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A ausência de Kim Seokjin nunca era um evento silencioso. Quando o Diretor Presidente não estava presente, a KSJ Global não descansava; ela congelava em um estado de vigilância ansiosa.

Eram dez horas da manhã de uma quinta-feira cinzenta quando a constatação finalmente se consolidou no sexagésimo andar. Pela primeira vez desde que assumira o comando da holding — e, talvez, pela primeira vez nos últimos anos —, Seokjin não havia cruzado as portas de vidro às sete da manhã. Não havia e-mails disparados às cinco, não havia relatórios devolvidos com anotações em vermelho no início da madrugada, tampouco a presença imponente de sua figura percorrendo os corredores de mármore.

Na mesa auxiliar da presidência, você mantinha a postura impecável de sempre, embora o cansaço acumulado pesasse nas suas pálpebras. O silêncio na sala vazia do CEO era denso, quase incômodo. Você olhou para a mesa de mogno perfeitamente organizada, para a caneca de porcelana fria e sem uso, e sentiu uma pontada estranha de inquietação. Seokjin era um homem feito de ferro e disciplina cirúrgica; a ideia de ele simplesmente não aparecer parecia um erro na estrutura do próprio prédio.

A confirmação veio perto do meio-dia, por meio de uma ligação formal da recepção central. O aviso era sucinto e distante: o Diretor Kim estava indisposto e cumpriria expediente remoto pelo restante do dia, cancelando todas as reuniões presenciais.

Para o restante do andar, foi apenas uma exceção corporativa. Para você, no entanto, algo naquilo parecia errado. O homem que quase destruíra a própria postura no dia anterior apenas para tentar decifrar a senha de um celular antigo não parecia o tipo de pessoa que faltaria ao trabalho por um mal-estar comum.

Ao final do expediente, por volta das dezenove horas, a urgência de uma assinatura pendente no processo de transição de ativos para a filial de Cingapura deixou de ser um detalhe burocrático e tornou-se a desculpa perfeita. O documento precisava ser enviado antes da abertura do mercado asiático na manhã seguinte. Com a autorização do arquivo central, você pegou a pasta de couro preto contendo os originais e o endereço residencial de Seokjin registrado no arquivo da diretoria executiva.

O condomínio de Seokjin ficava em Hannam-dong, uma das áreas mais exclusivas de Seul. Era um complexo residencial de arquitetura brutalista e elegante, cercado por muros altos de pedra e vigiado por um aparato de segurança que lembrava mais uma embaixada do que uma residência privada.

A garoa fria da noite começara a cair quando você chegou à portaria blindada. O ambiente exalava um luxo silencioso e estéril. Você apresentou sua credencial da KSJ Global ao porteiro de terno escuro, explicando a urgência da assinatura no envelope de couro.

— Aguarde um momento, por favor — o funcionário solicitou com cortesia impecável, acionando o sistema de comunicação do apartamento da cobertura.

Dois andares acima, no vasto espaço minimalista iluminado apenas pela luz fraca da cidade que entrava pelas vidraças de teto ao chão, Seokjin estava sentado no sofá de couro escuro. Ele não vestia o terno habitual; usava apenas uma camisa de algodão levemente amassada, com os primeiros botões abertos, e mantinha um copo de uísque sem gelo repousando entre os dedos longos.

O apartamento cheirava ao amargor do álcool e ao silêncio. Ele mal havia dormido. A noite anterior fora um borrão de copos cheios, pensamentos obsessivos e o eco constante daquela frase dita no escritório: O Senhor não tem o menor direito de falar dele. Nem de mim.

Na cabeça de Seokjin, a matemática era uma sentença cruel: você o largara há cinco anos e, em algum momento daquela meia década, reconstruíra a vida ao lado de outro. Ele passara anos se alimentando do ressentimento, acreditando que a distância fora uma escolha baseada em ambição, apenas para descobrir que o espaço que ele deixara vago fora ocupado por completo. O orgulho dele estava em ruínas, ferido de uma forma que o trabalho duro não conseguia remediar.

O som suave do painel de controle na parede quebrou o silêncio. A tela de alta definição do interfone se acendeu automaticamente, mostrando o feed em tempo real da câmera da portaria.

Seokjin ergueu os olhos pesados para o monitor. O impacto de vê-la ali fez o copo de uísque inclinar-se levemente na sua mão.

