Capítulo 21 – Sede de Realidade
por FanfiqueiraA sala estava alaranjada com o sol da tarde batendo direto no espelho. Na frente de Hoseok, o vidro se comportava como água pura, mexendo devagar em círculos contínuos do meio para as bordas. Ele precisava entender como aquela passagem funcionava antes que a oportunidade daquele dia acabasse.
Enfiou a mão no bolso da calça e achou uma tampinha de metal de uma caneta. Segurou a peça com a ponta dos dedos, deu mais um passo à frente e parou a centímetros do espelho. Inclinou o corpo, esticou o braço e aproximou o metal da superfície.
Assim que encostou no meio daquela água luminosa, não encontrou resistência sólida. O metal afundou na luz sem fazer ruído nenhum. Hoseok prendeu a respiração e inclinou a cabeça para tentar enxergar o que existia do outro lado.
O estalo seco da maçaneta da porta do quarto cortou o silêncio.
O susto foi imediato. No reflexo bruto de esconder o que estava fazendo, Hoseok puxou o corpo para trás com tudo. Com o tranco brusco, a tampinha escorregou dos seus dedos e afundou de vez para dentro do espelho, sumindo na luz do outro lado.
Ele nem pensou no objeto. Virou de costas no mesmo segundo, deu passos largos para longe do móvel e parou no início do corredor, usando o próprio corpo para bloquear a visão da sala.
A porta do quarto se abriu devagar. S/N saiu de lá com os olhos semicerrados de sono, arrastando os pés no chão de madeira. O cabelo estava bagunçado sobre os ombros e a expressão ainda carregava o cansaço dos dias em que passara chorando.
— Hoseok…? — a voz dela saiu arrastada, rouca. — Onde você tá? Procurei você na cama…
Ele andou rápido até ela, parou bem na sua frente e segurou seus ombros com calma, garantindo que ela olhasse apenas para ele.
— Tô aqui — disse ele, forçando a voz mais natural do mundo, embora o coração batesse forte contra as costelas. — Só vim na cozinha beber uma água. Não precisa se assustar.
S/N piscou contra a claridade, deu mais um passo e encostou a testa no peito dele, soltando o ar devagar.
— Não demora quando eu tiver dormindo… — sussurrou ela, segurando o tecido da blusa dele. — Acordar e ver a cama vazia me dá um desespero horrível.
— Eu sei, me desculpa — respondeu ele, beijando o topo da cabeça dela. — Vem, vamos voltar pro quarto. Você precisa descansar mais.
Ele a guiou com cuidado de volta para a cama e fechou a porta, cortando a visão da sala onde o sol já começava a sumir.
Os dois se deitaram sob o edredom. S/N virou de lado imediatamente, usando o braço dele como travesseiro e colando o corpo ao dele. Hoseok passou o outro braço por cima da cintura dela, mantendo a mão espalmada em suas costas.
Ficaram em silêncio por alguns instantes. Ele observava as feições dela, calculando as palavras com cautela para tentar descobrir o que acontecera naqueles dias sem parecer invasivo.
— Você dormiu bem dessa vez? — perguntou ele, a voz baixa e mansa.
— Muito — ela murmurou, fechando os olhos. — Parecia que meu corpo não aguentava mais ficar em pé. Fazia dias que eu não dormia direto.
— Também, né… você passou por muita coisa aqui sozinha — continuou ele, passando os dedos pelos fios do cabelo dela. — Quando eu cheguei, a casa parecia parada no tempo. Nem parecia que você tava vivendo a sua rotina comum.
S/N mexeu a cabeça de leve, o cenho franzindo com a lembrança.
— Não tinha como ter rotina — falou ela, o olhar caindo para a gola da camisa dele. — Sem você aqui, tudo perdeu o sentido. Eu não queria comer, não queria arrumar a casa, não queria nada.
— Mas ninguém veio aqui te procurar? — Hoseok tentou soltar a pergunta de maneira casual. — Algum amigo, vizinho, alguém da sua família? Ninguém bateu na porta ou ligou estranhando o seu sumiço ou o meu?
