Capítulo 8 – Agora é Quando
por FanfiqueiraEle ficou parado ali mesmo, com o capacete em uma mão e o celular na outra, vendo a porta se fechar atrás dela.
Ainda conseguia ouvir o eco suave dos passos dela pelo corredor. Era como se o som não quisesse desaparecer tão rápido quanto a imagem dela.
“Ela realmente entrou.”
“E dessa vez eu sei o nome dela, tenho o número dela… ela é real. Tá aqui.”
O lugar onde ela o beijou ainda ardia suavemente, e ele tocou ali com os dedos, como se quisesse guardar aquela sensação.
Uma brisa gelada soprou, fazendo com que ele finalmente acordasse um pouco do transe. Vestiu o capacete com um movimento só e subiu na moto, o motor rugindo suavemente.
Enquanto as luzes da cidade passavam por ele, borradas pelo movimento, os pensamentos não paravam:
“Ela disse que tá orgulhosa de mim.
Ela lembra dos sonhos que eu falei naquela época… mesmo depois de todos esses anos.
Ela era só uma lembrança… um rosto que o tempo podia ter apagado. Mas agora ela tá de novo aqui, real, com o mesmo olhar.
Ela me segurando na moto… parecia tão natural. Como se o tempo não tivesse passado.”
Ele apertou levemente a aceleração. O frio batia no rosto, mas nem se importava.
“E se ela não tivesse voltado hoje?
E se eu não tivesse ido naquele restaurante?
Não. Não dá mais pra pensar em e se.
Agora é… e quando. E como. E o que eu faço pra não perder de novo.”
A moto de Jungkook estacionou suavemente no mesmo canto de sempre, ao lado da entrada iluminada. Assim que desligou o motor, não precisou nem tirar o capacete para ouvir o som inconfundível de patas correndo pelo chão de madeira do hall.
— Já senti saudade também, Bam… — ele murmurou, rindo baixinho, ao ver a silhueta agitada do cachorro surgir pela porta de vidro.
Abriu a porta e foi imediatamente recebido com o rabo balançando, o focinho frio encostando na perna dele e pequenos pulos de empolgação.
— Ei, calma, calma. Eu também tô feliz de te ver, grandão. — Ele se abaixou e afagou o pescoço do cachorro com carinho. — Tô todo seu, prometo. Só precisava viver uma coisa antes…
Ficou alguns segundos ali, com a testa apoiada na cabeça do Bam, sentindo a respiração pesada do cachorro e o aconchego silencioso que só ele sabia oferecer. A casa era grande, moderna, iluminada… mas era esse som, essa recepção, que fazia o lugar parecer vivo.
Jungkook finalmente tirou o capacete, pendurou a jaqueta no encosto da cadeira da sala e foi até a cozinha beber um copo d’água. Tudo nele parecia calmo… menos a cabeça.
“Ela ainda tava ali, na minha cintura, os braços envolvendo como se ela estivesse tentando guardar aquilo pra sempre.
O jeito que ela apertava um pouco mais forte nas curvas, como se não quisesse me soltar.
Será que ela também sentiu que era como se o tempo voltasse? Como se as mensagens que trocamos anos atrás tivessem se materializado hoje?
Ela não me viu crescer, mas ela acreditou em mim. Ela acreditava nos meus sonhos quando ninguém nem sabia quem eu era. E agora… agora ela disse que estava orgulhosa.”
Ele passou a mão pelos cabelos, ainda ouvindo o som das patas de Bam vagando pela casa.
“Ela disse aquilo olhando nos meus olhos. E ainda conseguiu sorrir daquele jeito antes de entrar…
Mas eu esqueci de perguntar o mais importante…”
Com um suspiro, ele pegou o celular que tinha largado na bancada da cozinha. Abriu o contato que ela mesma digitou momentos antes: SN.
Olhou para o nome por um tempo, quase sem saber o que dizer. E então, com os dedos firmes mas o coração disparado, ele escreveu:
Mensagem de Jungkook:
É estranho como você sempre teve o dom de me deixar sem palavras. Mesmo anos atrás, só com mensagens.
