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Índice do Capítulo

Ela já tinha apagado o abajur, mas o brilho do celular ainda iluminava o quarto. Quase pegando no sono, SN foi despertada pelo som sutil de mais uma mensagem. Os olhos se abriram devagar… e então ela leu:

“Eu tenho mais um dia de folga amanhã…
E eu tô aqui, no chão da sala, imaginando que talvez a gente não precise esperar tanto pra se ver de novo.
Tô com saudade.
Pode ser agora?”

Ela arregalou os olhos, sentou-se de supetão na cama, o coração acelerando com força.

— Agora?! — murmurou, sem acreditar que estava mesmo prestes a fazer isso.

Se levantou de um salto, foi até o espelho ajeitar o cabelo ainda um pouco úmido, vestiu um moletom leve por cima da camiseta, colocou uma calça de moletom escura e um tênis. Estava simples, mas confortável. Pegou o celular e digitou com os dedos meio trêmulos:

Mensagem para Jungkook:

Você realmente vai vir aqui agora?
Tô pronta. Mas se você sumir, eu vou te bloquear.
Tô falando sério. Não brinca comigo.

A resposta foi quase imediata:

Desce em 15 minutos. Tô levando o capacete que falta.

Ela sorriu, mordeu o lábio e desceu correndo, o coração disparado de ansiedade e expectativa.

Lá embaixo, ele estava lá. A moto parada, o farol baixo aceso, a silhueta dele encostada contra o assento, de braços cruzados, vestindo um moletom preto e o capacete pendurado no antebraço.

Quando ela se aproximou, ele levantou o olhar e deu aquele sorrisinho meio tímido, meio vitorioso.

— Achei que ia desistir — disse ele.

— E perder a chance de ser sequestrada por um idol no meio da madrugada? Nem pensar — ela respondeu, tentando soar tranquila, mas a voz entregava um pouco do nervosismo.

Ele riu, entregou o capacete.
— Pronta pra fugir?

— Já tô fugindo, né?

Ela subiu na garupa, e quando envolveu a cintura dele de novo, sentiu o mesmo calor no peito. Só que agora, mais consciente. Mais real. Jungkook acelerou devagar pelas ruas vazias da cidade. O vento batia no rosto, o céu estava limpo, e o mundo parecia em silêncio só pra eles.

Depois de um tempo vagando por ruas tranquilas, avenidas iluminadas, e até por algumas ladeiras desconhecidas, eles chegaram em uma pequena praia escondida, longe do centro. A maré estava baixa, e a areia úmida refletia um pouco do luar.

Ele estacionou a moto em uma pequena calçada e tirou o capacete. Ela fez o mesmo, olhando ao redor.

— Isso aqui existe mesmo? — ela perguntou, sorrindo surpresa.

— É um dos meus lugares preferidos. Só venho quando quero ficar em paz.

— E hoje você quis vir com alguém.

Ele a olhou.
— Hoje eu queria dividir isso com você.

Foram até a areia e sentaram lado a lado, os joelhos quase encostando, os dedos brincando com os grãos de areia úmida.

Depois de alguns minutos em silêncio, ela falou:
— Eu ainda não acredito que a gente se encontrou. Que você é… você. Que aquele garoto quieto do aplicativo virou o Jungkook.

Ele sorriu, olhando pro mar.
— E eu não acreditava que aquela menina que escrevia como se estivesse me lendo por dentro fosse real.

Ela baixou o olhar, meio sem graça.
— Eu quase desinstalei o aplicativo antes da gente parar de conversar.
— Por quê?

— Eu tava cansada… de procurar algo que parecia não existir.
— Mas a gente existiu, mesmo assim.

Ela o olhou, e ele retribuiu o olhar, firme, suave.

— Eu pensava em você, às vezes. Em como seria te encontrar.
— Eu também — ele disse. — Pensava se você teria a mesma voz que imaginei. Se teria as mesmas mãos que escreviam coisas que me faziam sorrir.

Ela riu baixo.
— E agora?

— Agora… eu sei que é melhor do que imaginei.

Ela desviou os olhos, o coração aos pulos. Ele notou e deu um leve empurrão de ombro, brincando.

— Por que você sumiu, SN?

— Eu perdi o celular. E junto com ele… tudo. Troquei de número, troquei de vida. A gente tava tão longe, eu nem achava que fosse real o que a gente tinha ali.

Ele assentiu.
— Entendo.
— Mas eu pensava em você quando via algo bonito. Ou quando ouvia as músicas que você dizia que gostava.
— Você ainda ouve?

— Sempre.

O silêncio voltou por um momento, confortável, como se a noite os envolvesse numa bolha só deles.