A pergunta atingiu em cheio o ponto sensível. O peito de S/N subiu depressa e o maxilar dela travou.
— Ninguém veio, Hoseok. Eu desliguei o celular. Não abri a porta pra ninguém — a voz dela começou a tremer de novo, carregada daquela mesma dor crua. — Eu passei os dias inteiros sentada no chão da sala, achando que você tinha sumido porque cansou de mim. Cada hora que passava parecia uma eternidade. Eu ficava repassando tudo na cabeça, tentando entender onde foi que eu errei pra você ir embora daquele jeito sem falar nada.
Os olhos dela se encheram de lágrimas e os dedos apertaram o tecido da manga dele com força.
— Eu achei que nunca mais ia te ver. Achei que ia enlouquecer aqui dentro sozinha…
Hoseok sentiu o aperto sufocante no peito ao vê-la desmoronar novamente. Viu que continuar cavando respostas sobre aqueles dias só a empurraria de volta para o pânico. Ele precisava cortar aquilo no ato.
— Ei, chega disso. Olha pra mim — ele pediu com firmeza, segurando o queixo dela e erguendo seu rosto.
Ela o encarou, com os olhos vermelhos e marejados.
— Esquece isso agora. Já passou — disse ele, encarando o fundo dos olhos dela com convicção. — Eu tô aqui com você. Não vou a lugar nenhum.
Ele não deu espaço para réplica. Inclinou-se e tomou a boca dela num beijo decidido.
O contato inicial serviu para estancar o tremor do choro, mas o calor imediato da boca dela e a fricção dos corpos na cama acenderam uma faísca diferente. A respiração de S/N falhou contra os lábios dele, e a carência que estivera presa no peito por semanas transformou o beijo num pedido desesperado por contato físico real.
Ela enlaçou o pescoço dele com os dois braços, abrindo a boca e puxando-o para mais perto. Hoseok soltou um arfar rouco, virou o corpo de frente para ela e segurou a cintura de S/N com força, colando os quadris dos dois no colchão. O beijo ficou pesado, molhado, as línguas se encontrando com uma sede descontrolada que não deixava espaço para conversa.
— Hoseok… — ela sussurrou entre os lábios dele, a respiração curta.
Ele não respondeu com palavras. Desceu a boca com pressão pelo maxilar dela, mordiscando a pele sensível abaixo da orelha e descendo em beijos firmes até a base do pescoço, ouvindo o primeiro gemido baixo escapar da garganta dela. As mãos de Hoseok foram diretas para a barra da blusa de S/N, puxando o tecido para cima pela cabeça dela sem interromper o contato da boca com a pele quente do colo.
S/N sentou-se na cama por um segundo apenas para agarrar a bainha da camisa dele, puxando-a com pressa até que o tecido saísse de vez e caísse no chão. O choque do peito nu dele encostando diretamente nos seios dela fez S/N soltar o ar com força, cravando as unhas curtas nas costas largas de Hoseok.
Ele a deitou de volta no colchão, ficando por cima dela, com os joelhos encaixados entre as pernas dela. Hoseok desceu a mão firme pela lateral do quadril de S/N, tateando o elástico do short dela e puxando a peça para baixo junto com a calcinha, num movimento rápido e decidido. Ela arqueou o quadril, ajudando a se livrar do tecido que atrapalhava.
Enquanto descia a boca pelo peito dela, sugando o bico do seio com uma pressão que a fez arquear as costas e puxar os cabelos da nuca dele, a mão de Hoseok desceu pela barriga lisa de S/N até encontrar a intimidade dela. Seus dedos deslizaram pela fenda úmida e quente, tocando o ponto mais sensível de forma direta. S/N soltou um gemido alto, as pernas tremendo enquanto se abriam mais para dar espaço à mão dele.
— Você não tem noção de como eu precisei disso… — a voz de Hoseok saiu rouca, quase irreconhecível, contra a pele do ombro dela, enquanto seus dedos deslizavam dentro dela com firmeza, sentindo o quanto ela já estava ensopada e pronta para ele.
S/N arqueou a cintura contra a mão dele, a respiração completamente desregulada.
