Capítulo 7 – nae yeoja
por FanfiqueiraO silêncio que se instalou na penthouse após a partida de S/N era tão denso que Jungkook conseguia ouvir o próprio coração batendo, acelerado e descompassado. Ele estava parado no meio da sala, os pés descalços sobre o tapete caro, sentindo o peso do vazio que ela deixou para trás.
Olhei para o celular jogado no sofá. A tela estava escura agora, mas o nome de Sun-hee parecia estar gravado no ar, flutuando como uma sentença. “Meu Amor”. O termo que eu usei por anos como um escudo contra o mundo, agora parecia uma piada de mau gosto.
Caminhei até o sofá e peguei o aparelho. Abri a lista de contatos e olhei para o número dela. De repente, a foto de Sun-hee e o apelido carinhoso pareciam estranhos, como se pertencessem a uma vida que não era mais minha. O que eu sentia por ela era seguro, era conhecido… mas o que S/N tinha feito comigo naquela noite? Aquilo não era segurança. Era uma demolição.
— Merda! — rosnei, arremessando o celular contra a almofada.
Fui até a parede de vidro e soquei a estrutura de metal. A dor na mão não era nada comparada à queimação no meu peito. Eu conseguia sentir o cheiro dela na minha pele, o rastro dos beijos dela, a pressão das pernas dela na minha cintura.
A imagem de Namjoon — um homem que sempre foi meu rival nos negócios e agora era o meu carrasco pessoal — tocando S/N, rindo com ela, tendo o número dela enquanto eu, o marido, tinha apenas um registro impessoal de chamadas, me deixava louco.
Fui até a cozinha. O café que ela mencionou estava ali, intocado. A xícara que ela usou, a marca leve de batom na borda… tudo era um lembrete da minha própria negligência. Eu a tratei como uma transação por dois anos. Eu a chamei de entediante. E agora que ela havia incendiado o meu mundo, eu percebia que estava desesperado pelas cinzas.
Peguei o celular novamente. Meus dedos hesitaram por apenas um segundo antes de eu abrir o contato de Sun-hee.
[Apagar contato?]
Pressionei o botão. Sem hesitação. Depois, fui até o registro de chamadas e cliquei no número sem nome que pertencia a S/N. Meus dedos tremeram levemente enquanto eu digitava o novo nome.
Salvar contato como: “Minha Vida”
Não. Era possessivo demais para quem acabara de ser chutado da própria sala. Apaguei.
Salvar contato como: “S/N”
Frio demais. Olhei para o quarto, lembrando da forma como ela cavalgou em mim, da forma como ela me dominou. Digitei o nome que agora queimava na minha garganta.
Salvar contato como: “nae yeoja“
내 여자 (nae yeoja) — “minha mulher”
Bloqueei a tela e encostei a testa no vidro frio. Eu sabia o que precisava fazer. Sun-hee não era mais o problema. O problema era que S/N tinha descoberto o próprio poder, e Namjoon estava à espreita para dar a ela o que eu neguei.
— Você não vai terminar isso com ele, S/N — sussurrei para a cidade lá fora. — Eu vou te buscar, nem que eu tenha que queimar Seoul inteira para te encontrar.
As portas de metal do elevador se abriram com um som suave, revelando o hall imponente e silencioso da garagem privativa. S/N saiu com passos decididos, o som dos seus saltos ecoando no concreto polido. Parado ao lado do carro, com a postura impecável e o olhar atento, estava o Segurança Min.
Ele era a sombra silenciosa daquela casa há meses, o homem que via tudo e falava pouco.
— Bom dia, Senhora Jeon — Min disse, fazendo uma reverência curta e respeitosa, mas com um brilho de curiosidade contida nos olhos ao vê-la sair tão cedo e com aquela expressão.
S/N parou diante dele, ajustando a alça da bolsa no ombro, um sorriso enigmático surgindo em seus lábios.
— Vai fazer o que agora, Senhor Min? — ela perguntou, inclinando levemente a cabeça.
— Eu ia voltar para o meu posto de guarda no portão principal, senhora. O turno de patrulha externa começa agora — ele respondeu com a voz grave e profissional.
S/N deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. O ar matinal estava gelado, mas a tensão ali era quente.
— Senhor Min… — ela começou, a voz baixando para um tom quase confidencial. — Lembra-se do que me disse na semana passada? Você ainda acha que eu deveria largar meu marido?
O Segurança Min hesitou por uma fração de segundo. Ele olhou ao redor para garantir que estavam sozinhos e relaxou minimamente a postura rígida. Seu olhar desceu para o pescoço dela, onde uma marca deixada por Jungkook ainda era visível, e depois voltou para os olhos dela.
— Eu disse que uma mulher como a senhora merece ser prioridade, não uma opção de contrato — ele respondeu com sinceridade brutal. — E sim, continuo achando que esse lugar é pequeno demais para a sua liberdade.
S/N soltou um riso anasalado, mas não havia alegria nele, apenas uma determinação gélida.
