Capítulo 5 – O Refúgio entre Paredes
por FanfiqueiraDá o play
O caminho de volta para o hotel foi percorrido em um silêncio diferente. Não era mais o silêncio da incerteza, mas aquele preenchido pelo peso do que acabara de acontecer. As mãos de S/N e Taehyung permaneciam entrelaçadas dentro do bolso largo do sobretudo dele, um segredo compartilhado que os mantinha aquecidos contra o sereno da madrugada parisiense.
Quando as portas automáticas do hotel de S/N se abriram, o ar quente do lobby pareceu um choque realidade. O luxo impessoal do mármore e o som baixo de jazz ambiente contrastavam com a crueza emocional que haviam vivido à beira do rio.
Taehyung parou perto do elevador. Ele retirou a mão do bolso e, por um segundo, S/N sentiu falta do calor instantâneo. Ele ajeitou a boina, que agora parecia ser mais um símbolo de carinho do que um disfarce, e olhou para os próprios sapatos antes de encontrar os olhos dela.
— S/N… — ele começou, a voz soando mais vulnerável do que nunca. — Amanhã não haverá mais o “Guia V”. Sem mentiras sobre botões ou jardins secretos. Só o Kim Taehyung, que provavelmente vai te levar para o lado errado da rua de novo. Você ainda quer isso?
S/N deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles. Ela levou a mão ao peito do sobretudo dele, sentindo o tecido firme. — Taehyung, o “Guia V” era divertido, mas o cara que me beijou sob um holofote de turista e confessou que também se sente perdido… esse é o cara que eu quero conhecer em Paris. Notas baixas para o senso de direção, mas nota máxima para a pessoa.
Ele sorriu, aquele sorriso retangular que agora parecia ser o porto seguro de S/N. Ele se inclinou e deixou um beijo demorado no topo da cabeça dela, respirando o aroma do shampoo de baunilha que ela usava.

— Então, amanhã eu te busco para um café. Um café de verdade. Em um lugar que eu pesquisei hoje, porque eu queria ter certeza de que não era uma lavanderia — ele admitiu, rindo baixo.
— Você pesquisou? Onde está o seu espírito aventureiro, Kim Taehyung? — ela provocou.
— Ele foi substituído pelo desejo de não ser expulso de mais nenhum estabelecimento francês na sua presença — ele piscou.
S/N entrou no elevador e, enquanto as portas se fechavam, a última imagem que teve foi a de Taehyung acenando, com as mãos nos bolsos e um brilho nos olhos que prometia muito mais do que apenas turismo.
Já no quarto, S/N jogou-se na cama king-size, ainda sentindo o formigueiro nos lábios. O quarto era silencioso, mas sua mente estava barulhenta. Ela pegou o bloco de notas de couro de cima da mesa de cabeceira e o abriu.
Ela releu as notas dele. A caligrafia de Taehyung era artística, um pouco desleixada, mas cheia de personalidade. No final da página, onde ele havia escrito sobre o “beijo sob o flash”, S/N sentiu que precisava acrescentar a sua própria verdade.
Ela pegou a caneta e, com a mão ainda levemente trêmula, escreveu a última nota do dia:
Estado de Espírito: Completamente (des)orientada. Nota: 10/10. Comentário Final: Paris nunca foi sobre os monumentos. Foi sobre o erro de aplicativo que me trouxe a pessoa certa. O ex-namorado é agora uma nota de rodapé esquecida em um livro que eu já não leio mais. Amanhã, o mapa é novo. E o guia… o guia é tudo o que eu sempre precisei sem saber.
S/N fechou o bloco e o colocou debaixo do travesseiro. Pela primeira vez em meses, ela não sonhou com o que tinha perdido, mas com as ruas que ainda teria que percorrer ao lado de um coreano de boina que não fazia ideia de onde estava, mas que a fazia sentir exatamente onde deveria estar.
