Capítulo 4 – O Eclipse da Alma
por FanfiqueiraO caminho da cozinha até o quarto pareceu a Hoseok o corredor mais longo de sua vida. Cada rangido da madeira sob seus pés descalços ecoava como um alerta. O quarto era o santuário daquele “outro” Hoseok; o ar ali era denso, carregado com o cheiro de vocês dois, de noites compartilhadas e de uma história que ele não viveu.
A cama de casal, com lençóis de algodão visivelmente macios, parecia uma armadilha. Em sua vida real, Hoseok dormia em lençóis de seda de mil fios, mas sempre estava sozinho, ou exausto demais para sentir qualquer coisa além do peso do próprio corpo.
— Você está tão quieto… — você murmurou, apagando a luz principal e deixando apenas o brilho âmbar de um abajur de sal sobre a cômoda.
Hoseok sentou-se na beirada do colchão, a coluna rígida. Ele observou você se deitar com uma naturalidade que o invejava. Para você, era apenas mais uma noite. Para ele, era o campo de batalha final de seu disfarce.
— Só estou cansado, S/N. — Ele tentou usar a voz suave que usava com os fãs, mas ela soou trêmula.
Ele se deitou, mantendo-se o mais longe possível do centro, na borda gelada do colchão. Mas o espaço não durou muito. Como se fosse guiada por um instinto magnético de anos, você rolou em direção a ele.
Hoseok travou a respiração quando sentiu o seu corpo se encaixar no dele. Você deitou a cabeça no peitoral dele, exatamente sobre o seu coração que batia como um tambor frenético. Suas pernas se entrelaçaram com as dele sob o cobertor, um nó de pele quente e familiaridade.
— Senti sua falta hoje — você sussurrou, a voz carregada de um desejo que ele reconheceu instantaneamente.
Você se ergueu levemente, apoiando o queixo no peito dele, e o beijou. Não foi o beijo de “boas-vindas” da sala, nem o beijo de “consolo” da cozinha. Foi um beijo profundo, lento, que tinha gosto de entrega e de uma promessa que, em qualquer outra noite, levaria a um sexo intenso e sem pressa.
Hoseok sentiu uma onda de calor percorrer sua espinha. O corpo dele, traidor, respondeu ao seu toque. A pele dele formigava onde você o tocava, e por um segundo, o desejo físico quase soterrou o medo. Mas então, a mente dele gritou. Você não é o homem que ela pensa que é.
Quando as suas mãos começaram a subir por baixo da camiseta de algodão dele, tateando a pele de seu abdômen, Hoseok entrou em pânico. Tocar você naquele nível de intimidade parecia um roubo, uma violação da vida do outro Hoseok e da sua própria sanidade.
Ele segurou seus pulsos com delicadeza, mas com firmeza, interrompendo o beijo. Suas respirações estavam misturadas, pesadas.
— S/N… espera — ele ofegou, desviando o rosto.
Você parou, confusa, com o cabelo caindo sobre o rosto. — O que foi? Eu fiz algo que você não gostou?
— Não! Não é isso… — Ele sentou-se rapidamente, afastando-se do calor do seu corpo, o que deixou um vazio gelado entre vocês. — É que… eu realmente não estou me sentindo bem. Minha cabeça… está girando. Acho que aquela tontura de mais cedo não passou.
Você se sentou também, puxando o lençol para cobrir os ombros, a expressão de desejo sendo substituída por uma mágoa confusa. — Hoseok, a gente nunca… você nunca me rejeita assim. A gente não se via desde cedo, e você parece que está fugindo de mim desde que cruzou aquela porta.
— Eu não estou fugindo de você — ele mentiu, sentindo o peito doer com a expressão em seu rosto. — Eu só… eu preciso dormir. De verdade. Se eu não descansar, sinto que vou desmoronar.
Hoseok deitou-se de costas, olhando para o teto escuro, as mãos cruzadas sobre o estômago como se estivesse em um caixão. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de perguntas que você não sabia como fazer e de respostas que ele não podia dar.
Você suspirou, um som pequeno e triste, e se virou para o outro lado, dando as costas para ele. — Boa noite, então. Tomara que você acorde melhor amanhã. Porque esse Hoseok que está aqui hoje… deixa pra lá.
