Capítulo 3 – Um Impostor no Paraíso
por FanfiqueiraVocê o guiou pelo corredor estreito, com a mão firmemente entrelaçada na dele. Hoseok caminhava como um sonâmbulo, os pés pesados sobre o assoalho de madeira que rangia — um som tão orgânico e diferente do silêncio estéril de sua cobertura em Seul. O apartamento era impregnado por uma energia vibrante; nas paredes, não havia quadros de arte abstrata caros, mas fotos de momentos simples, ingressos de competições de dança e memórias de uma vida comum.
Ao chegarem à porta do banheiro, você parou e se virou para ele, os olhos transbordando uma preocupação que o desarmava.
— Você ainda está tremendo um pouco… — você comentou, levando a mão ao peito dele, sentindo o tecido caro da jaqueta. — Quer que eu entre com você? Posso te ajudar com esse banho, Hoseok.
O coração dele deu um solavanco. A ideia de ter você ali, naquela proximidade absoluta, enquanto ele mal conseguia sustentar a própria identidade, era demais. Ele precisava de espaço. Precisava que a água lavasse, pelo menos por um instante, a confusão que nublava sua mente.
— Não… — ele respondeu, a voz saindo rouca e falha. — Não precisa. Eu… eu consigo sozinho. Só preciso de um minuto.
Você assentiu, embora hesitante. — Tudo bem. Vou pegar uma roupa limpa para você. Esse terno… não sei de onde você tirou isso, mas parece desconfortável demais para dormir.
Hoseok entrou no banheiro e trancou a porta. O clique da fechadura soou como um veredito final. Ele se apoiou na pia e encarou o espelho acima dela. Não era o portal da sala; era apenas um espelho comum, manchado de gotas de água, refletindo um homem que parecia um estranho para si mesmo. Ele começou a se despir com urgência, quase arrancando a jaqueta de grife, jogando as peças de milhares de dólares no chão frio como se fossem lixo.
Ele ligou o chuveiro. A água morna começou a encher o pequeno cubículo de vapor.
Quando entrou sob o jato, Hoseok fechou os olhos e deixou a cabeça pender para frente. A água escorria por seu cabelo, levando embora o spray fixador, a maquiagem borrada e, ele esperava, a sensação de que estava enlouquecendo.
“O que foi que eu fiz?”, ele pensava, enquanto o vapor o envolvia.
Ele pensou em Seul. Pensou nos membros — estariam procurando por ele agora? O apartamento vazio, a porta trancada por dentro, e ele simplesmente desaparecido no ar. Ele pensou na agenda lotada, nas quinze horas de trabalho diário, nas roupas que odiava usar mas que era pago para exibir. Ali, naquela caixa de chuveiro simples, não havia J-Hope. Havia apenas um corpo exausto.
E então, o pensamento voltou para você.
O calor do seu beijo ainda queimava em seus lábios, sobrepondo-se ao calor da água. Hoseok levou os dedos à boca, tocando-a com incredulidade. Ele nunca a vira, nunca ouvira sua voz, e ainda assim, o toque de suas mãos parecia saber exatamente onde dói em sua alma. Como era possível que ele tivesse uma vida inteira ali? Uma vida onde ele era amado não por sua fama, mas por ser apenas… ele. Um dançarino de Gwangju que voltava para casa para jantar com a mulher que amava.
Ele sentiu uma pontada de inveja do “Hoseok do espelho”. Aquele homem tinha o que o ídolo mundial passava as noites em claro desejando: paz e um propósito que não fosse ditado por um contrato.
Lá fora, ele ouviu o som suave da porta do quarto se abrindo e fechando, e depois a sua voz abafada pela porta do banheiro.
— Deixei sua camiseta favorita e um short em cima da cama, Hobi. Vou terminar o jantar, não demore ou vai esfriar.
Hoseok encostou a testa nos azulejos úmidos. O apelido “Hobi”, dito com tanta doçura e naturalidade por você, soou mais real do que os gritos de milhares de fãs. Ele estava apavorado. Estava desesperado para voltar para casa, para sua vida real, mas, ao mesmo tempo, uma parte sombria e silenciosa de seu coração começava a sussurrar:
E se você nunca mais quiser sair daqui?
Ele desligou o chuveiro. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som rítmico de seu próprio coração. Ele teria que sair dali, vestir as roupas de um homem que ele não era e sentar-se à mesa com uma mulher que ele acabara de conhecer, fingindo que o mundo não tinha acabado de rachar ao meio.
Hoseok saiu do banheiro vestindo a camiseta de algodão cinza e o short de moletom que S/N havia deixado para ele. As roupas tinham um cheiro suave de lavanda e sol, e o tecido era tão macio que parecia um abraço, contrastando violentamente com a rigidez das grifes que ele costumava usar. Ele se sentia despido sem sua “armadura” de ídolo, mas havia uma leveza desconhecida em seus movimentos.
