Capítulo 2 – A Gastronomia do Improviso
por FanfiqueiraO sol de Paris começava a baixar, pintando o céu com tons de damasco e lavanda que fariam qualquer pintor impressionista chorar de inveja. S/N e Taehyung caminhavam agora por uma rua estreita, cujas paredes de pedra pareciam guardar segredos de séculos. O estômago de S/N soltou um ronco audível, quebrando o silêncio confortável que se instalou após a “aula de história” sobre o inventor do botão.
Taehyung parou imediatamente, levando a mão ao peito como se tivesse sido atingido por uma flecha. — Ouviu isso, S/N? É o chamado da França. O seu corpo está clamando por alta gastronomia. E como seu guia oficial, eu não posso permitir que você sofra de inanição sob minha custódia.
— Se você me levar para outra lavanderia dizendo que o sabão em pó é açúcar de confeiteiro, eu juro que peço reembolso — S/N brincou, ajustando a alça da bolsa.
Taehyung soltou uma risadinha anasalada, aquele som que parecia um segredo compartilhado. — Confie em mim. O lugar para onde vamos é tão exclusivo que não tem nem nome na porta. É o conceito de cuisine éphémère.
Dez minutos depois, eles não estavam em um restaurante com estrelas Michelin. Eles estavam parados em frente a um pequeno carrinho de metal, onde um senhor de idade avançada fritava crepes com uma agilidade hipnótica. O cheiro de manteiga e Nutella flutuando no ar frio de Paris era mais acolhedor do que qualquer tapete vermelho.
— Um carrinho de crepes, Taehyung? — S/N arqueou uma sobrancelha.
Ele se inclinou para perto dela, o tom de voz caindo para um sussurro conspiratório. — Não é apenas um carrinho. É o Palais du Sucre. O dono, Monsieur Jean, é um filósofo que expressa sua visão de mundo através da massa circular. Observe a técnica.
Taehyung se aproximou do carrinho e, para a surpresa de S/N, começou a gesticular freneticamente enquanto falava um francês que soava mais como uma mistura de italiano com coreano e alguns “ooh-la-la” jogados no meio. O vendedor apenas o encarava com uma expressão de pura confusão, mas acabou entregando dois crepes fumegantes envolvidos em guardanapos de papel.
— Ele disse que você tem olhos de quem aprecia a arte — mentiu Taehyung com a maior cara de pau do mundo, entregando o crepe para S/N.
Eles se sentaram em um banco de ferro verde em uma praça próxima. O primeiro pedaço foi uma explosão de sabor. O calor do doce contrastava com a brisa gelada da noite que chegava. S/N fechou os olhos por um momento, sentindo-se genuinamente feliz pela primeira vez em meses.
— E então? — Taehyung perguntou, observando-a com uma intensidade que a fez perder o fôlego por um segundo. — Qual a sentença da juíza?
S/N pegou o bloco de notas de couro, que agora já parecia um objeto sagrado entre os dois, e escreveu:
Local: Palais du Sucre (também conhecido como o carrinho do Jean). Nota: 9,5/10. Comentário: Perdeu meio ponto porque o guia quase causou um incidente diplomático tentando falar francês, mas o crepe cura qualquer trauma amoroso.

Taehyung pegou o bloco e fingiu um biquinho de indignação. — Incidente diplomático? Eu fui charmoso! O charme atravessa barreiras linguísticas, S/N. — Ele então pegou a caneta e acrescentou uma observação abaixo da dela:
Nota do Guia: 10/10 para a companhia. A cliente sorri mais do que come, o que torna o trabalho muito fácil.
S/N sentiu o rosto esquentar, e desta vez não era por causa do crepe quente. Ela olhou para o lado, tentando disfarçar o sorriso, e viu Taehyung focado em limpar uma mancha de chocolate no próprio dedo. Ele agia com uma naturalidade desconcertante, como se conhecesse S/N há anos e não há apenas duas horas.
— Por que você faz isso, Taehyung? — ela perguntou subitamente.
Ele parou o que estava fazendo, os olhos curiosos brilhando sob a luz dos postes de luz que acabavam de se acender.

— O quê? Comer crepes em praças escuras? É um hobby saudável.
— Não. Ser esse… “guia”. Fingir que sabe tudo, quando na verdade você parece estar mais perdido do que eu.
