Capítulo 12 – A Bolha e a Ameaça
por FanfiqueiraA luz da manhã em Seul não pedia licença. Atravessava as imensas vidraças do chão ao teto da cobertura em Hanam-dong com uma transparência quase cirúrgica, desenhando linhas douradas sobre o lençol de linho cinza.
S/N despertou devagar, sentindo o calor constante de um braço firme rodeando sua cintura, puxando-a para um peitoral que subia e descia em um ritmo lento. Por alguns segundos, sua mente flutuou de volta para os quartos de hotel em Paris, onde a chuva batia nas janelas e a incerteza do amanhã era uma sombra permanente. Mas o aroma que impregnava o travesseiro — sabão de amêndoa, algodão limpo e a pele quente de Taehyung — trazia a realidade exata da Coreia do Sul.
Ela se mexeu devagar para não acordá-lo, mas no instante em que tentou deslizar para fora da cama, o braço em sua cintura se ajustou, trazendo-a de volta para o centro do colchão.
— Nem pense nisso… — murmurou a voz grave, rouca pelo sono recém-abandonado, abafada contra a curva do pescoço dela.
S/N sorriu, sentindo os lábios dele roçarem sua pele macia em um beijo distraído.
— Eu preciso me mexer, Taehyung. O fuso horário do Brasil ainda está me dizendo que são três horas da manhã — ela brincou, virando o corpo até ficar de frente para ele.
Taehyung abriu os olhos lentamente. Não havia a frieza rígida do executivo de terno cinza que deixara a reunião do conselho na manhã anterior; ali, com os fios castanhos bagunçados e vestindo apenas uma calça de moletom cinza, ele era puramente o homem de Paris. O garoto do sorriso retangular, desarmado e entregue.
Ele a encarou em silêncio por alguns segundos, traçando a linha do maxilar dela com o polegar.
— Você está aqui mesmo — disse ele, em tom baixo, antes que um sorriso travesso surgisse no canto de seus lábios. — Embora eu ache que facilitou demais a minha vida vindo parar direto no meu quarto. Onde foi parar aquela designer durona que recusava meus itinerários?
— Ela continua aqui — S/N rebateu, encarando-o de cima. — E ela lembra perfeitamente que o ‘Guia V’ me prometeu um café decente em um certo bilhete, mas até agora só me ofereceu um tour incompleto pelo apartamento.
Taehyung soltou uma risada baixa, o som ressoando fundo em seu peito. Ele se sentou na cama em um único movimento e se espreguiçou.
— O café está desafiado — ele declarou, apontando o dedo com cômica solenidade. — O seu guia oficial vai provar que sabe operar uma máquina de expresso melhor do que sabia dobrar um mapa de papel na França.
— Eu duvido muito, mas concedo o benefício da dúvida — ela provocou.
Minutos depois, o aroma forte de grãos torrados e pão tostado invadia o ambiente. S/N vestiu a camisa social branca de Taehyung — uma peça de algodão que caía até a metade de suas coxas — e caminhou descalça até a cozinha americana.
Taehyung estava de costas para a bancada, cantarolando uma melodia jazzística enquanto equilibrava xícaras de cerâmica e uma prancha com torradas. Ele usava um avental preto simples, inteiramente alheio à figura do vice-presidentes temido de Yeouido.
— Se o seu pai visse o herdeiro da Kang-Dae de avental e descalço, reescreveria o testamento — S/N disse, encostando-se na ilha da cozinha.
Taehyung parou por uma fração de segundo. Uma sombra rápida cruzou seus olhos castanhos, mas ele a dissipou com um piscar de olhos.
— Meu pai não tem as chaves deste apartamento — respondeu, a voz mantendo a leveza, embora com firmeza subjacente. — Aqui dentro, as regras da Kang-Dae não entram. Aqui, sou só eu.
Ele deslizou uma xícara quente na direção dela. S/N a pegou entre as mãos e provou.
— Nota oito ponto cinco — avaliou, estreitando os olhos.
— Oito ponto cinco? — Taehyung colocou as mãos na cintura, fingindo indignação. — Eu vaporizei esse leite na temperatura exata! Em Paris você me deu sete por um crepe queimado!
— Você cobrava três euros por indicação de rua errada, Kim Taehyung. Teve desconto por simpatia — ela riu, dando mais um gole.
Taehyung envolveu a cintura dela, puxando-a para perto e descansando o queixo em seu ombro.
