Capítulo 9 – O Vento de Incheon e o Traçado do Destino
por FanfiqueiraQuando o prêmio em Nova York jogou o nome de S/N nas páginas de inovação e design internacional, as propostas de trabalho começaram a lotar sua caixa de entrada. Grandes agências de Manhattan queriam sua consultoria; escritórios de Londres ofereciam contratos em libra esterlina para liderar campanhas europeias. Eram escolhas seguras, caminhos pavimentados para uma carreira brilhante.
E então surgiu a proposta de Seul. Um contrato modesto de reestruturação conceitual para um consórcio de tecnologia sul-coreano.
S/N passou a madrugada encarando o brilho frio do monitor em seu apartamento no Brasil. O cursor do mouse flutuava sobre o botão de recusa das ofertas americanas. Ao lado do teclado, o bloco de notas de couro repousava fechado. Ela não precisava abri-lo para lembrar da caligrafia artística, dos mapas desenhados errados e do som da voz dele abafada pelo vento do Sena.
“Eu ainda vou inventar uma rua que me leve de volta para você.”
Ele prometera inventar a rua. Mas S/N não era uma personagem passiva de uma tragédia romântica, destinada a definhar em uma mesa de trabalho esperando que um milagre cruzasse o oceano. Se o destino dele estava acorrentado em Seul, seria ela a mudar as coordenadas do mapa. Recusou Nova York. Recusou Londres. Assinou o contrato com a empresa coreana não por desespero, mas com a compostura de quem retoma as rédeas da própria história.
Naquela sexta-feira, Seul acordou sob uma neblina espessa que descia das montanhas e se misturava à poluição do distrito financeiro de Yeouido.
Na sede da Kang-Dae Logística, o ar-condicionado do quadragésimo andar mantinha a sala de reuniões do conselho em uma temperatura quase congelante. Kim Taehyung ocupava a cabeceira da mesa de jacarandá. O terno cinza-grafite assentava-se em seus ombros com uma precisão cirúrgica, a gravata escura perfeitamente ajustada ao colarinho, os fios castanhos penteados para trás sem um único fio fora do lugar.
À sua volta, diretores seniores e acionistas discutiam tabelas de frete marítimo e projeções trimestrais. Para qualquer um ali, Taehyung era a encarnação do herdeiro frio que Kim Kang-dae moldara após o “incidente” na Europa. Ele intervinha com dados numéricos exatos, a voz barítona soando firme, desprovida de qualquer hesitação.
A porta lateral da sala abriu-se sem ruído. Seok, o assistente pessoal que acompanhava a família há anos e o único que conhecia as fissuras sob a armadura de Taehyung, entrou a passos curtos. Ele trazia uma pasta sob o armo, mas caminhou direto até a cadeira de Taehyung. Curvou-se e murmurou, num sopro audível apenas para ele:
— Senhor… Um voo vindo do Brasil acabou de pousar em Incheon. A senhorita S/N foi vista em solo coreano.
O tempo na sala não apenas parou; desmoronou.
O apontador laser que Taehyung segurava travou no centro do gráfico de lucros. O ar fugiu de seus pulmões de forma súbita. O murmúrio dos executivos debatendo margens de lucro transformou-se em um ruído abafado, como se ele estivesse submerso em água profunda.
Ela estava ali.
No mesmo fuso horário. Sob o mesmo céu cinzento de Seul.
A mente de Taehyung, condicionada nos últimos meses a raciocinar apenas em termos de logística e finanças, entrou em curto-circuito. As perguntas se atropelavam em um caos silencioso: Por que ela veio? Ela leu a mensagem antes do perfil ser destruído? Foi por pura coincidência profissional? Ela sabe o quanto este lugar é perigoso? Eu vou conseguir olhar para ela sem desabar?
Uma onda de calor violenta subiu por sua espinha, dissipando meses de uma apatia calculada. O peito de Taehyung começou a arfar suavemente, o pulso acelerando até martelar nas têmporas. A rigidez de sua postura cedeu por uma fração de segundo.
Sem desviar os olhos da tela, ele murmurou para Seok, com a voz raspando no fundo da garganta:
— Descubra tudo. O hotel, a empresa que a trouxe, a rota do traslado. Quero um relatório completo sobre a minha mesa até o fim do dia.
— Sim, senhor — Seok curvou-se e recuou.