O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas carregado. Taehyung suspirou, recostando-se no banco e olhando para as estrelas que começavam a surgir. Ele tirou a boina, revelando o cabelo levemente bagunçado, e a girou entre os dedos.
— Às vezes — ele começou, a voz mais grave e honesta — é bom ser alguém que as pessoas esperam que tenha as respostas. Em casa, todo mundo sabe exatamente quem eu sou, o que eu faço e o que eu deveria estar sentindo. Mas aqui? Aqui eu sou o Guia V. Eu posso inventar a história de uma estátua. Posso transformar uma lavanderia em um templo. Paris é a cidade das luzes, mas para mim, é a cidade das possibilidades.
Ele se virou para ela, o olhar suave. — E você, S/N? Você veio para cá para se encontrar ou para se perder de vez?
S/N sentiu o impacto da pergunta. Ela pensou no ex, na rotina sufocante que tinha deixado para trás e na sensação de vazio que a acompanhara no avião. — Eu vim para fugir — admitiu ela em voz baixa. — Mas acho que acabei contratando a única pessoa capaz de me fazer esquecer de onde eu fugi.
Taehyung sorriu, mas não foi o sorriso retangular e brincalhão de antes. Foi algo mais contido, mais íntimo. Ele se aproximou um pouco mais no banco, o espaço entre eles diminuindo até que ela pudesse sentir o calor do seu sobretudo.
— Então estamos em uma missão secreta — ele declarou. — Você foge do passado, e eu finjo o presente. Parece o enredo de um filme noir muito ruim, o que significa que é perfeito.
Ele se levantou e estendeu a mão para ela, em um gesto de cavalheirismo antiquado que combinava perfeitamente com a boina e o sobretudo. — Vamos, S/N. A noite ainda é jovem e eu tenho certeza de que existe um museu ali na frente que, segundo minhas fontes confiáveis (minha imaginação), guarda o primeiro par de meias tricotado na história da humanidade.
S/N riu, segurando a mão dele. A palma da mão de Taehyung era quente e firme, e ela não soltou mesmo depois de estar de pé. — Meias tricotadas? Você não desiste mesmo, não é?
— Um guia de verdade nunca abandona seu roteiro — ele piscou.
Eles começaram a caminhar de mãos dadas pelas ruas agora iluminadas. S/N percebeu que não estava mais olhando para o celular. Ela não se importava com a bateria, com o mapa ou com o fato de que provavelmente estavam andando em círculos.
Naquele momento, as notas que eles escreviam não eram sobre coordenadas geográficas ou monumentos de mármore. Eram sobre o jeito que Taehyung inclinava a cabeça quando ria, ou a forma como S/N se sentia segura em um lugar onde tudo era desconhecido.
Paris ainda era uma cidade estrangeira, mas com Kim Taehyung ao seu lado, S/N estava começando a se sentir em casa.
— Então estamos em uma missão secreta — ele declarou. — Você foge do passado, e eu finjo o presente. Parece o enredo de um filme noir muito ruim, o que significa que é perfeito.
Realmente, MT perfeito kkkkk
[quote]— Se você me levar para outra lavanderia dizendo que o sabão em pó é açúcar de confeiteiro, eu juro que peço reembolso — S/N brincou, ajustando a alça da bolsa.
KKKKKKKKKKK rpz, eu n duvido nao
[quote]— Se você me levar para outra lavanderia dizendo que o sabão em pó é açúcar de confeiteiro, eu juro que peço reembolso — S/N brincou, ajustando a alça da bolsa.
KKKKKKKKKKK rpz, eu n duvido naoo
Puxa vida! Até lá é na fic tem nutella. Isso é castigo pra quem não curte. Hahaha
[quote]Taehyung pegou o bloco e fingiu um biquinho de indignação. — Incidente diplomático? Eu fui charmoso! O charme atravessa barreiras linguísticas, S/N. — Ele então pegou a caneta e acrescentou uma observação abaixo da dela:
Isso n podemos negar
Ele encantando com a cliente e ela com ele
Uma salvação para o coração dela. Uma missão secreta com ele
Uma missão para salvar o coração dela. Ai que sonho
[quote]S/N sentiu o impacto da pergunta. Ela pensou no ex, na rotina sufocante que tinha deixado para trás e na sensação de vazio que a acompanhara no avião. — Eu vim para fugir — admitiu ela em voz baixa. — Mas acho que acabei contratando a única pessoa capaz de me fazer esquecer de onde eu fugi.
Que sorte a tua, né não??