— Senti tanta falta disso… — murmurou, a brincadeira evaporando, dando lugar a uma sinceridade nua. — Da sua voz, da sua risada, de não precisar medir cada palavra. Em Seul, todo mundo quer um pedaço do que eu represento. Só com você eu sinto que posso simplesmente… respirar.
S/N acariciou os fios macios de sua nuca.
— Você não precisa fingir comigo, Tae. Nunca precisou.
Eles permaneceram assim por longos minutos, envoltos na proteção daquela cobertura. Mas o visor digital no painel do forno marcava 08:15. S/N soltou um pequeno suspiro.
— Preciso me arrumar. Meu primeiro compromisso com a consultoria é às nove e meia. Não posso chegar atrasada.
Taehyung soltou-a relutante.
— Eu posso pedir para o meu motorista te levar. Ou eu mesmo levo.
— Nem pensar — ela riu, dando um tapa fraco em seu braço. — Se você me levar naquele carro esporte barulhento, metade do escritório vai especular quem é a mulher desembarcando com o vice-presidente. Vim para trabalhar, Taehyung. Um táxi comum me deixa na porta perfeitamente.
Taehyung a encarou por alguns instantes, mas cedeu, respeitando sua autonomia.
— Tudo bem. Mas eu chamo o táxi pelo aplicativo. E hoje à noite, sem desculpas, o jantar é por minha conta.
— Combinado — ela sorriu, dando-lhe um selinho rápido antes de ir para o quarto.
A sede do consórcio NEXUS Global ocupava um edifício espelhado de trinta andares em Gangnam. A arquitetura era uma demonstração ostensiva de tecnologia, com painéis gigantescos de LED e pisos de mármore brilhante.
S/N desembarcou do táxi ajustando a alça de sua pasta. Vestia um terno feminino bege-areia, moderno e impecável. Ela não parecia uma visitante intimidada pela imponência da Ásia, mas sim a consultora de imagem premiada que era.
Ao cruzar as catracas eletrônicas, foi recepcionada por uma secretária que a conduziu ao elevador panorâmico em direção ao vigésimo quinto andar. Enquanto subiam, S/N repassava mentalmente os pontos da apresentação. O consórcio focava em logística autônoma e buscava expansão internacional. A identidade antiga era rígida; o conceito de S/N trazia fluidez e ponte humana.
Quando as portas se abriram no vigésimo quinto andar, a secretária a anunciou na sala de conferências principal. A mesa de reuniões acomodava cerca de doze executivos em ternos escuros.
No entanto, o que fez o sangue de S/N congelar por um segundo não foram os diretores da NEXUS.
Na ponta oposta da mesa, ocupando a cadeira de honra reservada aos investidores majoritários, estava um homem de cabelos grisalhos e olhar afiado. Ao lado dele, assessores seguravam pastas gravadas com um logotipo familiar: o brasão da Kang-Dae Logística.
Era Kim Kang-dae. O pai de Taehyung.
A atmosfera na sala tornou-se densa instantaneamente. O diretor executivo da NEXUS, Senhor Park, levantou-se para quebrar o gelo.
— Senhorita S/N! Seja bem-vinda. Deixe-me apresentar nossos parceiros. Este é o Presidente Kim Kang-dae, da Kang-Dae Logística, nossa principal investidora na joint-venture.
S/N sentiu um solavanco no peito, mas sua expressão não traiu emoção. A proposta de Seul, o contrato… tudo dependia do financiamento do império do pai de Taehyung.
Kim Kang-dae a avaliou dos pés à cabeça com olhar frio e clínico.
— Então esta é a famosa consultora vinda do Ocidente — disse Kang-dae em inglês impecável. — Ouvimos falar muito de sua recente premiação em Nova York.
S/N manteve a postura ereta e curvou a cabeça formalmente.
— É uma honra, Presidente Kim. Estou pronta para apresentar a visão estratégica para a joint-venture.
— Tenho certeza de que sua visão é fascinante — Kang-dae respondeu com ironia sutil. Ele olhou para o relógio. — Senhor Park, gostaria de alinhar alguns pontos preliminares com a nossa consultora em uma conversa privada. Se não se importam.
Os diretores da NEXUS recolheram seus pertences e deixaram a sala imediatamente. Em trinta segundos, as portas duplas se fecharam, deixando apenas S/N, o Presidente Kim e dois assessores ao fundo.
— Sente-se, por favor, Senhorita S/N — disse Kang-dae, indicando a cadeira do outro lado da mesa.
S/N caminhou com firmeza, puxou o assento e sentou-se, cruzando as mãos sobre a pasta em seu colo.