Taehyung voltou a atenção para a mesa, mas a reunião havia se tornado insuportável. Os gráficos eram apenas manchas coloridas; as vozes dos diretores, um zumbido distante. Ele olhava compulsivamente para o relógio de pulso. 10:15. 10:20. 10:25. Cada segundo parecia arrastar uma tonelada de chumbo. Suas mãos nobres e compridas apertavam a borda da mesa até que os nós dos dedos ficassem brancos.
Às dez e meia, quando um vice-presidentes começou a introduzir uma nova pauta de investimentos que se estenderia por horas, a corda esticou até romper.
Taehyung levantou-se abruptamente. A cadeira de couro deslizou para trás, produzindo um som agudo que cortou a fala do executivo.
— Senhor Kim? Algum imprevisto? — perguntou o homem, sobressaltado.
— Uma questão operacional de urgência — declarou Taehyung, a voz cortante, embora seus olhos traíssem um fogo inquieto. Ele olhou para a secretária no canto. — Recolha o material. Analisarei os pareceres na minha sala mais tarde.
Antes que qualquer diretor pudesse formular uma objeção, ele virou-se de costas e cruzou as portas duplas de vidro, deixando para trás meses de etiqueta corporativa.
No corredor, sacou o celular do bolso e discou para Seok enquanto caminhava a passos largos em direção ao elevador privativo.
— Onde ela está? O que você conseguiu?
A voz do assistente veio sobressaltada pelo viva-voz: — Jovem Mestre, o senhor acabou de sair da reunião… Fazem dez minutos que dei a ordem. A única confirmação da torre de controle é que o avião dela tocou a pista há pouco mais de vinte minutos. Ela ainda deve estar no setor de bagagens ou procurando transporte.
— E o hotel?
— Minha equipe está cruzando os dados de reservas da cidade, mas isso exige tempo, senhor. Sugiro que aguarde no escritório—
— Eu não vou aguardar nada, Seok.
Taehyung desligou na cara do assistente. A prudência que seu pai lhe ensinara era uma cela, e ele não passaria mais um minuto trancado nela. Se havia uma fresta no destino, ele a arrombaria.
Arrancou o crachá executivo do peito e o jogou sobre o balcão da recepção. No subsolo, ignorou o motorista da família que se prontificava a abrir a porta do sedan preto e caminhou direto para seu carro esporte particular. O motor rugiu na escuridão da garagem, ecoando como um bicho enjaulado. Taehyung acelerou, cortou a cancela de segurança e jogou o veículo na via expressa em direção a Incheon.
A rota que normalmente exigia uma hora sob o trânsito pesado de Seul foi engolida em metade do tempo. Ele costurava entre os caminhões e ônibus com uma agressividade imprudente. Suas mãos suavam no volante de couro; a respiração vinha curta, áspera. A matemática dos minutos rodava em sua mente: desembarque, controle de passaportes, esteira de bagagens, táxi. Ele estava lutando contra o relógio e contra a imensidão de uma metrópole que parecia especialista em separar pessoas.
Quando o carro finalmente cantou os pneus na área de desembarque internacional do aeroporto, Taehyung sequer se preocupou em alinhar o veículo no meio-fio. Desligou a ignição, largou a chave no painel e saltou para o ar gélido da manhã.
A calçada do terminal era um caos de turistas, motoristas de aplicativo, ônibus de excursão e o estalido ininterrupto de rodinhas de malas no asfalto.
O vento gelado que vinha do mar atingiu seu rosto, desfazendo o penteado impecável e jogando mechas de cabelo castanho sobre sua testa desnudando, por sob o terno caro, a figura do garoto que se perdera nas ruas de Paris. Taehyung começou a andar rapidamente, empurrando a multidão com os ombros, os olhos castanhos varrendo o perímetro de forma desesperada. Passou por grupos de executivos, famílias e viajantes solitários. O suor frio escorria por sua nuca; o peito subia e descia em um ritmo descontrolado.
E então, o barulho do aeroporto simplesmente evaporou.
A cerca de trinta metros dali, parada junto à faixa de pedrestes sob a cobertura de concreto do terminal, estava uma mulher. Ela vestia um sobretudo escuro bem cortado e segurava a alça de uma mala de rodinhas. O vento de Incheon agitava seus cabelos, e ela fazia um gesto simples de ajeitar a bolsa no ombro.
S/N.
