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O silêncio na pequena quitinete era quebrado apenas pelo ritmo calmo da sua respiração. A sua cabeça descansava no peito de Seokjin, que permanecia imóvel no sofá. O braço esquerdo dele cercava a sua cintura com cuidado, enquanto a mão direita segurava o celular com a luz da tela no mínimo.

Na tela, as notificações não paravam. A agência de investigação enviava atualizações uma atrás da outra.

“Rastreando rotas do interior. Histórico da mãe cobrindo deslocamento para a propriedade familiar. Agentes a caminho.”

Seokjin deslizou o dedo pela tela, os olhos escuros fixos nos documentos antigos digitalizados que começaram a carregar logo em seguida. Era o relatório completo sobre o seu falecido pai.

Ele leu os detalhes, linha por linha. As provas mostravam que, anos atrás, o seu pai orquestrara um boicote silencioso contra a empresa dos Kim. Ele esmagara contratos, vazara dados e chantageara você diretamente com gráficos de perdas que teriam levado Seokjin e o pai dele à falência total.

A tela exibia o histórico de transferências e mensagens da época. Tudo indicava um plano de destruição iminente… até que, abruptamente, o boicote cessou. O seu pai recuou no mesmo dia em que você desapareceu.

A mente de Seokjin disparou no tempo.

Estação de Yeongdeungpo. 06:45 da manhã. O vento congelante. O vapor do trem misturado à neve.

Ele se viu de novo correndo sem casaco, de moletom e camiseta branca, com os pés sem meias e o papel amassado na mão. Lembrou do desespero rasgando sua própria garganta ao perguntar o porquê, e da sua imagem virando de costas, erguendo o queixo com uma postura fria:

“Eu escrevi cada palavra, Seokjin… Eu menti. Palavras na cama são apenas palavras. Elas não pagam as contas de luxo a que estou acostumada. Eu tentei me adaptar à sua vidinha comum, mas a verdade é que eu tenho horror à mediocridade. Cansei de esperar você se tornar alguém grande. Meu pai já é grande. Eu volto para o topo, de onde nunca deveria ter saído.”

Seokjin travou os dedos sobre a tela do celular.

O choque o atingiu com a força de um golpe. Você não o deixou por ambição. Você não o trocou. Você destruiu a si mesma, assumiu o papel de vilã e vestiu uma máscara de crueldade para impedir que o seu pai destruísse a vida dele. Você havia matado o amor dos dois na frente dele para mantê-lo de pé.

Uma lágrima pesada transbordou dos olhos dele e caiu direto na sua testa.

Você deu um salto no colo dele, puxando o ar com força, os olhos se abrindo em pânico ao sair do sono profundo.

— Minjun?! — você gritou, a voz rouca, olhando para os lados. — Onde tá o meu filho?!

— Ei, calma… calma, eu tô aqui — Seokjin a segurou com firmeza pelos ombros, puxando você para mais perto. — Fica calma. Você dormiu porque estava exausta.

— Seokjin… e o meu filho? E a minha mãe?

— Os meus agentes estão em cima. Estão rastreando os passos dela para interceptar os dois com segurança — ele disse, mantendo a voz baixa e calma. — Eu não acionei a polícia. Se alguém tiver que tomar uma decisão legal sobre a sua mãe, essa pessoa é você, não eu. Eu entendo o desespero dela, mas…

Ele parou. Os olhos dele encontraram os seus, carregados de uma dor antiga.

— Por que você não me contou?

Você piscou, o peito subindo e descendo rápido.

— O quê?… Contou o quê, Seokjin?

— Os investigadores me mandaram os arquivos do seu pai — a voz dele embargo e ele deixou a cabeça pender levemente. — As ameaças. Os contratos. A estação de trem… Você se destruiu na minha frente para que o seu pai não acabasse comigo.

O seu ar fugiu dos pulmões. O segredo guardado a sete chaves por anos ruía ali, no meio daquela sala.

— Seokjin… — o seu primeiro soluço escapou, rasgando a sua garganta.

— Me perdoa… meu amor, me perdoa — ele pediu, a voz falhando em meio ao choro, puxando o seu rosto com as duas mãos e colando os lábios nos seus num beijo desesperado.

O beijo começou amargo pelas lágrimas, mas o desespero deu lugar a um incêndio contido por quatro anos. Seokjin a puxou para cima do colo dele, com as suas pernas envolvendo o quadril dele. Ele arrancou a própria blusa, o peito largo subindo rápido, e puxou a sua camisa, a mão quente queimando a sua pele. O toque era urgente, a respiração de vocês se misturando rápida e pesada… até que o celular dele disparou na almofada.