Enquanto as portas do elevador se fechavam e o sorriso de S/N desaparecia de sua vista, o corpo de Kim Taehyung pareceu murchar sob o peso de uma realidade que ele vinha tentando ignorar por sete dias gloriosos. A leveza que ele sentia nos pés, aquela vontade de sair saltitando pelas calçadas molhadas de Paris, foi substituída por um frio que não vinha do vento do Sena, mas do metal gelado do celular que vibrava em seu bolso interno.
Ele não precisou olhar para a tela para saber quem era. O padrão de vibração — três toques curtos, uma pausa, e um longo — era o código de urgência que ele conhecia desde os doze anos.
Taehyung saiu do hotel de S/N e caminhou na direção oposta à dele por alguns metros, parando em uma esquina escura onde a luz dos postes não conseguia alcançá-lo por completo. Ele tirou a boina e a apertou entre os dedos, sentindo o tecido de lã que, momentos antes, era o acessório de um guia charmoso e que agora parecia apenas um disfarce infantil.
Ele atendeu o telefone. Não disse “olá”. Não havia espaço para cortesias.
— Young-do — a voz do outro lado era seca, autoritária e filtrada por milhares de quilômetros de oceano. Era a voz de Kim Kang-dae, o magnata por trás do império de logística que controlava metade dos portos da Coreia do Sul. O pai de Taehyung. — O seu tempo de “descobrimento espiritual” acabou. O conselho administrativo está perguntando sobre o sucessor. Os jornais já estão especulando sobre o seu paradeiro.
Taehyung fechou os olhos, encostando a nuca na parede fria de um prédio centenário. — Eu não sou um sucessor, pai. Eu sou apenas um turista.
— Você é um Kim — a voz cortou sua frase como uma lâmina. — E um Kim não se perde pela Europa fingindo ser um cidadão comum. Eu rastreei o uso do seu cartão. Você está gastando em crepes de rua e… um aplicativo de guia local? O que é isso, Taehyung? Uma piada?
Taehyung sentiu o estômago revirar. O peso da linhagem, o legado de aço e concreto que o esperava em Seul, parecia uma mão gigante tentando esmagar o pequeno bloco de notas que ele ainda carregava no bolso. Ele pensou em S/N. Pensou na forma como ela riu quando ele mentiu sobre a estátua do Pierre. Ela não amava o herdeiro de bilhões; ela amava o cara que se perdia em lavanderias.
— Não é uma piada — Taehyung respondeu, sua voz recuperando uma firmeza que ele raramente usava com o pai. — É a primeira vez que eu sou útil para alguém sem que meu sobrenome esteja assinado em um contrato.
— Útil? — O pai soltou uma risada amarga. — Você está brincando de casinha com uma estrangeira enquanto o nosso império exige sua presença. Eu enviei um carro para o seu hotel amanhã às dez da manhã. O jato está no Charles de Gaulle. Não me obrigue a transformar essa sua aventura em algo desagradável para a sua… acompanhante.
O sangue de Taehyung gelou. A ameaça estava implícita, mas clara. Se ele não voltasse para a gaiola de ouro, a sombra do pai alcançaria o pequeno mundo iluminado que ele havia construído com S/N.
— Não a envolva nisso — Taehyung sibilou, os nós dos dedos brancos de tanto apertar o celular.
— Então esteja no carro.
A ligação caiu. O silêncio que se seguiu em Paris pareceu hostil. Taehyung guardou o telefone e caminhou em direção ao seu próprio hotel — não o hotel simples onde ele disse para S/N que estava, mas o Hôtel de Crillon, uma das suítes mais caras da cidade, onde suas malas de grife já estavam prontas, feitas por mãos que ele nem conhecia.
Ao entrar na suíte real, Taehyung jogou a boina sobre a cama de lençóis de seda egípcia. O quarto era vasto, impessoal e frio. Ele caminhou até o espelho de moldura dourada e encarou seu reflexo.
Lá estava o Kim Taehyung que o mundo conhecia: o filho do magnata, o herdeiro da fortuna, o homem cujas roupas custavam o que S/N provavelmente levava um ano para ganhar. Ele odiava aquele reflexo. Ele sentia que cada camada de luxo era uma camada de mentira que o afastava da garota que, naquele exato momento, estava dormindo com um bloco de notas debaixo do travesseiro.
