Capítulo 1 – O Reflexo do Desejo
por FanfiqueiraAs luzes do estádio ainda queimavam na retina de Jung Hoseok, mesmo minutos após o último acorde de Future ter silenciado. O rugido de cinquenta mil vozes ainda vibrava em seus ossos, um eco fantasmagórico que o acompanhava enquanto ele caminhava pelo túnel de metal em direção ao camarim. Ele estava ensopado; o suor fazia a camisa de seda colar em suas costas como uma segunda pele sufocante.
Ao entrar no camarim, o ar condicionado o atingiu como um tapa gélido. Os outros seis membros já estavam lá, espalhados pelos sofás de couro preto. Jungkook tentava recuperar o fôlego enquanto bebia água avidamente; Taehyung examinava o próprio rosto no espelho, removendo um acessório de orelha que o incomodava.

— A energia hoje estava insana — Yoongi murmurou, a voz rouca, jogando-se ao lado de Hoseok. — Senti que o palco ia rachar no solo do Namjoon.
— Eu quase errei a transição no segundo refrão — confessou Jin, rindo de leve enquanto um estilista ajudava a tirar sua jaqueta pesada. — Mas o público gritou tanto que acho que ninguém notou.
Hoseok sorriu, mas era um sorriso automático, um reflexo condicionado por anos de treinamento. Ele amava o palco, amava os membros, mas a exaustão física e mental estava começando a criar uma névoa espessa em sua mente.
— Você foi ótimo, Hobi — Namjoon disse, colocando a mão em seu ombro. — A coreografia nova fluiu perfeitamente.
— Obrigado, Joon. — Hoseok suspirou, fechando os olhos enquanto uma maquiadora passava um lenço umedecido em seu pescoço. — Só preciso de uma cama. Ou dez anos de sono.
Eles comeram rapidamente — comida coreana entregue em caixas térmicas, o sabor de casa misturado ao plástico descartável. Riram de algumas piadas internas, comentaram sobre os cartazes engraçados na primeira fila, mas o silêncio logo se instalou conforme o cansaço vencia o entusiasmo. O trajeto até a van e, posteriormente, até o hotel, foi um borrão de luzes da cidade passando pela janela blindada.
No banco de trás da van, o celular de Hoseok vibrou. Era uma mensagem do corretor responsável pela sua nova cobertura em Seul.
“Sr. Jung, terminamos a organização básica. Há alguns itens dos antigos moradores no depósito da sala que não conseguimos descartar sem sua autorização final. Enviei as fotos em anexo. Por favor, nos diga o que manter.”
Hoseok rolou as fotos rapidamente. Caixas, uma estante de carvalho, um tapete persa desgastado e… um espelho. Um espelho enorme, com uma moldura de madeira escura, entalhada com padrões que pareciam serpenteiam uns sobre os outros.
— Quando chegar eu vejo melhor, agora vou dormir… — ele digitou, as pálpebras pesando toneladas.

O dia seguinte foi uma maratona de aeroportos, seguranças formando correntes humanas para protegê-los de câmeras agressivas e o zumbido constante das turbinas do avião. Quando ele finalmente destrancou a porta de seu novo apartamento, o sol já estava começando a descer.