Ele atendeu sem desfazer o contato, ouvindo a voz do agente do outro lado.

Ao desligar, os olhos dele brilhavam.

— Encontraram eles. Encontraram o nosso filho!

— Meu Deus! — você puxou o ar, pulando do colo dele.

Vocês dois se vestiram no piloto automático, o coração quase saindo pela boca. Ao chegarem no carro e abrirem a porta do SUV dele, você parou. O banco traseiro e o porta-malas estavam entulhados de balões coloridos, caixas enormes de brinquedos e dois bolos confeitados.

— Seokjin… eu não vou nem conseguir sentar aí dentro! — você exclamou.

Ele olhou para o carro, visivelmente perdido na própria eufória. No mesmo segundo, olhou para a calçada e acenou para três crianças que passavam de bicicleta.

— Ei! Venham cá! — ele chamou, pegando duas caixas grandes e um dos bolos e entregando para elas. Antes de entregar o último brinquedo, ele virou para você com o rosto sério: — Você acha que ele vai gostar de mim se eu levar esse aqui?!

Você soltou uma risada no meio do choro, balançando a cabeça.

— Ele vai te amar de qualquer jeito, seu bobo. Não precisa disso tudo!

Ele abriu espaço como pôde, sentou no banco do motorista e pisou no acelerador.

Na estrada de acesso à antiga fazenda, a sua mãe caminhava rápido puxando o menino pela mão. Ao ouvir o barulho do motor e ver o SUV encostar no acostamento, ela estancou. Mas quando o veículo parou e ela viu o interior atulhado de balões e brinquedos, a expressão dela mudou para um choque de pura confusão.

Mesmo assim, ela puxou o menino para trás das pernas. Mas ao ver você descendo da porta do passageiro, a postura dela cedeu.

O garotinho se soltou da mão dela e soltou um grito:

— Mamãe!

Você se ajoelhou no asfalto, abraçando o seu filho com força, cobrindo o rosto dele de beijos enquanto o choro lavava o seu rosto. Seokjin se ajoelhou ao seu lado na mesma hora, os braços largos envolvendo vocês dois, beijando a cabeça do menino com os olhos vermelhos.

O garotinho piscou, olhando para o rosto de Seokjin:

— O chefe malvado gosta de mim? Ele não vai mais fazer você trabalhar até de noite?

Você e Seokjin soltaram uma risada curta e emocionante juntos. Seokjin segurou as mãozinhas dele:

— Não. A sua mamãe nunca mais vai precisar trabalhar se ela quiser, e vocês nunca mais vão ficar longe um do outro.

O menino deu um pulo, jogando os braços ao redor do pescoço de Seokjin:

— Você é a melhor pessoa do mundo! Você me deu o melhor presente, que é a minha mamãe!

Você olhou para os dois, o peito apertado de amor:

— Quer outro presente, meu amor?

O menino tombou a cabeça:

— Você achou o meu papai?

— Achei, meu amor — você respondeu, sorrindo entre as lágrimas.

Seokjin olhou para o garoto, a voz dando uma leve tremida:

— O que… o que você acha de… eu ser o seu papai?

O garotinho franziu o cenho, analisando Seokjin de cima a baixo com um ar desconfiado:

— Mas… eu ainda vou conseguir achar o meu papai de verdade?

— Ele é o seu papai de verdade, meu amor — você explicou, carinhosa.

Os olhos do menino se arregalaram e ele começou a pular na estrada:

— Eba! Eu tenho um papai! Mas ó… só com uma condição! Você não pode roubar a minha mamãe de mim!

Seokjin deu uma risada gostosa, puxando o menino para o alto:

— Negócio fechado.

Na hora de voltar para o carro, o menino olhou para dentro do veículo e arregalou os olhos com a quantidade de balões e presentes:

— Mamãe! É festa de quem?! De quem é essa festa?!

Seokjin olhou pelo retrovisor enquanto ligava o motor:

— É sua! É toda sua! Eu não sabia do que você gostava, mas agora a gente vai numa loja e você pode escolher o que quiser.

— Não mima ele desse jeito, Seokjin! — você protestou, rindo.

ele se virou para trás e piscou para o menino, cochichando um segredo baixinho que fez o garoto gargalhar.