Ao entrar na pequena cozinha, ele estacou. A luz amarelada e quente do ambiente criava uma atmosfera de intimidade que o fazia sentir como um intruso em sua própria vida alternativa. Você estava de costas, servindo duas tigelas de kimchi jjigae fumegante.
— Sente-se, Hobi. Estava quase indo te buscar — você disse, sem se virar, mas o tom de sua voz indicava que o susto anterior havia sido guardado em uma gaveta mental, pelo menos por enquanto.
Hoseok puxou a cadeira de madeira com um cuidado excessivo, evitando fazer barulho. Ele se sentou com as costas retas, as mãos sobre os joelhos, como se estivesse em uma entrevista de emprego ou em uma recepção real.
— Obrigado. Com licença — ele murmurou, a voz polida e contida.
Você parou com a concha na mão e inclinou a cabeça, olhando-o de soslaio. — “Com licença”? Desde quando você pede licença para sentar na nossa mesa, Hoseok?
Ele sentiu um frio na espinha. — Ah… eu… eu só estou um pouco tonto ainda. O banho me deixou relaxado demais — ele tentou consertar, forçando um sorriso que não chegou aos olhos.
Você colocou a tigela na frente dele e sentou-se à sua frente. O silêncio se instalou enquanto começavam a comer. Hoseok pegou os hashis com uma elegância estudada, comendo em silêncio, mastigando devagar, sem emitir um único som.
— Hoseok — você chamou, largando os seus próprios hashis. — Você não disse uma palavra sobre o ensaio hoje. Geralmente você chega reclamando que o coreógrafo mudou os passos de última hora ou contando alguma piada ridícula que o pessoal do estúdio fez.
Ele engoliu o arroz com dificuldade, a garganta seca. — Foi… produtivo. O ensaio foi bom. Eu só… decidi focar mais na técnica hoje, sem muita conversa.
Você o observava intensamente. Seus olhos percorriam o rosto dele, buscando o homem brincalhão e barulhento que ocupava aquele espaço normalmente. O Hoseok à sua frente era gentil, sim, mas era uma gentileza distante, quase cerimonial. Parecia que ele estava com medo de quebrar o ar se falasse alto demais.
— Você está agindo como se eu fosse uma estranha — você disse, a voz tingida de uma tristeza súbita. — Está tão educado que chega a ser estranho. Onde está o homem que rouba metade do meu jantar e tenta me fazer rir com a boca cheia de comida?
Hoseok sentiu o coração apertar. Ele queria ser esse homem. Ele queria poder relaxar e ser a pessoa que você amava, mas o peso de ser o “J-Hope” — o homem que precisa ser perfeito em cada gesto — estava enraizado em sua medula.
— Desculpe, S/N. Eu só estou… processando muita coisa — ele respondeu, tentando usar o seu nome com a mesma naturalidade que ela usava o dele. — Eu não quero ser distante. Eu só não quero… estragar as coisas.
— Estragar o quê? É apenas um jantar, Hobi — você estendeu a mão sobre a mesa, tocando a dele. — Você está aqui, mas parece que sua mente ficou presa naquele espelho da sala.
Hoseok olhou para a sua mão sobre a dele. Ele sentiu uma vontade desesperada de contar a verdade, de gritar que ele era um ídolo mundial que atravessou um portal, mas ao ver a doçura em seu rosto, ele percebeu que a verdade a destruiria. Ele era um impostor em um paraíso.
— Eu estou aqui — ele mentiu, fechando a mão sobre a sua, tentando imitar a pressão de um toque que já deveria conhecer. — Eu prometo que vou me esforçar para voltar ao normal. Só me dê… esta noite.
Você deu um sorriso fraco, não totalmente convencida, mas decidida a não pressioná-lo mais. — Tudo bem. Mas amanhã, eu quero o meu Hoseok barulhento de volta. O jantar está bom?
— É o melhor que eu já comi em anos — ele disse, e dessa vez, não era mentira. Tinha o gosto de algo que o dinheiro não podia comprar: tinha o gosto de realidade.
Enquanto comiam, Hoseok observava cada detalhe seu, tentando decorar quem você era, enquanto você, em silêncio, começava a se perguntar quem era aquele homem que tinha o rosto do seu namorado, mas a alma de um estranho que parecia carregar o mundo inteiro nas costas.
Você assentiu, embora hesitante. — Tudo bem. Vou pegar uma roupa limpa para você. Esse terno… não sei de onde você tirou isso, mas parece desconfortável demais para dormir.
O cuidado dela com ele
Ansiosa já para ler o restante,voltara para a vida de ídolo ou ele ficará com a S/N.
Hummm começou a mudar de ideia ein
— É o melhor que eu já comi em anos — ele disse, e dessa vez, não era mentira. Tinha o gosto de algo que o dinheiro não podia comprar: tinha o gosto de realidade.
Gosto de amor e cuidado
Eita , e agora, Hobi ?
Mas ô implicância cm a beca cara do hômi …
E afinal pra onde foi “o outro” Hoseok? Terá trocado de lugar ficando no mundo real??
Eita, como é chata