Pela lente da câmera de alta resolução, você parecia menor sob a estrutura imponente do portão. Segurava a pasta de couro contra o peito, encolhida no casaco escuro, com os fios de cabelo levemente umedecidos pela garoa. Você parecia exausta, mas a firmeza na sua postura continuava intacta.

O toque do interfone ressoou. Ele não atendeu o viva-voz do apartamento; permaneceu imóvel, observando o monitor como se assistisse a um filme ao qual não tinha permissão para intervir. O porteiro atendeu o canal interno.

— Senhor Kim, boa noite. A sua secretária está na recepção com documentos urgentes da holding. Ela solicita autorização para subir ou pede que o senhor desça para receber a pasta.

Seokjin fechou os olhos por um segundo longo, sentindo uma pontada aguda na têmpora. A voz do porteiro vinha do painel, mas seus olhos estavam fixos na sua imagem na tela. Ele viu quando você ajeitou a pasta sob o braço, aguardando a resposta.

Ele não podia vê-la pessoalmente. Não hoje. Não com a mente anuviada pelo álcool, pela raiva e por aquela dor incômoda que ele se recusava terminantemente a nomear como ciúme. Encontrá-la sem o escudo da mesa da presidência e sem a armadura do terno corporativo era um risco que sua dignidade não podia correr.

Ele aproximou-se do painel, pressionando o botão de áudio sem ativar a câmera do apartamento. Sua voz saiu pelo alto-falante da portaria grave, arrastada e desprovida de qualquer calor:

— Diga a ela que não recebo entregas a esta hora. O assunto será tratado amanhã na holding.

Na portaria, você ouviu o estalo do alto-falante. O porteiro olhou para você com um desculpar silencioso, mas você deu um passo à frente, aproximando-se do microfone da base.

— Diretor Kim — você disse, mantendo o tom firme, embora a frustração começasse a arranhar sua garganta. — O relatório de liquidação de transição precisa ser assinado antes das vinte e três horas. É uma exigência do conselho asiático. São apenas três assinaturas. Não leva um minuto.

Na cobertura, Seokjin encarou a imagem da sua tela no monitor. A proximidade da sua voz pelo alto-falante fez o peito dele contrair.

— Eu não estou disponível, Senhorita — ele respondeu, a voz cortante através da linha digital, fria como o vidro da janela. — O conselho aguardará. Não vou descer e você não vai subir. O assunto está encerrado. Tenha uma boa noite.

A linha foi cortada com um apito seco.

Na recepção, o silêncio que se seguiu foi constrangedor. Você permaneceu parada diante do balcão por alguns segundos, com a pasta de couro pressionada contra os dedos. Uma onda de indignação subiu pelo seu peito. Você soltou um suspiro pesado — um bufar audível de pura incredulidade — antes de se virar de costas e cruzar as portas de vidro em direção à chuva.

No monitor da cobertura, Seokjin assistiu à sua figura se afastar pela calçada até desaparecer da iluminação dos postes. Ele tomou o restante do uísque em um único gole, a garganta queimando, enquanto a imagem da câmera da portaria voltava a ficar em espera, completamente vazia.

A sexta-feira começou com o mesmo tom incerto. Você chegou à holding antes das sete da manhã, com a pasta de couro impecavelmente organizada sobre a mesa do CEO. No entanto, o dia transcorreu sem que Seokjin aparecesse novamente.

A preocupação começou a se espalhar pelos departamentos. Kim Seokjin nunca faltava dois dias seguidos. Rumores sussurrados no café falavam sobre uma gripe severa, exaustão extrema ou problemas familiares. Para você, aqueles boatos soavam vazios. O homem que falara com você pelo interfone na noite anterior não parecia fisicamente doente; parecia amargo, distante e inacessível.

A resposta veio apenas perto das dezessete horas, quando o telefone fixo da sua mesa tocou. Era a secretária sênior do quinquagésimo nono andar, o setor jurídico.

— Boa tarde. O Diretor Kim acabou de entrar em contato com a diretoria — a mulher informou com tom burocrático. — Ele solicitou que a pasta de transição de ativos asiáticos seja enviada imediatamente à residência dele por um staff executivo.

Você piscou, segurando o fone com mais força.

— Eu estou com os documentos prontos aqui na mesa da presidência — você respondeu rapidamente, já se levantando. — Eu mesma posso levar. Já conheço o protocolo e os pontos que exigem a rubrica dele.