Hoje não foi diferente.
Ainda estou tentando entender se isso tudo foi coincidência… ou se o universo só esperou o momento certo.
Obrigado por lembrar de mim. Por lembrar dos meus sonhos. Mesmo sem nunca ter visto meu rosto.
Ah… e sobre o capacete. Fica com ele por enquanto.
Assim você tem um motivo a mais pra me ver de novo. Boa noite, SN.
ALGUNS MINUTOS ANTES…
Os passos de SN ecoavam pelas escadas estreitas, um após o outro, acompanhados do leve som de sua respiração acelerada. O elevador quebrado parecia quase simbólico, como se o universo quisesse dar mais tempo para ela pensar — ou bagunçar mais a cabeça dela.
“Quarto andar… Tá, sem problemas. Eu aguento. Só andei com os braços na cintura de um cara que foi praticamente meu crush secreto da adolescência e agora é um dos homens mais desejados do planeta. Coisa básica.”
Ela apertou os lábios, tentando não rir sozinha. Mas os pensamentos eram incessantes.
“Não é só isso… era ele. O garoto do aplicativo. Aquele com quem eu conversava por horas. Que falava sobre querer cantar pro mundo. Que sonhava ser alguém, mesmo sem saber como. Ele virou tudo aquilo.
E ele lembrava. Ele lembrou de mim. Lembrou de tudo.”
Ela subiu o último lance e abriu a porta do apartamento. O silêncio familiar a envolveu. Era um espaço pequeno, aconchegante, mas agora parecia grande demais com a cabeça tão cheia.
Largou a bolsa no sofá, tirou os sapatos e sentou-se por um instante, pegando o celular automaticamente. Desbloqueou a tela e abriu o app de mensagens. Nada.
“Claro que não tem nada, SN. Ele acabou de sair daqui, pelo amor de Deus. Ele provavelmente ainda nem chegou em casa. Respira.”
Soltou o ar em um suspiro longo. Levantou-se, ainda um pouco aérea, e foi direto para o banheiro. Precisava esfriar a cabeça. Literalmente.
A água morna escorria pela pele, mas os pensamentos não saíam. Era como se cada gota que caía trouxesse de volta uma lembrança dos momentos de hoje — os olhares trocados, a voz dele tão mais grave, mas inegavelmente familiar. O sorriso. O toque leve quando entregou o capacete.
“Ele tá diferente, mas ainda é ele. Ainda é o mesmo garoto que me fazia rir só com mensagens escritas.”
Cerca de quinze minutos depois, ela saiu do banho, enrolada em uma toalha, o cabelo pingando, os pés descalços no chão gelado. Pegou o celular do criado-mudo.
1 nova notificação.
Mensagem de Jungkook.
O coração dela deu um pulo — e ela também, quase deixando o celular cair no chão.
— Meu Deus… — murmurou, com os dedos trêmulos ao desbloquear a tela.
Ela leu a mensagem lentamente, cada palavra parecendo ecoar no peito.
“É estranho como você sempre teve o dom de me deixar sem palavras…”
Um sorriso começou a surgir nos lábios dela. Um daqueles que a gente tenta conter, mas ele escapa mesmo assim.
“Fica com o capacete por enquanto.”
Ela abraçou o travesseiro com força, escondendo o rosto, rindo sozinha de nervoso e emoção.
— Ele é o mesmo… o mesmo idiota fofo de sempre. — disse baixinho, com o coração disparado.
Sentou-se na cama, o celular entre as mãos, e começou a digitar a resposta. Apagava, reescrevia, suspirava, até finalmente mandar algo que soava… como ela.
Mensagem para Jungkook:
“Ainda estou tentando entender tudo o que aconteceu hoje… mas uma coisa eu sei:
Foi bom te ver.
Foi bom descobrir que era você.
O garoto das mensagens que eu nunca esqueci virou um homem incrível. Mas, no fundo, acho que você sempre foi.
Obrigada por lembrar de mim.
