Capítulo 7 – Entre Jatos de Ouro e Telas de Vidro
por FanfiqueiraOs passos de S/N até o quarto de hotel foram mecânicos. O lobby luxuoso e o som de jazz que antes pareciam apenas um cenário impessoal agora pareciam zombar do vazio que se instalara em seu peito. Ela bateu a porta do quarto atrás de si e encostou a cabeça na madeira fria, os lábios ainda retendo o calor daquele beijo urgente e doloroso.
A reverência de noventa graus. O sedan blindado. A pressa silenciosa. Nada daquilo fazia sentido para o garoto que havia tropeçado em uma lavanderia automática dias atrás.
— Quem é você, Taehyung? — ela sussurrou para o quarto vazio.
Recusando-se a aceitar a narrativa do abandono puro e simples, S/N caminhou até a cama. Seus dedos, trêmulos, pegaram o celular. Pela primeira vez desde que pisara em Paris, ela abriu o navegador com um propósito que não era turístico. Ela buscou na memória a imagem rápida do passaporte azul escuro que vira à beira do Sena e digitou na barra de pesquisa: Kim Taehyung, Seul.
A tela piscou. Em menos de um segundo, a imensidão da internet desabou sobre ela.
Não havia fotos dele posando em cafeterias ou comentários de viagens. O motor de busca foi inundado por portais de finanças internacionais, manchetes econômicas da Ásia e artigos de jornais de negócios de Seul. Fotos em alta definição mostraram o mesmo homem, mas com os cabelos perfeitamente alinhados, vestindo ternos sob medida que custavam fortunas, cercado por guarda-costas em coletivas de imprensa.
“Herdeiro do Grupo Kang-Dae Logística desaparece na Europa e acende alerta no mercado de ações.” “Crise de sucessão: Onde está Kim Taehyung? O futuro bilionário que rejeita o império marítimo do pai.” “Especulações sobre o paradeiro do herdeiro da Kang-Dae movimentam o distrito financeiro de Seul.”
S/N soltou o celular sobre os lençóis brancos como se o aparelho tivesse queimado suas mãos. A respiração ficou curta. O “turista terrivelmente perdido” que fingia ser guia para não ficar sozinho… era o príncipe herdeiro de um império comercial que controlava metade dos portos da Coreia do Sul. O tamanho da mentira era monumental, mas, ao olhar para os lados, a dor do engano foi sufocada por uma percepção muito mais nítida: ele não tinha ido embora porque queria. Ele tinha sido capturado por sua própria realidade.
Enquanto isso, a duzentos por hora na rodovia em direção ao aeroporto Charles de Gaulle, o silêncio dentro do sedan preto era sufocante.
Taehyung mantinha a testa encostada no vidro escuro da janela, vendo os arredores de Paris se transformarem em um borrão cinzento de asfalto. A boina preta estava jogada no banco ao lado, um pedaço de lã sem vida que já não carregava o charme do Guia V.
— Jovem Mestre — a voz do secretário estacionado no banco da frente quebrou a quietude de forma polida, mas cortante. Ele estendeu um tablet de última geração por cima do estofado de couro. — Seu pai o espera no hangar privado. As especulações da imprensa internacional sobre o seu paradeiro já foram contidas pelo departamento jurídico. Estes são os relatórios financeiros do último trimestre que o presidente exige que o senhor revise antes do pouso em Incheon.
Taehyung nem sequer olhou para o aparelho. Ele apenas continuou encarando o reflexo de seus próprios olhos no vidro. — Guarde isso, Seok. Eu passei os últimos sete dias lendo mapas de papel de cabeça para baixo. Gráficos de barras não me interessam agora.
O secretário recolheu o tablet com uma leve reverência de cabeça, sabendo que insistir seria inútil. O relógio no painel do carro avançava implacável. O tempo de brincar de ser humano comum havia expirado às dez da manhã.
Quando o veículo finalmente cruzou os portões de segurança do aeroporto e estacionou diretamente na pista de decolagem particular, a silhueta imponente do jato executivo da família reluzia sob o sol pálido. Taehyung subiu os degraus de metal com passos pesados. Cada degrau parecia uma linha de um contrato que ele estava sendo forçado a assinar com o próprio sangue.
Ao entrar na cabine luxuosa de madeira de lei e poltronas de couro legítimo, o clima congelou instantaneamente. Sentado à mesa principal, segurando uma xícara de porcelana, estava Kim Kang-dae. O magnata não usava expressões de raiva; sua fúria era sempre medida pelo nível de sua indiferença.
— Você está atrasado cinco minutos, Taehyung — o pai disse, sem desviar os olhos do documento que lia.
— Eu estava tomando um café de verdade, pai. Algo que não servem em jatos particulares — Taehyung respondeu, jogando-se na poltrona oposta com uma audácia que raramente demonstrava em Seul.
Kang-dae finalmente ergueu os olhos. Ele estendeu a mão para o lado e pegou um saco plástico transparente que continha o mapa de papel gigante e amassado que os seguranças haviam confiscado do quarto de Taehyung no Hôtel de Crillon mais cedo. O pai jogou o objeto sobre a mesa de centro, como se fosse lixo.