Hoseok fechou os olhos com força. As lágrimas arderam. Ele estava no lugar que sempre sonhou, com a mulher que parecia ser sua alma gêmea, mas ele nunca se sentiu tão sozinho.
Hoseok esperou. Ele contou cada respiração sua, cada batida do próprio coração, até que o ritmo da sua respiração ao lado dele se tornasse pesado e constante, o sinal de que o sono finalmente a havia levado para longe daquela mágoa silenciosa.
Ele se levantou com a agilidade de um espectro, evitando qualquer ruído no assoalho. Não ousou olhar para trás. Se olhasse para o seu rosto adormecido uma última vez, temia que a gravidade daquele mundo o prendesse ali para sempre. Ele saiu do quarto e caminhou até a sala, onde o sofá o esperava na penumbra. Ele se deitou ali, mas não dormiu. Seus olhos estavam fixos no espelho, vigiando a escuridão como um sentinela.
As horas se arrastaram em um silêncio angustiante até que os primeiros raios da manhã surgissem, mas ele sabia que a aurora não era a sua chave. Ele precisava do fim.
O dia passou como um borrão febril. Ele evitou contato, fingiu estar focado em pensamentos distantes, contando os minutos. Finalmente, o céu começou a se tingir de escarlate e âmbar. A hora dourada estava voltando.
Hoseok se levantou do sofá, as pernas trêmulas. Ele caminhou até o espelho. O brilho alaranjado começou a ricochetear na moldura de madeira escura e, por um segundo glorioso, a superfície de vidro começou a ondular. Através da névoa de luz, ele viu: o seu apartamento em Seul. O mármore frio, as paredes brancas, a jaqueta de grife jogada no chão. A liberdade solitária estava a um passo de distância.
Ele estendeu a mão, os dedos quase tocando a superfície que começava a amolecer.
— Nem na cama você quis dormir?
A voz dela o atingiu como um golpe físico. Hoseok paralisou, a mão a poucos milímetros do vidro. Ele se virou lentamente. Você estava parada no arco da porta, envolta em um lençol, com os olhos vermelhos e a voz embargada pelo choro que tentou esconder durante a noite. O olhar que você lançou para ele não era de raiva, mas de uma decepção profunda, de quem estava perdendo o parceiro para um vazio que não conseguia entender.
Hoseok tentou falar, mas a culpa o sufocou. Você desviou o olhar, incapaz de encarar aquela distância nos olhos dele, e voltou para o quarto sem dizer mais nada. O som da porta se fechando suavemente ecoou como um trovão.
Em pânico, Hoseok girou o corpo de volta para o espelho.
— Não… espera! — ele gritou, lançando o corpo contra o vidro.
Mas o sol havia mergulhado um milímetro a mais no horizonte. O reflexo do apartamento de luxo piscou e desapareceu, sendo substituído instantaneamente pela imagem daquela sala simples em Gwangju. Ele bateu com as palmas das mãos no vidro, mas a superfície era sólida, fria e impiedosa.
— Abre! Me deixa entrar! — ele esmurrou a moldura, o desespero transbordando em um soluço alto. — Eu perdi… eu perdi o tempo…
Ele caiu de joelhos diante do objeto, a testa encostada no vidro que agora refletia apenas um homem derrotado em roupas de algodão. Ele teve a chance de voltar para a glória, para os palcos, para os seis irmãos que eram sua família. Mas o vislumbre da dor de S/N o fizera hesitar por um segundo fatal.
Hoseok cobriu o rosto com as mãos, chorando por tudo o que havia deixado para trás e pelo medo do que teria que enfrentar. Ele teria que ficar. Teria que aprender a ser o Hoseok dela, a dançar as músicas dela e a habitar aquela vida, enquanto o mundo real continuaria girando, sem saber que sua maior estrela estava agora apagada, vivendo na escuridão de um reflexo.
Pq q ela não pode simplesmente deixar o cara em paz? Q coisa…
Vixe, será que ele vai levar às últimas consequências??
E vc parece um chiclete
Finalmente! Hora de sair desse pesadelo kkk