E sobre o capacete… vou cuidar bem. Mas acho que agora você tem um motivo pra vir conferir pessoalmente, né?
Boa noite, Junko.”
Casa de Jungkook…
A casa estava silenciosa, exceto pelo som leve da respiração de Bam, que havia se deitado ao lado do sofá, com a cabeça encostada nas patas, de olho em Jungkook. Depois de se trocar, ele tinha colocado uma camiseta larga e uma calça de moletom. A jaqueta e o capacete dela ainda estavam sobre a mesinha da entrada.
Jungkook havia tentado se distrair. Deu comida ao Bam, tomou um banho rápido, até colocou uma música ambiente pra não se sentir tão inquieto. Mas agora estava sentado no sofá da sala, as pernas esticadas, o celular apoiado no peito enquanto os dedos brincavam com a orelha do cachorro, distraidamente.
O olhar dele estava preso ao teto. Ele não conseguia parar de reviver o jeito que ela o abraçou na moto… o calor da presença dela ali, tão perto, apertando a cintura dele como se estivesse tentando se firmar em algo real. E era. Ela era.
E aquilo o deixou num estado entre leveza e aceleração. Coração cheio, mas também ansioso.
Ele virou o rosto e olhou de canto para o celular, ainda sem nenhuma notificação nova. Suspirou. Sabia que ela precisava de tempo. E ele também. Tudo aquilo foi muito inesperado. Quase irreal.
Justo quando ele esticou a mão pra pegar o controle da TV e colocar qualquer coisa pra tentar desligar a cabeça por uns minutos — o celular vibrou.
Ele nem precisou ver o nome. O corpo dele reagiu primeiro. O coração bateu mais forte. A palma da mão suou um pouco. Ele pegou o telefone com mais pressa do que pretendia, como se estivesse com medo da mensagem sumir se demorasse.
Leu.
Uma vez.
Depois mais uma.
E sorriu. Devagar. Aquele sorriso pequeno, quase torto, que se forma quando algo toca fundo e de verdade.
Um sorriso de quem foi visto. Lembrado. Escolhido, de alguma forma.
Ele leu de novo a parte sobre o capacete. “Agora você tem um motivo pra vir conferir pessoalmente, né?”
Ele riu sozinho. Olhou pro Bam, que levantou a cabeça como se sentisse a mudança de energia no ar.
Ela respondeu, Bam… — disse baixinho, como se estivesse contando um segredo ao cachorro.
Bam abanou o rabo, e Jungkook olhou de novo pra mensagem antes de digitar a resposta. Não queria parecer intenso demais. Mas também não conseguia fingir que aquilo não mexia com ele.
Mensagem para SN:
“Você não imagina o quanto eu tô feliz que era você.
O tempo passou, mas tem coisas que a gente sente e sabe.
Obrigado por me deixar entrar de novo, mesmo sem querer.
E sobre o capacete…
vou cobrar pessoalmente, claro.
Boa noite, SN.”
Vrrrrmm.
O celular vibrou.
Ela riu sozinha, tapando a boca com a mão como se alguém pudesse ouvir.
Ai, caralho… — sussurrou, nervosa. Mas os olhos brilhavam. Ela se mexeu, pegou o capacete que estava ao lado da cama — onde tinha deixado sem nem perceber — e fez o que o impulso mandava: tirou uma foto.
Nada produzido. Só o capacete sobre a cabeceira, a luz baixa do abajur, e um detalhe do lençol bagunçado.
Mensagem para Jungkook:
“Pra você não esquecer onde deixou ele.
Boa noite, garoto do aplicativo.”
Ela apertou “enviar”, ainda com o coração disparado, e se jogou de volta nos travesseiros, com a toalha ainda sobre os cabelos, rindo sozinha. Estava meio eufórica. Ansiosa. Sentia como se tivesse 16 anos de novo.
Mas a paz não durou nem dois minutos.