— Uma lembrança de uma fase imatura — declarou o mais velho, a voz fria. — Você achou mesmo que se esconder atrás de uma boina velha e inventar histórias para estrangeiras faria de você alguém diferente do que nasceu para ser? Você é o futuro da Kang-Dae. O aço daqueles navios está no seu sobrenome.
Taehyung olhou para o mapa na mesa. Lembrou-se de S/N rindo quando ele disse que o rio Sena tinha mudado de lugar. Lembrou-se de Pierre do Botão. Um sorriso triste, mas orgulhoso, cruzou seus lábios.
— Aquele mapa pode ser ridículo para você, pai — Taehyung disse, inclinando-se para a frente, os olhos fixos nos do homem que comandava milhares de funcionários. — Mas as histórias que inventei com ele foram a primeira vez que eu descobri o que é ser feliz de verdade. A S/N não dava notas para o herdeiro de bilhões. Ela dava nota para o cara que se perdia com ela. E, pela primeira vez na vida, eu não queria ser encontrado por você.
O olhar do pai endureceu, mas antes que a discussão prosseguisse, as turbinas do jato rugiram alto, iniciando o procedimento de táxi na pista. O império estava levando seu príncipe de volta à força.
Enquanto a aeronave acelerava e finalmente cortava a espessa camada de nuvens de Paris, deixando a Cidade Luz para trás a milhares de metros de altitude, Taehyung afundou na poltrona. O pai já havia voltado a se concentrar nas telas do mercado financeiro.
Aproveitando o silêncio, Taehyung enfiou a mão no bolso interno do sobretudo marrom, tateando o tecido até encontrar o que procurava. Ele puxou o pequeno quadrado de papel fotográfico que os seguranças do pai haviam deixado passar por puro descuido.
Era a foto polaroid de S/N.
Na imagem, ela sorria com o nariz vermelho pelo frio, encarando a vitrine de antiguidades com a leveza de quem tinha o mundo inteiro pela frente. Taehyung acariciou a borda branca da foto com o polegar. Paris estava desaparecendo lá fora, mas enquanto olhava para aquele sorriso, ele percebeu que o Guia V podia ter perdido o mapa, mas Kim Taehyung finalmente tinha encontrado um destino pelo qual valia a pena lutar.
Aaah fia senta pq senão tu vai cair pra trás kkkkkk é so im magnata de Seoul
[quote]— Quem é você, Taehyung? — ela sussurrou para o quarto vazio.
Um grande de um gostoso, com 3 pernas e com uma língua que nem te conto
Pois é fia te disse que tu ia ficar gag the lá gag
O velhote ja chegou botando o pau na mesa
Muito romântico esse boy ne.. apaixonante demais, eu não deixava ele ir embora assim não
[quote]S/N soltou o celular sobre os lençóis brancos como se o aparelho tivesse queimado suas mãos. A respiração ficou curta. O “turista terrivelmente perdido” que fingia ser guia para não ficar sozinho… era o príncipe herdeiro de um império comercial que controlava metade dos portos da Coreia do Sul. O tamanho da mentira era monumental, mas, ao olhar para os lados, a dor do engano foi sufocada por uma percepção muito mais nítida: ele não tinha ido embora porque queria. Ele tinha sido capturado por sua própria realidade.
Poxaaaa, ele tava fugindo da sua realidade, querendo ser livre, distante da pressão do seu dia a dia
[quote]— Uma lembrança de uma fase imatura — declarou o mais velho, a voz fria. — Você achou mesmo que se esconder atrás de uma boina velha e inventar histórias para estrangeiras faria de você alguém diferente do que nasceu para ser? Você é o futuro da Kang-Dae. O aço daqueles navios está no seu sobrenome.
Lá vem o velho gaga impedir a felicidade do filho.
Manda internar no asilo, Tae
[quote]— Aquele mapa pode ser ridículo para você, pai — Taehyung disse, inclinando-se para a frente, os olhos fixos nos do homem que comandava milhares de funcionários. — Mas as histórias que inventei com ele foram a primeira vez que eu descobri o que é ser feliz de verdade. A S/N não dava notas para o herdeiro de bilhões. Ela dava nota para o cara que se perdia com ela. E, pela primeira vez na vida, eu não queria ser encontrado por você.
Aaah que lindooo *-*
Quem tá apaixonada por ele sou eu
( VEEEM TAE, QUERO ME PERDER EM VOCE, COM VOCÊ)
[quote]Na imagem, ela sorria com o nariz vermelho pelo frio, encarando a vitrine de antiguidades com a leveza de quem tinha o mundo inteiro pela frente. Taehyung acariciou a borda branca da foto com o polegar. Paris estava desaparecendo lá fora, mas enquanto olhava para aquele sorriso, ele percebeu que o Guia V podia ter perdido o mapa, mas Kim Taehyung finalmente tinha encontrado um destino pelo qual valia a pena lutar.
Eu tou apaixonadoo, eu tou topando tudo e não tou nem ligando pro que o meu pai vai dizer….
Tem meu apoio, torcendo por vocês