A sua mãe entrou no banco de trás em silêncio. Durante o trajeto, ela olhou para Seokjin pelo espelho e falou com a voz baixa e humilde:

— Me desculpa… Eu… Eu só estava com medo de perder o meu neto.

— Tá tudo bem — Seokjin respondeu com firmeza e gentileza. — Eu entendo. A partir de hoje eu cuido de vocês.

Ele engatou a marcha e acelerou. Em vez de pegar a rota para o seu antigo bairro, ele seguiu direto pela avenida principal.

— Eu estou vendo uma casa enorme para a gente — ele disparou, empolgado.

— Eba! Eu quero um cachorro! — o menino gritou do banco de trás.

Você olhou para a janela e percebeu que ele tinha acabado de passar direto pela entrada que dava caminho a sua rua.

— Seokjin, você não vai nos levar pra casa?

— Naquilo lá? Não — ele cortou, decidido. — Vocês vêm comigo.

— Mas as nossas roupas, as coisas do menino…

— Amanhã eu mando buscar tudo o que vocês quiserem — ele explicou, os olhos brilhando ao olhar para você rapidinho. — Já pensei numa casa de seis quartos.

Você arregalou os olhos:

— Seis quartos, Seokjin?! Ficou louco?

— Um escritório pra mim, porque vou despachar da empresa direto de casa a partir de agora. Uma brinquedoteca, o quarto da sua mãe, o nosso quarto, o quarto dele…

Ele continuou desfiando a lista sem parar, com um sorriso enorme no rosto. Você encostou a cabeça no banco, observando aquele homem falante e apaixonado ao seu lado. A dor dos últimos quatro anos parecia ter se dissolvido no ar, dando lugar ao início de tudo o que vocês deveriam ter vivido desde o começo.

20 Comentários

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  1. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:25 pm

    [quote]O choque o atingiu com a força de um golpe. Você não o deixou por ambição. Você não o trocou. Você destruiu a si mesma, assumiu o papel de vilã e vestiu uma máscara de crueldade para impedir que o seu pai destruísse a vida dele. Você havia matado o amor dos dois na frente dele para mantê-lo de pé.

    Exatamente Jin, ela fez merda? FEZ,
    MAS, ela te ama muito

  2. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:27 pm

    [quote]— Os investigadores me mandaram os arquivos do seu pai — a voz dele embargo e ele deixou a cabeça pender levemente. — As ameaças. Os contratos. A estação de trem… Você se destruiu na minha frente para que o seu pai não acabasse comigo.

    Se ela tivesse contado, tinha evitado todo esse sofrimento

  3. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:30 pm

    [quote]O beijo começou amargo pelas lágrimas, mas o desespero deu lugar a um incêndio contido por quatro anos. Seokjin a puxou para cima do colo dele, com as suas pernas envolvendo o quadril dele. Ele arrancou a própria blusa, o peito largo subindo rápido, e puxou a sua camisa, a mão quente queimando a sua pele. O toque era urgente, a respiração de vocês se misturando rápida e pesada… até que o celular dele disparou na almofada.

    A fome tá grande, hein, Seokjin??
    4 anos esperando ter ela de novo ( Homem pra casar) *-*

  4. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:31 pm

    [quote]— Ele vai te amar de qualquer jeito, seu bobo. Não precisa disso tudo!

    Nunca pensei que iria ficar feliz em ver o Seokjin sendo feliz com outra mulher (QUE NAO FOSSE EU) AAFFFF

  5. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:33 pm

    [quote]— Você é a melhor pessoa do mundo! Você me deu o melhor presente, que é a minha mamãe!

    Que FOFINHOOO AAA

  6. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:35 pm

    [quote]— Mamãe! É festa de quem?! De quem é essa festa?!

    Kkkkkkkkkkkkkkkkk pensei a msm coisa, Minjun

  7. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:37 pm

    [quote]— Tá tudo bem — Seokjin respondeu com firmeza e gentileza. — Eu entendo. A partir de hoje eu cuido de vocês.

    EU CUIDO DE VOCEEEEES *-* EU VOU MORRER DE AMOR POR ESSE HOMEM
    QUERO UM DESSE JA, AGORA

  8. Marcela
    Aug 8, '26 at 7:39 pm

    Você encostou a cabeça no banco, observando aquele homem falante e apaixonado ao seu lado. A dor dos últimos quatro anos parecia ter se dissolvido no ar, dando lugar ao início de tudo o que vocês deveriam ter vivido desde o começo.