Ele abriu a mochila e tirou o passaporte azul que S/N tinha visto. Ele o encarou. Para ela, aquele documento era a prova de que ele era apenas um coreano comum de Seul. Ela não sabia do “magnata poderoso”, das reuniões de diretoria ou do fato de que ele tinha fugido para Paris apenas para respirar sem sentir que o ar pertencia à empresa do pai.
Taehyung sentou-se na beira da cama, as mãos enterradas nos cabelos. A leveza do beijo no Sena tinha sido substituída por uma náusea sufocante. Como ele poderia olhar para ela amanhã? Como poderia continuar o jogo do “guia atrapalhado” sabendo que havia um relógio de luxo contando os segundos para que ele fosse levado de volta para uma vida de obrigações e casamentos arranjados?
Ele pegou uma caneta de ouro que estava sobre a escrivaninha do hotel. Ele queria escrever para ela. Queria explicar que o “Guia V” era mais real do que o Kim Taehyung que herdaria bilhões. Mas as palavras pareciam pesadas demais.
Em vez disso, ele tirou uma foto polaroid que havia tirado escondido de S/N naquela tarde, enquanto ela olhava para uma vitrine de joias antigas. Na foto, ela estava sorrindo, com o nariz levemente vermelho por causa do frio.
— Eu só queria mais um dia — ele sussurrou para o quarto vazio. — Só mais um dia sendo apenas o cara que não sabe o caminho.
Ele sabia que o pai não estava brincando. O carro estaria lá. O destino estava traçado. Mas Taehyung, o mestre do improviso, o guia que inventava histórias para preencher o vazio, não estava pronto para dar a última nota para aquela viagem.
Ele se levantou e caminhou até a janela, observando as luzes da Torre Eiffel brilhando ao longe. Ele não era apenas um filho fugitivo. Ele era um homem apaixonado que tinha acabado de descobrir que a liberdade tinha um preço — e esse preço, infelizmente, era a verdade que ele ainda não tinha coragem de contar.
[quote]— S/N… — ele começou, a voz soando mais vulnerável do que nunca. — Amanhã não haverá mais o “Guia V”. Sem mentiras sobre botões ou jardins secretos. Só o Kim Taehyung, que provavelmente vai te levar para o lado errado da rua de novo. Você ainda quer isso?
Se ela não quiser, eu quero kkkk
(Não resisti)
[quote]— Você é um Kim — a voz cortou sua frase como uma lâmina. — E um Kim não se perde pela Europa fingindo ser um cidadão comum. Eu rastreei o uso do seu cartão. Você está gastando em crepes de rua e… um aplicativo de guia local? O que é isso, Taehyung? Uma piada?
A casa caiu Tae kkkk
[quote]Ele abriu a mochila e tirou o passaporte azul que S/N tinha visto. Ele o encarou. Para ela, aquele documento era a prova de que ele era apenas um coreano comum de Seul. Ela não sabia do “magnata poderoso”, das reuniões de diretoria ou do fato de que ele tinha fugido para Paris apenas para respirar sem sentir que o ar pertencia à empresa do pai.
O.coitado só queria um pouco de paz
Taehyung sentou-se na beira da cama, as mãos enterradas nos cabelos. A leveza do beijo no Sena tinha sido substituída por uma náusea sufocante. Como ele poderia olhar para ela amanhã? Como poderia continuar o jogo do “guia atrapalhado” sabendo que havia um relógio de luxo contando os segundos para que ele fosse levado de volta para uma vida de obrigações e casamentos arranjados?
E essa realidade sendo o contrário do que ele queria :/
Descobri que não tinha comentado esse cap, perdão prin thv
Aiii que chique um romance em Paris
O que é um ex perto de Kim Taehyung
Pronto agora fudeu ne.. ele prometeu pra diva e vai sumir
Aiii gente que dó, o romance mal começou e ja foi pro saco