Capítulo 11 – O Regresso ao Silêncio
por FanfiqueiraO aroma do alho e das ervas frescas dourando no azeite aquecido impregnava o ar da cozinha com um aconchego quase palpável. A luz amarelada sobre a bancada cortava a penumbra da sala, criando um refúgio acolhedor enquanto a noite avançava do lado de fora.
Hoseok segurava a colher de pau, atento à panela sobre o fogão, mas sua concentração vacilava a cada passo que você dava ao redor do espaço. Você estava ao seu lado, encostada no balcão, cortando os morangos para a sobremesa e cantarolando uma melodia distraída.
De repente, a mão de Hoseok abandonou a colher. Com uma agilidade precisa, ele segurou você pela cintura por trás, puxando seu corpo contra o dele. Um arrepio imediato percorreu sua espinha quando o peito quente dele colou nas suas costas e a boca dele encontrou o ponto sensível logo abaixo da sua orelha, desferindo beijos lentos e estalados.
— Hobi, eu tô cortando as frutas! — você riu, inclinando a cabeça para dar mais acesso a ele, tentando manter o controle sobre a faca.
— Esquece as frutas por um segundo… — murmurou ele contra a sua pele, a voz rouca ressoando fundo no seu ouvido.
Ele a girou nos braços até que você ficasse de frente para ele. A expressão de Hoseok não guardava nada da hesitação dos primeiros dias; os olhos escuros brilhavam com um desejo denso, quase urgente. A mão dele subiu para a sua nuca, os dedos se embrenhando pelos seus cabelos e puxando você para um beijo profundo, faminto.
Sua língua encontrou a dele num ritmo avassalador. O sabor doce do vinho que tinham aberto há pouco se misturou ao calor da respiração de vocês dois. Você enlaçou o pescoço dele, colando os quadris no dele e sentindo a rigidez do corpo dele contra o seu. O toque de Hoseok desceu rápido pelas suas costas, apertando sua cintura com força, erguendo você de leve do chão.
Um chiado mais forte vindo do fogão denunciou que o molho começava a espirrar. Mas Hoseok nem sequer olhou para trás. Sem quebrar o beijo, ele estendeu o braço até o painel do fogão e girou o botão, desligando a boca de uma vez. O único som que sobrou na cozinha foi o ruído arfante da respiração de vocês dois e o estalido dos lábios se entrecortando.
— O molho… — você tentou murmurar entre uma arfada e outra, os pés tocando o chão por um segundo.
— O molho que se dane — ele rosnou contra a sua boca, a voz tomada por uma intensidade absoluta.
Hoseok a ergueu pelos quadris de uma só vez, acomodando você sobre a borda da bancada de granito frio. As tigelas de ingredientes foram empurradas para o lado sem o menor cuidado. Você abriu as pernas para envolvê-lo pela cintura, puxando-o pela gola da camisa enquanto a boca dele descia num rastro quente pelo seu pescoço até o decote.
Não havia pressa delicada, apenas uma fome desesperada de marcar a pele, de gravar aquele momento na memória física do corpo. Hoseok desabotoou sua camisa com dedos ágeis, a respiração pesada batendo contra a sua pele nua. Quando a mão dele subiu pela sua coxa, tateando e puxando o tecido leve da sua roupa interior para o lado, você soltou um gemido alto que ecoou na cozinha.
Ele se encaixou entre as suas pernas com força, penetrando você em um único movimento fundo. O contraste do granito frio nas suas costas com o calor incandescente do corpo dele fez você arquiar o tronco. Hoseok segurou seu rosto com as duas mãos, olhando fundo nos seus olhos enquanto impunha um ritmo intenso, firme e sem pausas. Cada estocada era acompanhada pelo som da respiração descontrolada dele, pelos suspiros que você não conseguia reter e pelo atrito contínuo de duas peles completamente entregues.
O ambiente parecia diminuir de tamanho, reduzido àquele ponto de contato na bancada. Ele beijava seus lábios, suas bochechas, seus ombros, como se tentasse absorver cada partícula da sua presença. Quando o ápice os atingiu uma onda avassaladora que fez você arranhar as costas dele enquanto Hoseok travava o quadril contra o seu, soltando um gemido grave no seu pescoço, o silêncio que se seguiu veio carregado de um peso doce e exausto.
Permaneceram abraçados por longos minutos na penumbra da cozinha, o peito dele subindo e descendo em descompasso contra o seu.
Com extrema delicadeza, Hoseok a pegou no colo, fazendo você cruzar as pernas ao redor dele novamente, e a carregou até o sofá da sala. Ele a acomodou com cuidado sobre as almofadas macias, selando a sua testa com um beijo demorado.
— Fica aí. Eu vou arrumar a nossa janta — ele disse, com a voz ainda rouca, mas exibindo um sorriso doce que iluminava seu rosto.
Ele voltou para a cozinha, arrumou o que havia sido desalinhado na bancada, terminou de preparar os pratos com uma agilidade renovada e levou tudo em uma bandeja para a mesa de centro da sala. Sentaram-se no tapete, encostados no sofá, compartilhando a massa e as frutas entre risadas e provocações bobas.