Jung Hoseok deixou as chaves sobre a mesa de mármore, o som metálico ecoando pelas paredes brancas e frias da sala recém-decorada. O silêncio era absoluto, quase ofensivo. Ele odiava aquela jaqueta de grife que apertava seus ombros, um contrato de milhões costurado em couro sintético que ele não podia simplesmente tirar diante das câmeras. Ali, entre caixas ainda lacradas, ele era apenas um homem exausto de ser um conceito, uma marca, uma esperança para milhões, enquanto sentia um vazio abissal para si mesmo.
Seu olhar caiu sobre o espelho de moldura antiga. Era a única coisa que não combinava com o minimalismo luxuoso e estéril do lugar. Ele deveria ter mandado para o lixo, mas algo naquelas curvas de madeira o fizera manter o objeto.
Eram 17:45. A hora dourada.
O sol começou a sangrar pelo horizonte, invadindo a sala com um laranja tão vívido que parecia palpável, transformando o pó suspenso no ar em fagulhas de ouro. Hoseok aproximou-se do vidro para remover a máscara de cansaço que os palcos haviam moldado em seu rosto. Ele queria ver o ídolo, o “J-Hope”, para se convencer de que tudo valia a pena.
Mas o reflexo que o encarou não tinha olheiras profundas ou o olhar opaco de quem trabalhava quinze horas por dia.
Hoseok franziu o cenho. Ele olhou para trás, para a sua sala branca e vazia. Depois olhou para o espelho novamente.
Lá dentro, o cenário era um apartamento que ele nunca tinha visto. Não era luxuoso, mas transbordava vida. Havia plantas em vasos de barro, discos espalhados por um tapete confortável e o cheiro de café parecia flutuar através do vidro. O Hoseok do espelho usava uma camiseta de algodão surrada e larga, o cabelo bagunçado de um jeito natural. Ele não era uma marca; era um movimento.
Hoseok estava paralisado. Ele tocou o próprio rosto no mundo real, sentindo a maquiagem seca. No espelho, sua versão alternativa sorria para algo fora de campo.
De repente, uma figura feminina entrou no reflexo. Era você.
Hoseok prendeu a respiração. Ele nunca a vira antes, mas sentiu um solavanco no peito, uma sensação de reconhecimento ancestral que não fazia sentido. Você caminhou até o “outro” Hoseok, passou os braços pelo pescoço dele e selou seus lábios em um beijo rápido e carinhoso.
— Não demore, o jantar está quase pronto — você disse no reflexo, sua voz abafada como se estivesse sob a água, antes de dar um tapinha leve no ombro dele e sair em direção ao que parecia ser a cozinha.
O Hoseok do espelho sorriu de um jeito que o Hoseok real não via no espelho há anos — sem ensaios, sem ângulos perfeitos, apenas alegria pura. Ele então olhou diretamente para o vidro, como se finalmente notasse o intruso do lado de fora.
Hipnotizado pela promessa de paz naquele sorriso, o ídolo estendeu a mão. Ele esperava o toque frio do vidro, a barreira física que o lembraria de sua solidão e da sua realidade de ouro e espinhos. Em vez disso, seus dedos afundaram em uma superfície morna e viscosa.
O pânico e a euforia lutaram em seu peito. A luz alaranjada do pôr do sol se tornou um redemoinho. O peso da jaqueta cara, das expectativas, dos contratos de publicidade e do medo constante de falhar pareceu evaporar.
Com um último empurrão, a gravidade da sala luxuosa o abandonou. Hoseok tropeçou para frente, sentindo o corpo ser tragado pela luz e pelo calor.
O baque foi seco. Seus joelhos atingiram o chão de madeira — não o mármore frio de Seul, mas uma madeira que rangia e tinha cheiro de cera e lar. O som de uma música de jazz suave vindo de uma vitrola encheu seus ouvidos.
— Hoseok? — Sua voz ecoou da cozinha, acompanhada pelo som de talheres sendo deixados sobre a mesa. — Que barulho foi esse? Você tropeçou de novo?
Ele olhou para cima, o coração martelando contra as costelas de um jeito que nenhum estádio lotado jamais conseguira fazer. Você apareceu no arco da porta, enxugando as mãos em um pano de prato, com uma expressão de preocupação que derreteu a última defesa que ele possuía.
Ele estava em uma dimensão que não lhe pertencia, em uma vida que ele não construiu, olhando para uma mulher que ele não conhecia, mas que o chamava pelo nome como se ele fosse a única coisa que importasse no mundo.
— Hoseok? — você repetiu, aproximando-se e ajoelhando-se ao lado dele. — O que houve? Você está pálido… e que roupa é essa?
Hoseok tentou falar, mas a voz morreu na garganta. Ele olhou para as próprias mãos; a pele parecia mais quente, mais real. Ele não era mais o “Hope” do mundo. Ele era apenas o Hoseok… e ele estava em casa, mesmo sem saber como.
Meu deuuuus que loucura um multiverso
Oxi kkkk achei q era do J-Hope a história kkkk
É sim, mas como ele é o Idol do BTS… não dá pra montar uma cena sem contexto..
Resolvi dar uma chance àquela q eu disse q é ruim sem ter lido, vamo lá
E PÕE avidamente nisso, parece q estava num deserto
Namjoon é monstro msm
Tadinho