação
A veia sentiu que a bomba explodiu pqp kkkkk
É mamãe cuida bem do pai dele po… sacanagem deixar arder
Viiiiiiishhhh agora segura esse rajadao
RAAAAAPAAAAIIIZZZ…. RATINHOOOO… PARABENS O FILHO É TEU
Meu deus escritora volta aqui.. acende a Luz Letiçaaa
Misericórdia!!! Aqui eu gelei!!! Que medooo kkkk
Seokjin, estou com medo de vc, para agora!!! SN, misericórdia, esse homem tá furioso. Kkkk
Seu filho, seu!!! E agora?! O que acontecerá?! Kkkk
Tô nervosa, juro!!! Que revelação incrível!!! Amei escritora… kkk