— Não será necessário — a secretária interrompeu de forma fria. — O Diretor Kim foi muito específico nas instruções. Ele solicitou expressamente que a Senhorita Park, do jurídico, acompanhe o entregador para recolher as assinaturas. Ele deixou claro que não quer que a secretária da presidência se desloque hoje.

Você estacou ao lado da mesa.

— Como?

— Foram as ordens diretas dele. A Senhorita Park já está subindo para retirar a pasta. Obrigada.

A ligação caiu.

Você permaneceu com o fone no ouvido por alguns segundos, o som do sinal da linha ecoando como um ruído distante. A indignação subiu pela sua espinha, quente e sufocante. Acompanhar aqueles documentos era a sua função. Cuidar das assinaturas do CEO era a razão de você estar no sexagésimo andar. Ele estava, de forma deliberada e pública, contornando a sua autoridade no setor para colocar outra pessoa em seu lugar.

Quando a funcionária do jurídico chegou para retirar a pasta, você a entregou com uma cortesia rígida e mecânica, sem demonstrar a tempestade que se formava em sua mente.

Assim que a porta se fechou, você se sentou lentamente na sua cadeira, encarando a sala vazia do CEO.

Por quê?

A pergunta começou a se repetir em sua cabeça, desarmando sua defesa fria. Será que ele estava punindo você pela discussão daquela noite de tempestade? Será que a arrogância dele fora tão ferida pelo seu aviso sobre a ligação pessoal que ele decidira eliminá-la de qualquer contato direto?

Mas logo a sua razão tentou retomar o controle. Não fazia sentido. Kim Seokjin era um homem de negócios implacável, mas nunca fora um profissional mesquinho a ponto de paralisar a própria rotina corporativa apenas por pirraça. Ele não se importava com os sentimentos dos outros — e certamente não deveria se importar com os seus. O impacto que você causava na vida dele deveria ser nulo.

Então por que esse teatro todo?, você pensou, apertando as mãos sobre o joelho. Por que se dar ao trabalho de me evitar com tanta precisão?

A resposta para a incerteza veio na segunda-feira seguinte, com a mesma força de um golpe.

Seokjin voltou. Mas o homem que cruzou as portas do sexagésimo andar às sete horas da manhã não parecia o mesmo de semanas atrás.

A mudança era sutil para quem o observava de longe, mas cristalina para você. Ele vestia um terno preto absoluto, perfeitamente ajustado, e o cabelo escuro estava alinhado para trás com rigor. No entanto, a palidez do seu rosto era mais pronunciada, e as sombras sob seus olhos pretos indicavam dias de um descanso inexistente.

Mas o que realmente preencheu a sala da presidência foi a postura dele. Seokjin erguera um muro de gelo ainda mais alto e espesso ao seu redor.

Ele não olhou para a sua mesa ao passar. Não deu o “bom dia” formal que costumava proferir de forma mecânica. Quando precisava de arquivos, não chamava pelo seu nome; enviava solicitações por e-mail interno ou deixava bilhetes impressos na borda da mesa. Se você entrava na sala para servir o café ou entregar correspondências, ele mantinha a atenção fixa no monitor ou nos papéis, tratando sua presença como se você fosse uma sombra transparente.

A evitação era cirúrgica. Durante as reuniões do conselho, se você precisava passar um bloco de anotações para ele, Seokjin pegava o objeto sem que os dedos dele encostassem nos seus por um milésimo de segundo. Se você começava a explicar um ponto do relatório, ele interrompia com uma pergunta fria direcionada a outro diretor na sala, anulando sua voz antes que ela pudesse se consolidar no ambiente.

Era uma punição silenciosa, calculada e absoluta.

Sentada na sua mesa ao final daquela tarde, observando através do vidro reflexivo o perfil rígido de Kim Seokjin trabalhando em silêncio. A fúria dele não era a raiva comum de um chefe autoritário. Era algo mais profundo, que você não conseguia compreender.

12 Comentários

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  1. Marcela
    Jul 22, '26 at 11:13 pm

    [quote]Ao final do expediente, por volta das dezenove horas, a urgência de uma assinatura pendente no processo de transição de ativos para a filial de Cingapura deixou de ser um detalhe burocrático e tornou-se a desculpa perfeita. O documento precisava ser enviado antes da abertura do mercado asiático na manhã seguinte. Com a autorização do arquivo central, você pegou a pasta de couro preto contendo os originais e o endereço residencial de Seokjin registrado no arquivo da diretoria executiva.