— Tenho uma ideia melhor, Min… — ela disse, aproximando-se o suficiente para que apenas ele ouvisse. — Em vez de simplesmente ir embora e deixá-lo em paz, quero fazer ele pagar por todos esses anos de indiferença. Quero que ele sinta o que é perder o controle de tudo o que ele julga possuir.
Ela colocou a mão no braço dele, sentindo o músculo rígido sob o terno preto.
— Você… pode me ajudar, Senhor Min?
Min Yoongi olhou para a mão dela em seu braço e depois fixou os olhos nos dela. Um meio sorriso, sombrio e cúmplice, surgiu em seu rosto enquanto ele percebia que a “esposa troféu” finalmente havia decidido quebrar a vitrine.
— Senhora Jeon… eu não recebo o suficiente para ser um traidor — ele murmurou, a voz carregada de uma nova lealdade. — Mas eu faria de graça só para ver o império dele ruir pelas suas mãos. Considere-me à sua disposição. O que a senhora tem em mente?
No andar de cima, o telefone fixo da linha privada do escritório começou a tocar — um som estridente que cortava a atmosfera pesada da penthouse.
Eu subiu os degraus dois a dois, movido por uma mistura de irritação e uma esperança estúpida de que pudesse ser S/N ligando de algum lugar. Mas, ao entrar no escritório e ver o visor, seu rosto endureceu.
Era a linha que apenas ela conhecia.
Pensei em não atender. Pensei em arrancar o fio da parede. Mas o som era persistente, como a própria Sun-hee. Bufei, passando a mão pelo rosto, e atendi, mas não levei o fone ao ouvido imediatamente.
— Jungkook? — A voz dela veio antes mesmo de eu falar, abafada, mas claramente chorosa. — Por favor, não desliga. O que foi aquilo na sala? Aquela mulher… ela te lavou o cérebro? Você me humilhou, Jungkook! Eu estou aqui, no hotel onde a gente costumava se encontrar, e eu não consigo parar de tremer.
Eu olhei para a poltrona de couro onde, tantas vezes, ignorei S/N para responder às mensagens de Sun-hee. O peso da culpa — não pela ex, mas pela esposa — me atingiu como um soco.
— Sun-hee, pare — eu disse, minha voz soando exausta, desprovida de qualquer traço de carinho. — O que aconteceu na boate e o que aconteceu hoje cedo… foi a realidade batendo na porta.
— A realidade? — ela soluçou. — A nossa realidade é o que construímos nesses anos! Você me ama, Jungkook. Você disse que ela era um fardo. Vem pra cá. Vamos esquecer o que aquela… aquela cláusula fez. Eu estou te esperando.
— Ela não é uma cláusula — respondi, e a firmeza na minha própria voz me surpreendeu. — Ela é minha esposa. E pela primeira vez em dois anos, eu percebi que o fardo aqui fui eu.
Houve um silêncio chocado do outro lado. Eu podia quase ouvir as engrenagens na cabeça de Sun-hee parando de girar.
— Você está terminando comigo? Por causa dela? Depois de tudo o que eu fiz por você? — A voz dela mudou, perdendo a fragilidade e ganhando um tom agudo de desespero. — Você não pode fazer isso! Eu conto para o seu pai, Jungkook! Eu conto para a imprensa que esse casamento é uma farsa, que você nunca tocou nela!
Eu fechei os olhos, um sorriso amargo surgindo no meu rosto.
— Pode contar o que quiser, Sun-hee. O contrato já está rasgado. E quanto a nunca ter tocado nela… — Lembrei-me do calor de S/N, da forma como ela me dominou e de como eu ainda sentia o rastro dela em mim. — Eu recomendo que você não use esse argumento. Seria uma mentira que nem você conseguiria sustentar.
Desliguei o telefone antes que ela pudesse gritar novamente. Olhei para a mesa, para os papéis da empresa, e me senti subitamente sufocado. Eu tinha acabado de queimar a última ponte com o meu passado.
Oxi,coitada
Essa aí tu não pode contar kk
Kkkk,tá bom Yoongi
Nada possessivo kk
Acordou pra vida agora ?!
Tome vagabunda
Quengaaa
Da uma olhada, tremedeira deve ser Parkinson’s
Cínico
Kkkkkkkk hooo gente
Avisa a songamonga que sua noite foi uma loucura. Agora esse homem vai com tudo pra cima
Passada que é o Suga
Eita que o Min ta doido pra pegar ela hahaa
Surtando rsrs
— Você não vai terminar isso com ele, S/N — sussurrei para a cidade lá fora. — Eu vou te buscar, nem que eu tenha que queimar Seoul inteira para te encontrar.
Gosto assim kkk Merece surtar um pouquinho
Vai então!!! Busque-a e traga para queimar no seu corpo… kkk
[quote]— Você… pode me ajudar, Senhor Min? [/quote
Quer ajuda!!! Que difícil em mulher?!! Kkk
Até que fim… percebeu quem realmente importante pra vc!!!
Achou que ameaçando o JK ia ficar quieto com ela
Eu também queria ele a minha disposição