Ela deitou um pouco pra trás, apoiada nas mãos, olhando o céu.
— Tá frio.

Ele tirou o moletom devagar e colocou nos ombros dela.
— Eu tenho o dobro de músculo, lembra? Aguento mais frio que você.

Ela sorriu, aconchegada ali, com o cheiro dele no tecido.
— E você ainda é um idiota gentil.

— Eu prefiro “príncipe disfarçado”.

— Hm… convencido.

— Um pouco. Mas você tá usando meu moletom. Então, tecnicamente, eu tô vencendo.

Ela riu, e naquele instante, ele virou o rosto, observando o jeito como os olhos dela se apertavam de leve quando sorria. Ela o olhou de volta.

— O que foi?

— Eu queria te beijar naquela hora… quando você me deu o beijo no rosto e subiu. Mas fiquei paralisado. Achei que era cedo demais.

Ela engoliu seco, os olhos fixos nele.
— E agora?

Ele se aproximou devagar, os olhos buscando permissão.

— Agora talvez seja o tempo certo.

Ela não respondeu. Só fechou os olhos.

Os olhos fechados dela foram o único sinal que ele precisava. Jungkook se aproximou devagar, como se o tempo estivesse passando em câmera lenta, e encostou os lábios nos dela com uma delicadeza quase reverente. O beijo foi lento, suave, como se ambos estivessem com medo de estragar aquele momento com pressa.

Os dedos dele roçaram de leve a bochecha dela, e a mão dela apertou devagar o tecido do moletom dele ainda em seus ombros. Foi um beijo doce, sem urgência, mas carregado de tudo que eles não tinham conseguido dizer em palavras.

Quando os lábios se separaram, os rostos continuaram próximos, testas quase encostadas, os olhos meio fechados. Ela riu baixinho, nervosa.

— Isso foi… — ela começou.

— Demorado — ele completou, sorrindo. — Eu devia ter feito isso há horas.

Ela o olhou, tímida, mas com aquele brilho leve nos olhos.

— Eu tô com medo disso ser um sonho.

— E se for, é o mesmo que o meu — ele disse, pegando uma mecha do cabelo dela e ajeitando atrás da orelha.

Ela deitou a cabeça no ombro dele, e ele passou o braço por trás das costas dela, puxando-a com cuidado, como se ela fosse algo frágil demais pra se mover com força.

Ficaram ali, os dois olhando o mar. O silêncio era confortável, preenchido pelo som das ondas e pela respiração dos dois.

— Sabe o que é louco? — ela falou, ainda com a cabeça encostada nele.
— O quê?
— Eu não sinto que tô conhecendo você agora. Eu só tô… lembrando.

Ele sorriu com aquilo, beijou o topo da cabeça dela e respondeu:

— Eu sinto que esperei tempo demais por você. E agora não quero mais perder nada.

Ela virou o rosto devagar e o olhou nos olhos.
— Você acha que isso vai dar certo?

— Eu acho que a gente já deu certo. Mesmo antes de se ver.

Ela sorriu, o coração apertado de carinho.
Ele encostou o nariz no dela, fechando os olhos.
— Tô com medo também. Mas eu quero tentar. Quero descobrir cada pedaço da sua rotina, da sua cabeça. Quero te ver dançar sozinha na sala, quero ouvir tua risada reclamando de café que queimou.

Ela riu, balançando a cabeça.
— Você realmente lembra de tudo que eu falava, né?

— De você, eu nunca esqueci nada.

Ela puxou o rosto dele de leve pela gola do moletom e deu outro beijo, mais calmo, mais longo.

— A gente tem a noite inteira ainda — ele murmurou, quando se separaram.

— E você tem mais um dia de folga — ela completou.

— E eu tenho uma vontade absurda de passar cada segundo dele com você.

Ela se encolheu contra ele, como se quisesse se esconder naquele abraço.

— Tá frio ainda? — ele perguntou.

— Um pouco.

Ele sorriu, a envolveu com os dois braços e a deitou com delicadeza no próprio peito, como se ela fosse feita de vidro.
— Agora vai esquentar.

E ali, deitados na areia fria, sob o céu limpo e o som do mar, eles não precisaram de mais nada.

A madrugada já avançava, mas eles pareciam ignorar o tempo. A praia estava deserta, iluminada apenas pela luz amarelada dos postes distantes e o brilho suave da lua refletindo no mar. Estavam abraçados há horas, trocando beijos calmos, palavras sussurradas, carícias nos cabelos e nas mãos, como se o mundo inteiro tivesse diminuído só para caber naquele instante.