— Agradeço a oportunidade. Se deseja discutir os termos do contrato—
— Não seja ingênua, senhorita — Kang-dae a cortou, a voz gélida. — Nós dois sabemos que esta reunião não tem nada a ver com logotipos ou branding.
Ele se reclinou na cadeira.
— Ontem pela manhã, meu filho abandonou a Reunião do Conselho alegando uma “urgência operacional”. Ele foi até o Aeroporto de Incheon buscar uma mulher. E essa mulher era você.
S/N sustentou o olhar sem piscar. O peito martelava, mas ela treinou seu rosto para a neutralidade.
— O que o Vice-Presidente Kim faz em sua vida pessoal diz respeito a ele, Presidente — respondeu, a voz estável. — Estou aqui sob um contrato formal de consultoria com a NEXUS. Meu compromisso é profissional.
Kim Kang-dae soltou um riso curto e seco.
— Profissional? Você recusou propostas em Nova York e Londres para aceitar um contrato de menor porte na Coreia. E no mesmo dia, meu filho ignora suas obrigações para levá-la ao apartamento dele em Hanam-dong.
Ele se inclinou para a frente.
— Em Paris, considerei um desvio temporário. Apaguei os rastros daquele aplicativo e o trouxe de volta para a realidade. Achei que tivesse entendido quando ele desapareceu.
A menção ao apagamento da conta do Guia V fez o estômago de S/N dar um nó, mas ela manteve a cabeça erguida.
— Taehyung não é uma propriedade corporativa, Presidente Kim.
— Taehyung é o futuro da Kang-Dae Logística! — a voz dele subiu, imperiosa. — Ele tem um papel neste país. Alianças a consolidar, um casamento de conveniência com a herdeira do Grupo Shinyea e um conselho para liderar. Não tem espaço para distrações românticas.
Kang-dae fez um sinal para o assessor. O homem colocou um documento impresso e uma caneta tinteiro de luxo diante de S/N.
— O que está diante de você é um distrato contratual amigável — disse Kang-dae, em tom de barganha implacável. — A Kang-Dae Logística assume a rescisão e concede uma indenização extraordinária de dois milhões de dólares.
S/N olhou para o papel. A quantia era capaz de garantir sua independência financeira absoluta.
— O documento inclui uma passagem de volta para o Brasil para esta noite — continuou ele — e uma cláusula de não-contato de dez anos em relação a Kim Taehyung. Você pega o dinheiro e deixa a Coreia hoje mesmo.
Ele sorriu, certo da vitória.
— É uma oferta generosa. Em troca, você simplesmente desaparece da vida do meu filho.
S/N encarou o documento em silêncio. A quantia ali tentava comprar sua dignidade, reduzindo-a a uma peça descartável no jogo de poder de Seul.
Lentamente, S/N ergueu as mãos. Sem tocar na caneta, segurou a borda do papel e o dobrou ao meio. Dobrou-o mais uma vez, reduzindo o documento a um retângulo amassado, e o deslizou de volta pelo mármore na direção de Kang-dae.
O sorriso do homem congelou.
— O que significa isso? — sibilou ele.
S/N se levantou, ajeitou a lapela de seu blazer e olhou nos olhos do homem com dignidade inabalável.
— Significa que o senhor cometeu um erro grave de avaliação, Presidente Kim. Achou que estava lidando com uma garota que pode ser assustada por um terno caro ou comprada por um cheque.
Ela apoiou uma das mãos na mesa, inclinando-se ligeiramente.
— Eu não cheguei até aqui porque recebi atalhos. Passei anos construindo minha reputação com base no meu próprio talento. Meu contrato com a NEXUS foi assinado porque minha capacidade técnica é irrefutável, não porque sou acompanhante do seu filho. Vou cumprir este contrato e entregar o melhor projeto que este consórcio já viu.
Kang-dae a encarava em choque.
— Você acha que tem escolha? Eu posso destruir sua carreira nesta cidade com um único telefonema.
— O senhor pode tentar fechar portas na Coreia — S/N respondeu —, mas não pode destruir meu talento nem meu prêmio em Nova York. O mundo é maior do que Yeouido. E quanto ao Taehyung… ele não é uma máquina que o senhor pode programar. Se ele está amarrado ao seu império por obrigação, é uma escolha dele. Mas eu não vou fugir para poupar seu orgulho corporativo. Se quiser me tirar do projeto, terá que quebrar o contrato publicamente e explicar aos acionistas por que demitiu a consultora premiada no primeiro dia.