O sorriso de Hoseok era enorme, aberto, exibindo a fosseta no canto dos lábios que você tanto amava. Mas, por trás daquele brilho nos olhos, a mente dele trabalhava em um turbilhão doloroso.
Nunca mais vou ter isso aqui, né?, ele pensava, enquanto observava você rir de uma piada que ele acabara de fazer. O contraste entre a solidão de sua rotina estressante em Seul e a plenitude daquela vida doméstica cortava seu peito como uma lâmina. Se eu voltar… será que algum dia vou conseguir viver algo tão verdadeiro assim por lá? Ou essa paz só existe neste lugar, com você?
Um suspiro pesado escapou do peito dele, involuntário e profundo.
Você percebeu a mudança sutil no ar. Seu riso diminuiu e você colocou o garfo de lado, observando o perfil dele banhado pela luz suave do abajur.
— Tá tarde, né? — você perguntou carinhosamente, tocando o joelho dele. — Vamos dormir?
Hoseok piscou, voltando da tempestade de seus pensamentos, e olhou para você.
— É… tá ficando tarde sim. Pode ir na frente para o quarto, amor. Eu vou só limpar essa bagunça aqui e já vou.
Você balançou a cabeça de leve, segurando a mão dele e puxando-o para se levantar.
— Deixa isso pra lá. Amanhã a gente limpa tudo junto.
Hoseok encarou o olhar calmo que você deduzia ser apenas o de uma noite comum. Por dentro, ele sentiu um nó apertar sua garganta. Cada minuto com ela conta, ele pensou, com uma clareza dolorosa. Eu não vou perder tempo lavando pratos.
— Você tem razão — ele concordou, engolindo em seco e esboçando um sorriso sereno. — Vamos.
Eles caminharam juntos até o quarto. Deitados sob os lençóis macios, trocaram carinhos lentos na penumbra. Você se aconchegou no peito dele, traçando círculos imaginários na pele nua do tórax de Hoseok, até que a exaustão do dia fez suas pálpebras pesarem e sua respiração se tornar profunda e ritmada.
Mas Hoseok não dormiu.
Ele se recusou categoricamente a fechar os olhos. Passou as horas seguintes em absoluto silêncio, velando o seu sono. Seus dedos deslizavam suavemente pelos fios do seu cabelo, desenhavam o contorno das suas sobrancelhas, a curva do seu nariz e a textura dos seus lábios. Cada segundo era precioso demais para ser desperdiçado na inconsciência. Ele registrava cada detalhe da sua face, guardando a imagem na memória como quem tenta salvar um tesouro antes do naufrágio.
Quando os primeiros raios da manhã começaram a tingir a borda da cortina, anunciando a chegada iminente da hora dourada, Hoseok soube que o tempo havia esgotado.
Ele se forçou a mover o corpo exausto. Com extremo cuidado para não te acordar, deslizou para fora da cama. Ficou parado ao lado do colchão por alguns instantes, observando você dormir pacificamente, enrolada na coberta.
Inclinou-se devagar, aproximou os lábios do topo da sua cabeça e depositou ali um beijo morno, demorado e carregado de um sentimento avassalador.
— Você podia aparecer no meu mundo, né? — ele murmurou num sussurro quase inaudível, com a voz embargada pela emoção. — Juro que não te largo nunca…
Respirou fundo, buscando forças no fundo da alma, e se forçou a girar sobre os calcanhares. Caminhou a passos lentos e pesados em direção à sala.
Ao cruzar o corredor e chegar diante da parede ao fundo, a confirmação estava lá: a superfície do espelho gigante já se comportava como uma lâmina de água sob a luz do sol nascente, criando ondulações douradas e profundas. O portal estava aberto.
Hoseok parou a um passo do vidro. Parou e olhou para trás uma última vez. Olhou para o corredor silencioso que levava ao quarto onde você repousava, para a cozinha onde a poeira da noite anterior repousava sobre o balcão, para cada canto daquele lar que não lhe pertencia, mas que se tornara o único lugar onde se sentira verdadeiramente completo.
Uma única lágrima silenciosa escapou de seu olho direito, escorrendo quente pela sua bochecha.
Sem olhar novamente, Jung Hoseok deu o passo à frente.
A sensação de compressão e o estalido ensurdecedor tomaram conta de seus sentidos por uma fração de segundo. O calor daquela casa desapareceu.
Com um impacto seco, o corpo dele caiu de joelhos sobre o piso frio e polido de mármore esporte de seu apartamento de luxo em Seul. O silêncio estéril do ambiente hipermoderno o envolveu no mesmo instante.
Ele estava de volta. Hoseok permaneceu ajoelhado, as mãos apoiadas no chão frio, ouvindo apenas o zumbido distante da metrópole lá fora e o som da sua própria respiração ecoando na imensidão vazia da sua realidade.
Nunca leiam essas coisas quando vc ta com fome na rua.. puta merda agora quero comer isso
Quem te viu quem te vê ein.. nem parece o cara que tomava choque quando ela tocava
Nem parece que tem que voltar pra casa ne meu fioo
E agora ein.. como sera que ficou o mundo dele ?