Ela tinha o rosto encostado no peito dele, ouvindo o coração de Jungkook bater em um ritmo que só fazia sentido quando os dedos dela estavam entrelaçados aos dele.

— É tudo tão surreal — ela sussurrou, com os olhos fechados. — Eu ainda não consigo acreditar.

— Por quê? — ele perguntou baixinho, beijando o alto da cabeça dela.

— Porque… eu acabei de chegar aqui. Literalmente hoje. Primeiro dia na Coreia. E quase fui atropelada. E depois encontrei você no restaurante. E depois descobri que você era você. O garoto do aplicativo. O garoto das mensagens que me faziam sorrir de madrugada, lembra?

Ele sorriu, e ela sentiu. O sorriso dele era largo, sincero.
— Eu lembro de cada palavra.

Ela levantou um pouco o rosto, encarando ele.
— E agora… eu tô aqui. Com você. Isso é loucura.

— Loucura boa — ele respondeu, e passou o polegar na bochecha dela. — Eu devia estar dormindo agora. Mas se eu tivesse ido embora sem te ver hoje de novo, acho que não ia conseguir pregar o olho.

Ela riu, com os olhos marejados, emocionada.

— Eu vim pra fazer intercâmbio por seis meses — ela contou, devagar. — Minhas amigas chegaram antes, organizaram tudo. Tô morando com elas. E… eu não tinha ideia do que ia acontecer. Eu só… queria tentar. Mudar de ares. Me dar uma chance.

Jungkook ficou olhando pra ela por alguns segundos, como se estivesse tentando guardar cada palavra.

— No mês passado — ele disse, com a voz mais baixa, mais íntima —, eu fui visitar meus pais. Fiquei  o fim de semana lá, descansando. E acabei achando aquele celular velho. Aquele mesmo onde a gente se falava, lembra?

Ela abriu um sorriso nostálgico.
— Lembro sim.

— Ele ainda ligava. Eu consegui recarregar. Comecei a reler nossas conversas. Fiquei horas naquela madrugada com ele na mão. Lendo tudo de novo. Dormi com ele no peito, do mesmo jeito de antes. Com tua última mensagem aberta.

Ela sentiu a garganta apertar.

— E agora — ele continuou, puxando-a mais para perto —, um mês depois, você aparece. Em carne e osso. Na minha frente. Tímida, nervosa. A mesma garota que me fazia rir com as mensagens esquisitas às três da manhã.

Ela riu, cobrindo o rosto com uma das mãos.
— Eu era muito esquisita, né?

— Era perfeita — ele corrigiu, afastando a mão dela com carinho. — E ainda é.

— Você não faz ideia do quanto eu imaginei te ver assim… de verdade. E agora tá tudo acontecendo. E eu tô tentando me controlar pra não parecer desesperada — ela confessou, com um riso nervoso.

— Pode parecer. Eu também tô. Tô desesperado por mais momentos como esse. Mais conversas. Mais beijos. Mais você.

Ela encostou o rosto no dele, sem pressa, apenas sentindo o calor da pele dele, o jeito como o nariz dele roçava o dela quando falava.
— A gente ainda tem seis meses, pelo menos.

— E se eu disser que quero que sejam mais? — ele perguntou, encostando os lábios no canto da boca dela. — Seis meses não vão me bastar.

Ela sorriu contra os lábios dele.
— Então a gente vai ter que dar um jeito.

E ali, deitados lado a lado na areia fria, os corpos aquecidos um pelo outro, as mãos entrelaçadas, eles ficaram. Trocando promessas sussurradas que só a brisa do mar podia ouvir.

16 Comentários

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  1. Marcela
    Mar 4, '26 at 4:18 pm

    [quote]Ele não parecia estar de passagem. Estava encostado casualmente na parede ao lado do bebedouro, os braços cruzados, como se estivesse esperando o tempo decidir o que fazer. SN congelou. Foi a terceira vez naquela noite que seus corpos quase entraram em rota de colisão.

    Aaaaaaaaaaa ele foi atrás delaaaa

  2. Marcela
    Mar 4, '26 at 4:25 pm

    Jungkook balançou a cabeça devagar, passando a mão pelos cabelos, um gesto inquieto que denunciava seu próprio choque. — Não… eu que… caramba. Você existe mesmo.

    O coitado sem acreditar que era real

    1. Marcela
      @MarcelaMar 31, '26 at 5:13 pm

      — E se eu disser que quero que sejam mais? — ele perguntou, encostando os lábios no canto da boca dela. — Seis meses não vão me bastar.

      Com toda certeza, ele n vai deixar ela ir embora.