    É SN, no seu caso, os humilhados foram EXALTADOS (COM LETRAS GRANDES )KKKKKKKK

  9. Iasmine
    Aug 8, '26 at 7:59 pm

    O choque o atingiu com a força de um golpe. Você não o deixou por ambição. Você não o trocou. Você destruiu a si mesma, assumiu o papel de vilã e vestiu uma máscara de crueldade para impedir que o seu pai destruísse a vida dele. Você havia matado o amor dos dois na frente dele para mantê-lo de pé.

    Paah toma aí toda a verdade… celoco so bomba

  10. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:01 pm

    — Me perdoa… meu amor, me perdoa — ele pediu, a voz falhando em meio ao choro, puxando o seu rosto com as duas mãos e colando os lábios nos seus num beijo desesperado.

    To gag, ele logo tasco um beijo nela. Pqp ele tava se segurando

  11. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:02 pm

    O beijo começou amargo pelas lágrimas, mas o desespero deu lugar a um incêndio contido por quatro anos. Seokjin a puxou para cima do colo dele, com as suas pernas envolvendo o quadril dele. Ele arrancou a própria blusa, o peito largo subindo rápido, e puxou a sua camisa, a mão quente queimando a sua pele. O toque era urgente, a respiração de vocês se misturando rápida e pesada… até que o celular dele disparou na almofada.

    Porra escritora cortou o clima po

  12. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:03 pm

    — Não. A sua mamãe nunca mais vai precisar trabalhar se ela quiser, e vocês nunca mais vão ficar longe um do outro.

    Você não quer me assumir não seokjin? Eu tbm quero mais trabalhar

  13. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:03 pm

    Os olhos do menino se arregalaram e ele começou a pular na estrada:

    O pobii do menino recebendo a notícia assim kkkkkkk

  14. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:04 pm

    — Amanhã eu mando buscar tudo o que vocês quiserem — ele explicou, os olhos brilhando ao olhar para você rapidinho. — Já pensei numa casa de seis quartos.

    Puta que la merda.. onde eu encontro um desses?

  15. Iasmine
    Aug 8, '26 at 8:06 pm

    — Um escritório pra mim, porque vou despachar da empresa direto de casa a partir de agora. Uma brinquedoteca, o quarto da sua mãe, o nosso quarto, o quarto dele…

    Eu amo que ele nem perguntou se ela queria voltar ele so ta seguindo o baile kkkkkkk

  16. Sheila
    Aug 16, '26 at 7:55 pm

    Ele continuou desfiando a lista sem parar, com um sorriso enorme no rosto. Você encostou a cabeça no banco, observando aquele homem falante e apaixonado ao seu lado. A dor dos últimos quatro anos parecia ter se dissolvido no ar, dando lugar ao início de tudo o que vocês deveriam ter vivido desde o começo.

    Gostei desse final em escritora!!! Kkkk

  17. Sheila
    Aug 16, '26 at 7:56 pm

    — Ele é o seu papai de verdade, meu amor — você explicou, carinhosa.

    Que lindooo !!! Eu imagino o Jin sendo pai de verdade!!! Fofo

  18. Sheila
    Aug 16, '26 at 7:57 pm

    O beijo começou amargo pelas lágrimas, mas o desespero deu lugar a um incêndio contido por quatro anos. Seokjin a puxou para cima do colo dele, com as suas pernas envolvendo o quadril dele. Ele arrancou a própria blusa, o peito largo subindo rápido, e puxou a sua camisa, a mão quente queimando a sua pele. O toque era urgente, a respiração de vocês se misturando rápida e pesada… até que o celular dele disparou na almofada.

    A saudade batendo forte e o fogo também kkkk

  19. Sheila
    Aug 16, '26 at 7:58 pm

    — Os investigadores me mandaram os arquivos do seu pai — a voz dele embargo e ele deixou a cabeça pender levemente. — As ameaças. Os contratos. A estação de trem… Você se destruiu na minha frente para que o seu pai não acabasse comigo.

    Apertou meu coração aqui, depois a revelação… ui ui!!!

  20. Deborah
    Aug 20, '26 at 11:04 am

    — Um escritório pra mim, porque vou despachar da empresa direto de casa a partir de agora. Uma brinquedoteca, o quarto da sua mãe, o nosso quarto, o quarto dele…

    Já imaginei o Jin falando: 7 quartos para 7 filhos que vamos ter

Nota