Grupo das amigas…
Yumi:
“CADÊÊ VC SN???
a gente tá indo pra casa q triste”
Ana:
“sn n sei como q tu sumiu no final MAS EU T AMOOOO”
Clara:
“tu perdeu a gnt cantando Blackpink no karaokêkkkkkk”
Yumi:
“dps tu me conta o q houve hein
tu TAVA ESTRANHA
se for homem
vou julgar e apoiar”
Ela riu de novo, os olhos lacrimejando dessa vez. Digitou rápido:
Mensagem para o grupo:
“Cheguei em casa, fui direto pro banho.
Tô moída da viagem e morta de sono.
Amo vocês!
Vejo vocês pela manhã.
E sim, é homem. Longa história. Muito longa.”
Colocou o celular de lado e se preparou para dormir…
Enquanto isso, ele estava sentado no chão da sala, encostado no sofá com Bam deitado do lado, comendo um pacote de salgadinho qualquer que achou no armário. A foto dela apareceu na tela e ele quase engasgou de tanto sorrir.
A luz baixa, o capacete na cabeceira, e aquela frase.
“Pra você não esquecer onde deixou ele.”
Ele leu de novo. E de novo. A cabeça encostou na beirada do sofá e os olhos se fecharam, mas o sorriso permaneceu.
Ele não aguentou.
Mensagem para SN:
“Eu tenho mais um dia de folga amanhã…
E eu tô aqui, no chão da sala, imaginando que talvez a gente não precise esperar tanto pra se ver de novo.
Tô com saudade.
Pode ser agora?”
O universo parece ter te pegado pra bode expiatório ultimamente, JK
Ai, que bom, começou, urruu
Meu nome dito por vc é tão bonito, Junkú…
Kkk Ele como sempre indo pro mundinho dele
Que pergunta carinhosa é essa Jk!? Primeiro passo é muito importante!!!
Amando esse amor desses dois!!!
Genuíno e verdadeiro!!! Inveja!!! Kkkkk
Que loucura tudo isso?! Agora vai Jk… não perca a SN novamente!!!
Amizade é tudo né?! É um verdadeiro irmão! Que sorte que vc tem o Jk!!!
Quero isso pra mim?! Esse momento a centímetro de distância do Jk!!! Aproveita SN!!!
Que emoção e alegria né Jk?! Amor de sua vida na sua frente?! Lembranças virando realidade!!!
Meu anjo o Universo ta literalmente te empurrando pra ela
O poobi ja descrente que ele ia reconhecer ela tadinha kkkkk
Hahaha o Universo: “meu filho outra chance ein”
Gente qual a chance ? Kkkkkk é muito destino
[quote]Jungkook não desviou o olhar dela enquanto ela se preparava para sair. Ele sentia o rastro do toque dela ainda vívido em seus dedos. — Se não for ela… — ele sussurrou para si mesmo, com uma certeza inabalável — o universo está brincando comigo da forma mais cruel possível.
Ele ainda tem dúvidas?
[quote]Jungkook assentiu, um movimento quase imperceptível de cabeça, mas carregado de convicção. — O jeito como ela escrevia… o jeito como ela falava sobre os sonhos dela. Era diferente de tudo. Ela não era apenas uma notificação no meu celular. Ela era real.
Ele realmente se lembra de cada detalhe.
Só falta ter coragem de falar isso pra ela
[quote]Jungkook soltou um leve suspiro pelo nariz, um som quase inaudível que carregava o peso de uma confirmação. Aquele olhar fora o ponto final em sua dúvida. Taehyung, percebendo a faísca, murmurou com um sorriso malicioso: — A vida tentando unir vocês, parte dois. Ou seria o destino perdendo a paciência? Jimin riu baixo, recuperando seu prato. — Vai esperar mais quantas tentativas do destino, hein, JK?
Kkkkkkkkk nem o destino tava aguento mais esperar
[quote]O nome “SN” e a menção ao “garoto do app” atravessaram o ar como uma faísca elétrica, atingindo Jungkook em cheio. Ele congelou, os olhos focados no vazio, enquanto o cérebro tentava processar o que o coração já havia aceitado.
Pronto, era tudo que ele precisava ouvir