Sem esperar por resposta, S/N virou-se de costas e deixou a sala com passos firmes, mantendo a cabeça erguida.
Quando as portas do elevador panorâmico se fecharam, as pernas de S/N finalmente tremeram. Ela encostou as costas no vidro frio, soltando o ar que parecia preso em seus pulmões. Enfrentar Kim Kang-dae exigira cada gota de sua coragem, mas ela não chorou.
Ela olhou para o próprio reflexo no vidro espelhado. Viu a mulher que se recusava a ser uma vítima passiva. A guerra estava declarada, e as ondas de choque atingiriam Taehyung.
S/N sacou o celular. Havia uma mensagem recente dele:
“Espero que a reunião esteja sendo incrível. Estou contando os minutos para o jantar. Te amo.”
S/N encarou a tela, sentindo um nó na garganta. A teia de controle sobre o homem que amava era mais profunda do que imaginara. Ela digitou uma resposta rápida:
“A reunião terminou. Precisamos conversar assim que você sair da empresa. É urgente.”
Guardou o telefone no bolso no exato momento em que o elevador atingiu o térreo. As portas se abriram para o saguão movimentado de Gangnam. S/N deu o primeiro passo para a rua, ciente de que o próximo movimento naquela partida pertenceria a Kim Taehyung.
[quote]Taehyung abriu os olhos lentamente. Não havia a frieza rígida do executivo de terno cinza que deixara a reunião do conselho na manhã anterior; ali, com os fios castanhos bagunçados e vestindo apenas uma calça de moletom cinza, ele era puramente o homem de Paris. O garoto do sorriso retangular, desarmado e entregue.
Um homem apaixonante, um sorriso safado, e delicado
Impossível n ficar besta por ele
[quote]— Ela continua aqui — S/N rebateu, encarando-o de cima. — E ela lembra perfeitamente que o ‘Guia V’ me prometeu um café decente em um certo bilhete, mas até agora só me ofereceu um tour incompleto pelo apartamento.
E eu só queria essa tour pra ser feliz
[quote]— Senti tanta falta disso… — murmurou, a brincadeira evaporando, dando lugar a uma sinceridade nua. — Da sua voz, da sua risada, de não precisar medir cada palavra. Em Seul, todo mundo quer um pedaço do que eu represento. Só com você eu sinto que posso simplesmente… respirar.
Ele pode ser quem realmente é
[quote]Era Kim Kang-dae. O pai de Taehyung.
Puta que pariu, F U D E U
[quote]— Não seja ingênua, senhorita — Kang-dae a cortou, a voz gélida. — Nós dois sabemos que esta reunião não tem nada a ver com logotipos ou branding.
Silêncio que o veio gaga vai falar
Fala, praga do Egito, falaaa
[quote]— O documento inclui uma passagem de volta para o Brasil para esta noite — continuou ele — e uma cláusula de não-contato de dez anos em relação a Kim Taehyung. Você pega o dinheiro e deixa a Coreia hoje mesmo.
EU VOU DALE NA CARA DESSE HOMEM, VOU DALE UMA VOADORA SO DE ODIO
[quote]— Significa que o senhor cometeu um erro grave de avaliação, Presidente Kim. Achou que estava lidando com uma garota que pode ser assustada por um terno caro ou comprada por um cheque.
AAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAA PQP, PQP
SN, TU É FODA DEMAIS
[quote]— O senhor pode tentar fechar portas na Coreia — S/N respondeu —, mas não pode destruir meu talento nem meu prêmio em Nova York. O mundo é maior do que Yeouido. E quanto ao Taehyung… ele não é uma máquina que o senhor pode programar. Se ele está amarrado ao seu império por obrigação, é uma escolha dele. Mas eu não vou fugir para poupar seu orgulho corporativo. Se quiser me tirar do projeto, terá que quebrar o contrato publicamente e explicar aos acionistas por que demitiu a consultora premiada no primeiro dia.
GRANDONA E SEM MEDO
BORA TAE, PEDE LOGO EM CASAMENTO QUE A MULHER É ESSA
É memo ne, o pai dele.. o que esse velhote ta aprontando?
Aaah ta aí o que ele tava aprontando pqp
Velhote asqueroso pqp.. eu sentava a mão na fuça dele
meu senhor tu acha mesmo que ela vai querer largar aquele monumento com 3 metros de pica pq tu quer é?
Vai pisar nesse velho fedido a naftalina
Arrasou divaaaa… ta achando o que? Aqui é Brasil porra