    O sem vergonha já tinha organizado tudo kkkk

  2. Marcela
    Jul 22, '26 at 11:31 pm

    [quote]— Senhor Kim, boa noite. A sua secretária está na recepção com documentos urgentes da holding. Ela solicita autorização para subir ou pede que o senhor desça para receber a pasta.

    Tu acha msm que ele vai perder essa oportunidade?? Maii é nunca

  3. Marcela
    Jul 22, '26 at 11:38 pm

    [quote]— Diga a ela que não recebo entregas a esta hora. O assunto será tratado amanhã na holding.

    Sério isso SEOKJIN??

  4. Marcela
    Jul 22, '26 at 11:42 pm

    [quote]— Não será necessário — a secretária interrompeu de forma fria. — O Diretor Kim foi muito específico nas instruções. Ele solicitou expressamente que a Senhorita Park, do jurídico, acompanhe o entregador para recolher as assinaturas. Ele deixou claro que não quer que a secretária da presidência se desloque hoje.

    Seokjin meu filho, você tá me deixando confusa

  5. Marcela
    Jul 22, '26 at 11:45 pm

    [quote]Mas o que realmente preencheu a sala da presidência foi a postura dele. Seokjin erguera um muro de gelo ainda mais alto e espesso ao seu redor.

    N faz isso meu filho, tu vai ter mais trabalho para quebrar esse murro depois kkkk

  6. Iasmine
    Jul 23, '26 at 11:16 pm

    O apartamento cheirava ao amargor do álcool e ao silêncio. Ele mal havia dormido. A noite anterior fora um borrão de copos cheios, pensamentos obsessivos e o eco constante daquela frase dita no escritório: O Senhor não tem o menor direito de falar dele. Nem de mim.

    Mas gente kkkkkk o homem desmoronou de ciúmes pqp

  7. Iasmine
    Jul 23, '26 at 11:17 pm

    — Eu não estou disponível, Senhorita — ele respondeu, a voz cortante através da linha digital, fria como o vidro da janela. — O conselho aguardará. Não vou descer e você não vai subir. O assunto está encerrado. Tenha uma boa noite.

    To gag que ele se recusou a assinar kkkkkkkk que ciumento

  8. Iasmine
    Jul 23, '26 at 11:18 pm

    Ele não olhou para a sua mesa ao passar. Não deu o “bom dia” formal que costumava proferir de forma mecânica. Quando precisava de arquivos, não chamava pelo seu nome; enviava solicitações por e-mail interno ou deixava bilhetes impressos na borda da mesa. Se você entrava na sala para servir o café ou entregar correspondências, ele mantinha a atenção fixa no monitor ou nos papéis, tratando sua presença como se você fosse uma sombra transparente.

    Voooti agora entrou no estado de negação kkkkkk

  9. Iasmine
    Jul 23, '26 at 11:18 pm

    Sentada na sua mesa ao final daquela tarde, observando através do vidro reflexivo o perfil rígido de Kim Seokjin trabalhando em silêncio. A fúria dele não era a raiva comum de um chefe autoritário. Era algo mais profundo, que você não conseguia compreender.

    Realmente ele não ta normal não

  10. Sheila
    Jul 26, '26 at 9:53 am

    Sentada na sua mesa ao final daquela tarde, observando através do vidro reflexivo o perfil rígido de Kim Seokjin trabalhando em silêncio. A fúria dele não era a raiva comum de um chefe autoritário. Era algo mais profundo, que você não conseguia compreender.

    Volta ele com muita raiva de algo que nem sabe o que é?! Kkkk

  11. Sheila
    Jul 26, '26 at 9:54 am

    A pergunta começou a se repetir em sua cabeça, desarmando sua defesa fria. Será que ele estava punindo você pela discussão daquela noite de tempestade? Será que a arrogância dele fora tão ferida pelo seu aviso sobre a ligação pessoal que ele decidira eliminá-la de qualquer contato direto?

    Fugindo de vc mulher e do ciúmes que está correndo ele por dentro. Kkkk

  12. Sheila
    Jul 26, '26 at 9:55 am

    — Eu não estou disponível, Senhorita — ele respondeu, a voz cortante através da linha digital, fria como o vidro da janela. — O conselho aguardará. Não vou descer e você não vai subir. O assunto está encerrado. Tenha uma boa noite.

    Seco e cruel com as palavras, mas no fundo quer estar com ela né?! Kkkk

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