Taehyung parou de golpe. Seus sapatos de couro derraparam levemente no piso úmido. A respiração travou na garganta, os ombros arfando pesadamente pelo esforço e pelo choque de realidade. A imagem dela ali, não numa tela de celular, não numa matéria de jornal, mas em carne, osso e presença parecia uma alucinação tecida pela sua própria obsessão.
Como se o silêncio dele tivesse peso físico e cortasse a fumaça dos escapamentos, S/N interrompeu o movimento de abrir a porta do táxi amarelo.
Lentamente, ela girou o corpo na direção da calçada.
Os olhares se chocaram no ar gelado de Seul.
Taehyung estava imóvel entre os desconhecidos que cruzavam o terminal. Não havia boina, não havia o mapa de papel rasgado, e o terno de alfaiataria denunciava toda a escala do império que ele herdaria. Ele estava visivelmente sem fôlego, o cabelo desalinhado pelo vento, o rosto pálido pelo cansaço e pela urgência. Mas o olhar que a encarava de volta era o mesmo. O mesmo olhar vulnerável, profundo e faminto do homem que a abraçara sob o sobretudo marrom à beira do Sena.
S/N paralisou com a mão na maçaneta do táxi. O mundo ao redor converteu-se em um borrão sem som: o movimento dos carros, o grito dos fiscais de trânsito, as turbinas dos aviões subindo ao longe.
Nenhum dos dois deu um passo. Nenhum dos dois ousou quebrar o feitiço com palavras. Ali, a poucos metros de distância, no asfalto frio da Coreia do Sul, a distância que os separou por meses foi reduzida a nada e a rua que ele prometera inventar finalmente começou a ser traçada.
Uaaaau que chique essa mulher gente, nada como uma frustração amorosa pra dar uma alavancada na carreira kkkkkk
CHOOOO CAAAA DAAAAAA… SN é uma LOBAAAA
Meuuuu Deus ele desesperado atrás dela.. mas eu não entendi ainda como o secretino dele descobriu que ela tava na Cureia
Socorrooo ta acontecendo.. eles finalmente de reencontraram pqp
[quote]Taehyung parou de golpe. Seus sapatos de couro derraparam levemente no piso úmido. A respiração travou na garganta, os ombros arfando pesadamente pelo esforço e pelo choque de realidade. A imagem dela ali, não numa tela de celular, não numa matéria de jornal, mas em carne, osso e presença parecia uma alucinação tecida pela sua própria obsessão.
AAAAEEEE PORRA, ELES SE ENCONTRARAAAAM, HURUUUL
[quote]Ele prometera inventar a rua. Mas S/N não era uma personagem passiva de uma tragédia romântica, destinada a definhar em uma mesa de trabalho esperando que um milagre cruzasse o oceano. Se o destino dele estava acorrentado em Seul, seria ela a mudar as coordenadas do mapa. Recusou Nova York. Recusou Londres. Assinou o contrato com a empresa coreana não por desespero, mas com a compostura de quem retoma as rédeas da própria história.
isso AEEEE SN, VAI SER FELIZ, PRA CIMAAA
[quote]— Senhor… Um voo vindo do Brasil acabou de pousar em Incheon. A senhorita S/N foi vista em solo coreano.
Foge daí Tae, vai atrás dela agooora
AGR é a tua chance
[quote]A mente de Taehyung, condicionada nos últimos meses a raciocinar apenas em termos de logística e finanças, entrou em curto-circuito. As perguntas se atropelavam em um caos silencioso: Por que ela veio? Ela leu a mensagem antes do perfil ser destruído? Foi por pura coincidência profissional? Ela sabe o quanto este lugar é perigoso? Eu vou conseguir olhar para ela sem desabar?
Se pensar demais da merda, homii
Só vai
[quote]— Uma questão operacional de urgência — declarou Taehyung, a voz cortante, embora seus olhos traíssem um fogo inquieto. Ele olhou para a secretária no canto. — Recolha o material. Analisarei os pareceres na minha sala mais tarde.
Ele por dentro: Vá para a pqp tudinho, tchau
[quote]Nenhum dos dois deu um passo. Nenhum dos dois ousou quebrar o feitiço com palavras. Ali, a poucos metros de distância, no asfalto frio da Coreia do Sul, a distância que os separou por meses foi reduzida a nada e a rua que ele prometera inventar finalmente começou a ser traçada.
Música de filme de amor ( reencontro )