  3. Marcela
    Mar 4, '26 at 4:30 pm

    [quote]Jungkook não conseguia parar de sorrir. Era um sorriso que não buscava as câmeras, mas que nascia de um lugar profundo onde a dúvida costumava morar. Algo em seu peito, uma tensão que ele nem sabia que carregava desde a adolescência, finalmente havia se acalmado. — Não era coincidência — ele murmurou, a voz firme. — Era ela. Sempre foi ela.

    A felicidade em saber que não era tudo ilusão. Que era real

  4. Iasmine
    Mar 4, '26 at 9:49 pm

    SN caminhava com elas, mas seus pés pareciam pesar toneladas. A poucos metros da liberdade da rua, ela parou abruptamente. — Ai… espera. Eu preciso ir ao banheiro antes de sair. Juro que é rapidinho.

    A gente fica cega numa ocasião dessas kkkkk

  5. Iasmine
    Mar 4, '26 at 9:51 pm

    Ele não parecia estar de passagem. Estava encostado casualmente na parede ao lado do bebedouro, os braços cruzados, como se estivesse esperando o tempo decidir o que fazer. SN congelou. Foi a terceira vez naquela noite que seus corpos quase entraram em rota de colisão.

    Ele finalmente levantou pra ir atrás dela aaaaaaaah surto

  6. Iasmine
    Mar 4, '26 at 9:51 pm

    — Eu lembro — ele disse, a gravidade tomando conta de suas feições. — Do aplicativo. Das conversas. Do jeito que você falava de Seul mesmo sem nunca ter vindo aqui. Do jeito que você descrevia seus sonhos.

    Céus finalmente ele quebrou o silêncio aaaaaaah finalmente

  7. Iasmine
    Mar 4, '26 at 9:52 pm

    O sorriso que iluminou o rosto de Jungkook foi o mais genuíno que ele dera em anos. — Tem um milhão de coisas que eu nunca consegui te dizer. — E eu, um milhão que nunca achei que você lembraria.

    Meu deus tá acontecendo finalmente aaaaaaa

  8. Sheila
    Mar 5, '26 at 8:03 pm

    Ele não parecia estar de passagem. Estava encostado casualmente na parede ao lado do bebedouro, os braços cruzados, como se estivesse esperando o tempo decidir o que fazer. SN congelou. Foi a terceira vez naquela noite que seus corpos quase entraram em rota de colisão.

    Homem Grego encostado na parede com os braços cruzados?! Querooo!!! Só vai SN, se entregue a esse amor!!!

  9. Sheila
    Mar 5, '26 at 8:06 pm

    Jungkook sorriu com o canto dos lábios. Não era o sorriso de uma estrela pop; era o sorriso de um homem que acabara de encontrar algo que julgava perdido. — Você sempre esbarra em mim… ou eu que tenho um problema sério com direção — ele disse. O tom era leve, quase brincalhão, mas os olhos dele… eles queimavam com uma familiaridade que a desarmava.

    Que delicia de sorriso é esse Jk?! Eu me desarmava facinho, facinho!!! Kkkk

  10. Sheila
    Mar 5, '26 at 8:07 pm

    — Posso te ver de novo? — ele interrompeu, antes que ela pudesse se despedir. — A gente pode… conversar? Com calma, sem coincidências, sem correria… só eu e você?

    Imagina o coração de SN para essa pergunta?! Enlouquecedor!!!

    1. SNdoNamjoon(YrysV)♡
      @SheilaMar 31, '26 at 4:39 am

      “Ele ouviu. Ele estava perto demais. Será que ele entendeu que eu estava falando dele?”, ela pensava, enquanto tentava convencer a si mesma de que o universo não era tão caprichoso a ponto de criar tal cenário.

      N lê fic n?Kkk

  11. Sheila
    Mar 5, '26 at 8:09 pm

    “Era ele. O tempo todo. O garoto que me fazia sorrir para a tela do celular… é o Jeon Jungkook.”

    É ele SN é ele!!! E o que fazer agora?! Melhor é aceitar e se entregar a esse amor!!!

  12. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 31, '26 at 4:40 am

    Jungkook estava lá.

    Nossa, o q eu faço agr?Socorro

  13. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 31, '26 at 4:41 am

    Ele riu baixinho, desviando o olhar por um breve segundo antes de fixá-lo novamente nela. — Ou só muito azar da sua parte…

    Nossa, pesou o clima

  14. SNdoNamjoon(YrysV)♡
    Mar 31, '26 at 4:43 am

    — Posso te ver de novo? — ele interrompeu, antes que ela pudesse se despedir. — A gente pode… conversar? Com calma, sem coincidências, sem correria… só eu e você?

    Mas é claro, qqr dia e hr

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