— Tira essa calça… por favor, agora — ela pediu, a voz falhando, puxando a cintura dele para perto.
Hoseok afastou o corpo por alguns segundos, apenas o suficiente para desabotoar a própria calça e empurrá-la para fora das pernas junto com a cueca. Ele voltou a cobrir o corpo dela, completamente despido, o membro rígido e quente pressionando a entrada dela.
Ele apoiou as duas mãos espalmadas ao lado da cabeça de S/N, olhando direto nos olhos dela na penumbra do quarto. Não havia hesitação em nenhum dos dois, apenas uma urgência acumulada que ardia em cada centímetro de pele.
Com um movimento contínuo e sem rodeios, Hoseok empurrou os quadris para a frente, entrando nela por completo de uma só vez.
S/N soltou um gemido longo e rasgado, jogando a cabeça para trás contra o travesseiro enquanto os músculos ao redor dele se contraíam com força pela invasão súbita e profunda. O preenchimento era absoluto, firme, quente. As mãos dela agarraram os ombros suados de Hoseok, puxando-o para baixo até que o peito dele colasse no dela de novo.
— Olha pra mim — ele ordenou baixo, a respiração pesada batendo na bochecha dela enquanto começava a recuar devagar para investir de novo.
S/N abriu os olhos marejados, mas firmes, encarando o rosto dele a centímetros do seu.
Hoseok encaixou o quadril num ritmo forte e constante. Cada estocada era profunda, fazendo a cabeceira de madeira ranger levemente contra a parede e o colchão chiar com o peso dos dois corpos. O som molhado do atrito entre as peles preenchia o quarto junto com as arfadas aceleradas.
Ele não poupou intensidade. A saudade que ele tentara sufocar com trabalho na outra realidade e o desespero dela em acreditar que ele não passava de uma miragem foram despejados em cada movimento. S/N levantou as pernas, cruzando os tornozelos atrás das costas dele para puxá-lo ainda mais fundo, gemendo alto a cada impacto que atingia o ponto certo dentro dela.
— Mais… Hobi, não para — ela suplicava entre os dentes, apertando a musculatura interna ao redor dele, o corpo inteiro em tensão pura.
Hoseok apertou as coxas dela, segurando-a no lugar enquanto acelerava as investidas, estocando com força bruta e precisa. O suor escorria do peito dele e pingava na pele dela. A visão de S/N totalmente entregue, com a boca aberta buscando ar e os olhos cravados nos dele, empurrou Hoseok para o limite quase imediatamente.
O aperto interno dela foi ficando insuportável de tão quente. S/N soltou um grito abafado contra o ombro dele quando a onda do orgasmo a atingiu com violência, fazendo seu corpo tremer por inteiro e suas pernas travarem com força nas costas dele. As paredes internas dela pulsaram descontroladas ao redor do membro de Hoseok, que perdeu o resto do fôlego, deu mais três estocadas fundas e pesadas e descarregou tudo dentro dela com um gemido rouco e demorado, enterrando o rosto no pescoço de S/N enquanto seu próprio corpo se esvaziava em espasmos fortes.
Eles permaneceram imóveis por longos minutos, colados daquele jeito, apenas sentindo o coração um do outro bater em descompasso contra as costelas. O suor misturado colava a pele dos dois no lençol amarrotado.
Aos poucos, Hoseok desfez o abraço com cuidado, saindo de dentro dela devagar e deitando de lado na cama. Ele puxou o edredom grosso por cima dos dois corpos quentes e exaustos, puxando S/N para deitar a cabeça no seu peito. Ela passou um dos braços pela barriga dele, fechando os olhos enquanto a respiração finalmente voltava ao normal.
Em poucos minutos, vencida pela exaustão e pelo alívio, S/N já dormia pesado, sem o sobressalto de antes.
Hoseok continuou acordado no escuro do quarto, sentindo o calor do corpo dela contra o seu. As dúvidas sobre o espelho, o objeto que caíra no portal e o outro Hoseok continuavam ali, martelando em sua cabeça, mas ele manteve o braço firme ao redor dela, decidindo que resolveria o resto quando o dia clareasse.
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